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É uma Copa brasileira, com certeza!

Daniel Melo · 2 min

É uma Copa brasileira, com certeza!

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Já se iniciou a Taça dos Libertadores da América. A mais importante competição das Américas. Do novo mundo. Bonito nome. AMÉRICA! Dizem que foi o antigo navegador Américo Vespúcio o primeiro ser do mundo civilizado a pisar a Terra Nova. E esta, hein? Cristóvão Colombo renegado da história…

Enfim, uma coisa é certa. O Brasil não tem nada a ver com esta história. Isto é, com os feitos da libertação das Américas. Até porque, como se sabe, ficou um país uno e indivisível (mas não nos moldes de Salazar) e de dimensões continentais. Ou seja, o que se passa na América do Sul reflete um pouco o que se passa na Península Ibérica: um Portugal unido, onde se fala a uma só voz, e uma Espanha dividida, onde se falam várias línguas e dialetos e os sentimentos de pertença são, não raras vezes, impostos e não partilhados. Tal e qual como na fulva América Latina. Os países espanhóis possuem muita rivalidade entre si.

Isto para explicar que o processo de independência do Brasil, que se deu em 1822, no mesmo ano da Primeira Carta Constitucional Portuguesa, foi mais ou menos pacífico. Salvo o triste episódio do assassinato de Tiradentes. Joaquim José da Silva mais Xavier. Nome mais português que muitos lusitanos. De facto, a Inconfidência Mineira foi a organização mais “organizada” do Brasil para lidar com a questão da independência. Mas tudo muito pacífico. Até porque o D.Pedro I do Brasil era o nosso… exatamente: D.Pedro IV!

Aquela que todos desejam Fonte: Netplacar.blogspot.com
Aquela que todos desejam
Fonte: Netplacar.blogspot.com

No Brasil existem 26 Estados e um Distrito (Brasília, capital). Cada um deles tem uma bandeira. No estandarte de Minas Gerais pode ler-se em bom latim: Libertas quae sera tamen.[1] É o único indício de alguma rebeldia. De resto… tudo pacífico. Como o oceano.

Nas partes espanholas foi tudo diferente. Guerras com a metrópole, guerras entre os próprios países (Guerrra do Paraguai, por exemplo). Assim, o Brasil saiu reforçado com fronteiras bem delineadas e uma língua extendida a todo o território. Sem dialetos (tirando os dos índios).

Como vêem, o Brasil não é tido nem achado nesta história. O nome foi ficando. Já todos se habituaram. Agora nada a fazer.

São seis as equipes brasileiras inseridas na Libertadores. A saber: O campeão nacional Cruzeiro; o campeão da Libertadores passada, Atlético mineiro – será interessante ver a prestação dos dois gigantes mineiros – a surpresa Atlético Paranaense; os cariocas Botafogo e Flamengo; e ainda o Grêmio, que já começa a ser um habitué nestas andanças, mas sem os resultados desejados.

Eu não sei, Não posso saber, mas cheira-me que este ano será difícil para todos, obviamente. Porém, cheira-me, cheira-me que o Brasil vai fazer o inédito penta na competição – em 2010 venceu o Internacional, em 2011 o Santos, no ano seguinte o Corinthians e agora foi o Atlético de Minas Gerais. Depois de várias alterações aos regulamentos (como no caso de nas meias-finais estarem presentes duas equipas brasileiras elas terem de jogar obrigatoriamente entre si), esta competição começa a sentir a força de um país monstruoso. Que vai tendo cada vez mais poder. E a bolha pode rebentar. O polvo tem força e lança os seus tentáculos. Veremos se ele é morto. Só que se for, devido ao seu poder, todos os outros irão com ele.



[1] “Liberdade ainda que tardia”

Daniel Melo

Redação Bola na Rede · ver artigos

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