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Estados de alma

Daniel Melo · 2 min

Estados de alma

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Gosto de mudar de espírito. Não do spectrum que nos dá vida; mas de humor. É isso, em parte, que define os seres humanos de outros tipos de vida. Embora eu não esteja (nem queira) aqui fazer nenhum apartheid zoófilo. Alegra-me o facto de hoje poder estar nas nuvens e amanhã ainda mais alto. Pior é quando a coisa vai para baixo…

O nosso coração, qual mecenas do humor, vai incentivando, investindo. E depois tira satisfações para os resultados gerais. “Muito bem, disposição. Ora, este mês foram cinco vezes de mau humor, embora uma delas por doença, mais três de ocasiões de indefinição, mas no geral está bom. Pronto, vá. Ainda não chegou a hora da taquicardia!”

É o que acontece nos estaduais do Brasil. É um teste diagnóstico a que as equipes se submetem para ver o estado em que estão antes do Brasileirão. Ou seja, o estado do Estado. Mas nem sempre isso significa tudo. O Cruzeiro, por exemplo e como já referimos, perdeu o título de campeão mineiro para o Atlético. Mas nem por isso deixou de ser campeão nacional. O Corinthians foi campeão paulista contra o Santos de Neymar, que poderia ter feito o tetra no Paulistão. Algo que nem o Santos de Pelé conseguiu. Mas nem esse facto valeu ao “Coringão”, tendo uma pífia atuação no Brasileirão de 2013.

Nos estaduais muita coisa pode acontecer. Despedida de treinadores, jogadores, funcionários, sei lá. Lá está. Depende do estado de alma de cada clube. Estaduais mais importantes? Onde estão as equipes mais importantes: Paulista, para muitos o mais difícil de vencer; Carioca, com os quatro grandes; Mineiro e Gaúcho. E depois transforma-se numa miríade de outros Estados com equipas que já foram campeãs, mas que sucessivamente vão perdendo poder para o eixo do sudeste. Isto é, Rio-São Paulo- e agora volta a ser Minas Gerais. Relembre-se que o Campeonato Brasileiro de Futebol termina em dezembro. Estamos em janeiro e os clubes já lutam por um título oficial de média duração. Quem disse que o ritmo no Brasil é lento? Mais uma vez reitero aquilo que defendo.

O cortejo carnavalesco de alegres foliões Fonte: Estadao.com.br
O cortejo carnavalesco de alegres foliões
Fonte: Estadao.com.br

Regras dos estaduais? Simples. Equipas do mesmo Estado. Ou seja, paulista só joga com paulista, carioca com carioca, cearense com cearense, baianos e baianos (sem a Carmen Miranda, que por sinal até era portuguesa), etc. E cada um tem as suas especificidades. Não são todos iguais. Uns são por pontos corridos. Outros por pontos numa primeira fase e depois é o chamado “mata-mata”, como num Western sentimental. E vão variando.

Como os estados de uma alma.

Lá para finais de fevereiro haveremos de ter mais notícias deste caso. Mas nessa altura a alma é outra. Aí quem impera é o Carnaval. E na folia não há volta a dar. É alegria pela certa.

Daniel Melo

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