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ADA Maia ISMAI 29-39 Sporting CP: Leões passam “sem espinhas” na Maia

Simão Mata · 6 min

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Defrontaram-se, para a nona jornada do Campeonato Nacional de Andebol, a equipa do ADA Maia/ISMAI e do Sporting Clube de Portugal. Antes do jogo, os maiatos encontravam-se na oitava posição do Campeonato com 16 pontos e a equipa dos Leões estava em segundo lugar com 24, apenas a um ponto do rival Benfica. A equipa maiata e a formação de Alvalade, apesar de equipas com objetivos distintos para a temporada, proporcionaram bons momentos de Andebol do Pavilhão Municipal da Maia.

Se pudéssemos resumir a partida numa frase diríamos apenas o seguinte: foi um jogo onde a equipa dos Leões esteve sempre por cima da equipa do ISMAI. No entanto, logo no início do encontro, a equipa maiata, talvez galvanizada pelo facto de jogar em casa, entrou destemida em disputar um resultado diferente daquele que se verificou no final. Mas a qualidade da equipa dos Leões acabou por impor-se e suplantar essas aspirações iniciais maiatas. Aos 12 minutos de jogo, o resultado já era favorável aos leões por 4-8.

A equipa do Sporting começou com Manuel Gaspar na baliza, Carlos Carneiro a Central, Edmilson Araújo a lateral esquerdo, Felipe Borges a ponta esquerda, Frankis Carol a lateral direito e Francisco Tavares a ponta direita. Nos momentos defensivos, o Sporting atuou no seu habitual sistema 6×0, marcados por momentos de elevada agressividade defensiva, cortando as investidas do ISMAI à baliza de Manuel Gaspar. Destaque, no plano ofensivo, para os remates de Edmilson Araújo e de Frankis Carol. A aposta do treinador leonino Hugo Canela no pivot Tiago Rocha para iniciar a partida revelou-se frutífera uma vez que o português de 32 anos correspondeu com uma atuação de bom nível, bastante móvel no ataque, dando dores de cabeça constantes à defesa maiata.

A equipa do ISMAI revelou ser uma equipa bem organizada, com boas qualidades individuais. Neste plano, destaque para o Central António Ventura, sempre muito esclarecido em campo, Senhor de remates fortes e de elevado recorte técnico. Os seus remates foram uma constante durante todo o jogo. No plano coletivo, regista-se uma equipa em processo de formação, com elementos carregados de potencial mas ainda pouco maduros, algo que a equipa dos Leões têm de sobeja. E isso foi determinante para o resultado final deste jogo.

Na primeira parte, sinal bastante positivo para a prestação do ponta esquerda leonino, Felipe Borges, que desafiou várias vezes com sucesso o guarda-redes maiato Manuel Borges. Ao minuto 18, Hugo Canela mexe na equipa leonina e coloca Carlos Ruesga nos momentos ofensivos do jogo e Bjelanović nos momentos defensivos. Mas Ruesga entra para lateral direito, continuando Carlos Carneiro na posição de Central.

Os últimos minutos da primeira parte foram muito mexidos de parte a parte: o Sporting tentava aumentar a distância de golos face ao ISMAI e estes queriam reduzir a todo o custo a margem que já se verificava no marcador a favor da turma de Alvalade. Foi, neste momento do jogo, que Manuel Gaspar espantou a assistência que acorreu ao pavilhão da Cidade da Maia, realizando defesas de elevada qualidade técnica e mostrando, em terras maiatas, que as suas recentes exibições não têm sido fruto do acaso. No final da primeira parte, o placard marcava 10-22 a favor da equipa dos Leões.

A segunda parte inicia com duas alterações na equipa dos Leões: entra, para Pivot, o eslovaco Michal Kopkco saindo Tiago Rocha e entra também Janko Bozovic para a posição de lateral direito, saindo o cubano Frankis Carol. A equipa soltou-se mais, criou maior envolvência ofensiva e empurrou a equipa do ISMAI que, nesta altura, viu jogar o Sporting jogar Andebol. Veio ao de cima toda a maturidade da equipa do Sporting. À equipa do ADA Maia restava-lhe apenas aproveitar algumas falhas leoninas para, no contra-ataque, tentar fazer golos. Destacou-se, na segunda parte, o guarda-redes do ISMAI Ricardo Castro que entrou na segunda parte. Mas, apesar da sua boa prestação, não conseguiu anular a avalanche ofensiva leonina: ao minuto 40, o resultado estava nos 16-28.

Ao minuto 45 entra o internacional português Pedro Portela, ocupando a posição de lateral direito, deixando a ponta direita para o jovem talento Francisco Tavares que passeou a maturidade dos seus 20 anos no pavilhão municipal da Maia. O Sporting, estando com uma vantagem confortável no marcador, aproveitou para colocar alguns pupilos da sua formação em ação: ao minuto 51 entra para a ponta esquerda dos Leões o jovem de 19 anos Bruno Gaspar, saindo aquele que foi certamente dos melhores, senão mesmo o melhor jogador da partida: Felipe Borges.

O Sporting continuava por cima e o ISMAI ia fazendo o jogo possível perante um Sporting com outros argumentos para disputar o Campeonato Nacional. O final da partida ditou, por isso, a vitória inequívoca e indiscutível do Sporting do Prof. Hugo Canela com um resultado categórico de 29-39.

A FIGURA

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Felipe Borges – Contratado esta temporada para a equipa dos Leões, proveniente dos franceses do Montepellier, o brasileiro realizou uma excelente prestação no Pavilhão da Maia frente ao ADA Maia/ISMAI. Mostra espírito de equipa, é um rematador nato, sabe usar os espaços sem bola. Mas a sua principal qualidade é a maturidade com que imprime em cada jogada.

O FORA DE JOGO

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Pedro Valdés – A exibição do cubano na Maia esteve aquém das suas qualidades técnicas. O cubano ex-Avanca teve uma primeira parte onde não conseguiu concretizar em golo grande parte dos remates que executou. Melhorou um pouco na segunda parte, mas esteve abaixo do seu nível competitivo natural e habitual.

CONFERÊNCIA BnR

Sporting CP

Hugo Canela: Tivemos uma resultado muito bom em que trabalhámos muito bem nos primeiros 30 minutos, para poder gerir o esforço de toda a gente, para depois no Sábado também podermos contar com todos com a máxima intensidade. Vai ser um jogo muito difícil, o Besiktas é uma equipa que joga muito bem Andebol, não sai dos seus princípios e está o jogo todo sempre no mesmo ritmo, não sai do seu plano de jogo, o que cria sempre grandes dificuldades. Mesmo naqueles jogos em que eles estão a perder por cinco, conseguem sempre voltar ao jogo. Portanto, é uma equipa em que vamos ter que estar na nossa máxima intensidade, com a nossa máxima concentração e este jogo (contra o ISMAI) também foi bom para nos prepararmos. O ISMAI também defende 6×0 como o Besiktas, é bom termos este jogo a meio da semana para treinarmos as situações que podemos vir eventualmente a usar no sábado.

BnR: E sobre o jogo de hoje propriamente dito, o que destaca?

Hugo Canela: Na primeira parte conseguimos consolidar as coisas que estamos a fazer bem, principalmente ao nível da defesa. Estamos com uma defesa muito proativa e isso também deixa-me bastante feliz e tem trazido bastantes frutos (…).

 

ADA Maia/ISMAI

BnR: Quais as principais aspirações da equipa do ISMAI para esta época?

Rui Silva: O ISMAI desde o primeiro dia desta pré-época que se afirma como um potencial candidato a lutar pelos seis primeiros lugares. Sabemos que o jogo de hoje não era, nem de longe nem de perto, um jogo do nosso campeonato, são ambições completamente distintas: o Sporting é candidato ao título com muitos recursos (…) muitas opções, muitas soluções. Nós, neste momento, para além de um ou outro jogador que está lesionado, temos ainda o nosso jogador estrangeiro que foi jogar para a sua seleção e não podemos contar com ele. Mas estou confiante… O nosso mês principal vai ser dezembro, onde jogaremos com uma série de equipas do nosso campeonato e que ditará se conseguiremos ou não alcançar o nosso objetivo.

BnR: A consolidação de alguns processos de jogo é fundamental nesta equipa?

Rui Silva: Sim, a questão é que apesar da nossa ambição todas as épocas, todas as épocas a equipa muda. Mas isso também é sinónimo de trabalho. A questão é que no primeiro ano em que cá cheguei, dois atletas estão hoje na equipa do Futebol Clube do Porto, no ano seguinte saíram outros tantos (…), a questão é que construir todos os anos uma equipa nova não é fácil. A ambição é fácil de se manter, a vontade de trabalhar é fácil de se manter. Os resultados que nós temos conseguido até agora demonstrar deve-se à formação de alguns atletas para equipas de topo que lutam por objetivos bem diferentes dos nossos. Agora, nós sabemos que essa é a lei do mais forte, sabemos que todos os anos vamos perder jogadores porque nós trabalhamos com qualidade, temos ritmo e ambição e, portanto, é natural que os jogadores cresçam e que outras equipas olhem para eles.

Simão Mata

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