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Análise das Seleções Presentes no Mundial | Andebol

Filipe Pereira · 31 min

Foto: FPA

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Entre os dias 11 e 29 de janeiro, a Polónia e a Suécia vão receber o melhor andebol do Mundo. Os dois países vão ser coanfitriões da 28ª edição do Campeonato do Mundo de andebol, em que a Dinamarca parte com ambições de conquistar o terceiro título consecutivo.

32 equipas (incluindo Portugal) distribuídas por oito grupos de quatro formações, vão disputar o título, cujo recorde pertence à França com seis campeonatos no palmarés. O BnR faz nos próximos parágrafos uma análise ao histórico e à forma com que cada seleção chega à prova maior do andebol.

GRUPO A

Espanha

Uma seleção que conquistou o campeonato por duas ocasiões, com vitórias na Tunísia em 2003, e em solo espanhol, no ano de 2005. Uma nação com relevo na modalidade, sendo que por 17 ocasiões, foram equipas espanholas a vencer a “Champions”, nomeadamente o FC Barcelona, atual campeão e recordista da competição, com 11 títulos.

Apenas por quatro chances é que os “Hispanos” não chegaram ao Mundial, marcando sempre presença na competição desde 1974. Contam com quatro medalhas na competição, a última das quais para o 3º lugar alcançado em 2021, depois de uma vitória frente à França pela medalha de bronze.

A Espanha chega a este Mundial com uma baixa de peso em Aleix Gómez, ponta direita do Barcelona que está a recuperar de problemas inflamatórios no tendão de Aquiles direito. De acordo com o clube catalão, as lesões de Gómez remetem para a época passada e só nas últimas semanas é que o jogador iniciou o tratamento.

Para preparar o Mundial, a Espanha alinhou no Torneio Domingo Bárcenas frente às seleções da Argentina, da Roménia e do Bahrein. Os castelhanos venceram o torneio, com três vitórias, todas de forma clara, com mais de trinta golos apontados e margens superiores a 10 golos.

A seleção espanhola não é uma equipa suportada por um ou dois jogadores, os golos foram maioritariamente distribuídos por toda a equipa, com destaque, ainda assim, para Agustín Casado (central do MT Melsungen) e Daniel Dujshebaev (central do KS Kielce), cada um com 11 golos na ficha pessoal. Ainda assim, um nome que brilhou nas três partidas foi o ponta de 26 anos que atua no HBC Nantes, Kauldi Odriozola. Com um total de 14 golos em 3 jogos, foi o melhor marcador dos “Hispanos” no torneio.

Odriozola conta  já com 100 golos em 26 jogos, no bom caminho para bater o rácio de 141 golos em 38 jogos que o espanhol alcançou em 2021/2022 ao serviço do Bidasoa. Kauldi Odriozola é um nome a ter debaixo do radar neste Campeonato do Mundo numa seleção espanhola que parte como favorita para ganhar o grupo A.

Montenegro

Uma seleção que faz a segunda participação num Mundial, depois de ter marcado a presença em Espanha no ano de 2013. Dez anos depois, a equipa montenegrina consegue a segunda presença em oito possíveis. Se no andebol feminino, Montenegro é uma grande potência, na vertente masculina não é possível dizer o mesmo.

A participação montenegrina no Mundial dá continuidade à qualificação alcançada para o Euro 2022, no qual a seleção balcânica venceu apenas 1 jogo, frente à Croácia. No que à região dos Balcãs diz respeito, a equipa de Montenegro tem vindo a apresentar um bom registo, sendo que derrotou o Kosovo e a Bósnia para confirmar o apuramento para o Mundial.

Os balcânicos fizeram quatro jogos de preparação para o Campeonato do Mundo, frente à Macedónia do Norte e ao Catar. Montenegro apenas alcançou uma vitória pela margem mínima frente à Macedónia. O outro jogo contra os macedónios terminou numa derrota, assim como o primeiro contra os cataris. O último jogo de preparação terminou num empate a 23 golos frente à equipa asiática.

Montenegro é bem capaz de pontuar num grupo que tem tudo para ser dominado pela Espanha. Mas é difícil prever se a seleção montenegrina tem hipóteses de melhorar o 22º lugar alcançado em 2013.

Chile

Uma seleção que chega numa forma quase incógnita a este Campeonato do Mundo. Vai disputar uma partida amigável a 8 de janeiro frente à Eslováquia, a única antes do Mundial e a primeira desde o jogo do 3º e 4º lugar para o Campeonato da América do Sul e Central que os chilenos venceram frente ao Uruguai.

O Chile chega ao Mundial pela sexta vez, todas consecutivamente desde 2011. Apenas por uma ocasião (em 2019) é que os chilenos conseguiram terminar nos 20 primeiros. É uma equipa mais habituada a este tipo de palcos, o que pode representar uma vantagem para os sul americanos.

Irão

A equipa da República Islâmica do Irão chega ao Mundial de andebol, à semelhança do que aconteceu com a seleção de futebol, sob grande pressão mediática e política, devido à tensão interna que o país vive, no decurso da morte Hasha Amini, uma jovem de 16 anos que morreu sob custódia policial. A família alega que terá sido um episódio de violência polícia a causar a morte de Amini, o que despoletou uma série de protestos relacionados com as violações de direitos humanos cometidas pelas autoridades públicas do Irão ao longo de 43 anos.

Nas últimas semanas, a situação voltou a ganhar um cariz mediático devido a uma série de execuções levadas a cabo contra pessoas envolvidas nos protestos contra o governo do Irão, com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos a alegar que já 516 manifestantes já foram mortos, 70 dos quais eram crianças, com 19 262 outros já detidos.

Tendo em conta que na seleção do Irão, apenas     não atua ao serviço de uma equipa iraniana, vai ser difícil assistir a qualquer manifestação política desta equipa, ao contrário do que aconteceu com a equipa de futebol.

Os iranianos chegam ao Campeonato do Mundo, depois de disputar três amigáveis, frente à Bélgica, à Polónia e a Marrocos, com a seleção do Irão a superar Marrocos pela margem mínima, mas com derrotas frente às duas equipas europeias, ainda que com resultados equilibrados. Frente à Polónia, os iranianos foram mesmo a ganhar por 17-16 ao intervalo, mas uma segunda parte mal conseguida causou um resultado de 27-32 para os polacos.

É a segunda vez que o Irão joga o Mundial de andebol, depois de participar na edição de 2015, no Catar, em que fechou na 21ª posição. Alcançou o quarto lugar no Campeonato Asiático em 2022, pelo que se espera uma seleção iraniana a um nível semelhante ao do Mundiak de 2015 (um ano depois de fechar o top 3 do Campeonato Asiático.

O grupo A tem tudo para ser dominado pela Espanha, sendo que os “Hispanos” têm tudo para avançar com três vitórias. Mais difícil é prever que equipas ocupam as restantes vagas, nomeadamente a que avança para a Taça do Presidente.

GRUPO B

França

A França é uma favorita crónica a ganhar o Mundial de andebol. Venceu a competição por 6 ocasiões, a primeira das quais em 1995, na Islândia. A primeira presença gaulesa na competição foi em 1954, com os franceses a falhar a qualificação apenas em quatro ocasiões, a última foi em 1986. Desde 1993, a França apenas não chegou às meias-finais do Campeonato do Mundo de andebol por duas ocasiões (em 1999 e em 2013).

A França chega à Polónia como campeã olímpica de Tóquio e como terceira classificada do Euro 2022, depois de vencer os campeões do Mundo em título. Nos jogos de preparação mais recentes, pulverizou os Países Baixos com uma vitória por 44-32 e ganhou pela margem mínima frente à seleção do Egito.

Os franceses chegam ao Mundial com duas baixas em relação aos Jogos Olímpicos, com o lateral esquerdo do Barça, Timothey N’Guessan, a recuperar de um dedo partido e por sua vez, Hugo Descat, considerado o melhor ponta esquerdo de Tóquio 2020 e jogador do Montpellier, ficou de fora devido a uma lesão no joelho. A estas duas baixas, acrescem as ausências de dois colegas de Descat: Karl Konan, lateral esquerdo, e Kyllian Villeminot, central do Montpellier. Ambos contraíram lesões recentes que os deixaram de fora do Mundial.

Ainda assim, os gauleses vão contar com dois jogadores diferenciadores de grande qualidade. São eles Dika Mem, lateral direito do Barcelona. Aos 25 anos, o jovem gaulês já venceu duas Champions consecutivas ao serviço dos catalães e destaca-se muito pela sua velocidade. Na lateral esquerda, outro jogador a ter debaixo do radar é Nikola Karabatic, veterano de 38 anos que foi já campeão olímpico por 3 ocasiões e que insere experiência valiosa na equipa. Nomes como Ludovic Fabregas e Luka Karabatic, também devem ser mantidos debaixo de olho.

Polónia

Uma das seleções anfitriãs, a Polónia chega ao Campeonato do Mundo em grande forma, depois de vencer (de forma clara) os 3 jogos amigáveis que realizou, frente ao Irão, a Marrocos e á Bélgica. Chega á fase preliminar do Mundial, com excelentes hipóteses de acabar num segundo lugar do grupo, sendo que o jogo de abertura da competição, frente á França, vai permitir identificar o eventual teto da prestação polaca no Campeonato do Mundo

Os polacos têm um bom registo na competição, arrecadando já diversas medalhas (a última das quais uma de bronze em 2015), mas sem nunca ter ganho qualquer competição internacional.  O andebol polaco tem, ao invés, vindo a ultrapassar um período mais instável, tendo caído para a Taça do Presidente (destinada ao último de cada grupo no Mundial) e falhado mesmo a qualificação para o campeonato de 2019.

Apesar das ambições altas, a Polónia entra no Campeonato do Mundo, já com uma baixa de peso na forma de Kamil Syprzak, pivô polaco que atua ao serviço do PSG, que se lesionou no último jogo da Champions League que os parisienses realizaram em 2022 e da qual Syprzak é, atualmente, o melhor marcador. Os adeptos portugueses vão encontrar uma cara familiar nesta seleção. Os polacos levam na convocatória, Patryk Walczak, pivô recentemente contratado pelo Sporting.

Arábia Saudita

Uma das claras favoritas a cair para a Taça do Presidente, a Arábia Saudita é, aparentemente, a equipa mais fraca num autêntico “grupo da morte” o que torna difícil para os sauditas acabar nos três primeiros lugares do grupo, de forma a tentar melhorar o seu melhor registo de sempre em Mundiais: um 19 lugar conquistado tanto em Portugal como em Espanha.

Nas últimas quatro presenças em Mundiais, a Arábia Saudita caiu sempre para a Taça do Presidente e, tendo falhado a participação em 2021, a simples presença no Campeonato do Mundo já é um feito notório para a seleção da Arábia Saudita que vai tentar desafiar todas as previsões.

Os sauditas fizeram três jogos de preparação que não se revelaram um bom presságio para o que podem fazer em Katowice. Três derrotas, uma frente ao Bahrein e outras duas, bem expressivas, frente á Dinamarca, não indicam que a equipa da Arábia Saudita possa fazer muita coisa num grupo com três excelentes equipas, mas não seria a primeira vez que uma formação teoricamente mais fraca, surpreendia no mundo do andebol. Todos os jogadores convocados atuam na liga saudita.

Eslovénia

Já a Eslovénia prepara a nona participação em campeonatos do Mundo. Tem efetivamente um bom historial na modalidade com duas presenças nas meias-finais de Campeonatos do Mundo, em 2013 e em 2017, com a última destas a valer a única medalha (o bronze) da Eslovénia em campeonatos do Mundo.

Á semelhança do que acontece com a Polónia, a Eslovénia também tem excelentes resultados internacionais, mas nunca foi capaz de ganhar uma competição de seleções. O melhor registo é a presença na final de um Europeu, jogado na Rússia, em 2004.

Eslovénia e Polónia têm tudo, portanto, para protagonizar um dos confrontos mais interessantes do Campeonato do Mundo com ambas as seleções á procura de voltar aos bons resultados em competições internacionais, com os eslovenos a terem falhado o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2019 e a terem obtido apenas o nono posto no Campeonato de 2021.

Para preparar a campanha na Polónia e na Suécia, os eslovenos realizaram dois jogos de preparação, ambos frente á Hungria com a Eslovénia a perder um e a ganhar o segundo. Um grupo B que promete ser cheio de emoção com uma França que tem tudo para avançar em primeiro, uma Arábia Saudita que vai tentar surpreender, assim como uma Polónia e uma Eslovénia muito niveladas entre si.

GRUPO C

Suécia

Os campeões da Europa não vão encontrar qualquer adversário europeu no grupo C do Campeonato do Mundo. Uma nação histórica no andebol, das mais medalhadas, seja em campeonatos do Mundo ou da Europa, a Suécia é favorita a ganhar qualquer torneio.

Um dos anfitriões deste Mundial, a Suécia apenas por duas vezes falhou o apuramento para um Campeonato do Mundo (2007 e 2013) e ganhou por quatro ocasiões. Nunca foi, contudo, campeã da Europa e do Mundo em simultâneo, tendo a possibilidade de concretizar um feito que seria inédito para a seleção sueca.

Os suecos chegam ao Mundial debaixo de holofotes, por motivos óbvios. Coanfitriões, campeões da Europa em 2022, são talvez os maiores favoritos a ganhar a competição. Mas é sobretudo a possibilidade de quebrar um jejum de 24 anos no que a Mundiais diz respeito que pode ser a força motriz da Suécia para este Campeonato do Mundo. A Suécia realizou dois jogos de preparação para o Campeonato do Mundo, ambos frente á Sérvia. O primeiro foi uma vitória pela margem mínima, mas o segundo caiu para a Sérvia, com uma diferença de apenas dois golos.

Á semelhança do que acontece com a Espanha e com a França, os suecos também chegam ao Mundial com uma grande baixa em Karl Wallinius, lateral esquerdo de 20 anos que atua ao serviço do Kiel e que já jogou pelos suecos no Euro.  Ainda assim, a Suécia conta com o central sensação, Jim Gottfridsson, principal distribuidor de jogo sueco e MVP do Euro 2022. Joga pelo SG Flensburg-Handewitt, tem 30 anos de idade, com metro e 92 de altura e um peso de 93 kg. É um jogador de grande porte e potencialmente a maior estrela dos suecos no Mundial, sendo que o ponta direita do Kiel, Niclas Ekberg é também um nome a ter debaixo do radar.

Brasil

O Brasil não é de todo um candidato á vitória, mas é uma das seleções mais consistentes no campeonato do Mundo. Com 15 presenças no Mundial, não falha uma presença desde 1995. Todavia, nunca passou da segunda fase de grupos (a ronda principal) ou dos oitavos de final, sendo o seu melhor registo num Campeonato do Mundo, um nono lugar em 2019, quando os brasileiros estiveram muito perto de integrar as oito melhores seleções de Mundo.

O Brasil chega, desta forma, numa posição parecida com a de Portugal. A de uma formação que, sem ser favorita, pode acabar por chegar muito longe na competição.

 Os brasileiros participaram na Gjensidige Cup, na Noruega, em que Portugal também alinhou. O Brasil saiu da competição norueguesa com apenas uma vitória, frente aos Estados Unidos. A “Canarinha” perdeu de forma clara contra a Noruega e perdeu também frente a Portugal, garantindo o terceiro lugar no torneio. É um Brasil que tem boas condições para repetir o acesso á ronda principal do torneio, mas será difícil para a “Canarinha” chegar aos quartos de final.

O Brasil chega a Gotemburgo com uma grande baixa. O lateral esquerdo, Haniel Langaro sofreu uma rutura no tendão de Aquiles, que não só acabou com a possibilidade do brasileiro do Barcelona disputar o campeonato do Mundo, mas que acabou mesmo com a época do jogador. Destaque para a presença de Leonardo Abrahão, central do ABC, na convocatória do selecionador, Marcus Tatá

Cabo Verde

É um torneio histórico para Cabo Verde que se apurou para o Mundial de 2021, mas acabou por não realizar qualquer partida devido á elevada incidência de casos de COVID-19 na equipa. Os cabo-verdianos foram capazes de repetir a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2023, o que torna o jogo de dia 12 frente ao Uruguai, um encontro histórico para a nação africana.

Cabo Verde chega ao Mundial como a seleção com mais jogadores da Liga portuguesa na lista de convocados, até mais do que Portugal. Entre os 19 eleitos do antigo treinador do FC Porto, Ljubomir Obradovic, estão 2 jogadores do Benfica, dois do Póvoa, e um jogador do Sporting, Belenenses, Marítimo, Avanca e Dom Fuas.

A seleção leva também jogadores que atuam no campeonato espanhol, alemão e francês, como é o caso do guarda-redes Élcio Fernandes (CB Torrelavega), do pivô Ivo Santos (Bergischer FC) e do lateral direito, Flávio Fortes (Grenoble HB). Uma das maiores curiosidades desta equipa vai mesmo para o que Délcio Pina, jogador do Marítimo e o melhor marcador do Campeonato Placard, será capaz de fazer perante uma formação como a Suécia.

Sem dúvida um excelente teste para alguns jogadores que não têm jogos desta dimensão com tanta regularidade. Os cabo-verdianos realizaram três jogos de preparação, frente ao Japão, á Áustria e á Suíça e o melhor resultado foi um empate a 28 golos contra os helvéticos. Cabo Verde perdeu de forma muito expressiva contra a Áustria e sobretudo frente ao Japão, pelo que fugir ao último lugar do grupo ou eventualmente ganhar um jogo no Campeonato do Mundo (mesmo na Taça do Presidente) já faria da campanha de Cabo Verde um sucesso enorme.

Uruguai

O Uruguai chega pela segunda vez a um Mundial, depois de ter feito a estreia no Egito, em 2021 e logo com uma presença na ronda principal do torneio, valendo á seleção celeste um lugar entre os 25 primeiros.  Ao contrário das restantes seleções o Uruguai chega ao Campeonato do Mundo sem qualquer partida de preparação frente a outras equipas nacionais. Em vez disso, está a realizar uma digressão por Barcelona, onde segue a disputar encontros amigáveis contra equipas menos conhecidas da Catalunha.

É, desta forma, uma equipa que chega num estado quase incógnito a este Campeonato do Mundo. Destaque para Zion Ramos, pivô de 20 anos que atua ao serviço do Malmo, que pode ser conhecido para os adeptos da casa.  Um grupo C no qual é possível verificar uma divisão clara entre as equipas mais fortes e mais fracas do grupo. Os dois primeiros deverão ser a Suécia e o Brasil, com Uruguai e Cabo Verde a disputarem o terceiro lugar do grupo, entre si.

GRUPO D

Islândia

Primeiro adversário de Portugal, a Islândia nunca ganhou uma medalha num Mundial, mas já o alcançou nos Jogos Olímpicos (prata em Pequim) e num Campeonato da Europa (bronze na Áustria).

Apenas não esteve presente em cinco edições, a última das quais, na Croácia em 2009. Avança, regularmente a fase preliminar e é uma equipa que tem um histórico de conseguir, de quando a quando, lutar pela vitória em competições internacionais. Nunca conseguiu avançar dos quartos de final em Campeonatos do Mundo, mas completar o pleno de medalhas será, certamente, uma das maiores motivações islandesas para uma boa prestação no torneio.

No que a jogos de preparação diz respeito, os islandeses realizaram duas partidas frente á Alemanha, saindo com uma vitória e com uma derrota, ambas por margens muito curtas, pelo que são duelos que permitem ganhar uma ideia. Os islandeses tiveram uma excelente prestação no Euro 2022, derrotando equipas como Portugal e como a França, sendo que no último destes duelos, os nórdicos tinham 8 jogadores de fora devido á COVID-19. Uma exibição notória que vale á Islândia um estatuto de “outsider” na luta pelo troféu.

Em confrontos com Portugal, a Islândia tem uma vantagem muito pequena com 7 vitórias islandesas contra cinco portuguesas em 12 confrontos. Em Mundiais, o rácio é mesmo de duas vitórias islandesas contra um triunfo luso. A equipa nórdica tem uma baixa no central Hakur Thrastarsson, que está a recuperar de uma rutura de ligamentos.

Portugal

 Portugal participa pela quinta vez num Campeonato do Mundo de andebol. Portugal tem vindo a crescer enquanto potência na modalidade, com bons resultados dos clubes lusos na Europa, á semelhança do que aconteceu com o ABC na década de 90 e nos primeiros anos do século XXI.

Este Mundial marca a segunda ocasião em que Portugal consegue dois apuramentos consecutivos (2021 e 2023) para a fase final do campeonato do Mundo.  Foi em 2021, que Portugal alcançou o melhor resultado da sua história num Mundial. A seleção portuguesa chegou ao Mundial depois de uma ausência de 18 anos e ficou pelo caminho na fase de grupos da “Main Round” depois de uma derrota contra a Noruega e outra frente á França.  

Na fase preliminar, os portugueses fizeram um pleno de vitórias, ao derrotar, Islândia, Marrocos e Argélia. Foi uma exibição de luxo a da seleção nacional que valeu o 10 lugar e a Humberto Gomes o título de guarda-redes mais eficaz da competição.

Para preparar o Campeonato do Mundo, Portugal participou na Gjensidige Cup, em solo norueguês. Nesta competição, Portugal ficou em segundo lugar depois de uma derrota clara frente á Noruega, mas de duas vitórias frente aos EUA e ao Brasil.  A convocatória da seleção nacional conta com os regressos de Alexis Borges, Luís Frade, André Gomes, Pedro Portela, Diogo Silva, Francisco Costa e Miguel Espinha Ferreira. Da lista, caíram (em relação ao Euro 2022) Daymaro Salina, Tiago Rocha, Gilberto Duarte, Ángel Hernández, Salvador Salvador, Daniel Vieira e Miguel Alves.

Grande destaque para Francisco Costa, eleito melhor lateral direito jovem do Mundo, sendo que a dupla de irmãos Francisco e Martim tem sido um autêntico ganha-pão para a formação do Sporting ao longo da presente época. O objetivo é melhorar o décimo lugar, alcançado no Egito em 2021.

Hungria

A Hungria é uma seleção com um registo sólido em campeonatos do Mundo de andebol, tendo apenas falhado a participação por seis ocasiões, a última das quais em 2015. Como melhor resultado, tem uma presença na final, na Suíça, em 1986, sendo que desde 2013, apenas por duas ocasiões não alcançou os quartos de final e desde 1978 que, sempre que se qualifica para o Mundial, a seleção húngara avança pelo menos da primeira fase.

Para preparar o Campeonato do Mundo, os húngaros fizeram uma jornada dupla com a Eslovénia, na qual ambos acabaram por vencer um encontro. Portugal e Hungria nunca se enfrentaram em jogos do Mundial, mas apenas por uma vez é que a “Equipa das Quintas” foi capaz de levar a melhor sobre os “Magiares”. A seleção húngara chega á Suécia com uma baixa: o defesa direito, Dominik Mathé que se encontra a recuperar de uma lesão no joelho

Coreia do Sul

Já a Coreia do Sul é claramente a equipa, em teoria, mais fraca do grupo. Tem uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos (em Seul 1988) e 9 títulos de campeã asiática. Contudo o último troféu que ganhou foi mesmo em 2012. A seleção sul coreana não marcou presença nos Jogos Olímpicos de 2016 ou 2020 e nos Jogos Asiáticos de 2022, ficou apenas no quinto lugar.

É, portanto, uma seleção que não se encontra num grande momento e perante um grupo com a dimensão do grupo D, parece complicado virar a situação neste Mundial, sendo que nas últimas 6 campanhas que realizou no torneio, apenas por uma ocasião é que a Coreia do Sul não caiu para a Taça do Presidente.

Na preparação para o Mundial, os sul coreanos enfrentaram Brasil, Polónia e Tunísia, com a equipa orientada pelo português Rolando Freitas a ganhar ao Brasil, mas a sair derrotada frente á Polónia e á Tunísia Destaque para Jin Young King, lateral direito de 22 anos que é o único jogador da seleção que atua fora da Coreia do Sul. Joga no Ademar León, de Espanha. Rolando Freitas é o primeiro selecionador estrangeiro da história da formação sul coreana.  Coreia do Sul e Portugal vão enfrentar-se pela primeira vez neste campeonato do Mundo.

O grupo D é muito equilibrado com todas as equipas a ter a possibilidade de passar. Ainda assim, o maior favoritismo para acabar nos três primeiros lugares cai ligeiramente para as formações europeias, mas os sul coreanos podem reencontrar a melhor forma e ter uma palavra a dizer.

GRUPO E

Alemanha

Com três campeonatos do Mundo dois enquanto nação anfitriã, a Alemanha é sempre uma candidata a discutir o título, ainda que o último triunfo tenha sido em 2007 e desde então o melhor resultado alemão tenha sido um quarto lugar em 2019. A Alemanha é uma nação histórica do andebol, tendo vencido o primeiro mundial e um campeonato interno que é montra do melhor andebol do Mundo.

A Alemanha vai receber o Euro em 2024, pelo que vai entrar em competição com a garantia de que se vencer o Mundial, joga o Campeonato da Europa em casa e como campeã do Mundo. Um simples regresso às medalhas já seria bem vindo, numa seleção que não as alcança desde 2007. A Alemanha defrontou a Islândia para preparar o Mundial, saindo com uma vitória e com uma derrota.

Catar

No futebol, não fizeram muito enquanto anfitriões, mas em 2015 o Catar recebeu o Mundial de Andebol e tornou-se na única equipa não europeia da história a chegar á final, caindo apenas perante a França. Foi no Mundial de Portugal que o Catar se apurou pela primeira vez, tendo apenas falhado por duas vezes a qualificação desde o início do século XXI.  

Na preparação para o Campeonato do Mundo os cataris defrontaram o Montenegro por duas vezes, com o Catar a vencer o primeiro e a empatar o segundo. O Catar é talvez a seleção fora da Europa que mais favorita é a discutir um Mundial, sendo depois de ser vice-campeã chegou duas vezes aos quartos. A formação asiática tem um jogador a atuar no Kuwait e outro em França. De resto, é completamente constituída por jogadores da liga nacional.

Sérvia

A Sérvia é uma nação que chega ao Mundial, á semelhança de outras, num momento em que parece estar á procura de retomar as glórias de outros tempos. Os sérvios participaram pela primeira vez (sem ser como parte da Jugoslávia) num Campeonato do Mundo em andebol, em 1997, no Japão. Logo na segunda e terceira participações, os sérvios viriam a alcançar uma medalha de bronze, os melhores resultados da nação balcânica na competição até hoje.

No entanto, a última década foi de decadência para o andebol sérvio. A equipa nacional começou a ficar de fora na primeira fase do Euro e parte agora apenas para o segundo Mundial que disputa desde 2013, tendo caído para a Taça do Presidente em 2019. No que a jogos de preparação diz respeito, a Sérvia fez dois jogos frente à Suécia, perdendo um e vencendo o outro pela margem mínima. Na lista de convocados, consta mais um nome conhecido dos portugueses. O de Petar Djordlic, lateral esquerdo do Benfica.

Argélia

A Argélia segue para a décima sexta participação num Mundial, tendo por apenas 4 vezes (a última em 2021) passado a primeira fase do Mundial. A nível continental, os argelinos têm um registo muito mais assinalável, com sete títulos de campeões africanos, o último dos quais foi alcançado em 2014 quando a Argélia foi anfitriã. Apenas em quatro ocasiões, incluindo na mais recente, em 2022, é que falharam as medalhas.

Para preparar o Mundial, a Argélia jogou frente ao Egito e á Roménia. Perdeu ambas as partidas de forma clara e abriu o ano com dois jogos e duas derrotas frente á Tunísia. Desta forma, o grupo E parece ter uma equipa na Argélia, destinada a ficar com o quarto lugar, uma Sérvia que vai tentar surpreender a Alemanha e o Catar mas que parece estar inclinada para ficar atrás das duas equipas que vão lutar entre si pelo primeiro lugar do grupo.

GRUPO F

Noruega

A Noruega é uma equipa de grande dimensão no andebol Mundial. Participou em 17 Campeonatos do Mundo, sendo que no século XXI apenas não disputou três. Vice-campeã em 2017 e 2019, caiu nos quartos de final em 2021. Os noruegueses são, desta forma, uma nação em ascensão no andebol e podem muito bem dar continuidade a essa forma neste campeonato do Mundo.

Na preparação para o Mundial, a Noruega organizou e ganhou a Gjensidige Cup, batendo de forma clara Portugal, Brasil e Estados Unidos, confirmando o bom momento de forma que os noruegueses levam para recuperar os resultados do final da década passada e alcançar uma conquista inédita para o andebol norueguês.

Macedónia do Norte

A Macedónia do Norte já deu provas do seu valor no andebol, através das competições de clubes, com as conquistas recentes do Vardar na Champions League. No que a seleções diz respeito, a afirmação tem sido mais complicada. A Macedónia do Norte só começou a jogar separada da Jugoslávia, a partir de 1997. Jogou pela primeira vez o Mundial em 1999 e vai agora fazer a oitava participação, tendo por várias vezes avançado para a “Main Round”. Uma equipa com bons resultados, ainda que um bocado inconsistente.

Na preparação para o Mundial, os macedónios fizeram quatro jogos, obtendo duas vitórias (frente a Montenegro e a Israel) e duas derrotas (frente a Montenegro e á Croácia). A Macedónia do Norte deverá lutar por novo acesso á “Main Round”. O guarda-redes titular da seleção macedónia é nada mais, nada menos que Nikola Mitrevski, guardião titular do FC Porto.

Argentina

A Argentina só se conseguiu apurar para um campeonato do Mundo em 1997, mas a partir daí nunca mais falhou o apuramento. Em 10 participações, a Argentina só passou a ronda preliminar por quatro vezes, tendo como melhor registo na competição o décimo primeiro lugar, alcançado em 2021

Ganhou por sete ocasiões o título pan-americano, competição na qual só não chegou á final por uma ocasião entre 1996 e 2018. É justo concluir que, á semelhança do que acontece no futebol, a Argentina e o Brasil são as nações americanas mais poderosas no andebol.

No que aos jogos de preparação diz respeito, a Argentina organizou o Torneio Domingo Barcenas, para o qual enfrentou a Espanha, a Roménia e o Bahrain, derrotando apenas a equipa asiática e sofrendo uma derrota clara perante a Espanha. A nível individual, destacam-se Ignacio Pizarro, pivô do Ciudad Encantada em Espanha e James Lewis Parker lateral esquerdo do Zamalek, do Egito. O guarda-redes titular desta seleção é o sportinguista Leonel Maciel.

Países Baixos

Os Países Baixos estão apenas a participar no seu segundo Campeonato do Mundo. A última presença foi em 1961, ano em que os neerlandeses não passaram da fase preliminar, sem alcançar qualquer vitória. O andebol neerlandês está a crescer, com os Países Baixos a garantir a qualificação para o Euro 2020 e para o Euro 2022, no último dos quais passaram á “Main Round”.

No que aos jogos de preparação diz respeito, os Países Baixos jogaram frente á França e á Chéquia, perdendo ambos os jogos. Uma das estrelas da seleção dos Países Baixos é Luc Steins, central do PSG, conhecido pela sua capacidade de distribuição de jogo.  O grupo F tem tudo para ser ganho pela Noruega. A Macedónia do Norte, a Argentina e os Países Baixos devem lutar entre si pelos restantes dois lugares de apuramento para a “Main Round”.

GRUPO G

Egito

Campeão Africano em 2022, o Egito tem vindo a crescer enquanto referência no andebol. A seleção egípcia apurou-se para 17 mundiais, nomeadamente para todas as edições desde 1993. O melhor resultado obtido foi o quarto lugar em França, no ano de 2001.

Os “Faraós” chegam numa condição curiosa, com melhoria constante de resultados entre o campeonato do Mundo de 2015 (com um décimo quarto lugar)  e o de 2021 (com um sétimo lugar). A esta melhoria acresce o quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Tóquio, numa campanha que viu o Egito ultrapassar equipas como Portugal, Suécia e Alemanha, caindo apenas perante a França nas meias-finais e perante a Espanha no jogo pelo bronze

Nos jogos de preparação o Egito fechou 2022 com uma vitória esmagadora sobre a Argélia e outra vitória, desta feita sobre a Eslováquia. No início deste ano, venceu a Chéquia, mas perdeu pela margem mínima contra a França. É, portanto, uma seleção com possibilidades de chegar longe neste campeonato do Mundo, sendo uma potencial candidata às medalhas.

O guarda-redes egípcio, Karim Hendawy é um dos melhores jogadores da seleção. Atua ao serviço do Zamalek, tem 34 anos e brilhou na campanha olímpica mais recente dos egípcios, com uma percentagem de defesas igual aos guarda-redes da Dinamarca e da Alemanha. Para além de Hendawy, os “Faraós” contam com nomes sonantes como o lateral esquerdo do Dinamo Bucareste, Ali Zein e o ponta direito do Nimes, Mo Sanad.

Croácia

Duas vezes campeões olímpicos e uma vez campeões do Mundo, aos croatas só falta o Campeonato da Europa. A Croácia ganhou o Mundial em Portugal, no ano de 2003. Passou sempre para a “Main Round” e apenas em 3 ocasiões, duas delas nos últimos dois Mundiais, é que a Croácia não passou a “Main Round”.

Desde que ganharam a possibilidade de se qualificar em 1995, a Croácia nunca falhou uma presença no Mundial. A Croácia já não chega, contudo, á final de um Campeonato do Mundo desde que foi anfitriã em 2009 e não conquista uma medalha desde o bronze conquistado na Espanha em 2013. No que aos jogos de preparação diz respeito, a Croácia marcou 40 golos numa vitória por 40-34 contra a Itália. Em seguida, abriu o ano com demonstrações de talento ofensivo ao ganhar por 40-34 á Macedónia do Norte e de forma esmagadora por 38-23 a Israel.

Os croatas estão prontos para o Mundial, mas não sem baixas, sobretudo na defesa. Os centrais, Tin Lucin e Domagoj Pavlovic, bem como os laterais esquerdos, Halil Jaganac e Marko Mamic. Aos problemas na defesa, acresce a ausência do ponta direito, Ivan Cupic que ajudou a equipa a chegar às medalhas em 2009 e em 2013.

Marrocos

Marrocos parte para a oitava participação num Mundial, tendo apenas por uma ocasião fechado acima do vigésimo posto. Os marroquinos repetem a presença conquistada em 2021, na altura, quebrando um jejum de 14 anos no que a presenças no Mundial diz respeito. A nível continental, Marrocos repetiu em 2022 o melhor resultado da sua história num Campeonato Africano de Seleções, ao fechar na terceira posição, tal como em 2006.  Fez três jogos de preparação e perdeu frente á Bélgica, Polónia e Irão. Tirando o resultado frente á Polónia, as demais derrotas foram todas pela margem mínima.

Estados Unidos

Já os Estados Unidos vão para a sétima presença em campeonatos do Mundo, sendo que nunca passaram da fase preliminar, nem foram capazes de vencer uma única partida. Em 2021, os americanos tiveram uma situação igual á dos caboverdianos, com a abundância de infeções por COVID 19 a impedir os EUA de alinhar no Mundial desse ano.

Com essa exclusão os americanos chegam á Suécia para disputar o primeiro jogo num Mundial de andebol, desde 2001. Os EUA contam com algumas conquistas no palmarés mas apenas uma no século XXI: a vitória no Campeonato da América do Norte, em 2022. Nos Pan-americanos, os EUA já não ganham uma medalha desde o bronze de 1996, tendo a falhado a qualificação para a última edição deste torneio, em 2018. A partir daí, passou a existir uma divisão entre as duas américas, tal como no futebol.

Os EUA são a única seleção da América do Norte no Mundial e prepararam-se na Noruega, tal como Portugal e Brasil.

Para os americanos, a participação na Gjensidige Cup não foi nada positiva, com a equipa dos Estados Unidos a perder frente ao Brasil, a Portugal e á Noruega e de forma clara nos últimos dois encontros, em particular frente aos noruegueses, com um resultado de 43-26. Frente á “Canarinha” os americanos ainda tiveram uma palavra a dizer, mas perderam na mesma com uma desvantagem de cinco golos, o jogo mais competitivo por parte dos americanos.

O Grupo G é, desta forma, encabeçado pelos titãs Egito e Croácia. Para Marrocos e EUA, o jogo entre africanos e americanos tem tudo para ser decisivo na luta que se adivinha pelo terceiro lugar do grupo.

GRUPO H

Dinamarca

Bicampeã do Mundo, vice-campeã europeia, a seleção da Dinamarca é o alvo a abater neste Campeonato do Mundo. Em conjunto com a Suécia e com a França, é a maior favorita á vitória no torneio. Uma seleção histórica no andebol, já mostrou por diversas ocasiões, a magia que uma pessoa dinamarquesa consegue criar com um esférico nas mãos.

A Dinamarca apenas falhou a qualificação por quatro ocasiões, a última das quais em 2001. Atuais campeões do Mundo, conseguiram ganhar o torneio nas últimas duas edições. São vice-campeões europeus, depois de uma derrota frente á Suécia e vice-campeões Olímpicos, apenas batidos pela França. Estes dados são mais do que suficientes para se ver que a seleção dinamarquesa está mais do que pronta para tentar ser a primeira seleção da história a ganhar 3 Mundiais consecutivos.

Nos jogos de preparação, os dinamarqueses enfrentaram e esmagaram por duas vezes, a Arábia Saudita. A nível individual, é preciso destacar o veterano lateral esquerdo Mikkel Hansen, de 35 anos, mas também o jovem Mathias Gidsel que foi o MVP do torneio Olímpico de Tóquio, integrou a melhor equipa do Euro e que chamou a atenção dos adeptos no Mundial de 2021. Esta atenção colocou muita pressão em cima de Gidsel que tomou a decisão corajosa e correta de pedir ajuda profissional para lidar com esta situação.

Neste momento, atua em grande no Füchse Berlin e recuperou recentemente de uma lesão no polegar. Na baliza, os dinamarqueses têm ainda Niklas Kevin Moller e Emil Nielsen para ajudar a defender os títulos de 2019 e 2021.

Bélgica

A 19 de março de 2022, a cidade de Hasselt assistiu a um momento histórico para o andebol belga: a seleção Bélgica apurou-se pela primeira vez para um Campeonato do Mundo de andebol, depois de recuperar de uma derrota sofrida na Eslováquia para o playoff de apuramento. É a primeira vez que a Bélgica se apura para uma competição de seleções, nunca tendo marcado presença num Euro.

A Bélgica deu indicações nos jogos amigáveis de que não vai para a Suécia fazer apenas minutos, ao enfrentar Marrocos, Irão e a Polónia, vencendo as duas primeiras partidas e sofrendo um único desaire frente á Polónia. A nível individual, cai o destaque para Jef Lettens, guarda-redes do Fenix Toulouse e para Arber Qerimi do HUBO Handbal (equipa belga)

Bahrain

O Bahrain é uma das maiores potências asiáticas deste Campeonato do Mundo, em conjunto com o Catar. Parte para o seu quinto campeonato do Mundo depois de um excelente ano de 2021 em que passou pela primeira vez para a Main Round de um Mundial e em que chegou aos quartos de final do Torneio Olímpico de Tóquio. Desde 2014, apenas em 2020 é que a equipa do Bahrein não chegou á final do Campeonato Asiático, sendo que quando alcançou essa fase, ficou sempre pela medalha de prata.

Uma potência em ascensão no andebol que dificilmente vai ganhar o torneio, mas que pode perfeitamente avançar de novo para a “Main Round” Para preparar o Mundial, o Bahrein jogou o Torneio Domingo Barcenas, ficando na última posição ao perder frente a Espanha, Argentina e Roménia. A nível individual, destaque para Ali Merza, do Al Ahli do Bahrein que apontou doze golos e foi o jogador mais consistente da formação asiática em todo o torneio

Tunísia

A Tunísia parte para a décima sexta participação num campeonato do Mundo de andebol, 15 das quais são consecutivas e remetem para o Mundial de 1995, na Islândia. Entre 1997 e 2007, as “Águias de Cartago” chegaram aos “quartos” em todas as ocasiões, sendo que em 2005 ficaram mesmo no quarto lugar da competição. Uma das maiores nações de andebol em África, chegam a este Mundial numa das piores fases da sua história. Em 2021, caíram da ronda preliminar para a Taça do Presidente, falharam pela primeira vez as medalhas no Campeonato de África (os tunisinos venceram o troféu por dez ocasiões). Este mau momento levou o órgão que tutela o andebol tunisino a afastar Sami Al-Saidi por Patrick Cazal, francês que sabe o que é ser campeão do Mundo (enquanto jogador).

Nos jogos de preparação, a Tunísia fez uma caminhada impressionante só com vitórias, vencendo a Polónia, o Brasil, a Coreia do Sul e a Argélia em duas ocasiões. Os tunisinos chegam assim em grande forma a este Campeonato do Mundo com um objetivo claro: virar a página daquele que está a ser um dos piores capítulos da história da seleção tunisina de andebol

Filipe Pereira

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