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Dragões caem de pé perante maior intensidade alemã | FC Porto 33-36 Fuchse Berlin

Tiago Campos · 5 min

José Ferreira Benfica vs FC Porto
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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O FC Porto despediu-se das possibilidades de seguir em frente na Liga dos Campeões depois de perder por 36-33 diante do Füchse Berlin, no Dragão Arena. 

Num encontro de enorme intensidade, a equipa de Carlos Martingo nunca virou a cara à luta e chegou aos últimos dois minutos a apenas dois golos dos alemães, mas a maior frieza do vice-campeão europeu nos momentos decisivos acabou por ditar a diferença. O triunfo garante ao Füchse a presença na próxima fase.

Os alemães entraram como seria de esperar: agressivos, intensos e com enorme velocidade na transição. Rapidamente chegaram aos três golos de vantagem, mas encontraram pela frente um Diogo Rêma absolutamente inspirado. 

O guarda-redes português foi sucessivamente travando o ataque germânico e permitindo ao FC Porto permanecer ligado ao encontro. Aos seis minutos estava 5-5 e, mesmo quando o Füchse voltou a escapar para 9-6 e posteriormente atingiu uma vantagem de quatro golos, os dragões recusaram deixar o adversário partir definitivamente.

O jogo desenvolveu-se quase sempre em alta rotação. O Füchse procurava acelerar assim que recuperava a bola, explorando particularmente a velocidade de Tim Freihöfer, enquanto Mathias Gidsel assumia um papel menos finalizador do que no encontro da semana anterior (no qual tinha marcado 17 golos), mas continuava determinante na leitura do jogo, nas assistências e até no trabalho defensivo. Esse registo de 17 golos em 19 (!) remates na primeira partida frente ao FC Porto igualou o recorde de golos num jogo da Champions.

Do outro lado, o FC Porto percebeu que teria de responder na mesma moeda. Vasco Costa e Ricardo Brandão foram importantes ofensivamente, enquanto Diogo Rêma continuava a oferecer à equipa aquilo de que mais precisava: possibilidades de permanecer na discussão. E os dragões aproveitaram-nas.

O início da segunda parte foi provavelmente o melhor período portista. O FC Porto entrou com enorme determinação e chegou mesmo à primeira vantagem da partida, aos 20-19. Pela primeira vez, o Füchse estava obrigado a correr atrás do resultado.

A resposta alemã, porém, foi imediata. O conjunto de Nicolej Krickau aumentou novamente a agressividade defensiva e recuperou uma vantagem de três golos. Sempre que os portistas ameaçavam aproximar-se, os alemães encontravam uma resposta. Freihöfer tornou-se praticamente imparável na ponta esquerda e terminou com 15 golos, enquanto Mathias Gidsel chegou aos oito.

Ainda assim, o FC Porto não deitou a toalha ao chão. A cinco minutos do fim, o marcador apresentava 29-33. Carlos Martingo tentou condicionar Gidsel com marcação individual e os dragões voltaram a aproximar-se. A menos de dois minutos do final, o 34-32 colocou o Dragão Arena em ebulição e devolveu esperança a uma equipa que passou praticamente todo o encontro a perseguir os alemães.

Foi aí que apareceu a diferença entre lutar pelo resultado e consegui-lo. Nos últimos ataques, o quadro azul e branco precipitou algumas decisões; o Füchse não. A equipa alemã teve maior clareza quando o jogo exigia cabeça fria e fechou a partida em 36-33.

O resultado elimina precocemente os dragões da prova, mas dificilmente conta toda a história da noite. Uma semana depois de perder por 40-32 em Berlim, o FC Porto mostrou uma versão muito mais competitiva perante uma equipa que na época passada chegou à final da Liga dos Campeões.

Faltou qualidade em alguns momentos e sobretudo clarividência quando a possibilidade de completar a recuperação esteve verdadeiramente ao alcance. Mas não faltou luta.

Perante a intensidade, agressividade e velocidade de uma das melhores equipas da Europa, o FC Porto caiu de pé. Mas obrigou o Füchse Berlin a lutar até ao último minuto para o conseguir.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Bola na Rede: A equipa lutou arduamente até ao fim, e esteve bem próximo de conseguir operar uma nova reviravolta no marcador nos minutos finais da partida. O que é que faltou para que isso pudesse acontecer? Fica um sabor amargo de boca por esta eliminação precoce da competição?

Carlos Martingo: Entramos bastante bem na segunda parte, conseguimos passar para a frente, mas depois falhamos vários remates de forma consecutiva aos seis metros, e isso permitiu ao Berlim voltar a tomar conta de jogo, e sabemos que com estas equipas de tanta qualidade, quando se vêm em vantagem com dois ou três golos de diferença, é muito complicado, porque sabem controlar muito bem todos os momentos do jogo. Estamos a jogar ao mais alto nível, onde todas as falhas são castigadas. Sabíamos que era um grupo extremamente difícil, e embora tenhamos perdido por oito golos na Hungria e na Alemanha, não espelha o que se passou no jogo. O balanço é muito positivo, esta experiência, rotação e nível de jogo, ajudou-nos a crescer muito e que voltemos a ter um enorme respeito das restantes equipas. Conseguimos conter o Gidsel, tivemos bastante cuidado com ele e que ele não recebesse a bola no ritmo em que ele quer, mas mesmo assim, ele marcou oito golos. Eu disse isso aos meus jogadores, que nunca poderíamos impedir que ele marcasse golos, mas conseguirmos reduzir o número de finalizações, e estivemos bastante bem na maneira como executamos essa parte do plano para este jogo.

Bola na Rede: Qual foi o fator decisivo e o segredo para esta vitória tão importante da sua equipa, uma vez que vinham de uma derrota no campeonato nacional?

Nicolej Krickau: Não houve nenhum segredo nem fator decisivo para esta vitória. Simplesmente queríamos jogar o nosso jogo da melhor forma possível. Na primeira parte, houve duas partes de 15 minutos totalmente distintas. Nos primeiros 15 minutos, defendemos bem, mas nos últimos 15 minutos, não estivemos tão bem defensivamente, e permitimos que eles se aproximassem no resultado. A segunda parte foi 90% perfeita, voltamos a falhar defensivamente, o nosso guarda-redes teve defesas primordiais, e ajudou-nos a conseguir manter-nos na frente do marcador. Muito mérito do FC Porto, pois nesses minutos finais, soube trazer as suas qualidades para o jogo, e equilibrou mais o encontro. Apesar de não termos tido uma versão estelar do Gidsel, marcamos 36 golos, e eu estou muito satisfeito com a produção ofensiva da minha equipa, e com o facto de nos qualificarmos automaticamente para a Main Round.

Tiago Campos

Redação Bola na Rede · ver artigos

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