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Europeu de Andebol 2020: A espera terminou

Redação BnR · 10 min

Foto: EHF EURO

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O ano de 2020 ainda mal começou e já podemos contar com a primeira grande competição de Andebol. As melhores seleções europeias perfilam-se para demonstrar a sua qualidade nas quadras da Áustria, da Suécia e da Noruega. Numa organização a três, o Europeu deste ano tem início marcado para dia 9 deste mês de janeiro e terminará a 26 do mesmo mês. Curiosamente, este vai ser o primeiro europeu que vai contar com 24 seleções.

Depois de quatorze anos de ausência, Portugal volta a estar nos grandes palcos europeus da modalidade a nível sénior e está inserido no Grupo D. Resta saber aquilo que podemos esperar nos restantes grupos onde temos as velhas e habituais potências do Andebol que co-habitam com aquelas que tentam voltar a ser grandes e outras que experimentam as quadras da competição por poucas vezes e querem dar um ar de sua graça. Fica com a antevisão daquilo que podemos esperar nesta Fase de Grupos do Europeu de Andebol.

A ANTEVISÃO: UM GRUPO DE LESTE

Bielorrússia, Croácia, Montenegro e Sérvia são as quatro equipas que compõem o Grupo A do EHF Euro 2020.

A Bielorrússia não falha um Europeu desde 2014 e perdeu apenas dois jogos na fase de qualificação. Esta seleção irá lutar pelo apuramento para a próxima fase com a Sérvia, algo que conseguiu nas últimas três edições em que participou.

A Croácia tem um recorde perfeito de presenças em Europeus, com 14 presenças em 14 possíveis. Foi uma das seleções que não perdeu um único jogo durante a fase de qualificação, tendo cedido apenas um empate. A equipa tem vários craques como: Duvnjak, Sego, Karacic, Cindric, Stepancic e o bem conhecido dos adeptos portugueses, Matej Asanin. A passagem à próxima fase está praticamente garantida, sendo o principal objetivo a conquista do título europeu.

O Montenegro é o outsider deste grupo. Apesar de ter falhado apenas dois Europeus depois de ser um país independente, apenas por uma vez passou à Ronda Principal. O desafio para chegar a essa fase este ano é enorme, no entanto, nunca se sabe o que pode acontecer numa fase final.

A Sérvia é uma das seleções mais históricas do Andebol Europeu, mas o presente não tem sido vitorioso. A equipa tem alguns jogadores de qualidade, destacando-se Vladimir Cupara e Nemanja Ilic. A prestação na fase de qualificação foi fraca, mas a Sérvia tem qualidade suficiente para se qualificar para a Ronda Principal.

JOGADOR A TER EM CONTA – GRUPO A

Fonte: HRS/Croatian Handball Federation

LUKA CINDRIC (CROÁCIA) – A Croácia apresenta os melhores jogadores deste grupo e é complicado escolher entre Sego, Duvnjak, Karacic ou Cindric, mas a escolha terá de recair sobre o central do Barcelona, Luka Cindric. Um jogador que tem, entre outros, um Mundial de Clubes e uma Liga dos Campeões no currículo será uma das principais armas da Croácia.

QUEM DEVE/VAI PASSAR

A Croácia deverá ter um trabalho relativamente tranquilo neste Grupo. A Sérvia e a Bielorrússia irão lutar pelo segundo lugar do Grupo, enquanto o Montenegro deverá estar à espreita para tentar aproveitar para fazer alguma surpresa.

A ANTEVISÃO: O GRUPO DA CASA

Um grupo que será disputado em Viena, na capital da Áustria, que irá contar com as seguintes seleções: Áustria, Ucrânia, República Checa e Macedónia do Norte.

Esta é apenas a terceira presença da seleção da casa, Áustria, num Europeu. Umas das principais figuras da equipa é o guardião do FC Porto Thomas Bauer. A Áustria terá de aproveitar da melhor maneira possível o fator casa para conseguir obter a qualificação para a Ronda Principal.

A Macedónia marcou presença em todos os Europeus desde 2012 e qualificou-se sempre para a Ronda Principal. Uma equipa muito experiente, que conta com Borko Ristovski, jogador do SL Benfica, e com Kiril Lazarov, a principal figura da seleção. Também faz parte dos convocados um ex-jogador do SL Benfica Nikola Mitrevski. A qualificação nesta fase deverá ser um objetivo fácil para a Macedónia do Norte e deverá lutar por ultrapassar também a Ronda Principal.

A República Checa chega à sua décima fase final de Europeus. A seleção checa tem alguns jogadores interessantes, mas terá uma missão complicada este ano, devido ao fator casa da Áustria, depois de ter conquistado um surpreendente sexto lugar em 2018.

Há dez anos que a Ucrânia não se qualificava para um Europeu. A seleção está em renovação, portanto tem nas suas fileiras vários jovens jogadores de qualidade. A Ucrânia apenas ultrapassou uma vez a fase de grupos, mas a sua presença nesta competição gera grandes expectativas.

JOGADOR A TER EM CONTA – GRUPO B

Fonte: EHF

KIRIL LAZAROV (MACEDÓNIA DO NORTE) – é o melhor jogador presente neste grupo. O Lateral direito de 39 anos deverá jogar o seu último Europeu e irá tentar ajudar a Macedónia do Norte para chegar à Ronda Principal.

QUEM DEVE/VAI PASSAR

A Macedónia tem todas as condições para assegurar o primeiro lugar do Grupo B. A Áustria terá de aproveitar o facto de jogar em casa para tentar ganhar vantagem sobre a República Checa, que também irá lutar pela qualificação para a próxima fase. Já a Ucrânia correrá por fora na tentativa de chegar à Ronda Principal.

A ANTEVISÃO: GRUPO SEM SURPRESAS

O Grupo C deste Europeu é um dos grupos onde menos surpresas se podem esperar dadas as diferenças qualitativas entre as quatro equipas. Disputado em Trondheim na Noruega, duas equipas partem como favoritas: Espanha e Alemanha.

Em primeiro lugar a seleção espanhola. Campeões europeus em título depois de terem batido a Suécia na final em 2018, o conjunto de Jordi Ribera parte como um dos claros favoritos a revalidar o título. Com uma mistura de experiência e juventude, a seleção espanhola conta com soluções mais do que suficientes em todas as posições para revalidarem o seu título.

De seguida, a seleção alemã. Depois de um quarto lugar no último mundial – disputado na Dinamarca e Alemanha –, os germânicos vão tentar recuperar um título que lhes foge desde 2016. Com um conjunto de atletas extremamente batidos na alta roda do andebol internacional, os seus resultados irão depender bastante da sua capacidade ofensiva. Com Andreas Wolff ou Silvio Heinevetter na baliza e especialistas defensivos como Patrick Wiencek, Finn Lemke, Hendrik Pekeler ou Jannik Kohlbacher, tudo dependerá da sua capacidade em concretizar remates exteriores.

De seguida as duas equipas teoricamente mais fracas.

A Letónia deverá ser o terceiro classificado. A fazer a sua estreia numa grande competição, grande parte do seu sucesso recente deve-se a Dainis Kristopans. O gigante letónio de 2 metros e 14 centímetros que atua pelo campeão europeu Vardar é uma força da natureza que obriga a atenções redobradas dada a sua força física. Juntando a isso a recente forma do guardião Arturs Kurgis, a Letónia não será fácil de vencer.

Por último, a Holanda. Também a fazerem a sua estreia, a seleção holandesa é a mais fraca do grupo e deverá ficar mesmo em último lugar da classificação. Contudo, o experiente selecionador islandês Erlingur Richardsson poderá surpreender.

JOGADOR A TER EM CONTA – GRUPO C

Fonte: VIVE Kielce

ALEX DUJSHEBAEV (ESPANHA) – O lateral direito é dos canhotos mais talentosos na Europa e é a principal figura dos Polacos do VIVE Kielce, adversários do FC Porto nesta edição da Liga dos Campeões. Com um bom remate exterior, Dujshebaev destaca-se pelo seu jogo um-para-um e pela sua capacidade em furar as defesas adversárias para rematar aos seis metros.

QUEM DEVE/VAI PASSAR

A seleção espanhola e a seleção alemã deverão ser as duas apuradas para a próxima fase da competição. São os dois conjuntos com mais qualidade e duas candidatas ao título e seria necessária uma hecatombe para não vermos as duas na Main Round.

A ANTEVISÃO: O SONHO COMANDA A VIDA

O Grupo D é dos grupos mais equilibrados da competição, apesar de não parecer à primeira vista. Imediatamente, o que salta à vista quando se olha para o grupo B é uma campeã do Mundo, da Europa e olímpica onde o andebol é quase um desporto rei – a França – e uma seleção que tem vindo em crescendo nos últimos anos – a Noruega. No entanto, Portugal já provou que é capaz de surpreender (veja-se a vitória frente a esta mesma França por 33-27 no apuramento para o europeu).

A seleção francesa parte como clara favorita. Olhando para o seu plantel, torna-se complicado contar o número de títulos nacionais e internacionais que os seus atletas possuem tanto a nível de clube como de seleção. Terceira classificada no último europeu, les bleus não vencem um europeu desde 2014 e farão tudo para voltar a conquistar a medalha de ouro.

De seguida, a Noruega. Vice-campeã do mundo em 2019 liderada pelo jovem central do PSG Sander Sagosen, a seleção do norte da Europa possui vários jogadores de qualidade que migraram do campeonato nacional para países como a Alemanha e que por isso então habituados a um tipo de andebol mais físico e possante. Com a típica disciplina escandinava, não cometem muitas falhas técnicas e são bastante eficazes.

Portugal aparece neste grupo como o outsider que pode surpreender. A perda de Gilberto Duarte foi um rude golpe nas aspirações portuguesas, mas a seleção de todos nós tem vindo a crescer na última década, em muito graças à saída do jogador português para campeonatos mais competitivos, mas também devido a um aumento no investimento interno que permitiu aos clubes portugueses chegarem longe nas competições europeias – veja-se o caso de FC Porto, Sporting CP e Madeira SAD.

Por fim, a Bósnia. Teoricamente a equipa mais fraca do grupo, tentará surpreender Portugal na tentativa de atingir o terceiro lugar. Extremamente forte fisicamente, os seus resultados dependerão bastante do guarda-redes Benjamin Buric.

JOGADOR A TER EM CONTA – GRUPO D

Fonte: FAP

ALFREDO QUINTANA (PORTUGAL) – Colocando de parte por momentos a objetividade e deixando o nacionalismo tomar conta, o guardião português é um dos melhores guarda-redes do mundo e vai ser determinante caso Portugal queira surpreender tudo e todos e apurar-se para a próxima fase. Tem provado vezes e vezes sem conta nesta edição da Liga dos Campeões que merece dar o salto para outro patamar competitivo e esta competição pode ser a chave.

QUEM DEVE/VAI PASSAR

Tendo em conta as várias opções que possuem, França e Noruega são claramente favoritas e caso tudo corra como é esperado, deverão passar à próxima fase. No entanto, Portugal pode surpreender caso alguma das duas se desleixe.

A ANTEVISÃO: DINAMARCA PARTE NA FRENTE

Neste grupo, que é composto por Dinamarca, Hungria, Islândia e Rússia, todos os jogos se vão realizar em terreno sueco. A Dinamarca é, claramente, a seleção favorita ao primeiro lugar do grupo, não fosse esta a campeã mundial e olímpica. Com Nikolaj Jacobsen no comando técnico, os nórdicos sonham em voltar a fazer história. O bom desempenho de Mikkel Hansen, Rene Toft Hansen e Edgar Landim, será absolutamente decisivo para materializar essas aspirações.

Quanto ao segundo lugar do grupo há espaço para uma maior especulação. A vaga deverá ser ocupada ou pela seleção da islandesa ou pela seleção húngara. Se por um lado, a Islândia tem jogadores como Aron Palmarsson e Gudjón Sigurdsson, que podem fazer a diferença em qualquer equipa do mundo, no lado da Hungria temos uma equipa com uma moral altíssima – fruto do registo imaculado nas seis partidas disputadas na fase de qualificação -, que procura fazer melhor do que o 14.º lugar alcançado no último europeu.

A Rússia será, muito possivelmente, o conjunto mais frágil deste lote. Depois de terem falhado o apuramento para o europeu transato, os russos voltam a não ter tarefa fácil em mãos.

JOGADOR A TER EM CONTA – GRUPO E

Fonte: IHF

MIKKEL HANSEN (DINAMARCA) – É o jogador em destaque neste grupo, basta olharmos para o seu reportório – três vezes eleito o melhor jogador do mundo pela IHF. A mais recente distinção remonta ao ano de 2018.

QUEM DEVE/VAI PASSAR

Os países nórdicos, Dinamarca e Islândia, são os candidatos a seguirem até à próxima fase da competição. No entanto, antevê-se uma luta, muito renhida, entre a Islândia e a Hungria na corrida ao segundo lugar do grupo.

A ANTEVISÃO: EQUIPA DA CASA COM PRESSÃO ACRESCIDA

Olhando para o histórico de competições das seleções aqui presentes (Suécia, Eslovénia, Polónia e Suíça), a Suécia é de longe a favorita a assegurar o primeiro lugar do grupo. Depois de no Euro 2018 terem caído na final diante a seleção espanhola, os suecos vão querer vingar o ouro perdido. Desta vez têm uma motivação extra: a final disputa-se em Estocolmo.

No que concerne à outra vaga, a luta vai ser intensa. A Eslovénia é a que mais chances tem para seguir em frente. O meritório 8.º lugar alcançado no último campeonato da Europa faz os eslovenos sonhar com a passagem à próxima fase. No entanto, a Polónia que marca agora a sua 9.º presença em Europeus, e a Suíça, que está de volta à prova 14 anos depois (tal como Portugal), são seleções a ter em conta. O fator surpresa pode reinar neste grupo.

JOGADOR A TER EM CONTA – GRUPO F

Fonte: Handbollslandslaget

JIM GOTTFRIDSSON (SUÉCIA) – O destaque recai sobre ele. O central de 27 anos é uma das principais armas do conjunto nórdico. A irreverência e a destreza deste atleta valeram-lhe, inclusive, a distinção de MVP no último europeu.

QUEM DEVE/VAI PASSAR

Se o desempenho das equipas espelhar o trabalho que têm desenvolvido nos últimos anos, a Suécia e a Eslovénia são, assim, as seleções que deverão marcar presença na próxima fase.

Artigo de opinião de Fábio Dias Costa, Leonardo Costa Bordonhos e Pedro Palma

Foto de Capa: EHF EURO

Revisto por: Jorge Neves

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