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O FC Porto venceu o Sporting por 34-32, num grande jogo de andebol disputado num Dragão Arena ao rubro. Diogo Rêma brilhou na baliza e Ricardo Brandão e Vasco Costa assumiram o ataque portista numa tarde em que a juventude dos dragões ajudou a colocar um ponto final na longa invencibilidade leonina nas competições nacionais.
FC Porto e Sporting entraram em campo igualados pontualmente com 27 pontos, e rapidamente mostraram porquê. Os primeiros minutos foram de enorme equilíbrio, com um empate a dois golos aos cinco minutos e a primeira vantagem leonina a surgir pouco depois, através de Francisco Costa (2-3).
Mas havia alguém que começava desde muito cedo a assumir o protagonismo da partida: Diogo Rêma. O guarda-redes portista realizou quatro defesas nos primeiros cinco minutos e foi crescendo juntamente com a equipa. Depois do empate a quatro, o FC Porto passou para a frente (5-4) e começou progressivamente a encontrar soluções para contrariar o ataque leonino.
Aos 12 minutos, os dragões venciam por 8-6. Três minutos depois, a diferença aumentava para três golos (9-6). Muito desse crescimento portista começava atrás.
A equipa de Carlos Martingo apresentou uma defesa extremamente agressiva nos duelos, condicionando a circulação do Sporting e obrigando os leões a procurar soluções em situações cada vez menos confortáveis. E sempre que os visitantes conseguiam ultrapassar essa primeira barreira, encontravam um Diogo Rêma absolutamente inspirado.
Aos 16 minutos, o guarda-redes já contabilizava dez defesas. Dez. Uma exibição estratosférica que ajudava a explicar a vantagem portista e obrigou Ricardo Costa a pedir a primeira pausa técnica quando o marcador assinalava 10-7.
O FC Porto percebeu que podia fazer mais do que simplesmente discutir o jogo com o campeão nacional. A vantagem chegou aos quatro golos (11-7) e manteve-se até perto do intervalo. A maior eficácia ofensiva dos dragões, conjugada com algumas imprecisões do Sporting e a extraordinária exibição de Rêma, permitiu à equipa da casa chegar aos últimos cinco minutos da primeira parte a vencer por 15-11.
O Sporting reagiu antes do descanso. Os leões conseguiram reduzir a diferença e foram para os balneários a perder por 16-14, deixando tudo em aberto para a segunda metade.
E a reação continuou no regresso ao campo. O Sporting aproximou-se até ao 19-18, mas quando parecia poder finalmente restabelecer a igualdade, uma exclusão de Mamadou Gassama e alguma precipitação ofensiva permitiram ao FC Porto respirar novamente. Os dragões responderam e voltaram aos três golos de vantagem (21-18).
Era também cada vez mais evidente outra das grandes armas portistas nesta partida: a transição ofensiva. As recuperações provocadas pela agressividade defensiva permitiam ao FC Porto acelerar e explorar os espaços antes de a defesa leonina conseguir organizar-se.
Aos oito minutos da segunda parte, o resultado era de 23-20. Dois minutos depois, 24-21. O Sporting perseguia. O FC Porto resistia.
E foi quando o jogo entrou verdadeiramente na sua fase decisiva que dois jovens começaram a assumir ainda maior protagonismo: Ricardo Brandão e Vasco Costa. Aos 12 minutos da segunda parte, com o marcador em 25-23, eram os dois jovens portugueses que sustentavam grande parte da produção ofensiva portista. Não se esconderam perante o bicampeão nacional. Muito pelo contrário.
Ricardo Brandão terminou a partida como melhor marcador do FC Porto, com 10 golos e com uma eficácia absoluta (10/10 em situações de finalização). Vasco Costa acrescentou oito.
Dezoito golos entre os dois. Num clássico. Contra uma equipa que não perdia internamente desde dezembro de 2024. E numa partida em que cada ataque começava a pesar mais do que o anterior.
Do outro lado, Natán Suárez assumia grande parte da responsabilidade ofensiva do Sporting, terminando com sete golos, enquanto Francisco Costa e Jan Gurri procuravam manter os leões dentro do encontro.
O Sporting aproximava-se. Mas nunca conseguia passar para a frente. A 15 minutos do final, apenas dois golos separavam as equipas.
Pouco depois, o Sporting colocou-se a apenas um (26-25), precisamente quando o FC Porto estava em inferioridade numérica. O Dragão Arena sentia que o jogo tinha entrado definitivamente no momento em que qualquer detalhe poderia decidir tudo.
Francisco Costa teve então nos sete metros a oportunidade de devolver ao marcador uma igualdade que já não se verificava desde os primeiros dez minutos da partida. Rematou ao lado.
O Sporting não desistiu e Kiko voltou pouco depois aos sete metros. Desta vez, não falhou. 26-26. Finalmente, a igualdade que o Sporting perseguia desde praticamente o início do jogo.
O FC Porto tinha passado praticamente todo o encontro na frente, mas o campeão estava novamente ali. A sete minutos do final, nova igualdade: 28-28. O Dragão Arena fervia.
E foi nesse momento que se percebeu definitivamente a dimensão da exibição portista. Depois de ver desaparecer uma vantagem que chegara aos quatro golos, o FC Porto não tremeu.
Continuou agressivo defensivamente. Continuou a atacar com personalidade. Continuou a acreditar que podia terminar aquilo que tinha começado quase uma hora antes.
A menos de um minuto do final, o marcador mostrava 34-32. Desta vez, o Sporting já não conseguiu regressar.
Soou a buzina. FC Porto 34-32 Sporting. Muito mais do que dois pontos, e assim os seus jogadores e equipa técnica o sentiram, festejando efusivamente esta vitória perante o seu maior rival.
Quase dois anos sem perder internamente. Terminou no Dragão Arena, numa noite marcada pela jovem e talentosíssima juventude portista.
Como dito anteriormente, Diogo Rêma fechou a baliza e terminou com 18 defesas. Ricardo Brandão marcou dez golos. Vasco Costa fez oito. Três jovens portugueses no centro de uma das vitórias mais importantes do FC Porto nos últimos tempos.
Mas seria injusto reduzir o triunfo apenas às individualidades. O FC Porto ganhou porque defendeu como uma equipa que acreditou desde o primeiro minuto que podia derrubar o campeão. Foi agressivo nos duelos, provocou erros, condicionou algumas das principais armas ofensivas leoninas e soube aproveitar essas recuperações para acelerar em transição.
O Sporting teve capacidade para reagir. Aproximou-se várias vezes, conseguiu finalmente empatar e teve oportunidades para mudar completamente o rumo da partida. Não conseguiu. Também porque encontrou do outro lado uma equipa que, desta vez, nunca deixou de acreditar.
O resultado deixa agora FC Porto e Sporting isolado no topo da classificação com 30 pontos e uma sequência impressionante de 10 vitórias consecutivas.
Mais interessante ainda será perceber aquilo que acontece a partir daqui. O Sporting habituou-se a dominar internamente e praticamente se esqueceu do que significava perder uma partida nas competições nacionais. Uma série desta dimensão não se quebra todos os dias.
Resta perceber que impacto terá a derrota numa equipa que tem sido hegemónica no andebol português. E, do outro lado, que impacto poderá ter esta vitória num FC Porto que acaba de provar a si próprio que pode derrubar o campeão. No Dragão Arena, caiu uma invencibilidade. E foram os meninos do FC Porto que ajudaram a derrubá-la.
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
BnR: Na primeira parte, a equipa embateu num muro chamado Diogo Rêma e pareceu ter sido pouco agressiva e intensa defensivamente. Pergunto-lhe que razão encontra para que tal tenha acontecido. E na segunda parte, aumentando os índices de agressividade, o Sporting reagiu à campeão, teve a oportunidade de passar para a frente no marcador, mas não o conseguiu fazer. O que sente que falhou nesses momentos?
Ricardo Costa – Em termos defensivos, não conseguimos defender os pivôs, que andaram constantemente a correr por trás da nossa defesa. E algumas vezes acredito que para além das leis, porque estes árbitros são árbitros de Liga dos Campeões e têm esse critério muito bem definido. Se vocês tiverem curiosidade de ver os jogos, vão-se aperceber da quantidade de faltas que são marcadas aos pivôs, por causa desses movimentos. Nós não conseguimos parar os nossos pivôs, o Brandão fez 10/10 em situações de finalização. O Porto e a relação com os pivôs é forte. Nós sabíamos disso, mas não conseguimos contrariar.
BnR: Antes de mais, muitos parabéns pela excelente vitória da sua equipa frente a um grande adversário. A sua equipa demonstrou sempre um enorme compromisso defensivo e foi muito agressiva nos duelos. Considera que foi esse o principal factor para ter conseguido obter uma vitória desta dimensão?
Carlos Martingo – Sim, foi um dos principais factores. Jogamos contra uma grande equipa, e só assim conseguiríamos derrotá-la. Fomos muito solidários e comprometidos defensivamente durante todo o jogo. Estivemos a um excelente nível defensivo, e esse foi o nosso grande mérito neste jogo. As ajudas funcionaram muito bem, estivemos igualmente muito bem tacticamente, independentemente dos jogadores que estiveram lá dentro.










