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O espetáculo ainda vai melhorar!

Pedro Palma · 7 min

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Cabeçalho modalidadesEstá a terminar a primeira fase do Campeonato Mundial de Andebol de 2017 em França. Os quatro primeiros classificados de cada um dos quatro grupos irão passar à fase seguinte (já a eliminar). Os penúltimos e os últimos irão jogar ainda para definir entre o 17º-20º lugares e o 21º-24º lugares (respetivamente). Vou agora analisar o que se passou em cada um dos grupos:

Grupo A:

O primeiro classificado do Grupo A não surpreende ninguém. A equipa Francesa cumpriu as expetativas, tendo vencido os cinco jogos do grupo. A vitória mais folgada foi a primeira, com o Brasil (31-16). O melhor marcador dos Les Bleus foi o central do Flensburg Kentin Mahe com 19 golos em cinco jogos. Titi Omeyer fez 42 defesas, mas o companheiro Vicent Gerrard teve uma melhor eficácia (41%). O principal jogador da equipa francesa, Nikola Karabatic, fez 15 golos em cinco jogos.

Logo a seguir temos a Noruega. Não sendo uma equipa de primeira linha, fez uma grande fase de grupos, tendo apenas perdido com a França. Pode considerar-se a segunda principal surpresa do grupo. O seu melhor marcador foi o ponta direito Kristian Bjornsen, dos alemães do HSG Wetzlar (onde joga o português João Ferraz), com 27 golos em cinco jogos. Torbjorn Bergerud fez 38 defesas. O seu jogador chave, Sander Sagosen, foi decisivo, sendo o segundo melhor marcador, com 26 golos em cinco jogos.

Em terceiro lugar temos a Rússia que cumpre o seu principal objetivo, mas sem convencer… O ponta direita do Chekhovskie Medvedi (Rússia), Dmitry Kovalev, foi o melhor marcador, tendo marcado 21 golos em 5 jogos. Ambos os guarda redes tiveram 31% de eficácia, tendo Victor Kireev feito 35 defesas. A “estrela” da Rússia, Timur Dibirov, desiludiu tendo marcado apenas 8 golos em 5 jogos.

A equipa da casa fez o pleno no Grupo A! Fonte: Equipes de France de Handball
A equipa da casa fez o pleno no Grupo A!
Fonte: Equipes de France de Handball

O último apurado pode ser considerado a surpresa principal até ao momento. O Brasil já não tem nada a perder, visto que o facto de ter conseguido a passagem à próxima fase num grupo complicado como este é um grande resultado, que demonstra a grande evolução do Andebol na terra do Samba. Jose Guilherme Toledo (lateral direito companheiro de Tiago Rocha e Gilberto Duarte na equipa polaca do Orlen Wisla Plock) foi decisivo, tendo feito 26 golos em 5 jogos. Maik Santos fez 44 defesas. Poderemos ter nesta seleção a grande sensação da competição!

A Polónia foi a grande deceção. Esperava-se muito mais da equipa comandada pelo famoso Talent Dujshebaev, que se esperava que pelo menos no terceiro lugar ficasse. O Japão pouco pôde fazer, mas deixou alguns bons apontamentos, deixando os adeptos do Andebol com “água na boca” para o que poderá surgir por parte dos nipónicos.

Grupo B:

Tal como aconteceu no Grupo A, o primeiro classificado do Grupo B, a Espanha, não surpreendeu ninguém e nem se deixou surpreender, tendo vencido todos os jogos do seu grupo. O ponta esquerdo do Barcelona foi o melhor marcador com 30 golos em 5 jogos. A grande dupla de guarda-redes fez a diferença, Gonzalo Perez de Vargas fez 31 defesas e teve 35% de eficácia, enquanto o seu companheiro Rodrigo Corrales fez 30 defesas e teve 34% de eficácia. O principal jogador da equipa, Raul Entrerrios, apresentou dificuldades físicas, tendo jogado apenas dois jogos e marcado quatro golos.

A Eslovénia, um outsider para levar muito em conta, cumpriu e ficou em segundo lugar no grupo. O seu melhor marcador foi o ponta direito do RK Celje, Blaz Janc, com 21 golos em cinco jogos. Matevz Skok fez 41 defesas durante a fase de grupos. O jogador chave, Jure Dolenec, não esteve na melhor forma, tendo marcado apenas 10 golos.

A Macedónia surpreendeu e conquistou o terceiro lugar do grupo. A razão desta grande prestação? O seu “craque”, lateral direito do Barcelona, Kiril Lazarov, que marcou uns fantásticos 44 golos em apenas cinco jogos! O guarda-redes Kiril Korev também foi decisivo, tendo feito 31 defesas.

Los Hispanos não desiludiram e venceram todos os jogos do seu grupo Fonte: Real Federación Española de Balonmano
Los Hispanos não desiludiram e venceram todos os jogos do seu grupo
Fonte: Real Federación Española de Balonmano

O carrasco de Portugal cumpriu, tal como a Rússia, mas era capaz de fazer muito melhor. Terminou num modesto quarto lugar, tendo terminado com os mesmos pontos do quinto classificado. O experiente ponta esquerdo do Rhein-Neckar Lowen ajudou a sua nação, marcando 24 golos. Bjorgvin Gustavsson esteve em grande forma com 41 defesas.

Era esperado que a equipa africana deste Grupo B, a Tunísia, passasse à próxima fase. Não se pode dizer que não tenha cumprido, visto que fez os mesmos pontos que o quarto classificado, mas tinha obrigação de ter feito mais para garantir a sua passagem. Os jogadores de Angola poderão contar as experiências de ter participado numa grande competição internacional aos seus netos, mas não conseguiram melhor do que seria esperado.

Grupo C:

Num grupo com muita qualidade, os Campeões Europeus não deram hipóteses a ninguém e fizeram dez pontos em dez possíveis, ficando, como é óbvio, no primeiro lugar do grupo. O melhor marcador foi a estrela da equipa, o ponta esquerdo do Paris-Saint Germain, Uwe Gensheimer, com 33 golos durante a fase de grupos e o guardião Andreas Wolff voltou a brilhar com 41 defesas e 40% de eficácia.

   A Croácia é uma equipa capaz do melhor e do pior e durante a fase de grupos fez o melhor que sabia e perdeu apenas com a Alemanha, tendo terminado no segundo lugar. Luka Cindric, central do Vardar, foi o melhor marcador com 22 golos em cinco jogos. Ivan Stevanovic fez 27 defesas. A estrela, Domagoj Duvnjak, fez 14 golos.

Os Bad Boys cumpriram, e tal como os outros favoritos, ganharam os cinco jogos do grupo Fonte: Deutscher Handballbund
Os Bad Boys cumpriram, e tal como os outros favoritos, ganharam os cinco jogos do grupo
Fonte: Deutscher Handballbund

A Bielorrússia fez mais do que era expectável e passou pela primeira vez à Main Round de um Campeonato do Mundo, tendo terminado no terceiro lugar. Artsem Karalek, pivot do Saint-Raphael, fez uso dos seus 100 kg e marcou 30 golos em cinco jogos. Saldatsenka fez 34 defesas, ajudando a equipa a passar à fase seguinte.

A Hungria tem qualidade para chegar muito longe, mas se não melhorar um pouco, dificilmente conseguirá um lugar no grupo. Desta vez, apurou-se na última vaga para a fase seguinte.  O central dos suíços do Schaffhausen, Gabor Csaszar, foi decisivo com 25 golos em cinco jogos. O inconstante Roland Mikler acabou por ser decisivo com 36 defesas durante a fase de grupos. Apesar de tudo, temos de dar créditos à equipa da Hungria por ter passado à Main Round sem a contribuição da sua maior estrela, Laszlo Nagy, que só participou em dois jogos tendo marcado só um golo.

O Chile e a Arábia Saudita não conseguiram surpreender mais do que terem vencido apenas um jogo cada um e lutarão agora pelos lugares entre o 17º e o 24º.

Grupo D: 

O país com mais história no Andebol não dececionou os seus fãs e sem dar hipóteses a nenhum dos adversários, terminando a fase de grupos em primeiro. O jogador-chave, lateral esquerdo do Paris Saint-Germain, Mikkel Hansen marcou 18 golos nos cinco jogos. Niklas Landin defendeu 56 remates durante a fase de grupos, sendo novamente decisivo.

A Suécia é uma equipa histórica desta modalidade, mas está em “seca” desde 2002. Nesta fase de grupos não desiludiu e ficou no segundo lugar. Jerry Tollbring, lateral esquerdo do Kristianstad, foi preponderante com 30 golos em cinco jogos. Na primeira competição sem o histórico guarda-redes Mattias Anderson, o seu sucessor, Andreas Palicka, não desiludiu, fazendo 39 defesas. Já a estrela da equipa, Lukas Nilsson, apenas marcou 8 golos.

E temos no Egipto uma grande surpresa. Pouca gente esperava que a nação africana passasse à Main Round, mas estes surpreenderam tudo e todos, tendo terminado em terceiro no grupo. O central Eslam Eissa foi fator importante neste feito com 26 golos. Karim Hendawy foi também decisivo com 41 defesas. O jogador chave Ahmed Elahmar marcou 16 golos.

A Dinamarca não fugiu à regra e ganhou todos os jogos da primeira fase Fonte: Facebook de Niklas Landin
A Dinamarca não fugiu à regra e ganhou todos os jogos da primeira fase
Fonte: Facebook de Niklas Landin

O Qatar ficou em quarto lugar. Para muitos amantes do Andebol a não muito boa prestação dos vice-campeões mundiais foi uma boa noticia, visto que o Qatar é a equipa mais odiada no mundo do Andebol, pelas fracas arbitragens e jogadores naturalizados no último Mundial realizado no… Qatar. Deixando isso para outra altura, era esperado que a equipa fizesse melhor, pelo menos um terceiro lugar. Bertrand Roine, Rafael Capote e Kasmal Mallash foram os melhores marcadores da equipa com 18 golos. O experientíssimo Danijel Saric fez 42 defesas.

O Bahrain é a equipa mais fraca do Mundial e como seria de esperar ficou no último lugar do grupo. Uma das boas seleções do continente Americano, a Argentina, dececionou ao não conseguir a passagem à Main Round.

Já se jogaram alguns jogos da Fase Final que será analisada noutro artigo:

Noruega x Macedónia (34-24)

França x Islândia (31-25)

Brasil x Espanha (27-28)

Rússia x Eslovénia (26-32)

Croácia x Egipto

Hungria x Dinamarca

Bielorússia x Suécia

Alemanha x Qatar

Foto de capa: Mundial 2017

Pedro Palma

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