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Portugal 29-28 França: Recuperação com destino a Tóquio

Pedro Palma · 5 min

Portugal 29-28 França: Recuperação com destino a Tóquio
Foto de Capa: IHF

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A CRÓNICA: JOGO HISTÓRICO DITA APURAMENTO

Chegados à última jornada do Torneio Pré-Olímpico, Portugal defrontou a França no jogo de tudo ou nada, em que apenas uma vitória colocaria os “heróis do mar” nos tão desejados Jogos Olímpicos de Tóquio. A Seleção francesa venceu ambos os jogos frente à Tunísia e Croácia e, só uma conjugação improvável de resultados poderia levar a equipa a falhar o seu objetivo.

A entrada em jogo de Portugal esteve longe de ser perfeita, notando-se a equipa nervosa e, novamente, com imensas dificuldades na organização ofensiva, desta vez agravadas pela ausência por lesão do central Miguel Martins. Por outro lado, a França ia superando a defesa portuguesa sem grande dificuldade, conseguindo construir uma vantagem considerável nesta fase inicial, levantando dúvidas em relação à capacidade portuguesa de ultrapassar este desafio.

Mas, como vimos ontem, o jogo tem diferentes fases e, apesar do mau começo, a nossa seleção conseguiu ir minimizando os danos, aproveitando o tempo que restava do marcador. Aos 14 minutos do primeiro tempo, a França vencia por 5-11, mas com uma defesa mais aguerrida, um ataque organizado e eficaz, Portugal conseguiu chegar ao descanso a perder por apenas um golo (12-13).

A equipa de Paulo Jorge Pereira fez o mais difícil, ao conseguir voltar à disputa do jogo, após estar em desvantagem, mas ainda tinha mais uma parte para lutar por um lugar na história. Era importante recomeçar bem, algo que não tinha acontecido no jogo do Mundial, que foi decisivo na altura. Durante os primeiros dez minutos, os empates foram constantes mas, aos 40 minutos, Portugal passou pela primeira vez para a frente do marcador, tendo na altura a oportunidade de aumentar a vantagem, não conseguindo aproveitá-la.

A partida continuou ao mais alto nível, com vários empates, até que chegados à marca dos 50 minutos, a equipa portuguesa voltou a ver-se com dificuldades, em inferioridade numérica e com dois golos de desvantagem. Pouco depois e, a quatro minutos do fim, a desvantagem já estava nos três golos. Poucos imaginavam que Portugal conseguiria marcar os quatro golos que precisava para vencer a partida.

Mas, os portugueses não desistem e, nessa altura, Gustavo Capdeville elevou-se, tal como Alfredo Quintana fez imensas vezes. Não sofreu mais nenhum golo até ao final da partida. A apenas 50 segundos do fim, eram precisos dois golos para garantirmos o bilhete para Tóquio e o inacreditável aconteceu. Durante esses segundos, Portugal recuperou a bola duas vezes, concretizando esses ataques e carimbando o passaporte para os Jogos Olímpicos (29-28). Recomendo vivamente a (re)ver os últimos cinco minutos do jogo mais histórico do Andebol português.

Depois do jogo de ontem, as probabilidades de conseguir um lugar nos Jogos Olímpicos eram poucas. Essas hipóteses pareceram desaparecer com o início do jogo de hoje, causando dúvidas até nos mais crentes. Mas, depois de ontem ter perdido a partida frente à Croácia, após estar a vencer por seis golos, Portugal teve a força e o engenho de dar a volta a uma desvantagem de seis golos até ao último segundo. Assim, marcou o golo que faltou em outros momentos, como frente à Noruega ou frente à Croácia.

Esta geração já tinha mostrado ter motivação e vontade para superar as dificuldades mas, durante estes três jogos, houve uma força extra vinda da vontade de homenagear Alfredo Quintana. Portugal conseguiu vencer o terceiro dos últimos quatro jogos frente à poderosa seleção francesa e em julho vai estar pela primeira vez nos Jogos Olímpicos.

 

A FIGURA

Luís Frade – Uma das principais ausências do Mundial, o pivot do Barcelona foi absolutamente decisivo em todos os momentos do jogo. Defensivamente, serviu de “âncora” no centro da defesa juntamente com Iturriza, principalmente na primeira parte. Em termos ofensivos, marcou quatros golos (100% de eficácia) e não tremeu quando teve oportunidades de finalizar.

O FORA DE JOGO

Sete inicial de Portugal – Os sete jogadores escolhidos para começar a partida por Paulo Jorge Pereira não estiveram ao nível do que seria preciso para vencer, excetuando, principalmente, António Areia. Tal notou-se na vantagem que a França conseguiu construir inicialmente, que durante a partida foi sendo recuperada pelos jogadores que começaram no banco de suplentes. Por alguma razão o andebol é um jogo de equipa e não se considera que existam titulares.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Num jogo em que facilmente podia ter perdido o controlo e a organização, a seleção teve uma personalidade enorme, ao nível das melhores seleções do mundo. A entrada em termos defensivos não foi a melhor, mas ao longo do jogo Portugal conseguiu acertar essa organização, tendo contado também com uma boa exibição de Gustavo Capdeville. Em termos ofensivos, o jogo foi praticamente perfeito, dos melhores que Portugal já conseguiu, com poucas falhas técnicas.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Manuel Gaspar (5)

Diogo Branquinho (5)

Alexandre Cavalcanti (5)

Victor Iturriza (6)

Daymaro Salina (5)

Fábio Magalhães (5)

António Areia (8)

SUBS UTILIZADOS

Gustavo Capdeville (7)

Belone Moreira (10)

Rui Silva (8)

Tiago Rocha (-)

André Gomes (6)

Luís Frade (10)

 

ANÁLISE TÁTICA – FRANÇA

Esta é uma equipa ainda em evolução, após a má prestação no último Campeonato Europeu. Com duas vitórias nesta fase, antes deste jogo, a França estava a demonstrar a sua força. A equipa entrou muito bem na partida, com as suas individualidades em grande nível, mas a saída por lesão de Dika Mem veio penalizar um pouco a organização ofensiva da equipa. Em termos defensivos, por poucas vezes conseguiu superar-se à ofensiva portuguesa, tendo novamente muitas dificuldades com o 7×6.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Vicent Gerard (6)

Nedim Remili (5)

Timothey N´Guessan (6)

Luc Abalo (8)

Ludovic Fabregas (9)

Michael Guigou (4)

Dika Mem (8)

SUBS UTILIZADOS

Melvyn Richardson (6)

Kentin Mahe (5)

Yann Genty (5)

Luka Karabatic (4)

Hugo Descat (10)

Nicola Claire (6)

Valentin Porte (4)

Jean Acquevillo (8)

 

Foto de Capa: IHF

Pedro Palma

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