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10 frente-a-frente que queremos ver em 2019

Pedro Pires · 16 min

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Não é novidade para ninguém que muito esperamos de 2019. Ao contrário de alguns “analistas”, consideramos que, também pelas suas diferentes características, 2019 tem todo o potencial para ser um ano de surpresas, grandes marcas e de uns Campeonatos Mundiais que prometem ser fantásticos. No artigo desta semana, apresentamos 10 duelos que acreditamos que têm o potencial de incendiar o ano desportivo.

10.

Thomas Rohler x Johannes Vetter (Lançamento do Dardo)

Thomas Rohler: 27 anos (PB: 93.90 metros)

Johannes Vetter: 25 anos (PB: 94:44 metros)

https://www.youtube.com/watch?v=9xh-i_Ap0oo

Era para 2018 que esperávamos o apogeu deste duelo germânico, mas apesar das várias marcas acima dos 90 metros, não foi um ano em que ambos os atletas se aproximassem do recorde mundial de Jan Zelezny, de 98.48 metros. Ainda assim, Johannes Vetter e Thomas Rohler foram os atletas que mais se aproximaram na história do evento com o atual engenho e ambos alcançaram essas marcas em 2017. Em 2018 era, portanto, um evento bastante aguardado, mas alguns constrangimentos – como a lesão de Vetter – levaram a que, apesar de alguns grandes duelos, os atletas não superaram o seu melhor pessoal.

Mais do que os confrontos entre si, é interessante constatar como têm sido dividido os grandes títulos nos últimos anos: em 2016, Rohler sagrou-se campeão olímpico no Rio; em 2017, Vetter sagrou-se campeão mundial em Londres; em 2018, Rohler conquistou o título europeu. No que diz respeito à Diamond League, por incrível que pareça, apenas Rohler conquistou uma edição e foi em 2014! Já que falamos do circuito de elite da IAAF, esse é também um bom ponto de partida para introduzir na batalha do Dardo, Andreas Hofmann (92.06), outro alemão, que está cada vez mais próximo dos melhores de Rohler e Vetter, tendo vencido a edição 2018 da Liga Diamante, bem como o título interno alemão. O que esperar para 2019? Várias marcas acima dos 90 metros e, apesar da época ser mais comprida do que o habitual, não admiraria nada que essas marcas surgissem desde bem cedo, como tem sido hábito. Para as grandes finais do ano e em especial para os Mundiais de Doha, provavelmente nem a poucos dias do evento conseguiremos fazer uma previsão com elevado grau de certeza, dado o histórico apresentado.

9.

Sergey Shubenkov x Omar McLeod (110 metros com Barreiras)

Sergey Shubenkov: 28 anos (PB: 12.92)

Omar McLeod: 24 anos (PB: 12.90)

McLeod e Shubenkov já se conhecem de várias batalhas
Fonte: Shangai Diamond League

O jamaicano Omar McLeod tem dominado o evento nos últimos eventos globais, sendo o atual campeão mundial e olímpico em título. Teve no entanto um 2018 “preguiçoso” em que pareceu pouco focado na temporada, tendo apenas competido até aos primeiros dias de Julho. Ainda que oficialmente afetado por problemas físicos, não parece ter sido essa a única razão para o abaixamento de forma de McLeod que parece concentrar todas as suas forças no ciclo de 3 anos de eventos globais que agora se inicia. Quem aproveitou para aparecer em melhor forma do que nunca foi o russo Sergey Shubenkov, que foi campeão mundial em 2015, esteve ausente dos Jogos do Rio devido ao castigo russo e depois regressou em Londres, sendo 2º. Em 2018, não só bateu o seu recorde pessoal, como correu por 4 vezes abaixo dos 13 segundos, algo que apenas tinha acontecido por uma vez na sua carreira – quando tinha sido campeão mundial em Pequim! Falhou inesperadamente nos Europeus, mas rebalanceou-se, vencendo com grande qualidade a final da Diamond League e a Continental Cup.

Caso tenhamos o McLeod de 2016 e 2017 e o Shubenkov de 2018, poderemos esperar emoção a rodos, relembrando que a melhor forma dos dois atletas é bastante similar e que nunca se encontraram ambos no topo da sua respetiva forma. É bastante possível que, pelo menos, um dos atletas baixe dos 12.9 nesta temporada aproximando-se perigosamente do recorde mundial de Aries Merritt (12.90). Ainda que Omar McLeod não seja um atleta propriamente ativo a nível de meetings internacionais, o confronto entre ambos deverá ser inevitável em algumas etapas DL e certamente que o será nos Mundiais de Doha.

8.

Caterine Ibarguen x Yulimar Rojas (Triplo Salto)

Caterine Ibarguen: 34 anos (PB: 15.31 metros)

Yulimar Rojas: 23 anos (PB: 15.02 metros)

É um pouco estranho dizer que alguém esteve desaparecido em 2018 e ao mesmo tempo venceu um título mundial, mas esse foi precisamente o caso da venezuelana Yulimar Rojas. Depois de ter despertado para o estrelato em 2016 com o título mundial Indoor em Portland e com a Prata nos Olímpicos do Rio – além do enorme recorde pessoal de 15.02 metros – foi em 2017 que Rojas conquistou o seu primeiro Ouro global ao ar livre, batendo a lenda Caterine Ibarguen em Londres por apenas 2 centímetros. Esperava-se que esse fosse o tiro de partida para o domínio da venezuelana que parece possuir as condições físicas perfeitas para o Triplo, mas a pupila de Iván Pedroso apresenta resultados em uma única competição em 2018: os Mundiais de Pista Coberta de Birmingham, em que participou como convidada por ser a campeã em título, e onde revalidou o seu Ouro. Tendo passado também por alguns problemas físicos, a atleta não competiu ao ar livre e deixou espaço aberto para a veterana colombiana. E Ibarguen aproveitou. Tão bem que foi eleita a melhor atleta do ano pela IAAF, tendo brilhado tanto no Triplo (onde conquistou o seu 5º troféu de Diamante na disciplina e não tendo perdido qualquer prova durante o ano) quanto no Comprimento, onde também venceu o Diamante.

 

É assim um duelo difícil de prevero desfecho para Doha, apesar de sabermos que expectavelmente as carreiras das atletas estão a entrar em ciclos completamente opostos e como tal será natural que a venezuelana assuma o domínio da disciplina, vislumbrando-se poucas atletas capazes de lhe fazer frente, apesar da emergência de novos interessantes valores. Se 2019 seguir a tendência habitual – e pode não seguir, pois é uma época especial, com os Mundiais a realizarem-se quase um mês após o término da Diamond League – Rojas não terá uma participação alargada em circuitos Diamond League e procurará principalmente estar pronta para os Mundiais. O que vier daí poderá ser especialmente interessante, tendo a certeza que será um dos últimos anos em que veremos este duelo entre uma atleta que um dia o mundo pensou que poderia vir a ser recordista mundial (Ibarguen) e outra atleta que muitos acreditam ter o potencial para chegar próximo dessa marca (Rojas) num futuro próximo.

7.

Almaz Ayana x Hellen Obiri (5.000 metros)

Almaz Ayana: 27 anos (14:12.59)

Hellen Obiri: 29 anos (14:18.37)

O último duelo entre as duas atletas foi a 13 de Agosto de 2017 na final dos 5.000 metros dos Mundiais de Londres. Nesse dia, a queniana Hellen Obiri provou a sua superioridade em 2017 na distância e conquistou o Ouro, deixando a etíope Almaz Ayana com a Prata, depois de um fenomenal kick a cerca de 300 metros do final. Antes Ayana já havia vencido os 10.000 metros desses Mundiais, cerca de um ano depois de ter coquistado o Ouro nos 10.000 do Rio com direito a um enorme recorde mundial – Jogos em que a atleta também foi Bronze nos 5.000 apesar do favoritismo, depois de ter tido a melhor marca mundial desse ano em impressionantes 14:12.59, a segunda melhor de toda a história. Um ano antes em 2015, Almaz Ayana já havia conquistado o Ouro nos 5.000 metros dos Mundiais de Pequim e em 2019, tudo indica, irá procurar atacar o Ouro nos 5.000 e 10.000 metros. Entre 2017 e 2018, Ayana apenas correu ambas as distâncias por uma vez – nos Mundiais de Londres. Não fez qualquer prova em 2018, afetada por uma lesão no joelho.

Já Hellen Obiri foi nos últimos dois anos a líder mundial da distância, mostrando-se bastante confortável, mesmo quando entra em prova como a favorita. Foi assim nos Mundiais de Londres onde alcançou o Ouro e foi assim nas duas finais da Diamond League (2017 e 2018), embora nestas duas sem a concorrência de Ayana. Apesar de Ayana ter registado marcas impressionantes – 4 das 10 melhores marcas de sempre são dela – nem sequer podemos afirmar que uma corrida rápida beneficia a atleta etíope, uma vez que Obiri também é a 5ª atleta mais rápida de sempre. O facto da final dos 10.000 metros realizar-se no primeiro dia de finais em Doha e da dos 5.000 apenas se realizar uma semana depois deverá facilitar o reencontro entre ambas.

6.

Noah Lyles x Christian Coleman (100 metros / 200 metros)

Noha Lyles: 21 anos (PB: 9.88 / 19.65)

Christian Coleman: 22 anos (PB: 9.79 / 19.85)

São as duas novas coqueluches da velocidade norte-americana nas distâncias mais curtas e não poderiam ser mais diferentes entre si, tanto a nível desportivo, quanto pessoal, o que não impede que os dois partilhem uma relação de amizade e respeito mútuo. Christian Coleman, com uma personalidade mais reservada, despertou as atenções do mundo em 2017 quando na final dos Campeonatos Universitários correu a distância de 100 metros em 9.82 (+1.3), marca que foi a melhor mundial desse ano. Embora menos falado, nesse mesmo ano, Christian Coleman correu os 200 metros em 19.85 (-0.5), naquele que foi o terceiro melhor tempo de 2017. Por ter realizado um número bastante elevado de provas na exigente temporada universitária norte-americana, Coleman chegou aos Mundiais um pouco desgastado, optando por não competir no duplo hectómetro. Nos 100 metros foi medalhado de Prata atrás de Justin Gatlin e à frente de Usain Bolt. Em 2018, valendo-se dos seus explosivos arranques, brilhou na temporada de pista coberta (título mundial e recorde mundial nos 60 metros) e, embora as lesões tenham em muito condicionado a sua temporada ao ar livre, ainda foi capaz de correr os 100 metros em 9.79 (-0.3), marca líder mundial do ano que lhe garantiu a vitória na final da Diamond League em Bruxelas.

Já Noah Lyles, que ainda demonstra muitos problemas na fase de aceleração do sprint, tem brilhado sobretudo nos 200 metros. Com um percurso diferente do de Coleman – Lyles nem sequer passou pela Universidade – o jovem alcançou a marca líder mundial do ano ao correr em 19.65 (+0.9), correndo em outras 3 ocasiões abaixo dos 19.7, feito que numa única época apenas Bolt havia alcançado. Voltou também a correr 100 metros, 2 anos depois. Já se tornou campeão norte-americano da distância e também já entrou na casa dos 9.8. Ambos os atletas encontraram-se em 2018 em Rabat e Birmingham, ambas as situações nos 100 metros, com as vitórias a sorrirem a Coleman, no entanto Lyles parece levar vantagem nos 200 metros, tendo conquistando os dois últimos troféus de diamante nessa distância. Iremos ver os dois atletas a procurar a qualificação em ambas as distâncias para os Mundiais de Doha? Lyles já confirmou que quer estar nos 100 e nos 200 metros. Em 2018, Coleman tinha alguns meetings de 200 metros programados, mas deixou cair essa possibilidade por lesão. Em 2019 deverá voltar a atacar a distância e é muito provável que vejamos Coleman e Lyles várias vezes frente a frente.

5.

Salwa Eid Naser x Shaunae Miller-Uibo (400 metros)

Salwa Eid Naser: 20 anos (PB: 49.08)

Shaunae Miller-Uibo: 24 anos (PB: 48.97)

Devido às suas características e exigências físicas, prever desfechos de provas da volta à pista nem sempre é  uma tarefa fácil. No Rio, Miller-Uibo bateu Felix por uma unha negra. No ano seguinte, em Londres, num duelo que se previa emocionante entre as duas, as duas atletas falharam os  dois primeiros lugares. Ainda assim, em 2018  foi relativamente fácil prever as vitórias da atleta da Bahamas, Shaunae Miller-Uibo, uma vez que o seu domínio foi avassalador. Não perdeu qualquer prova realizada (nem mesmo nos 200 metros) e melhorou em muito o seu recorde pessoal, correndo pela primeira vez  abaixo dos 49 segundos. No entanto, foi também nessa prova, que mais impressionados ficámos com o potencial de Salwa Eid Naser. A jovem que nasceu na Nigéria e que representa o Bahrein, correu em impressionantes 49.08 segundos no único confronto que teve com Miller-Uibo em 2018, naquela que foi também a sua única derrota. Terminou o ano com um impressionante número de 7 provas abaixo dos 50 segundos e na memória ficou também a sua vitória na final da Liga Diamante de Bruxelas, em 49.33, tendo chegado à capital belga no próprio dia do evento, às 13h30, depois de um vôo de 7 horas de duração vindo de Jakarta, onde conquistou duas medalhas de Ouro nos Jogos Asiáticos.

Quando as duas atletas se voltarem a encontrar em 2019, todos irão parar para assistir a um duelo que promete fazer subir as atletas nas listas das melhores atletas de sempre da distância. Prevemos várias provas abaixo dos 49.5 para ambas, isto se Miller-Uibo escolher concentrar-se nos 400 metros, a prova onde ainda parece mais forte. É que a atleta já afirmou que não irá dobrar distâncias em Doha (em Londres fez os 200 e os 400) e irá apenas concentrar-se numa distância.

4.

Michael Norman x Wayde van Niekerk (400 metros)

Michael Norman: 21 anos (PB: 43.61)

Wayde van Niekerk: 26 anos (PB: 43:03)

O sul-africano Wayde van Niekerk é o campeão olímpico e duplo campeão mundial da distância. E caso tenham vivido os últimos anos debaixo de uma pedra, também podemos reforçar que é o atual recordista mundial da distância, tendo batido o anterior célebre recorde mundial de Michael Johnson. Em condições normais, tais feitos poderiam fazer de Wayde van Niekerk um homem totalmente incontestável na sua distância preferida, uma vez que vários dos seus rivais têm também apresentado um rendimento inconstante. No entanto, van Niekerk lesionou-se a seguir aos Mundiais de Londres, lesionou-se a jogar Rugby recreativamente e não pôde realizar uma única prova em 2018. O atleta está de volta aos treinos e afirma estar mais forte do que nunca, mas isso será algo  que teremos tempo para comprovar. O que acontece é que durante a sua ausência houve um atleta que aproveitou o vazio e, mesmo sem grandes holofotes sobre si, alcançou a melhor marca que o mundo viu desde o recorde de van Niekerk. O jovem norte-americano Michael Norman correu nos Campeonatos Universitários em 43.61 segundos e encerrou aí em Junho, a sua temporada nos 400 metros. Estreou-se no circuito profissional a seguir a isso e deu excelentes indicações nos 200 metros, tendo corrido os essa distância em 19.84 (-0.6) segundos em Paris!

Os atletas nunca se defrontaram e 2019 irá marcar a primeira época completa de Norman como profissional e por isso as expectativas estão bastante elevadas. Em 2018, Norman correu também o tempo mais rápido da história da distância em ambiente indoor e, portanto, o encontro poderá ser “vendido” como um duelo entre dois recordistas mundiais. Muitas expectativas, poucas certezas, a não ser a de que Michael Norman é, provavelmente, o rival mais excitante que já vimos para van Niekerk nos 400 metros. E isso poderá querer significar que iremos ver algo muito rápido em 2019.

3.

Juan Miguel Echevarría x Luvo Manyonga

Juan Echevarría: 20 anos (PB: 8.68)

Luvo Manyonga: 28 anos (PB: 8.65)

A história de Luvo Manyonga é uma das mais bonitas do nosso desporto. Tendo caído no abismo da dependência de drogas, o atleta saiu desse buraco, não só recuperando-se para o desporto profissional, mas também para conquistar uma medalha olímpica, logo seguida de um Ouro nos Mundiais de Londres. O futuro parecia sorrir para um domínio do sul-africano, mas 2018 trouxe-nos um jovem cubano que promete abanar com a disciplina. Em pista coberta, Juan Miguel Echevarría teve um começo sensacional, culminando com a surpreendente vitória na final dos Mundiais de Birmingham. Ao ar livre, o cubano teve algumas performances impressionantes, com o seu melhor pessoal, com vento legal, a ser já de 8.68 metros (+1.7), mas o mais incrível talvez tenha sido o seu salto de 8.83 com um vento minimamente irregular (+2.1) em Estocolmo, salto que até pareceu limitado pelo tamanho da caixa. Uma lesão limitou a parte final da temporada de Echevarría, que foi obrigado a terminar mais cedo a época. No entanto, em 4 confrontos ao ar livre com Manyonga em 2018, o cubano venceu 3.

Será um dos concursos mais entusiasmantes do ano e desenganem-se os que pensam que Echeverría é o único com potencial para entrar, pelo menos, na casa dos 8.8. Manyonga tem vários videos disponíveis com saltos nulos que dão a ideia de serem enormes, andando por essas marcas e um deles até foi mesmo nos Mundiais de Pista Coberta de Birmingham. Todo o ano promete interessantes batalhas, embora seja de lamentar a decisão da IAAF de manter os concursos de saltos horizontais e lançamentos limitados a apenas 4 meetings + a final no circuito Diamond League. Principalmente tendo em conta o entusiasmo que alguns destes eventos estão a levantar, parece uma decisão pouco compreensível por parte da organização que gere o Atletismo a nível mundial.

2.

Kenda Harrison x Brianna McNeal (100 metros com Barreiras)

Kendra Harrison: 26 anos (PB: 12.20)

Brianna McNeal: 27 anos (PB: 12:26)

https://www.youtube.com/watch?v=jLECSzk6cc0

“Qualquer evento com ambas as atletas presentes pode significar a queda do recorde mundial”. As palavras não são do autor deste artigo, mas sim do recordista mundial do evento equivalente no masculino (Aries Merritt) e por aqui concorda-se totalmente. Num evento que tem sido uma autêntica montanha russa, um dia bom pode significar um recorde mundial e um dia mau pode significar ficar de fora dos Mundiais. Foi mais ou menos isso que aconteceu a Kendra Harrison em 2016 quando incrivelmente falhou nos Trials norte-americanos o apuramento para os Jogos e duas semanas depois foi a Londres bater o recorde mundial que durava há 28 anos. Um ano depois, nos Mundiais de Londres, Kendra voltaria a falhar o pódio apesar de entrar como favorita e em 2018 acabou por perder também duas importantes finais ao ar livre (Diamond League e Continental Cup), ainda que em Pista Coberta tenha alcançado o título mundial dos 60 metros, com direito a recorde dos campeonatos. Na distância ao ar livre, Kendra Harrison alcançou a melhor marca mundial em todos os últimos 3 anos, mas como se vê, isso não se tem traduzido em títulos globais.

Já Brianna McNeal conta com um palmarés de impôr respeito, que inclui o Ouro nos Mundiais de Moscovo em 2013 e o Ouro nos Jogos do Rio em 2016. Falhou Londres devido a uma suspensão de 1 ano relacionada com aspetos administrativos de comunicação às autoridades anti-doping, mas regressou em grande em 2018, ao vencer, por exemplo, a final da Diamond League e a voltar já a correr na casa dos 12.3. Apesar de Harrison ser a atual recordista mundial, essa marca é também uma das ambições de McNeal, que é a 4ª mais rápida de sempre. É difícil prever o futuro imediato de um evento que transborda de qualidade – só nos EUA há, pelo menos, 7 atletas com capacidade de lutar por um Ouro global e apenas 3 lugares de qualificação…- mas nos confrontos entre ambas as atletas em 2018, Kendra venceu 3 e Brianna 2, o que demonstra bem o equilíbrio que poderemos esperar, sabendo ainda que em momentos de decisão o mindset de Brianna tem-se mostrado superior.

1.

Abderrahman Samba x Rai Benjamin (400 metros com Barreiras)

Abderrahman Samba: 23 anos (PB: 46.98)

Rai Benjamin: 21 anos (PB: 47.02)

Durante muitos anos o norte-americano Kevin Young pôde dormir descansado que o seu recorde mundial, estabelecido em Barcelona há 27 anos atrás, não iria cair tão cedo, mas o caso parece estar rapidamente a mudar de figura e 2019 pode ser o ano de vermos algo nunca antes visto no evento. Já o referimos em artigos anteriores por várias vezes, mas quando se junta o segundo atleta mais rápido da história com o terceiro atleta mais rápido da história e ambos na flor da idade, só se poderá esperar algo do outro mundo. Abderrahman Samba, que representa o Qatar – país anfitrião dos Mundiais deste ano – realizou uma temporada imaculada, não perdendo uma única prova, correndo por 9 vezes abaixo dos 48 segundos e tornando-se no 2º atleta da história a entrar na casa dos 46 segundos. No entanto, Rai Benjamin promete forte concorrência naquela que será a sua primeira temporada completa como atleta profissional. O atleta nascido nos EUA – e que agora representa mesmo os EUA – correu na final dos Campeonatos Universitários em 47.02, uma marca que o igualou com Edwin Moses, como o terceiro atleta mais rápido de toda a história. No final da temporada ainda se estreou no circuito europeu, surpreendendo ao escolher a prova de 200 metros, mas mesmo fora do seu habitat e com o desgaste da temporada, percorreu essa distância em 19.99 (-0.6) segundos em Paris, mostrando o seu potencial a nível de velocidade.

Os atletas nunca se encontraram em pista antes e o primeiro encontro entre ambos irá com certeza parar o mundo do Atletismo. Prevê-se que este duelo ocorra várias vezes durante o ano e ainda com a ajuda de nomes como Kyron McMaster ou Karsten Warholm, poderemos muito bem assistir a marcas nunca antes vistas na disciplina.

Foto de Capa: IAAF

Pedro Pires

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