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A Magia da Pista Coberta

Pedro Pires · 4 min

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Cabeçalho modalidadesEm semana marcada pelo fantástico recorde mundial de Chris Coleman nos 60 metros (destronando uma marca com 20 anos), e em plena temporada de Pista Coberta, o nosso tema da semana aborda precisamente o Atletismo Indoor.

É comum que as modalidades que têm os maiores atrativos ao ar livre, sejam poucas vezes relembradas pelo Indoor. Ainda assim, nos últimos anos, tem-se visto alguns desportos, como o Ténis, a aproveitar as vantagens dos pavilhões e a ter eventos cada vez mais mobilizadores de massa. A maior de todas essas vantagens prende-se, obviamente, com a possibilidade de termos competições no Inverno em países onde de outra forma seria impossível a prática do desporto durante grande parte do ano. A temperatura dos pavilhões permite, também, condições ideais para a prática de certas disciplinas e existe um espírito mais amistoso entre todos os atletas e treinadores. Mas claro que há mais aspectos positivos: a proximidade do público é um deles e conseguimos ter ali ao nosso lado verdadeiras estrelas da modalidade sem a necessidade de vermos pelos binóculos, facilitando também o trabalho da imprensa, em especial no que diz respeito às transmissões televisivas.

Fonte: Bunewsservice.com
Fonte: Bunewsservice.com

No Atletismo de Pista Coberta, ainda que não tendo os holofotes do Outdoor, podemos dizer que existe uma relação saudável entre o Indoor e o Outdoor, sendo que os amantes da modalidade prestam quase tanta atenção a esta fase da temporada, como à fase ao ar livre (talvez porque o Atletismo tem um calendário profissional curto, comparado com outros desportos, o que faz com que estejamos sedentos de ver tudo).

As disciplinas, essas variam um pouco – principalmente pela especificidade dos pavilhões que se diferenciam da habitual pista de 400 metros – e isso, por vezes, acaba por confundir os fãs da modalidade. Por exemplo, os 100 metros são aqui substituídos pelos 60 metros (não há 100 metros Indoor) e o facto de ser uma corrida – ainda mais – de explosão limita os atletas mais altos, sendo aqui que os atletas dos sprints mais curtos concentram as suas atenções.

Depois, em grandes competições continentais ou mundiais, temos os 400 metros, os 800 e os 1500 metros, que contam, habitualmente, com quase todas as suas principais estrelas (Centrowitz é campeão mundial de Pista Coberta e olímpico ao ar livre nos 1500, por exemplo). A longa distância dos 5000 e 10000 é aqui substituída apenas pelos 3000 metros, o que dá alguma vantagem a corredores que gostam de distâncias mais curtas e a quem pretende fazer a transição dos 1500 para os 5000 metros. Genzebe Dibaba é um desses maiores exemplos e todos sabemos da importância que a mesma dá à Pista Coberta, onde possui os recordes mundiais dos 1500 e dos 3000, além de 3 outros recordes de provas menos corridas no Indoor – a milha, os 2000 e os 5000 metros.

Nas barreiras, a única distância presente em grandes competições é a dos 60 metros com barreiras, pelo que obviamente corredores mais rápidos na aceleração e com maior capacidade de explosão têm uma enorme vantagem. Omar McLeod domina o circuito Indoor (tal como o Outdoor) e é o campeão mundial de Pista Coberta. Por fim, nas estafetas, temos os 4×400, habitualmente dominados pelos EUA.

Omar McLeod, uma estrela ao ar livre e em pista coberta Fonte: Jamaica Olympics
Omar McLeod, uma estrela ao ar livre e em pista coberta
Fonte: Jamaica Olympics

No que diz respeito às Provas Combinadas, aos Lançamentos e Saltos, uma bastante significativa parte dos grandes nomes costumam marcar presença nas grandes competições. Não há Decatlo, sendo que para os homens há o Heptatlo e no feminino o Pentatlo. Os lançamentos estão limitados apenas ao Peso e nos Saltos temos tudo o habitual: Comprimento, Altura, Triplo e Vara.

Quanto a Portugal, embora nunca tenhamos recebido Europeus de Pista Coberta, é curioso que já recebemos Mundiais Indoor, em 2001, no Pavilhão Atlântico em Lisboa.

Rui Silva, Campeão mundial Indoor dos 1500 Metros em Lisboa 2001 Fonte: FPF
Rui Silva, Campeão mundial Indoor dos 1500 Metros em Lisboa 2001
Fonte: FPF

Nessa edição, Rui Silva conquistou uma medalha de Ouro nos 1500 e Carlos Calado a medalha de Bronze no Comprimento. Outras estrelas que por cá brilharam com honras de medalha de Ouro foram Hicham El Guerrouj, Ivan Pedroso, Maria Mutola ou Olga Yegorova, entre outros.

Já na temporada passada, nos Europeus de Belgrado, Nelson Évora trouxe para casa mais uma medalha de Ouro e Patrícia Mamona uma de Prata, provando que temos legítimas aspirações nos Mundiais deste ano também. No total, em Mundiais de Atletismo em Pista Coberta, Portugal tem 12 medalhas (4 Ouro, 4 Prata e 4 Bronze) no total de 16 edições. Já nos Europeus em Pista Coberta, foram disputadas bem mais edições – 34 – e somamos um total de 23 medalhas (12 Ouro, 8 Prata e 3 Bronze).

Nelson Évora em Belgrado, onde conquistou o seu título mundial Fonte: FPF
Nelson Évora em Belgrado, onde conquistou o seu título mundial
Fonte: FPF

A temporada Indoor que neste mês se iniciou durará até Março deste ano, tendo o seu expoente máximo com os Campeonatos Mundiais de Pista Coberta em Birmingham, entre 1 e 4 de Março. Antes disso, todas as atenções estarão voltadas para os vários meetings que se realizarão pelo mundo fora (com especial destaque para os que dizem respeito à IAAF World Indoor Tour) e para os vários campeonatos nacionais de Pista Coberta. Nós, como não poderia deixar de ser, estaremos por aqui para fazer a cobertura adequada dos eventos e esperar viver mais momentos mágicos como aquele que deu, na passada sexta-feira, o recorde mundial (*) dos 60 metros a Christian Coleman.

* a aguardar ratificação pela IAAF

Pedro Pires

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