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Quando no dia 15 de Agosto de 2016, Shaunae Miller-Uibo caía para a vitória sobre a meta, relegando Allyson Felix para o segundo lugar na final dos 400 metros dos Jogos Olímpicos do Rio, poucos terão pensado que essa poderia ter sido a última oportunidade para mais um Ouro global da atleta norte-americana, a mais condecorada atleta da história do Atletismo.
No entanto, depois de um 2017 em que falhou a revalidação do título mundial e de um 2018 praticamente inexistente, muitas são as interrogações que se levantam acerca de que Allyson Felix iremos ter naquele que será o último ciclo de eventos globais da carreira. À sua própria forma, soma-se o crescimento para outros patamares de atletas como Shaunae Miller ou Salwa Eid Naser. Mas, mesmo a nível interno, a missão de Felix não parece nada fácil e, quando nos encontramos a cerca de um ano do início dos Mundiais de Doha, a sua presença nesse evento acarreta muitas dúvidas e interrogações.
Allyson Felix: A lenda
Contabilizando as medalhas individuais e de estafeta, Allyson Felix tem um recorde de 16 medalhas em Campeonatos Mundiais (11 de Ouro) e 9 medalhas em Jogos Olímpicos (6 de Ouro). É um registo sem qualquer paralelo que colocam a norte-americana como a mais condecorada atleta da história, com 25 medalhas globais.
Muitos de nós terão as primeiras lembranças dela nos 200 metros, prova que dominou, tendo sido campeã mundial (por 3 vezes) e olímpica (em Londres, depois de duas Pratas). Mas, na verdade, o primeiro grande sucesso internacional e onde se percebeu o talento que existia dentro de Felix foi nos 100 metros! Em Julho de 2001, com 16 anos, tornou-se campeã mundial sub-18 (juvenil) nos 100 metros, em Debrecen, correndo na altura a distância em 11.57. No entanto, rapidamente se percebeu que as suas características físicas e de corrida poderiam ser também potencializadas em sprints mais longos. Dois anos depois, em Maio de 2003, iria à Cidade do México, correr os 200 metros em 22.11 (-0.5)! Felix ainda tinha 17 anos por esta altura e a marca mantém-se até aos dias de hoje como o recorde mundial júnior (sub-20) da distância. A segunda melhor marca sub-20 de sempre? Também é de Felix! Os 22.19 (+0.8) que correu em Atenas um ano depois e que lhe deram a medalha de Prata nos Jogos Olímpicos com apenas 18 anos. Por essa altura, já ninguém tinha dúvidas do diamante a ser trabalhado que ali constava. Um ano depois, em 2005, ainda com 19 anos, Allyson foi a Helsínquia conquistar o seu primeiro Ouro em eventos globais seniores, com a vitória na final dos 200 metros dessa competição.

Fonte: IAAF
Em 2007, começaram as conquistas a nível de estafetas, algo que se tornou parte do sucesso da atleta e que a acompanhou ao longo de toda a sua carreira, mostrando a sua versatilidade para todas as distâncias do sprint, arrecadando medalhas tanto nas estafetas 4×100 quanto 4×400. Nas estafetas 4×100, a atleta contribuiu para 6 medalhas globais e nas estafetas 4×400 contribuiu já para 8 medalhas globais. A nível individual foram 7 medalhas nos 200 metros e 4 nos 400 metros.
A aposta nos 400 metros
A passagem para os 400 metros acabou por se dar de forma natural na carreira de Felix, após sugestão do seu técnico, o histórico – e com o seu grau de controvérsia – Bob Kersee. Com o passar do tempo, os 21.69, que tem como melhor pessoal (que permitiram alcançar o Ouro dos 200 metros em Londres), deixaram de ser uma possibilidade e, embora a atleta nunca tenha esquecido formalmente os 200 metros, a verdade é que não parece que já tenha a capacidade para alcançar tais marcas, sendo que nos últimos 5 anos apenas baixou uma única vez dos 22 segundos. Nos dois últimos grandes eventos globais (Jogos do Rio e Mundiais de Londres) até participou nos Trials norte-americanos, mas não conseguiu o apuramento na distância.
Dessa forma, foi com naturalidade que a maior aposta passou para os 400 metros, prova onde parecia existir um vazio norte-americano depois da saída de cena de Sanya Richards-Ross, devido às lesões que a apoquentaram e que viriam a forçar o seu abandono de carreira. A sua primeira grande aposta na distância começou em 2011 e nos Mundiais de Daegu, a atleta estrear-se-ia logo com uma medalha de Prata (em 49.59). Em 2012, acabou por preferir fazer os Trials nos 100 metros (como segunda prova, já que a principal aposta continuava a ser os 200), devido ao calendário dos Jogos de Londres. Nesses Olímpicos, viria a conquistar o seu único Ouro em Jogos Olímpicos até ao momento. 2013 foi um ano marcado por alguns problemas físicos e os Mundiais de Moscovo foram o primeiro evento global da carreira da atleta após os Jogos de Atenas, em 2004, em que a atleta não alcançou qualquer medalha.

Fonte: Spikes IAAF
2015 foi o primeiro ano em que começámos a olhar para Allyson Felix mais como uma corredora de 400 metros. Nesse ano, a atleta afirmou que a sua prioridade seriam os 400 metros, a única prova que fez nos Trials norte-americanos para os Mundiais de Pequim, depois de perceber que o calendário dos campeonatos não permitiriam dobrar distâncias. Nesses Mundiais, alcançou o seu único Ouro global na distância da volta a pista, com o seu recorde pessoal de 49.26 segundos (com uma tal de Shaunae Miller-Uibo a mostrar já as garras no segundo lugar), tornando-se a primeira mulher da história a conquistar o Ouro em 200 e 400 metros em Campeonatos Mundiais.
O turning point chamado “Jogos Olímpicos do Rio” e a desilusão de Londres
2016 foi um ano que começou também com várias lesões e limitações. Ainda assim, a atleta queria ir aos Jogos do Rio participar nos 200 e 400, procurando mais história. Nos 400 metros apurou-se com facilidade nos Trials norte-americanos, mas viria a falhar o objetivo nos 200 metros, ao ficar na 4ª posição a 0.01 segundos do lugar de apuramento.
No Rio, era uma das grandes favoritas ao Ouro nos 400 metros. Esta seria a primeira vez que procurava vencer o Ouro olímpico nesta distância, depois de ter alcançado a medalhas nos Campeonatos Mundiais do ano anterior. Na 1ª ronda, a mais rápida foi Phyllis Francis. Nas meias-finais, existiram várias marcas de enorme nível: na 1ª série, Phyllis Francis (50.31) continuava a dominar com tranquilidade e parecia ter muito no tanque; na 2ª série, Shericka Jackson e Natasha Hastings mostraram os galões baixando ambas dos 50 segundos; mas na 3ª série era a vez de vermos Allyson Felix e Shaunae Miller-Uibo e as atletas não desiludiram. Felix bateu Miller-Uibo, com uma grande marca de 49.67 segundos, afirmando-se como favorita ao Ouro olímpico.
A final, no entanto, trouxe algo diferente. Allyson Felix até correu o seu melhor da temporada (49.51) e parecia ganhar terreno a Miller-Uibo nos metros finais, mas a atleta das Bahamas caiu sobre a meta (o que muitos ainda acham que foi um mergulho), vencendo ao limite com o que na altura era o seu melhor pessoal de 49.44 segundos! Foi uma das finais mais dramáticas da história da distância. Quanto às estafetas, passado poucos dias, Felix levou mais duas medalhas de Ouro para casa nos 4×100 e 4×400.
Em 2017, a grande competição seriam os Campeonatos Mundiais de Londres. Uma vez que a atleta tinha um wild card para os Mundiais nos 400 metros (pelo seu título de 2015), resolveu participar nos 100 e 200 metros nos Nacionais Norte-Americanos. Não conseguiu lugares de apuramento em nenhum dos eventos, mas as perspetivas para os Mundiais eram muito boas. Um mês antes dos Campeonatos, correra na Diamond League de Londres em 49.65, o que era na altura a marca líder do ano e na pista em que iriam decorrer os Campeonatos. A final do evento revelou-se uma caixinha de surpresas. Numa prova que se esperava mais um duelo Miller-Uibo x Felix, nenhuma das duas atletas conseguiu provar o favoritismo.
Com uma pista totalmente encharcada depois de uma forte chuvada na capital inglesa, Allyson Felix arrancou bastante forte e viria a pagar caro a estratégia (que se revelou suicida), começando a ceder terreno à entrada para a última curva. Miller-Uibo ia a caminho de mais um título global, mas… uma distração da atleta das Bahamas retirou-lhe o ritmo e acabaria por ficar fora do pódio. Felix ainda foi Bronze em 50.08, mas viu Salwa Eid Naser surpreender na segunda posição em 50.06 e a sua compatriota Phyllis Francis levar a vitória num recorde pessoal e fantástico tempo de 49.92 segundos, ainda mais se tivermos em conta as condições da pista.

Fonte: IAAF
O ciclo que se encerra e as adversárias que enfrenta
A atleta tem sucessivamente referido que encara esta fase final da sua carreira com cautelas, com mais inteligência e com a noção que “não pode ir a todas”. A própria chegou mesmo a fazer um paralelismo com o que Roger Federer faz no ténis, referindo-se ao facto que se irá resguardar durante grande parte do tempo para atacar em forças as competições que lhe interessam, os eventos globais. 2018 foi visto pela atleta como um ano para respirar e para se preparar para os Mundiais de Doha e para os Jogos de Tóquio. Fez poucas provas, nenhuma das de maior importância do calendário, evitando confrontos com as principais rivais. Ainda assim, Felix afirma constantemente que tudo faz parte do plano e que nunca se contentará com nada que não seja a medalha de Ouro quando for a doer. Mas será que a atleta natural de Los Angeles estará pronta para enfrentar a dura concorrência que lhe espera?

Fonte: Great City Games Manchester
A nível internacional, é óbvio que as suas duas maiores e grandes adversárias são Shaunae Mller-Uibo (BAH) e Salwa Eid Naser (BRB). Ambas as atletas já têm um recorde pessoal nos 400 metros melhor do que o de Allyson e fica complicado perceber como é que a norte-americana poderá, aos 33 anos, e numa fase em que os seus resultados e marcas parecem vir a regredir, superar-se e correr a sua prova mais rápida de sempre. Claro que cada prova é diferente e poderá não ser necessário correr tão rápido para se vencer, ainda assim será difícil ser mais rápida que as duas rivais nessa mesma prova e isso parece um cenário cada vez mais complicado à medida que o tempo passa.

Fonte: IAAF
Shaunae Miller-Uibo tornou-se a 10ª mais rápida de sempre e a 10ª atleta da história a baixar dos 49 segundos, com os 48.97 da prova do Mónaco. Nesse dia, Salwa Eid Naser correu em 49.08. O melhor pessoal de Felix é de 49.26, alcançado nos Mundiais de Pequim em 2015. Felix terá 33 anos em Doha. Miller-Uibo terá 25 e Naser 21 anos. Parece claro que as probabilidades estão contra a atleta norte-americana, nesta que parece uma luta contra o tempo.
Externamente, ainda não sabemos o que esperar de Caster Semenya (RSA). Se a atleta quiser também apostar nos 400 metros, já deixou excelentes indicações com os 49.62 que correu em Ostrava, na Continental Cup. O mesmo acontece com Shericka Jackson (JAM), Bronze em Pequim e no Rio, mas que em 2018 deu prioridade aos 200 metros.
Mas não é apenas no exterior que Allyson Felix parece enfrentar enormes desafios. A nível nacional, existem várias atletas que em 2018 se apresentaram melhor do que Felix e, mesmo que a atleta se apresente ao seu melhor nível de sempre, terá adversárias entre portas ao seu nível. Para começar, a campeã mundial em título é também norte-americana. Phyllis Francis surpreendeu o mundo ao conquistar o Ouro nos Mundiais de Londres, numa final em circunstâncias bastante atípicas, que ainda assim não impediram Francis de alcançar o seu recorde pessoal em 49.92.

Fonte: IAAF
Uma boa notícia para Felix é que Phyllis Francis não precisa de participar nos Nacionais, tendo já um wild card para os Mundiais de Doha, abrindo a possibilidade de termos 4 norte-americanas nesses Campeonatos.
Shakima Wimbley apenas baixou por uma vez dos 50 segundos na sua carreira. Mas fê-lo em 49.52 na final dos Nacionais Norte-Americanos em 2018, deixando muita gente impressionada. A sua marca significou o tempo mais rápido em todo o mundo, se não contarmos com Miller-Uibo e Naser, sendo a norte-americana mais rápida da temporada. Antes, no início do ano, Wimbley conquistou a medalha de Prata na distância indoor em Birmingham e, em 2019, poderemos ouvir falar muito mais dela a nível internacional na volta ao ar livre.
Nos Mundiais de Pista Coberta em que Wimbley foi segunda, quem se tornou campeã mundial indoor foi Courtney Okolo. A atleta norte-americana foi brilhante na temporada indoor, venceu esse título, mas não conseguiu transportar essa forma para o ar livre. Curiosamente, Okolo correu mais rápido em pista coberta (50.55) do que ao ar livre (50.65), o que por um lado demonstra que o seu ano não foi extraordinário ao ar livre, mas que também demonstra que continua a ter muito mais dentro de si e que vale bem mais do que correu na temporada 2018. O quanto representam ao ar livre esses 50.55 de Março? Não o sabemos dizer, mas sabemos dizer que em 2016 correu em 49.71.
A jovem Kendall Ellis, de 22 anos, foi outra atleta que teve em grande destaque em 2018. Em Pista Coberta, correu em 50.34, o tempo mais rápido do ano e o novo recorde nacional norte-americano, na sua última temporada no College. Mais tarde, ao ar livre, baixou pela primeira vez na carreira dos 50 segundos, ao correr em 49.99, mas a história não ficaria por aí. Apesar de ter perdido o título colegial para Irby (já lá vamos), fê-lo correndo em 50.19 e apenas duas horas depois correu uma das mais impressionantes legs das estafetas 4×400. Veio de muito longe para vencer, fê-lo em 50.05, com a pista em muito difíceis condições e depois daquela prova prévia de 400 metros! O vídeo é um dos melhores momentos de Atletismo de 2018.
Lynna Irby ainda irá completar os 20 anos em Dezembro, mas, caso não existisse uma tal de Sydney, era provavelmente o nome mais falado no momento entre as jovens norte-americanas. Com uma temperatura de 12 graus centígrados, correu o seu tempo mais rápido de sempre na final dos Universitários norte-americanos em 49.80, com a pista bastante molhada e tornou-se a teenager norte-americana mais rápida de sempre.
O facto de ter nascido em Dezembro e não uns dias depois, não permite considerá-la a recordista nacional júnior, mas esse formalismo não impede de percebermos a dimensão da marca de Irby. Meia hora depois correu os 200 metros em 22.92 (com vento muito negativo de -2.3), sendo terceira. Não há dúvidas do diamante que aqui está pronto a brilhar ao mais alto nível.
Depois há Sydney McLaughlin. Não está ainda bem claro em que prova ou provas a jovem prodígio irá apostar em 2019. A prioridade deverão ser os 400 metros com barreiras, a sua especialidade ao momento e onde procura fazer história, tendo já confessado que espera bater o recorde mundial da distância. Ainda assim, é impossível excluir da equação dos 400 metros, a jovem que assinou, na semana passada, um contrato (que se diz milionário) com a New Balance.

Fonte: New Balance
Em 2018, na temporada universitária norte-americana, correu apenas uma vez a distância de 400 metros. Resultado? Entrou pela primeira vez nos 50 segundos e logo em 50.07, em Março, uma marca que a colocou imediatamente como a segunda melhor júnior da história norte-americana, apenas atrás de Sanya Richards-Ross! Antes na temporada de pista coberta, participou em apenas 3 competições de 400 metros. Resultados? 50.36, o recorde mundial júnior de pista coberta e a apenas 0.02 do recorde nacional sénior! Poucas dúvidas há que Sydney irá também procurar fazer história na distância sem barreiras. Se será já em 2019 ou não, é uma incógnita, mas caso o faça, é um nome que poderá intimidar já qualquer adversária.
Existem ainda os nomes de Jessica Beard e Quanera Hayes, que podem intrometer-se nos lugares que parecem destinados a Felix e às mais novas. Beard correu o seu melhor pessoal este ano bem próximo de baixar dos 50 segundos (50.08), ela que como sénior apenas tem medalhas coletivas nas Estafetas (em Mundiais), mas que como júnior foi Prata mundial. Já Hayes, praticamente não andou por cá este ano, mas os seus 49.72 que lhe deram a vitória nos Nacionais Norte-Americanos em 2017 não podem ser esquecidos. No seu palmarés também tem medalhas globais nas Estafetas e uma medalha de Bronze individual nos 400 metros dos Mundiais Indoor de Portland.
Phyllis Francis (26 anos) PB: 49.92 / SB 2018: 50.07 (**Wild Card para Doha/Atual campeã mundial)
Shakima Wimbley (23 anos) PB: 49.52 / SB 2018: 49.52 (atual campeã nacional norte-americana)
Lynna Irby (20 anos) PB: 49.80 / SB 2018: 49.80
Kendall Ellis (22 anos) PB: 49.99 / SB 2018: 49.99
Courtney Okolo (24 anos) PB: 49.71 SB 2018: 50.65 (atual campeã mundial indoor)
Sydney McLaughlin (19 anos) PB: 50.07 / SB 2018: 50.07
Jessica Beard (29 anos) PB: 50.08 / SB 2018: 50.08
Quanera Hayes (26 anos) PB: 49.72 / SB 2018: 53.23
Nota: Foram referidas as idades ao dia 1 de Janeiro de 2019
Com tanto talento jovem a despontar nos EUA, com duas gerações a parecerem cada vez mais fortes na sua afirmação, a presença de Felix em Doha não parece ser um dado garantido. A atleta terá que suar, superar-se, ultrapassar atletas mais de uma década mais jovens do que ela, para poder estar no mais alto dos palcos e para lutar pela medalha que deseja. Se isso acontecerá ou não, não o saberemos. Certo é que nada do que aconteça daqui para a frente irá beliscar o enorme legado de Allyson Felix, a sua contribuição para o Atletismo e em especial para o desenvolvimento do Atletismo feminino nos EUA. Aliás, se Felix for derrotada por muitas das atletas acima referidas será derrotada por atletas que a consideram o seu ídolo e a sua inspiração. Haverá forma melhor de deixar o desporto do que deixando-o percebendo de imediato o seu impacto no mesmo?
Allyson Felix

Fonte: IAAF
PB 100 metros: 10.89 (Londres, 2012)
PB 200 metros: 21.69 (Eugene, 2012)
PB 400 metros: 49.26 (Pequim, 2015)
Foto de Capa: Allyson Felix/Nike
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro









