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As finais de Ricardo e Susana e um puto rei aos 17 anos

Pedro Pires · 9 min

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O grande destaque dos portugueses no dia de ontem foi a presença de Ricardo dos Santos na final dos 400 metros, Susana Costa na final do Triplo Salto e o final do Heptatlo com Lecabela Quaresma. 

Ricardo dos Santos marcava presença numa surpreendente final que conseguiu alcançar batendo por duas vezes o recorde nacional dos 400 metros e acabou por finalizar a prova em 45.78 segundos, fechando uma época verdadeiramente impressionante para o atleta de 23 anos! Foi sétimo nos Campeonatos Europeus e acaba 2018 com novos recordes pessoais nos 200 e 400 metros, perspetivando-se um futuro risonho para o mesmo. Esse futuro, para Ricardo, passa por uma aposta simultânea nos 400 e nos 200, ainda que a prioridade nos 400 metros será para manter, tendo como objetivo uma meia-final nos Mundiais de 2019.

Em 2019 esperamos ver Ricardo dos Santos a voltar a sorrir em Doha
Fonte: FPA

Já Susana Costa, depois de um início de época muito complicado com uma lesão que afetou toda a sua preparação e planeamento da época, conseguiu ainda vir a marcar presença nesta final de Berlim, ficando na 11ª posição, com um salto de 13.97 metros (-0.2) no segundo ensaio. Em apenas dois anos, Susana Costa marcou presença em duas finais de Campeonatos de Europa, uma final de Jogos Olímpicos e uma de Mundiais, demonstrando uma enorme regularidade. No final, a atleta confessou um sentimento agridoce face ao que tinha acontecido, pois pretendia mais, mas sente-se orgulhosa por tudo o que conseguiu alcançar nesta temporada, dedicando esses bons resultados à sua mãe. 

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De manhã, Marta Pen confirmou o seu excelente momento de forma e nas eliminatórias dos 1500 metros controlou a prova e qualificou-se diretamente para a final de domingo! A atleta soube posicionar-se numa prova muito tática, e terminou em terceiro na sua série com um tempo de 4:09.40. Em declarações no final, Marta confirmou que procurou evitar problemas, colocando-se numa posição que fosse vantajosa e confortável para ela, de forma a abordar a fase de decisão da prova. 

Marta Pen confirmou o bom momento de forma
Fonte: FPA

Lorene Bazolo correu nas eliminatórias dos 200 metros, tendo-o feito em 23.60 (+0.4), sendo apurada por tempos para as meias-finais! Já no período da tarde, fez a prova das meias-finais e aí fez um tempo abaixo do que tinha feito no período da manhã, correndo em 23.80 (+1.1), no sétimo lugar da sua série e fechando assim a sua participação em Berlim, com o objetivo cumprido de estar presente numa meia-final, como a própria confidenciou antes da prova da noite.

No Heptatlo, Lecabela Quaresma realizou de manha a prova do Salto em Comprimento, tendo saltado 6.10 metros (+0.5). Ainda de manhã, no Dardo, lançou a 39.27 metros. Com os resultados de 6 das 7 provas, a atleta portuguesa sabia que teria que realizar uma marca muito próxima do seu recorde pessoal nos 800 metros para poder atingir os objetivos a nível de pontuação. Tentou, correu bastante rápido os primeiros 400 metros, mas viria a pagar caro isso já perto do final, terminando com um tempo de 2:14.70 e fechando o Heptatlo com exatos 5950 pontos, na 16ª posição. Não cumpriu o objetivo que ela tinha definido para si própria – superar os 6000 pontos – mas é, ainda assim, uma boa prestação de Lecabela Quaresma que conseguiu fazer por larga margem o seu melhor heptatlo da época. Quanto ao futuro, a atleta referiu que gostaria de continuar a apostar simultaneamente no Heptatlo e no Triplo, se possível, durante o próximo ano. 

Na Vara, Diogo Ferreira saltou a uma altura de 5.36 metros, mas falhou as 3 tentativas a 5.51 metros, muito próximo de passar na primeira delas, ficando de fora da final. O atleta reconheceu que pretendia mais, mas que infelizmente não foi possível no dia de ontem, sabendo que a passagem estava ao seu alcance. 

Na estafeta 4×400 feminina, as atletas Rivinilda Mentai, Joceline Monteiro, Cátia Azevedo e Dorothé Évora correram em 3:33.35, sendo o 7º tempo da sua série e o 12º tempo entre as 16 equipas presentes. Foi o melhor tempo da temporada para a estafeta portuguesa e um lugar geral positivo, depois de ter entrado com a 16ª marca entre as presentes. No final, as atletas confessaram-se felizes por terem conseguido a melhor marca da temporada e por estar em Berlim junto das melhores. 

Finais do Dia

400 metros (M): Na final que contou com a presença e 7º lugar de Ricardo dos Santos, a vitória foi para o favorito (pelo que tinha acontecido antes nas eliminatórias e nas meias-finais), o britânico Matthew Hudson-Smith que foi o único a correr abaixo dos 45 segundos, terminando em 44.78 segundos. No pódio ficaram ainda dois irmãos, os belgas Borlée! Kevin foi segundo em 45.13 segundos e Jonathan terceiro em 45.19 segundos. A maior surpresa terá sido vermos o espanhol Oscar Hussilos fora do pódio, ele que era um dos grandes favoritos pré-competição, mas que vinha deixando alguns sinais contraditórios nas eliminatórias prévias. Um dado curioso: não há duas provas iguais, mas se Ricardo dos Santos tivesse repetido o tempo (recorde nacional) das meias-finais seria Bronze nesta final!

1500 metros (M): Jakob Ingebrigtsen continua a sua caminhada rumo ao topo do Atletismo e com 17 anos, sagrou-se campeão europeu dos 1500 metros, numa prova que parecia estar a ser controlada a nível de ritmo pelos 3 irmãos noruegueses, com Jakob a comandar “as tropas” desde a fase inicial. E tanto comandou que nunca largou essa liderança, terminando em 3:38.10 e conquistando o Ouro. Vamo-nos repetir: 17 anos ainda! É o mais novo campeão europeu de sempre em qualquer prova de pista (sem lançamentos e saltos)! Quanto ao resto dos irmãos, a coisa não correu tão bem. Filip, o que era o campeão europeu em título, teve uma enorme quebra e acabou em 12º lugar! Henrik, o mais velho dos 3, esteve sempre em zona de pódio mas viria a ser ultrapassado já na reta da meta por dois homens e ficou em 4º! Quem o ultrapassou foi Marcin Lewandowski em 3:38.14 para a Prata – ele que é o actual campeão europeu indoor da distância – e o britânico Jake Wightman em 3:38.25 foi Bronze, fechando em grande um ano em que também foi Bronze nos Jogos da Commonwealth. 

110 metros barreiras (M): Um desfecho emocionante no photo-finish com dois atletas a chegarem completamente colados à meta e com um vencedor surpreendente! Pascal Martinot-Lagarde já vinha dando indicações positivas nesta temporada, mas nada faria prever que sairia do Estádio Olímpico de Berlim como o grande vencedor e medalhado de Ouro com um tempo de 13.17 segundos (0.0), o seu melhor da temporada! O grande favorito era o líder mundial e o único este ano a correr abaixo dos 13 segundos, o russo Sergey Shubenkov. Shubenkov partiu mal, parecendo colado aos blocos, mas até se recompôs e chegou a liderar a prova, mas o francês nunca desistiu e numa decisão difícil até ao photo-finish, levou mesmo o Ouro para casa, com uma vantagem de 0.002 segundos! Incrível! 

Até ao fim!
Fonte: IAAF

No terceiro lugar, o espanhol Orlando Ortega, Prata nos Jogos do Rio, conquistou a medalha de Bronze aqui em Berlim, em 13.34 segundos. 

800 metros (F): Um surpreendente desfecho principalmente pela ausência de todas as 3 inglesas do pódio, que vinham prometendo bastante. Já o Ouro não se pode dizer que tenha sido assim tão surpreendente, uma vez que foi aquela que já era a campeão em título. A ucraniana Nataliya Pryshchepa, em 2:00.38, repetiu a vitória de Amesterdão e ainda viu a sua compatriota Olha Lyakhova ser medalha de Bronze em 2:00.79, a sua primeira grande medalha sénior. No meio, intrometida na luta, ficou com a medalha de Prata a francesa Renelle Lamote, repetindo também a medalha de Amesterdão. 

400 metros barreiras (F): A suiça Léa Sprunger correu uma nova marca líder europeia de 54.33 segundos – muito próxima do seu recorde pessoal de 54.29 segundos – para ser Ouro em Berlim e subir duas posições face à medalha de Bronze que alcançou em Amesterdão há dois anos atrás. No segundo lugar, a ucraniana Hanna Ryzhykova, que já havia conquistado um Bronze há 6 anos em Helsínquia. Desta vez correu um pouco mais lenta – 54.51 face a 54.35 – mas isso chegou para ser Prata em Berlim. No Bronze, uma surpreendente medalha para Meghan Beesley, que aos 28 anos conquista pela primeira vez uma grande medalha internacional como sénior, no mesmo ano em que surpreendeu e venceu os Nacionais Britânicos. Em Berlim correu a distância com barreiras em 55.31 segundos. 

Salto em Altura (F): Já se previa a vitória de Mariya Lasitskene nos Europeus, mas não se esperava que tal fosse tão difícil. A russa tremeu várias vezes no concurso – primeiro a 1.96 metros e depois a 2 metros – mas conseguiu passar a fasquia na segunda tentativa. Apesar da búlgara Mirela Demireva também ter saltado à mesma altura, o salto da russa chegou, uma vez que Demireva apenas o conseguiu à terceira tentativa. Ambas saltaram a 2 metros e no Bronze foi 1.96 metros o suficiente para dar a medalha à atleta da casa, a alemã Marie-Laurence Jungfleisch. 

Triplo Salto (F): O Ouro foi para aquela que já era a líder mundial e que igualou essa marca, com um salto de 14.60 metros (-0.1) a grega Paraskeví Papahrístou. Conseguiu esse salto ao segundo ensaio e não mais largou a liderança, sucedendo a Patrícia Mamona como campeã europeia, conseguindo finalmente uma medalha de Ouro como sénior, depois de Bronzes em Europeus ao ar livre, Europeus de pista coberta e Mundiais de pista coberta. Aí, aliás, ficou definido todo o pódio. Já antes no primeiro ensaio, a alemã Kristin Gierisch havia saltado 14.45 metros (-0.5), um novo recorde pessoal que lhe valeu a medalha de Prata. Com o Bronze, mais uma medalha para Ana Peleteiro, que já havia sido Bronze nos Mundiais de pista coberta, saltando 14.44 metros (+0.1), ela que é colega de treinos de Nelson Évora, sendo treinada também por Iván Pedroso. 

Lançamento do Dardo (F): Tatsiana Khaladovich (BLR) era a campeã em título e também entrava em Berlim com algum favoritismo. Surpreendentemente, ela que era a líder europeia, acabou por ficar fora do pódio, ao só ter conseguido alcançar 60.92 metros na 5ª posição. Ficou a menos de 1 metro da medalha de Prata num concurso muito nivelado abaixo do primeiro lugar. O Bronze foi para a lituana Liveta Jasiūnaitė com um lançamento de 61.59 (a apenas 2 centímetros do seu recorde pessoal) ao quarto ensaio que lhe permitiu alcançar a sua primeira grande medalha internacional sénior. Na Prata, Nikola Ogrodníková, da República Checa, também ela uma estreante em medalhas a este nível, com um lançamento de 61.85 metros logo na sua primeira oportunidade. Mas o grande destaque mesmo foi o enorme lançamento da alemã Christin Hussong, que tinha entrado pela primeira vez na casa dos 67 metros na qualificação com 67.29 metros e nesta final melhorou, logo ao primeiro lançamento, para 67.90 metros, também ela com a sua primeira medalha sénior, mas com um sabor ainda mais especial por ser um novo recorde dos Campeonatos Europeus! 

Heptatlo (F): Na prova que contou com Lecabela Quaresma, emoção não faltou até ao final, mas a vitória foi mesmo para a grande favorita, a campeã mundial e olímpica, a belga Nafissatou Thiam com um total de 6816 pontos, o melhor que alguém fez nesta temporada em todo o mundo. Os Lançamentos do Peso e do Dardo fizeram a diferença, com Nafi Thiam a tirar o melhor de si, ao passo que a britânica Katarina Johnson-Thompson não terá aproveitado para se distanciar mais onde é mais forte, tendo ainda assim conseguido um novo recorde pessoal no Heptatlo com um total de 6759 pontos. No terceiro lugar, no Bronze, ficou a atleta da casa, Carolin Schäfer para delírio do público local. Terminou com 6602 pontos, o seu melhor da temporada.

Nafi Thiam voltou a vencer
Fonte: IAAF

Foto de Capa:  European Athletics

Pedro Pires

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