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É já um dos eventos mais aguardados dos Mundiais de Doha, que decorrerão entre Setembro e Outubro do próximo ano, e poucos entre os “menos atentos” à modalidade poderão perceber de imediato a razão. Afinal a distância de 400 metros apresentou a nível de elite um ano de 2018 com poucos resultados espantosos no circuito internacional e até se venceu a final da Diamond League com um modesto (para os padrões comparativos) tempo de 44.80 segundos. Mas vamos lá tentar perceber um pouco o porquê da distância estar a criar tantas expetativas para o ciclo de 2019/2020/2021.
Wayde van Niekerk – O amigo de Bolt que não quer ser Bolt
Muita gente estava em frente aos televisores na noite (já madrugada do dia seguinte em Portugal) de 14 de Agosto de 2016. A noite iria fechar com a muito aguardada final dos 100 metros – onde Usain Bolt conquistou o terceiro título olímpico consecutivo na distância – mas os portugueses desde bem cedo tinham motivos para estar agarrados ao televisor, pois decorria a final do Triplo Salto feminino, com a presença de Patrícia Mamona e Susana Costa. No entanto, foi durante a final que se realizou antes da dos 100 metros que mais bocas se abriram de espanto. Naquela noite, Wayde van Niekerk conseguiu roubar o prémio de protagonista da noite ao tornar-se, pela primeira vez na sua carreira, campeão olímpico dos 400 metros e ao fazê-lo com uma marca estratosférica de 43.03 segundos, pulverizando o recorde de Michael Johnson, que muitos afirmavam ser indestrutível, de 43.18 segundos, que durava há 17 anos.
Não é que van Niekerk fosse um desconhecido à data ou que não fosse um dos principais favoritos ao Ouro. No ano anterior, o sul-africano tinha causado surpresa em Pequim ao tornar-se campeão mundial – depois de um mês antes ter baixado pela primeira vez dos 44 segundos – na frente de LaShawn Merritt, que era o campeão mundial na altura, e na frente de Kirani James, que era o campeão olímpico. Nesse dia, o sul-africano van Niekerk correu um grande recorde pessoal à altura de 43.48, que era recorde africano e que o tornava no 4º homem mais rápido de sempre na distância. 2016 estava a ser um ano regular para ele. Tendo participado em apenas dois meetings da Diamond League – e vencido os dois com tempos acima dos 44 – nada faria prever que iria ao Rio de Janeiro correr nos incríveis 43.03, tornando-se o mais rápido da história, mais uma vez na frente de James e Merritt (sim, agora com a ordem invertida).
2017 foi o ano mais regular de van Niekerk até ao momento. Apesar de não ter corrido tão rápido (nos 400) como o fez nas finais de 2015 e 2016, ficou a ideia de que isso talvez tenha acontecido por não ter precisado, por falta de concorrência na distância. Nesse ano baixou por 3 vezes da barreira dos 44 segundos (uma delas em 43.62) e venceu a final dos Mundiais de Londres em 43.98, mas totalmente confortável. Foi um ano em que apostou também nos 200 metros, tendo alcançado a Prata nos Mundiais de Londres e batido o seu recorde pessoal em Kingston, com 19.84 (+1.2), além de também ter feito o seu melhor pessoal nos 100 metros, correndo em 9.94 (+0.9). Em outubro desse ano, num jogo de exibição de Rugby, Wayde van Niekerk acabou por se lesionar gravemente ao fazer uma rotura de ligamentos e do menisco do seu joelho direito, ao apoiar mal o pé no chão. A lesão obrigou o sul-africano a ser operado e a sua recuperação demorou cerca de 9 meses, fazendo com que o mesmo não tenha podido competir na temporada 2018.
Visto por muitos como o maior nome da velocidade na atualidade, recebendo o legado de Usain Bolt, o sul-africano é amigo do jamaicano, tendo treinado por várias vezes com o mesmo. No entanto, van Niekerk sempre diz que Bolt só há um e o que ele quer é ser conhecido por ser ele próprio, o melhor de sempre nos 400 metros. A confiança leva-o a acreditar em algo nunca antes vistos nos 400 metros: sonha em baixar dos 43 segundos e muito em breve. O tempo não é ainda um problema: chegou cedo ao topo do mundo e é com 27 anos que se apresentará em Doha.
O que valem os 43.70 de Fred Kerley?
O facto de não termos tido van Niekerk por cá em 2018 fez com que tivéssemos direito a novos nomes a ocupar o seu lugar nos 400 metros, com mais ou menos brilhantismo. Para quem se limita a acompanhar com atenção apenas os meetings da Diamond League, terá passado despercebido o que de melhor aconteceu na distância, mas já lá vamos. A vitória dessa competição foi para Fred Kerley, o norte-americano de 23 anos, e é precisamente por aí que podemos começar.

Fonte: IAAF
E como é abaixo dos 44 segundos que tivemos qualquer tempo campeão mundial ou olímpico desde 2012 e temos a certeza que é abaixo dessa marca que teremos os 3 futuros tempos vencedores de eventos globais, é abaixo dessa marca que nos iremos referir várias vezes ao longo deste artigo. Kerley fê-lo apenas uma vez na sua carreira. Mas fê-lo em 43.70! É uma marca que o coloca como o 8º mais rápido a percorrer a distância e a apenas 5 milésimos do recorde pessoal do ex-campeão olímpico e mundial LaShawn Merritt! Fê-lo quando havia apenas completado os 22 anos, logo em Maio do ano passado, num evento universitário preliminar a nível estadual! Esmagou o anterior recorde colegial norte-americano e mais tarde venceria mesmo o título nacional universitário, bem como os nacionais seniores em 44.03. Chegava a Londres como um dos favoritos a medalhas e saiu de mãos a abanar, com um 7º lugar na final, em 45.23. Terá sido resultado de um esforço enorme pela longíssima temporada universitária? Terá sido porque o pico foi apontado para essas competições universitárias bem mais cedo no ano? Muitas razões o podem explicar.
Em 2018, nunca se aproximou dessas marcas – o melhor foram os 44.33 em Roma – mas venceu 3 meetings da Diamond League, incluindo a final de Zurique, pelo que não se pode considerar um mau ano. Fica, ainda assim, a ideia de que venceu pelas ausências. Kerley melhor do que ninguém saberá que para vencer em 2019 – os Mundiais, mas mesmo a Diamond League ou os Nacionais/Trials norte-americanos – precisará de correr mais rápido do que o que fez em 2018. E será também a oportunidade para provar que os seus críticos – que afirmam que a sua prova em Austin em 2017 foi uma vez sem exemplo – estão errados.
Michael Norman: O líder mundial de 2018 e… com dois recordes mundiais!
Os norte-americanos não têm dúvidas: Michael Norman é o grande adversário de Wayde van Niekerk e será o primeiro homem a baixar dos 43 segundos! Parece um pouco próprio da conhecida soberba norte-americana, mas a verdade é que a temporada de Michael Norman – que faz 21 anos agora, a 3 de dezembro – foi algo verdadeiramente impressionante. E a demonstração de poder de Norman começou logo em Março, na Pista Coberta. A 10 de Março desse ano – poucos dias depois dos Mundiais Indoor de Birmingham –, Norman correu as finais dos Universitários Indoor norte-americanos em 44.52 segundos! Para quem pouco está familiarizado com as marcas da pista coberta – e basta olhar para a dimensão da pista e para o número de curvas para perceber o porquê – a marca significa um novo recorde mundial: nunca alguém havia corrido tão rápido em pista coberta! A anterior melhor marca pertencia a Kerron Clement (44.57) que em 2005 havia batido um recorde de Michael Johnson (44.63) que durava desde 1995. Mas Norman não se ficou por aí e nessa mesma noite participou na final da estafeta 4×400, que a equipa USC correu 3:00.77, a primeira vez na história que se correu abaixo dos 3:01. Por questões burocráticas – na data, Rai Benjamin, que até nasceu nos EUA, ainda não competia pela bandeira dos EUA – a marca não foi (pelo menos, à data) homologada como recorde mundial, mas é o tempo mais rápido de sempre.
Ao ar livre, Norman também impressionou e surpreendeu. Se a sua marca indoor já faria prever que o norte-americano tinha potencial para baixar “facilmente” a barreira dos 44 segundos, a verdade é que chegava à final dos Universitários com um melhor pessoal de 44.40. Na final desses campeonatos chocou o mundo e correu em 43.61, a marca que foi a líder mundial de 2018 e que o colocou como o 6º mais rápido de sempre e vejam os “monstros” à sua frente: van Niekerk, Michael Johnson, Butch Reynolds, Jeremy Wariner e Quincy Watts. Apesar da longa temporada universitária, Norman ainda teve tempo de vir à Europa estrear-se na Diamond League, participando em duas provas da distância da meia-volta à pista. Correu os 200 metros possivelmente para se testar a si próprio, mas também para não ter demasiada pressão nos seus ombros por ter a marca líder mundial dos 400. Pasmem-se: correu em 19.84 (-0.6) e 19.88 (+0.4) em Lausanne, as suas primeiras vezes (com vento legal) abaixo dos 20 segundos, num evento em que já foi campeão mundial júnior em 2016!
Steven Gardiner é muito mais do que “apenas” um medalhado de Prata
Quando Steven Gardiner, das Bahamas, cruzou a meta em 43.89 nas meias-finais de Londres, de imediato se percebeu que ali estava uma ameaça a van Niekerk nos tempos próximos. O tempo de Gardiner foi melhor que o do sul-africano em qualquer prova dos Mundiais, embora talvez o tenha usado na altura errada, uma vez que na final ficou-se pelos 44.41 no segundo lugar – mas também é verdade que há mais fatores a que o podem explicar como as difíceis condições climatéricas de Londres naquela noite. Gardiner já havia vencido meetings da Liga Diamante, mas foram as suas performances de Londres que marcaram uma viragem na sua carreira.
2018 começou em grande para o atleta do pequeno país das Caraíbas, que até foi uma das grandes figuras dos primeiros meses da temporada ao ar livre. Em Abril, nos EUA, já havia surpreendido – e de que maneira! – com um tempo de 19.75 (+0.3) nos 200 metros e, depois em Maio, nos dois meetings iniciais da Diamond League, em Doha e Xangai, correu os 400 metros por duas vezes abaixo dos 44 segundos, em 43.87 e 43.99 respetivamente. Infelizmente, uma lesão na prova dos 200 metros em Estocolmo acabou por retirá-lo das pistas durante grande parte da temporada e depois quando regressou na final dos 400 metros da Diamond League de Zurique… voltou a lesionar-se, não terminando a prova! Pela forma como começou a época, Gardiner prometeu muito e poderemos imaginar que marcas poderia ter atingido. Esperemos que 2019 seja um ano mais feliz em termos de saúde. Chegará aos Mundiais com 24 anos acabados de fazer nesse mês e com esperanças também nas estafetas 4×400 masculinas e 4×400 mistas (onde as Bahamas venceram nos Mundiais de Estafetas de 2017, com ele presente).
Blooom…field!
Com um nome apropriado para o tipo de evento em que compete, o jamaicano Akeem Bloomfield foi outro nome que se destacou em 2018 e é outra enorme promessa da modalidade e da disciplina em particular. Os seus 43.94 segundos da final dos Universitários norte-americanos deram-lhe apenas a 2ª posição (atrás de…Norman), mas tiveram um sabor especial pois significaram a primeira vez que baixou dos 44 segundos, ficando a apenas um milésimo de segundo do recorde nacional jamaicano! Já antes, em pista coberta, também atrás de Norman, correu em 44.86 segundos, o 6º tempo mais rápido da história debaixo de teto e um recorde nacional jamaicano.

Fonte: IAAF
Os feitos do atleta fizeram com que despertasse as atenções da Puma – e como eles sabem que da Jamaica podem vir pérolas… – e assinou poucas semanas depois um contrato profissional com a marca. Já depois disso, em Londres, mostrou uma excelente forma nos 200 metros, baixando pela primeira dos 20 segundos, em impressionantes 19.81 (+0.1) para vencer o meeting da Diamond League da capital britânica, tendo também vencido em Rabat a distância dos 400 metros, distância essa onde foi um dos únicos 3 atletas a quebrar os 44 segundos nesta temporada. Não se sabe exatamente quais serão as apostas de Bloomfield para 2019, mas o calendário de Doha torna complicada (não impossível com a última atualização) a participação nos dois eventos.
Nathon Allen não quer ser a sombra de Bloomfield
É o terceiro jamaicano mais rápido de sempre e é a seguir a Bloomfield a maior aposta jamaicana na distância, embora haja um tal de Christopher Taylor quase, quase a explodir. É o único da lista que nunca baixou dos 44 segundos, mas as expetativas é que o faça durante 2019. A confiança do atleta é tanta que revelou que a sua profissionalização imediata tem em vista o pódio já nos Mundiais de Doha, com um tempo na casa dos 43 segundos.

Fonte: IAAF
Embora pareça no último ano ter sido ultrapassado pelo furacão Bloomfield, Allen era até então a maior esperança jamaicana, tendo inclusive vencido uma medalha de Prata na Estafeta 4×400 nos Jogos do Rio e tendo já sido 5º classificado na final individual dos 400 metros dos Mundiais de Londres. O facto da Jamaica viver uma época impar na distância da volta a pista poderá ser especialmente importante para o aumento do nível de competitividade interna e consequente melhoria de marcas individuais. Não seria de admirar que chegássemos aos Jogos de Tóquio com 3 jamaicanos abaixo dos 44 segundos. Não iremos por aqui falar de Christopher Taylor para 2019, mas será o terceiro nome a ter bem debaixo de olho.
Isaac Makwala não esquece a “injustiça” de Londres
O atleta do Botswana é um caso singular no nosso desporto. Tem uma marca – 43.72 – que o situa como o 9º mais rápido da história, tem 33 anos e nunca ganhou uma medalha em eventos globais. 2017 poderia ter sido o ano dele. Correu as manchetes de todo o mundo quando em pouco mais de duas horas, em Madrid, correu em 43.92 nos 400 metros e depois em 19.77 (0.0) nos 200 metros (!), tornando-se o primeiro homem da história a correr abaixo dos 44 (nos 400) e dos 20 (nos 200) no mesmo dia. A marca na prova de 200 metros coloca Makwala também entre o top-20 mundial da história dessa distância.
Os Mundiais de Londres eram a grande aposta do atleta, que já tinha a fama de falhar constantemente em eventos globais. Apurou-se com facilidade para a final dos 400 metros, mas antes dessa final viria a sentir-se mal e ao ser examinado foi diagnosticado com a presença de um vírus alimentar que afetou cerca de 30 atletas. Makwala pretendia competir na final dos 400 metros, dizendo sentir-se bem, mas foi impedido pelas autoridades britânicas, que obrigam a um período de quarentena para casos semelhantes, de forma a evitar um possível contágio. O caso foi um dos mais polémicos dos Mundiais de Londres e Makwala não ajudou a serenar os ânimos com algumas polémicas declarações, onde dava a entender que era uma conspiração contra si, o que logo levantou ondas pelas redes sociais, com alguns dos seus fãs a atacarem até…Wayde van Niekerk. Diga-se que a juntar a tudo isso, declarações de ex-atletas com responsabilidades maiores, como Michael Johnson, Denise Lewis ou Paula Radcliffe, apenas ajudaram a atirar mais achas para a fogueira, acusando a IAAF e as entidades médicas de agirem de má-fé ou de irresponsabilidade. Passadas as 48 horas de quarentena, já havia decorrido a final dos 400 metros e as eliminatórias dos 200 metros, mas a IAAF, numa tentativa de conter os danos e as polémicas, autorizou o atleta a correr essas eliminatórias sozinho, contra os tempos já realizados. Makwala passou e mais tarde qualificou-se também para a final, onde seria apenas 6º classificado, em 20.44 (-0.1). Ainda nesse ano, nos 400 metros teria a sua pequena vingança pessoal ao vencer a final da Diamond League de 2017 em 43.95 segundos, embora van Niekerk não estivesse presente nessa prova.

Fonte: IAAF
2018 foi um ano de poucos resultados de relevo para Makwala nos 400 metros, com o destaque a ser a vitória na final dos Jogos da Commonwealth em 44.35. Chegará aos Mundiais de Doha com 34 anos acabados de fazer e poderá ser a sua última grande oportunidade de obter uma medalha em eventos globais.
Os suspeitos do costume que são hoje incógnitas: Kirani James e LaShawn Merritt
Dois dos nomes maiores da distância continuarão a ser dois nomes a levar em linha de conta em 2019, sem sabermos exatamente com o que podemos contar. Kirani James, estrela de Granada, foi já campeão olímpico (em Londres 2012) e mundial (Daegu 2011). Nos Mundiais de Pequim, em 2015, foi Bronze e nos Jogos do Rio, em 2016, foi Prata.
Passou por um calvário em 2017 e parte de 2018 enfrentando algo que ao início não sabia o que era, mas que se revelou ser uma doença autoimune, chamada de “doença de Graves”. Voltou em Junho, na Jamaica, e venceu a prova dos 400 metros (na frente de Kerley) em 44.35 segundos, tendo depois sido 3º no meeting de Londres (44.50) onde Bloomfield brilhou. Os tempos ainda parecem longe dos 43.74 que apresenta de recorde pessoal, mas o atleta afirma que agradece ainda poder competir a este nível e, se ultrapassou a doença, acredita que poderá voltar aos níveis de outrora. Caso o faça, é logicamente um dos grandes candidatos ao pódio de Doha. Chegará lá ainda com 27 anos feitos nesse mês.
Já o caso de LaShawn Merritt é diferente. O norte-americano também já foi campeão olímpico (Pequim 2008) e mundial (duplamente: Berlim 2009 e Moscovo 2013), mas as suas conquistas já parecem mais distantes, apesar do Bronze no Rio.
Chegará aos Mundiais já com 33 anos, pelo que poderá já não ter a velocidade e potência de outros tempos. Nesta temporada apenas correu a distância de 200 metros e os resultados não foram por aí além, mas a aposta do norte-americano parece ter sido semelhante à de outros atletas (como Allyson Felix, por exemplo) encarando 2018 como um ano para descansar para enfrentar as batalhas finais da carreira desportiva. 2016 foi o último ano em que baixou dos 44 segundos e não sabemos se ainda terá isso dentro de si. Primeiro internamente terá que enfrentar a dura concorrência presente nos Trials norte-americanos que irá incluir gente fresca, como Michael Norman, Fred Kerley ou Nathan Strother.
Os que correm por fora
Numa distância em que os europeus parecem estar longe de ambicionar medalhas em eventos globais (Hudson-Smith até prevemos que possa se aproximar de baixar dos 44 segundos, mas dificilmente entrará num pódio), existe um conjunto de outros atletas com potencial para entrar em zona de medalhas ou, pelo menos, atingir a final de Doha.
O atleta da casa Abdalelah Haroun (QAT) terá, à época dos Mundiais, apenas 22 anos e, obviamente, com uma prata em Mundiais Indoor e um Bronze nos Mundiais ao ar livre de Londres, espera também chegar ao pódio em Doha. Tem um recorde pessoal de 44.07 segundos que deverá ser melhorado em 2019 de forma a que possa entrar nessas disputas. Foi campeão mundial júnior em 2016 e tem sucessivamente mostrado ser talhado para grandes momentos, tendo já importantes presenças e experiência no circuito internacional.
O “substituto” de Isaac Makwala nos 400 metros, o compatriota Baboloki Thebe (BOT) ficou à beira do pódio em Londres (4º), mas quando chegar a Doha, com 22 anos, já estará mais maduro e certamente melhor preparado. O seu recorde pessoal ainda são os 44.02 de Lausanne na temporada passada e o 2018 de Thebe não foi particularmente fácil, não tendo vencido uma única prova de 400 metros durante todo o ano. Tendo em conta a idade e maturidade já demonstrada deverá, ainda assim, explodir a qualquer momento e provavelmente entrar na “guerra” dos 43 segundos.
Bralon Taplin (GRN) foi um dos destaques da temporada de pista coberta neste ano e os 44.88 que fez debaixo do teto (7º mais rápido de sempre) provam que vale mais do que os 44.38 que tem de recorde pessoal ao ar livre. Não é uma aposta fácil de fazer, uma vez que Taplin não parece especialmente confortável em grandes eventos. Ainda assim, atingiu a final dos Jogos do Rio, sendo 7º nessa final. Quando chegar a Doha terá 27 anos e mais uma oportunidade para mostrar o seu potencial.
Machel Cedenio (TTO) alcançou as suas melhores marcas no ano de 2016, tendo sido 4º classificado na final do Rio (em 44.01) apenas atrás dos “gigantes” van Niekerk, James e Merritt. Teve um 2017 com prestações abaixo do esperado a nível individual e em 2018 apenas correu até Abril, não tendo realizado nenhuma prova após essa data devido a algumas lesões. Com apenas 24 anos em Doha, e já depois de ter sido campeão mundial como júnior, quererá desta vez chegar a um pódio em eventos individuais como sénior, depois da Prata na Estafeta 4×400 nos Mundiais de Pequim e do Ouro nos 4×400 de Londres.
Foto de Capa: USC
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro












