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Depois de na semana passada termos apresentado os melhores no masculino, são as melhores atletas que esta semana têm as honras da casa!
Eventos globais ao ar livre no período: Mundiais de Daegu 2011; Jogos Olímpicos de Londres 2012; Mundiais de Moscovo 2013; Mundiais de Pequim 2015; Jogos Olímpicos do Rio 2016; Mundiais de Londres 2017 e Mundiais de Doha 2019
100 METROS: Shelly-Ann Fraser-Pryce (JAM)
Em cinco finais de Mundiais neste período, a jamaicana conquistou três ouros e ainda conquistou um dos dois Ouros olímpicos do período, não deixando margem para qualquer outra escolha.
Carmelita Jeter (USA) conseguiu o seu aguardado título mundial (Daegu 2011), mas nunca chegou a atingir o estatuto de Shelly-Ann. Tori Bowie (USA) foi outra campeã mundial (Londres 2017), mas algumas lesões e episódios rocambolescos têm tornado a carreira da norte-americana num autêntico “hit-and-miss”. Na segunda metade deste período, Elaine Thompson (JAM) chegou a parecer que poderia retirar o estatuto de Fraser-Pryce e conquistar para si o papel no feminino que Bolt teve no masculino.
Thompson venceu no Rio (a dobradinha dos 100 e 200), no entanto, a regularidade não tem sido o seu forte e essas duas conquistas são para já as únicas grandes na sua carreira internacional. Já Fraser-Pryce venceu nos Jogos de Londres (2012), nos Mundiais de Moscovo (2013) e Pequim (2015).
Depois do Bronze do Rio (2016) e do anúncio da sua gravidez, muitos suspeitaram que esse pudesse ser o final da carreira da jamaicana, mas estavam muito enganados. Regressou em grande e teve em 2019 um dos melhores anos da sua carreira, com a vitória nos Mundiais de Doha a coroar uma temporada em que voltou a correr em 10.71, bem próxima do seu recorde pessoal (10.70). Com quatro provas na casa dos 10.7, Shelly-Ann parece na flor da idade, mas não se deixem enganar!
Completou já os 34 anos e já disse que os Jogos de Tóquio serão os últimos da sua carreira. Isso não significa que essa será a sua grande competição, uma vez que a jamaicana tenciona terminar nos Mundiais de Oregon do próximo ano.
200 METROS: Dafne Schippers (HOL)
Aqui não existe uma dominadora tão clara como nos 100, sendo que os sete títulos globais tiveram seis vencedoras diferentes. A única atleta a conquistar mais do que um título foi Dafne Schippers (HOL) com a dupla conquista em Mundiais (2015 e 2017), tendo também sido Prata nos Olímpicos do Rio (2016).
A atleta correu também a distância num melhor pessoal de 21.63 segundos (para a vitória em Pequim), um tempo que muitos consideram o verdadeiro recorde mundial (as marcas acima são de Flo-Jo e Marion Jones…). Não tem, no entanto, sido um passeio para a holandesa, que tem tido dificuldades a voltar à forma evidenciada em 2015 e 2016, não tendo baixado dos 22 segundos nos últimos três anos. A atleta parece ter tentado de tudo – mudança de cidade, de técnico, de hábitos –, mas continua longe da sua melhor forma.
Veronica Campbell-Brown (JAM), Fraser-Pryce (JAM) e Dina Asher-Smith (GBR) foram as outras atletas a conquistar títulos mundiais, enquanto que os títulos olímpicos foram para Allyson Felix (USA) e Elaine Thompson (JAM) respetivamente. Felix venceu também por três vezes a Diamond League, o que lhe dá um crédito extra, mas ninguém seria capaz de bater a Schippers de 2015.
400 METROS: Shaunae Miller-Uibo (BAH)
Mais divididas as grandes conquistas não poderiam ser, com sete atletas a dividirem os sete títulos globais deste período. Sanya Richards-Ross (USA) e Shaunae Miller-Uibo (BAH) venceram os Olímpicos de Londres e Rio, respetivamente, enquanto que os Mundiais foram conquistados por Amantle Montsho (BOT), Christine Ohuruogu (GBR), Allyson Felix (USA), Phyllis Francis (USA) e Salwa Eid Naser (BHR).
Apesar de por duas vezes ser a grande favorita e ter perdido (falhou inexplicavelmente nos Mundiais de Londres e em Doha não derrotou Naser, apesar do enorme recorde pessoal), Miller-Uibo tem do seu lado o facto de ter conquistado também duas medalhas de Prata em Mundiais (2015 e 2019), além de séries verdadeiramente impressionantes de vitórias. É já a 8.ª mais rápida da história e ao mesmo tempo vai também brilhando nos 200 metros.
A poucos meses de completar 26 anos, tem tudo para ficar na história da modalidade, mas tem como principal adversária Naser, que ainda tem 21 anos e é a 3.ª mais rápida de sempre na distância. Allyson Felix – que durante esta década saltou dos 200 para os 400 – é também uma atleta que obviamente merece uma menção, não só pelos títulos individuais, mas também pela sua impressionante consistência nas estafetas, tornando-se com isso a atleta mais condecorada da história.
800 METROS: Caster Semenya (RSA)
Quando nos lembrarmos deste período poucos seremos capazes de identificar outra atleta que marcou os 800 metros. A polémica e a nova legislação para atletas com desenvolvimento sexual retirou Caster Semenya (RSA) de combate, mas a sul-africana só pode estar orgulhosa do seu imponente palmarés, tendo somado duas medalhas de Ouro nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) – esta na secretaria, mais tarde, por um caso de doping russo – e Rio (2016), além de dois Ouros nos Mundiais de Daegu (2011) – este também elevado a Ouro, posteriormente – e Londres (2017). Pelo meio, várias legislações diferentes ou tentativas de implementação de supressores de testosterona limitaram a performance da sul-africana, o que explica que o seu registo em Mundiais não tenha sido perfeito.
Eunice Sum (KEN), Maryna Arzamasava (BLR) e Halimah Nakaayi (UGA) venceram também títulos mundiais, mas com Semenya em pista (e sem limitações de testosterona) ninguém tinha absolutamente qualquer chance. Francine Niyonsaba (BDI) – que também tem diferenças de desenvolvimento sexual – venceu dois títulos indoor neste período, além de conquistar medalhas nos Olímpicos do Rio e Mundiais de Londres. A atleta do Burundi mostrou, uma vez mais, que este período ficará para sempre marcado pelas atletas com este tipo de condição.
1.500 METROS: Faith Kipyegon (KEN)
Os sete títulos globais foram divididos por seis atletas e apenas Faith Kipyegon (KEN) foi capaz de conquistar dois deles, ao ser absolutamente dominadora em 2016 e 2017, conquistando os Jogos do Rio e os Mundiais de Londres, além da Diamond League de 2017. A queniana também foi Prata em Pequim (2015) e Doha (2019) mostrando ser sempre uma força a ter em conta na disciplina.
Os Jogos de 2012 ficaram marcados por uma corrida denominada de “mais mentirosa da história”, com as duas primeiras classificadas a serem suspensas por doping (e mais duas outras atletas) e o Ouro a ir agora para Maryam Yusuf Jamal (BHR). Em Mundiais, além de Kipyegon, quem alcançou Ouros foi Jennifer Simpson (USA) em 2011, Abeba Aregawi (SWE) em 2013, Genzebe Dibaba (ETH) em 2015 e Sifan Hassan (HOL) em 2019. Dibaba conquistou dois Ouros em Mundiais Indoor neste período, bateu o recorde mundial ao ar livre (3:50.07) e em pista coberta (3:55.17) e poderia muito bem ser a escolhida, mas é o título olímpico de Kipyegon (que falta a Genzebe) que para nós faz a diferença.
5.000 METROS: Vivian Cheruiyot (KEN)
Escolha bastante difícil, com três atletas a ter argumentos para reinvidicar a coroa! Meseret Defar (ETH), Vivian Cheruiyot (KEN) e Hellen Obiri (KEN) conquistaram todas elas dois títulos globais, além de uma outra medalha global neste período.
Defar venceu nos Olímpicos de Londres (2012) e nos Mundiais de Moscovo (2013), além de ter sido Bronze em Daegu (2011). Cheruiyot venceu os Mundiais de Daegu (2011) e os Olímpicos do Rio (2016), além de ter sido Prata nos Olímpicos de Londres (2012). Por fim, Obiri venceu nos Mundiais de Londres (2017) e Doha (2019), além da Prata nos Jogos do Rio (2016).
Na Diamond League, três vitórias para Cheruiyot, duas para Obiri e uma para Defar. Nos Mundiais Indoor, Obiri conquistou duas medalhas nos 3.000 (uma de Ouro), Cheruiyot uma Prata e Defar um Ouro e duas Pratas. Mais igualado era praticamente impossível. Vamos para Cheruiyot pela longevidade e pelo feito de ter conseguido conquistar títulos globais nas duas partes deste período, mas qualquer uma delas seria uma justa vencedora.
10.000 METROS: Tirunesh Dibaba (ETH)
Também aqui três atletas poderiam muito bem dividir a honra e Vivian Cheruiyot (KEN) está outra vez entre elas! Neste período, a atleta venceu dois Mundiais (2011 e 2015), além do Bronze nos Olímpicos do Rio (2016). Tirunesh Dibaba (ETH) venceu nos Olímpicos de Londres (2012) e nos Mundiais de Moscovo (2013), tendo sido ainda Bronze nos Olímpicos do Rio (2016) e Prata nos Mundiais de Londres (2017). Almaz Ayana (ETH) conquistou os Olímpicos do Rio e os Mundiais de Londres.
Ayana tem a seu favor o enorme e totalmente impensável recorde mundial alcançado no Rio – 29:17.45 – e isso teve muito próximo de pesar decisivamente na nossa escolha final. No entanto, recordes são recordes e títulos/medalhas são aquilo que fica para a eternidade. O facto de Dibaba ter vencido os mesmos Ouros que Ayana, mas a isso ter sido somado medalhas na mesma distância na 2.ª metade deste período acabou por fazer a diferença na nossa escolha.
100 METROS BARREIRAS: Sally Pearson (AUS)
Como habitualmente, as barreiras voltaram a não desiludir, sendo uma das disciplinas mais imprevisíveis do circuito. A velocidade, associada à técnica e à precisão, levam a que a mínima distração tire da discussão os maiores favoritos e assim foi, por exemplo, quando Kendra Harrison (USA) falhou os Jogos Olímpicos (não se qualificou nos Trials norte-americanos, apesar de ser a líder mundial e absoluta dominadora da disciplina na altura).
Poucos dias depois, a mesma atleta foi a Londres bater o recorde mundial da disciplina que durava há 28 anos, desde 1988! Essa marca – 12.20 – é obviamente a marca da década, mas Kendra, apesar das inúmeras vitórias consecutivas no circuito de meetings, nunca se conseguiu impor nos momentos das grandes decisões, tendo apenas um título global, que foi em pista coberta nos 60 barreiras. Ao ar livre, nos 100, a norte-americana apenas tem para mostrar a Prata deste ano em Doha.
Durante este período, Sally Pearson (AUS) e Brianna Rollins (USA) tiveram em destaque com as conquistas olímpicas (em Londres e no Rio respetivamente) e com mais duas conquistas mundiais ao ar livre para Pearson (Daegu 2011 e Londres 2017) e uma para Rollins (Moscovo 2013). Pearson ainda venceu um título indoor em 2012 , o que faz de si a mais condecorada atleta deste período (foi também Prata nos Mundiais de Moscovo e nos Indoor de Sopot).
Danielle Williams (JAM), que venceu o título mundial em 2015 e foi Bronze em Doha, também teve um registo de assinalar, apesar de ter chegado ao Qatar como favorita e ter saído no último lugar do pódio. Por fim, devemos falar de Nia Ali (USA) – a campeão de Doha – que finalmente se sagrou campeã ao ar livre, aos 30 anos – já duplamente mamã – depois de ter sido Prata nos Jogos do Rio e de ter conquistado dois títulos mundiais em pista coberta (2014 e 2016) nos 60 barreiras.
400 METROS BARREIRAS: Dalilah Muhammad (USA)
A disciplina tem agora o sangue novo de Sydney McLaughlin (USA) a rivalizar com a consolidação da força que é Dalilah Muhammad (USA), mas a primeira metade deste período foi bem diferente. A russa Natalya Antyukh foi a campeã olímpica em Londres, um ano depois de Lashinda Demus (USA) ter vencido em Daegu (2011), mas é o nome de Zuzana Hejnová (CZE) que mais marcará o pré-Dalilah, com o duplo título mundial em Moscovo (2013) e Pequim (2015), já depois de ter sido Bronze nos Olímpicos de Londres. Kori Carter (USA) foi uma surpreendente vencedora nos Mundiais de Londres (2017) que se veio a intrometer no domínio de Dalilah Muhammad (USA), que foi a melhor atleta deste período.
Muhammad conquistou o título olímpico no Rio (2016) e venceu a Diamond League nos dois anos seguintes, isto antes de um 2019 verdadeiramente explosivo. A atleta bateu o recorde mundial da disciplina – que durava desde 2003 –, obliterando completamente os 52.34 de Pechonkina para correr em 52.20 nos Nacionais norte-americanos. Mais tarde, em Doha, conquistou o título mundial com mais um recorde mundial – 52.16 segundos – fechando o ano como a atleta do ano para a IAAF. McLaughlin está a chegar – já é a 2.ª mais rápida de sempre! –, mas Muhammad parece ainda ter algo mais na manga.
3.000 METROS OBSTÁCULOS: Beatrice Chepkoech (KEN)
Seguindo a lógica “medalhas/títulos”, a escolhida seria outra. No entanto, há um antes e um pós-Chepkoech e não há como fugir a isso: a atleta queniana tem dominado avassaladoramente as últimas temporadas. Beatrice Chepkoech (KEN) tem quatro dos seis tempos mais rápidos da história e os outros dois pertencem a uma atleta apanhada nas malhas do doping – a campeã olímpica do Rio, Ruth Jebet (BRN).
Chepkoech tem o incrível feito de ter corrido seis corridas abaixo dos nove minutos (antes de 2016, apenas uma atleta tinha corrido abaixo dessa marca e uma única vez!) e em 2018, no Mónaco, destruiu o anterior recorde mundial (que era 8:52.78) com um inacreditável tempo de 8:44.32. Em 2019 dominou, mais uma vez o circuito, renovou o título da Diamond League (já tinha vencido em 2018) e foi a Doha passear e controlar o ritmo para se tornar campeã mundial pela 1.ª primeira vez.
Além de Chepkoech, há que destacar Habiba Ghribi (TUN), que foi Ouro nos Mundiais de Daegu e nos Olímpicos de Londres (não inicialmente, mas a russa Zaripova estava dopada e perdeu o Ouro mais tarde… em ambas as provas!) e Prata nos Mundiais de Pequim (esta ainda não subiu a Ouro…). Outras duas atletas merecem menção neste período: Hyvin Jepkemoi (KEN) foi Ouro nos Mundiais de Pequim (2015) e Bronze nos de Londres (2017), tendo sido Prata nos Jogos do Rio (2016) atrás de Jebet; Já Emma Coburn (USA) foi a bastante surpreendente campeã mundial em Londres (2017) e Prata nos Mundiais de Doha (2019), depois de já ter sido Bronze nos Olímpicos do Rio (2016).
MARATONA: Mary Keitany (KEN)
Brigid Kosgei (KEN) pode ser a nova recordista mundial – e que recorde, 2:14.04! – e ter conquistado três majors neste período, mas esta honra pertence a outras. Gladys Cherono (KEN), com três majors, e Florence Kiplagat (KEN), com quatro, são outros nomes que mercem ser aqui referenciados, mas a disputa é, para nós, entre duas outras enormes atletas quenianas.
Edna Kiplagat (KEN) conquistou três majors neste período – Nova Iorque, Londres e Boston – e ainda conquistou dois títulos mundiais (que têm o mesmo peso na estrada) em Daegu 2011 e Moscovo 2013, tendo ainda sido Prata em Londres 2017. Seria a nossa atleta deste período, não tivesse existido Mary Keitany (KEN). Sete majors num período de nove anos é algo que deve ser posto no contexto e Keitany deve estar no patamar das melhores de sempre.
Muitos dizem que ela “apenas” venceu em duas cidades – quatro vitórias em Nova Iorque e três em Londres – mas o facto da atleta apostar quase em exclusivo nessas duas provas não diminui em nada o seu feito, pois aí enfrenta sempre as melhores do mundo. Há mais quatro medalhas em Nova Iorque e uma outra em Londres para completar uma coleção de luxo de uma atleta que já entrou na história.
20 KM MARCHA: Liu Hong (CHI)
As russas – e os seus posteriormente conhecidos casos de doping… – marcaram os primeiros anos deste período, com Olga Kaniskina (RUS) a vencer os Mundiais de Daegu (2011) e Elena Lashmanova (RUS) a vencer os Jogos de Londres (2012) e os Mundiais de Moscovo (2013). Ambas foram suspensas por doping e como os casos foram posteriores, estes títulos mantêm-se nas suas mãos.
Liu Hong (CHI) – que também teve um caso menor de substância proibida, de apenas 1 mês de suspensão – venceu o primeiro título mundial em Pequim (2015), embora para muitos devesse ter sido a vencedora nas duas anteriores edições onde foi Prata e Bronze, apenas atrás de atletas com casos de doping que levaram a anos de suspensão. Além dessas medalhas, Hong – que já havia sido Bronze nos Jogos de Londres – venceu os Jogos do Rio em 2016. No ano passado – já depois de ter sido mãe – conquistou mais um Ouro em Mundiais, com a vitória em Doha, demonstrando que não há outro palmarés como o dela neste período.
50 KM MARCHA: Inês Henriques (POR)
A disciplina apenas teve a sua estreia no feminino nos Mundiais de Londres e parece que o seu destino já está traçado, tendo tido uma história muito curta nos grandes campeonatos de Atletismo. De qualquer forma, a atleta portuguesa é a que marca a distância ao ter sido a primeira recordista mundial, a primeira campeã mundial e a primeira campeã europeia da história. Nos últimos dois anos, já houve cinco atletas a correr mais rápido do que a portuguesa, mas Inês Henriques foi a pioneira e uma das maiores responsáveis pela existência da distância para as mulheres. Foi ela que fez os destaques pelo mundo fora por ser sempre “a primeira…” e não tem como não ser considerada a atleta que marcou esta fase, depois de uma fantástica transição dos 20 km para os 50 km.
SALTO EM ALTURA: Mariya Lasitskene (RUS)
Ainda conhecida como Mariya Kuchina (RUS) – o nome de solteira – a russa conquistou o seu primeiro título mundial em Pequim, em 2015. O escândalo de doping russo rebentou aos seus pés e Lasitskene será das atletas mais prejudicadas na carreira, pois a completa suspensão russa no Rio, impediu a mesma de participar nos Jogos Olímpicos em que seria a absoluta favorita (mais favorita ainda do que será para Tóquio).
Nesses Jogos, o título foi para Ruth Beitia (ESP) abaixo dos dois metros… Ultrapassado o castigo, e competindo como atleta neutral, a russa dominou por completo os anos seguintes do circuito, tendo atingindo o incrível registo de 45 competições invicta! Conquistou dois títulos em pista coberta, quatro Diamond League e conquistou os títulos mundiais de Londres (2017) e Doha (2019), procurando agora o título olímpico e o recorde mundial (está a 3 centímetros de igualar).
No início deste período foi outra russa – com um passado de doping… – que dominou. Anna Chicherova (RUS) conquistou o título olímpico em Londres (2012) já depois do título mundial de Pequim (2011). Pode ter saltado muito – 2.07 metros – mas o seu passado de drogas não a pode colocar no mesmo patamar de Lasitskene.
SALTO COM VARA: Katerina Stefanidi (GRE)
Foi apenas a 2.ª década em que o Salto com Vara feminino marcou presença em Jogos Olímpicos, mas ao contrário da primeira – onde Yelena Isinbayeva (RUS) foi, sem dúvida, uma figura muito acima de todas as outras – esta foi bastante equilibrada. As três medalhadas dos Jogos de Londres foram todas diferentes das do pódio do Rio e nos Mundiais, ao ar livre, tivemos cinco campeonatos e cinco vencedoras diferentes. E pasmem-se: também ninguém repetiu títulos mundiais em pista coberta!
Ainda assim, Katerina Stefanidi (GRE) venceu os Jogos do Rio (2016) e os Mundiais de Londres (2017). Isinbayeva ainda deu um ar da sua graça com o título mundial de Moscovo (2013) e indoor de Istambul (2012). Yarisley Silva (CUB) fez o mesmo em Pequim (2015) ao ar livre, um ano depois de Sopot (2014) em pista coberta, repetindo o que Fabiana Murer (BRA) tinha feito nos Indoor de Doha (2010) e ao ar livre em Daegu (2011). Por fim, Jennifer Suhr (USA) também conquistou dois títulos com os Jogos de Londres (2012) a juntarem-se aos Indoor de Portland (2016).
Todas elas venceram duas competições, mas apenas Stefanidi foi capaz de o fazer na temporada de verão, ao ar livre, quando, na verdade, mais interessa. A juntar a tudo isso, a grega apareceu em mais três pódios globais, foi três vezes campeã europeia (duas ao ar livre) e venceu nas últimas quatro edições da Diamond League. Pode não ser a atleta com melhor recorde pessoal (longe disso, 4.91 metros) mas tudo o que conquistou faz dela uma atleta sempre a ter em conta em grandes competições e a atleta que marca este período.
SALTO EM COMPRIMENTO: Brittney Reese (USA)
Tianna Bartoletta (USA) conquistou o Ouro nos Mundiais de Pequim (2015) e nos Jogos do Rio (2016), Ivana Spanovic (SRB) entrou em seis pódios globais e Malaika Mihambo (GER) teve em 2019 um ano inesquecível, ameaçando tornar-se numa estrela da disciplina. No entanto, a grande figura deste período foi, sem qualquer margem para dúvidas, Brittney Reese (USA)!
A norte-americana conquistou o Ouro em três Mundiais (2011, 2013 e 2017) e nos Jogos de Londres (2012). Venceu também por três vezes em pista coberta (2010, 2012 e 2016) e conquistou duas edições da Liga Diamante (2010 e 2011), sendo uma das atletas da atualidade com melhor palmarés no Atletismo. Incrivelmente, Reese não vê o seu valor ser assim tão reconhecido pelo mundo fora e poucos são os que – fora da modalidade – a reconhecerão na rua. Em termos de marcas, Reese também tem algo para mostrar: está no top dez de sempre ao ar livre e é a 4.ª em pista coberta.
TRIPLO SALTO: Caterine Ibarguen (COL)
Yulimar Rojas (VEN) tem sido uma força dominadora nos últimos anos e, apenas com 24 anos, já conquistou dois títulos mundiais ao ar livre (Londres 2017 e Doha 2019) e dois em pista coberta (Portland 2016 e Birmingham 2018), além de ter a 2.ª melhor marca de sempre (15.41 metros). No entanto, é pena que Rojas não tenha chegado mais cedo, pois a rivalidade com Caterine Ibarguen (COL) poderia ter puxado as duas para um outro nível, caso se tivessem encontrado as duas no topo das suas carreiras.
Ibarguen conquistou o título olímpico do Rio (2016) – foi Prata em Londres (2012) – e venceu dois títulos mundiais ao ar livre, com as conquistas em Moscovo (2013) e Pequim (2015), tendo ainda sido medalhada em Londres (Prata) e em Doha (Bronze). Mas o que faz toda a diferença é a consistência da colombiana ao longo dos anos – completa, daqui a algumas semanas, 36 anos! -, sendo de assinalar as cinco conquistas da Liga Diamante. Foi a atleta do ano da IAAF em 2018, um prémio merecido por uma época de luxo (também venceu a Liga Diamante no Comprimento) e por uma carreira da qual só pode estar muito orgulhosa.
LANÇAMENTO DO PESO: Valerie Adams (NZL)
Duas atletas poderiam muito bem dividir este estatuto, pois as duas dominaram claramente diferentes períodos destes dez anos. Lijiao Gong (CHI) foi recentemente dupla campeã mundial em Londres (2017) e Doha (2019) e venceu as três últimas edições da Liga Diamante. Gong foi também Prata nos Jogos de Londres (2012) e foi Bronze e Prata nos Mundiais de Moscovo (2013) e Pequim (2015) respetivamente, além de dois Bronzes em Mundiais de Pista Coberta (2014 e 2018). É um palmarés que numa situação normal distinguiria qualquer atleta, mas… há Adams!
Valerie Adams (NZL) dominou de forma incrível os primeiros quatro anos deste período, com a conquista do título olímpico de Londres (2012), dos Mundiais ao ar livre em Daegu (2011) e Moscovo (2013) e com os títulos indoor em Doha (2010), Istambul (2012) e Sopot (2014), tendo ainda sido Prata nos Jogos do Rio. Para completar essa impressionante coleção, a neozelandesa tem ainda para mostrar os seus cinco troféus da Liga Diamante, além de um recorde pessoal bem acima do de Gong (21.24 – 20.43).
LANÇAMENTO DO DISCO: Sandra Perkovic (CRO)
As cubanas equilibraram minimamente as contas com os títulos mundiais de Pequim 2015 (para Denia Caballero) e de Doha 2019 (para Yaime Pérez), bem como com os dois últimos troféus da Liga Diamante para Pérez. Ainda assim, ninguém chegou sequer perto do domínio de Sandra Perkovic (CRO). A croata conquistou os dois títulos olímpicos do período, venceu por duas vezes em Mundiais e conquistou a Diamond League por seis (!) vezes consecutivas, além de ter ultrapassado os 70 metros por cinco anos consecutivos. Os seus 71.41 metros significam o maior lançamento na disciplina desde 1992! Em muitos momentos pareceu não ter rival e mesmo com alguns problemas inesperados e com lesões a afetar parte da sua carreira, não há figura maior no Disco.
LANÇAMENTO DO MARTELO: Anita Włodarczyk (POL)
Há alguma dúvida? A melhor lançadora de todos os tempos venceu os dois Jogos Olímpicos deste período (Rio e Londres) e somou três vitórias em Mundiais (Moscovo, Pequim e Londres), além de ter conquistado quatro títulos europeus. A IAAF – agora World Athletics – muito prejudicou o Martelo ao retirá-lo das maiores reuniões mundiais de Atletismo, mas isso não impediu Anita de fazer história e de deixar um palmarés muito difícil de ser batido. É a única atleta da história que passou a barreira dos 80 metros e já o fez por sete vezes. A polaca tem as 15 melhores marcas da história, 19 das 20 melhores e 27 das 30 melhores, o que demonstra bem a sua enorme superioridade sobre qualquer atleta. Aos 34 anos deverá estar já na fase descendente da carreira –mais evidente com as recentes lesões – mas poderá ainda ter uma palavra muito grande a dizer nos próximos anos.
LANÇAMENTO DO DARDO: Barbora Špotáková (CZE)
Também ela recordista mundial (72.28 metros), Barbora Špotáková (CZE) voltou a ser a atleta mais badalada desta década no Dardo. Ainda que não tenha voltado aos 72 metros, o melhor lançamento da década foi dela: 71.58 metros. Com esse enorme lançamento venceu os Mundiais de Daegu (2011) e um ano depois (2012) foi a Londres conquistar o Ouro nos Jogos Olímpicos, defendendo o título que trazia da década anterior.
No Rio – já depois de ser mãe – viria a ser medalha de Bronze e em Londres (2017) repetiu mesmo o título mundial. Sara Kolak (CRO) venceu os Jogos do Rio, mas tem passado por vários problemas relacionados com lesões. Os Mundiais têm-nos trazido algumas surpresas, como a vitória de Kelsey Lee-Barber (AUS) este ano em Doha, ao passo que uma das atletas com mais vitórias nos últimos anos – Lyu Huihui (CHI) – continua a falhar o Ouro de forma consistente nos grandes palcos. No que diz respeito à Liga Diamante, também Špotáková foi a grande dominadora: venceu cinco edições!
HEPTATLO: Jessica Ennis-Hill (GBR)
A exibição de Katarina Johnson-Thompson (GBR) em Doha pode ter destronado o recorde nacional de Ennis-Hill e as fantásticas vitórias de Nafissatou Thiam (BEL) no Rio e nos Mundiais de Londres podem tê-la tornado numa estrela (a 3.ª com maior pontuação da história!), mas a consistência de Jessica Ennis – ou Jessica Eniis-Hill (GBR) depois de casada – não teve paralelo neste período. A britânica conquistou o Ouro nos Jogos de Londres, tendo sido Prata nos Jogos seguintes do Rio, mas isso não foi tudo. Também em Mundiais fez o suficiente para ficar na história, com vitórias em Daegu (2011) e Pequim (2015), além do título de pista coberta no Pentatlo em Doha (2010).
Foto de Capa: World Athletics

































