Atletismo: As melhores dos 2010s – Feminino

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Depois de na semana passada termos apresentado os melhores no masculino, são as melhores atletas que esta semana têm as honras da casa!

Eventos globais ao ar livre no período: Mundiais de Daegu 2011; Jogos Olímpicos de Londres 2012; Mundiais de Moscovo 2013; Mundiais de Pequim 2015; Jogos Olímpicos do Rio 2016; Mundiais de Londres 2017 e Mundiais de Doha 2019

100 METROS: Shelly-Ann Fraser-Pryce (JAM)

Em cinco finais de Mundiais neste período, a jamaicana conquistou três ouros e ainda conquistou um dos dois Ouros olímpicos do período, não deixando margem para qualquer outra escolha.

Carmelita Jeter (USA) conseguiu o seu aguardado título mundial (Daegu 2011), mas nunca chegou a atingir o estatuto de Shelly-Ann. Tori Bowie (USA) foi outra campeã mundial (Londres 2017), mas algumas lesões e episódios rocambolescos têm tornado a carreira da norte-americana num autêntico “hit-and-miss”. Na segunda metade deste período, Elaine Thompson (JAM) chegou a parecer que poderia retirar o estatuto de Fraser-Pryce e conquistar para si o papel no feminino que Bolt teve no masculino.

Thompson venceu no Rio (a dobradinha dos 100 e 200), no entanto, a regularidade não tem sido o seu forte e essas duas conquistas são para já as únicas grandes na sua carreira internacional. Já Fraser-Pryce venceu nos Jogos de Londres (2012), nos Mundiais de Moscovo (2013) e Pequim (2015).

Depois do Bronze do Rio (2016) e do anúncio da sua gravidez, muitos suspeitaram que esse pudesse ser o final da carreira da jamaicana, mas estavam muito enganados. Regressou em grande e teve em 2019 um dos melhores anos da sua carreira, com a vitória nos Mundiais de Doha a coroar uma temporada em que voltou a correr em 10.71, bem próxima do seu recorde pessoal (10.70). Com quatro provas na casa dos 10.7, Shelly-Ann parece na flor da idade, mas não se deixem enganar!

Completou já os 34 anos e já disse que os Jogos de Tóquio serão os últimos da sua carreira. Isso não significa que essa será a sua grande competição, uma vez que a jamaicana tenciona terminar nos Mundiais de Oregon do próximo ano.

200 METROS: Dafne Schippers (HOL)

Aqui não existe uma dominadora tão clara como nos 100, sendo que os sete títulos globais tiveram seis vencedoras diferentes. A única atleta a conquistar mais do que um título foi Dafne Schippers (HOL) com a dupla conquista em Mundiais (2015 e 2017), tendo também sido Prata nos Olímpicos do Rio (2016).

A atleta correu também a distância num melhor pessoal de 21.63 segundos (para a vitória em Pequim), um tempo que muitos consideram o verdadeiro recorde mundial (as marcas acima são de Flo-Jo e Marion Jones…). Não tem, no entanto, sido um passeio para a holandesa, que tem tido dificuldades a voltar à forma evidenciada em 2015 e 2016, não tendo baixado dos 22 segundos nos últimos três anos. A atleta parece ter tentado de tudo – mudança de cidade, de técnico, de hábitos –, mas continua longe da sua melhor forma.

Veronica Campbell-Brown (JAM), Fraser-Pryce (JAM) e Dina Asher-Smith (GBR) foram as outras atletas a conquistar títulos mundiais, enquanto que os títulos olímpicos foram para Allyson Felix (USA) e Elaine Thompson (JAM) respetivamente. Felix venceu também por três vezes a Diamond League, o que lhe dá um crédito extra, mas ninguém seria capaz de bater a Schippers de 2015.

400 METROS: Shaunae Miller-Uibo (BAH)

Mais divididas as grandes conquistas não poderiam ser, com sete atletas a dividirem os sete títulos globais deste período. Sanya Richards-Ross (USA) e Shaunae Miller-Uibo (BAH) venceram os Olímpicos de Londres e Rio, respetivamente, enquanto que os Mundiais foram conquistados por Amantle Montsho (BOT), Christine Ohuruogu (GBR), Allyson Felix (USA), Phyllis Francis (USA) e Salwa Eid Naser (BHR).

Apesar de por duas vezes ser a grande favorita e ter perdido (falhou inexplicavelmente nos Mundiais de Londres e em Doha não derrotou Naser, apesar do enorme recorde pessoal), Miller-Uibo tem do seu lado o facto de ter conquistado também duas medalhas de Prata em Mundiais (2015 e 2019), além de séries verdadeiramente impressionantes de vitórias. É já a 8.ª mais rápida da história e ao mesmo tempo vai também brilhando nos 200 metros.

A poucos meses de completar 26 anos, tem tudo para ficar na história da modalidade, mas tem como principal adversária Naser, que ainda tem 21 anos e é a 3.ª mais rápida de sempre na distância. Allyson Felix – que durante esta década saltou dos 200 para os 400 – é também uma atleta que obviamente merece uma menção, não só pelos títulos individuais, mas também pela sua impressionante consistência nas estafetas, tornando-se com isso a atleta mais condecorada da história.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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