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Campeonatos Mundiais Indoor (Birmingham 2018): Resumo do 4.º e último dia

Pedro Pires · 5 min

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O último dia do evento trouxe-nos um recorde mundial, um recorde dos campeonatos, surpresas, desqualificações (claro!) e novos campeões. Mais tarde durante a semana voltaremos ao nosso formato de um artigo semanal e o mesmo incidirá sobre o balanço geral dos campeonatos, curiosidades e o que pode mudar no Atletismo depois destes campeonatos. Esperamos que tenham gostado da nossa (extensa) cobertura que acompanhou e cobriu todos os momentos dos campeonatos.

Finais do Último Dia

Salto Com Vara Masculino

Sabíamos que Renaud Lavillenie (FRA) estava bem e sabemos o que isso normalmente significa, ainda mais em Pista Coberta. Conseguiu a medalha de Ouro ao saltar 5 metros e 90 na segunda tentativa, naquele que é o seu terceiro Ouro mundial indoor e a décima medalha em eventos globais. No segundo lugar, Sam Kendricks (USA), que saltou 5.85, o mesmo que saltou Pior Lisek (POL) no Bronze.

Fonte: IAAF

Salto em Comprimento Feminino

Ivana Spanovic (SRB) dominou o concurso desde bem cedo, com o primeiro salto de 6.89 metros. Mais tarde, na 4.ª tentativa, Brittney Reese (USA) passava para a frente no quarto ensaio, exactamente com o mesmo salto, mas tinha um segundo salto melhor. Spanovic não demorou a responder e ainda no 4.º salto fez 6.96, a marca que lhe viria a dar o Ouro, ficando desta vez Brittney Reese com a Prata. Na posição de Bronze, Sosthene Moguenara (GER) saltou 6 metros e 85 centímetros. Por mais incrível que isto possa soar, este é o primeiro Ouro, em eventos globais, para Ivana Spanovic!

Fonte: IAAF

3000 Metros Masculino

O domínio etíope já era esperado, mas foi com alguma surpresa que vimos o favorito Hagos Gebrhiwet (ETH) de fora do pódio. Numa prova que começou super lenta e tática (na verdade foi o tempo mais lento de sempre a vencer os campeonatos), que só subiu de intensidade nos últimos 1000 metros, a vitória foi para Yomif Kejelcha (ETH), ele que tinha o tempo mais lento este ano, entre os três etíopes em pista. Kejelcha, que no final da temporada passada juntou-se ao Nike Oregon Project, consegue assim aos 20 anos o seu primeiro grande título sénior, depois de ter ficado próximo do pódio nos Mundiais de Pequim e de Londres (4.º em ambos). No segundo lugar, aquele que é o atleta mais rápido este ano, o jovem de 18 anos Selemon Barega, ao terminar em 8:15.59 face aos 8:14.41 do vencedor. No pódio, numa disputada luta pelo Bronze, ficou o queniano Bethwell Birgen em 8:15.70, naquela que foi a única medalha dos campeonatos para o Quénia.

800 Metros Femininos

Todo o pódio abaixo dos 2 minutos e a boa forma que falávamos de Ajee Wilson (USA) confirmou-se mesmo, com novo recorde pessoal de 1:58.99, mas nem isso chegou para a norte-americana bater Francine Niyonsaba (BUR), que correu em 1:58.31, tempo líder do ano e a primeira vez que baixou dos 2 minutos. Shelayna Oskan-Clarke (GBR) conquistou mais uma medalha para o país anfitrião, com novo recorde pessoal de 1:59.81. Niyonsaba e Wilson repetem as medalhas que haviam conquistado em Portland há 2 anos e o tempo de Niyonsaba é o mais rápido do mundo desde 2011.

Fonte: IAAF

1500 Metros Masculino

Outra prova bastante tática, que deu a vitória a Samuel Tefera (ETH), sagrando-se campeão mundial aos 18 anos, depois já ter conseguido bater o recorde mundial júnior este  ano. O mais habituado a estas andanças, Abdelaati Iguider (MOR) até parecia em posição de vencedor e liderava na última volta, mas viu-se ultrapassado nos 50 metros finais por Tefera e por Marcin Lewandowski (POL), que ficou com a Prata. Tefera correu em 3:58.19, um tempo que até é abaixo do recorde de Genzebe Dibaba no feminino (!), pelo que dá para perceber a tática lenta utilizada pelos atletas.

Fonte: IAAF

60 Metros com Barreiras Masculino

Num desfecho que seria surpreendente antes dos campeonatos, mas que foi crescendo como possibilidade ao longo da competição, Andrew Pozzi (GBR) conquistou o título mundial indoor, em 7.46, juntando este título ao Europeu conquistado em Belgrado no ano passado. No segundo lugar, Jarret Eaton (USA) confirmou as boas indicações do início de época e levou a Prata em 7.47. Com o Bronze, outro atleta que esteve em destaque cedo, nesta temporada, Aurel Manga (FRA), que correu em 7.56. Fora das medalhas, em quarto, com um tempo de 7.56, ficou Aries Merritt (USA), nuns campeonatos onde nunca pareceu muito consistente, ao contrário das indicações que vinham das provas anteriores.

4×400 Feminino

Recorde dos campeonatos! Mais um a cair, com a equipa norte-americana a correr em 3:23.85, novo recorde norte-americano! E se Georganne Moline não se tem desequilibrado antes da terceira passagem, poderíamos estar a falar até de um recorde mundial da equipa composta por Quanera Hayes, Moline, Shakima Wimbley e Courtney Okolo. No segundo lugar, com a medalha de Prata, e com uma prova fantástica a batalhar contra as norte-americanas, ficaria a Jamaica com novo recorde nacional em 3:24.16, mas a equipa foi desqualificada por passagem de testemunho fora da área definida – estavam na área da segunda equipa e não da terceira. Novo recorde nacional para a Polónia com um tempo de 3:26.09 a levar a Prata e a Grã-Bretanha ascendeu a posição de medalha, a conseguir o Bronze com um tempo de 3:29.38.

Fonte: IAAF

4×400 Masculino

E o recorde mundial indoor chegou na última prova em pista! E com surpresa. Não por ter caído nos 4×400, mas por ter sido feito pela Polónia! Os EUA eram os favoritos e o tempo que fizeram (3:01.97) daria também para bater o recorde mundial, mas os polacos levaram o Ouro com 400 metros finais fulminantes e são os novos recordistas mundiais em 3:01.77! A equipa polaca foi composta por Zalewski, Omelko, Krawczuk e Krzewin. Na medalha de Bronze, a Bélgica, com um novo recorde nacional, em 3:02.51.

Terminam assim os Campeonatos Mundiais de Pista Coberta em Birmingham. Segue-se a temporada outdoor. Aqui, no Bola na Rede, iremos acompanhar tudo e deixar-vos a par do que de importante se vai passando no Atletismo a nível da elite mundial.

artigo revisto por: Ana Ferreira

Pedro Pires

Redação Bola na Rede · ver artigos