A Jamaica não venceu uma única prova de velocidade sem barreiras. A Jamaica venceu os 3000 Metros Obstáculos. O Quénia não colocou um único atleta no pódio das Maratonas. O Uganda foi o país com mais vitórias na longa distância em pista. 

Todas estas afirmações pareceriam mentira há pouco tempo atrás. Mas tornaram-se realidade e descrevem alguns dos momentos que marcaram estes jogos da Commonwealth. 

Realizando-se na Gold Coast, na Austrália, a data escolhida para os campeonatos – Abril – impossibilitaria, à partida, a obtenção de grandes marcas. É o início da temporada Outdoor no Atletismo – aliás só em Maio arranca a Diamond League – não sendo propriamente a altura ideal para competições ao ar livre, como fizeram questão de relembrar algumas estrelas do nosso desporto, como Michael Johnson comentando os Jogos para a BBC inglesa. Ainda assim, as marcas superaram as melhores expectativas, sendo que foram quebrados 13 (!) recordes dos campeonatos. Tendo em conta que não é comum os campeonatos se realizarem tão cedo, dá para entender a relevância destes resultados. 

Em termos individuais, o grande destaque dos campeonatos, o que ficará para a posteridade, será provavelmente um resultado que nem sequer foi recorde. Aisha Praught-Leer conquistou o Ouro para a Jamaica nos 3000 metros obstáculos, conquistando a primeira medalha da história jamaicana nesta distância, que sempre foi território dominado pelas quenianas. Como nota, refira-se que nas 2 últimas edições, o Quénia conquistou as 6 medalhas desta prova. Aisha nasceu nos Estados Unidos, é filha adoptiva de dois pais norte-americanos, mas o seu pai biológico é jamaicano, país que escolheu representar. Residindo nos EUA, Aisha é companheira de treinos de…Emma Coburn!

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Ela mesmo, a norte-americana que em Agosto também surpreendeu o mundo ao sagrar-se campeã mundial nesta mesma distância! A equipa parece ter descoberto a receita para bater as quenianas! 

Mas nem tudo foram rosas para a Jamaica. Com o segundo lugar no medalheiro do Atletismo (atrás da Austrália), dos 7 Ouros nem um veio da velocidade sem barreiras a nível individual. Se com barreiras, Levy (nos 110) e Janieve Russell (400) trouxeram a ambicionada medalha, sem barreiras, Yohan Blake (Bronze), Elaine Thompson (4ª) ou Stephenie McPherson (Bronze) estiveram longe do esperado. Temos que recuar até 1994 para encontrar os últimos Jogos em que a Jamaica não venceu pelo menos uma prova individual de velocidade sem bareiras no feminino ou no masculino (100/200/400). Felizmente, como demos conta no nosso recente artigo – – o futuro parece bem promissor para a nação caribenha.