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Dia 10 dos Mundiais: Ser mãe a dobrar (também) é de Ouro

Pedro Pires · 6 min

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O último dia dos Mundiais – já sem portugueses – não atingiu os níveis das noites anteriores, mas deu-nos, ainda assim, emoção a rodos e marcas fantásticas. Se Fraser-Pryce, Felix e Liu já tinham provado que ser mãe não era um problema, Nia Ali fez questão de mostrar que ser duas vezes também não o é, batendo as favoritas nas barreiras, com a 2.ª melhor marca de sempre em campeonatos mundiais!

Malaika Mihambo fez um enorme salto no Comprimento, conseguindo a maior margem da história face à 2.ª classificada (3.º maior salto na história de Mundiais), enquanto que Cheruiyot e Cheptegei voltaram a mostrar que os africanos continuam a mandar totalmente na meia e longa distância. Houve uma enorme surpresa no Dardo e as estafetas encerraram a noite, com a (esperada) dupla vitória norte-americana.

AS FINAIS DE HOJE

Nas provas de corrida, a final da noite foram os 100 metros barreiras. Nia Ali (USA) surpreendeu as grandes favoritas Danielle Williams (JAM) – a líder do ano – e Kendra Harrison – a recordista mundial – e conquistou o primeiro Ouro global ao ar livre. A norte-americana bateu mais um recorde pessoal (já o tinha feito hoje nas semifinais), correndo a distância em 12.34 segundos. Ali iguala a 2.ª melhor marca de sempre em Mundiais. No Rio, a norte-americana tinha sido Prata e, três anos depois, já depois do nascimento do seu 2.º filho (a filha Yuri nasceu em 2018, fruto da sua atual relação com o velocista Andre de Grasse), sobe ao topo do mundo (em pista coberta já tinha dois Ouros nos 60 barreiras), comprovando que ser mãe parece ser a melhor receita para as velocistas!

A Prata foi para Kendra Harrison (USA), que ainda não é desta que consegue o seu Ouro global ao ar livre (venceu os 60 barreiras, em Birmingham, em pista coberta), mas que, ainda assim, consegue a sua primeira medalha ao ar livre, correndo em 12.46 segundos, apesar de falhas cruciais na transposição de algumas barreiras. A medalha de Bronze foi para Danielle Williams (JAM) – a grande favorita – que partiu muito mal, tropeçou ainda na 4.ª barreira e nunca conseguiu entrar na discussão da vitória. Williams foi por cinco vezes mais rápida neste ano, incluindo a marca líder mundial, mas em Doha fechou em 12.47 segundos. Tobi Amusan (NGR) correu em 12.49 segundos, mas tal não chegou para entrar no pódio nestes Mundiais.

Os 1.500 metros masculinos foram a primeira final da noite e os quenianos, desde cedo, assumiram o comando da prova e a um bom ritmo. Timothy Cheruiyot (KEN) nunca quis passar confiança a ninguém e quando percebeu que teria que assumir sozinho os ritmos altos, fê-lo sem qualquer hesitação. Terminou isolado, confirmando o favoritismo, em 3:29.26, conquistando o seu primeiro grande título global, para delírio dos muitos quenianos presentes no estádio.

O 1.º título global de Cheruiyot
Fonte: IAAF

O outro queniano – Kwemoi – não aguentou o ritmo alto de Cheuiyot e ficou para trás, sendo que Taoufik Makhloufi (ALG) correu para a Prata, com a sua melhor marca do ano (3:31.38). A medalha de Bronze foi para Marcin Lewandowski (POL), um atleta que conhece bem Portugal, que terminou em 3:31.46, um novo recorde nacional polaco, batendo Jakob Ingebrigtsen (que foi 4.º), num novo duelo que ainda poderá contribuir mais para alimentar a rivalidade que existe entre o polaco e o “clã” Ingebrigtsen.

Na final muito tática dos 10.000 metros, o grupo da frente chegou a ter nove atletas ainda à entrada para os últimos 800 metros, mas a partir daí é que tudo se decidia e Joshua Cheptegei (UGA) deu uma sapatada na prova. Cheptegei ainda teve oposição de Yomif Kejelcha (ETH), mas, tal como na final dos 5.000 da Diamond League, o ugandês voltou a vencer, com uma ponta final bastante forte, em 26:48.36, marca líder do ano. Cheptegei, de 23 anos, sobe assim uma posição em relação ao que fez nos Mundiais de Londres na mesma distância, alcançando o seu primeiro título global em pista, num ano em que também foi campeão mundial de Corta-Mato.

Um ano em cheio para Cheptegei
Fonte: IAAF

A Prata foi para Yomif Kejelcha (ETH), que correu em 26:49.34, um novo recorde pessoal na sua primeira medalha global ao ar livre (é bicampeão mundial dos 3.000 em pista coberta). A fechar o pódio ficou Rhonex Kipruto (KEN) a poucos dias de completar os 20 anos, naquela que é a sua primeira medalha global como sénior, depois do título júnior do ano passado.

Na final feminina do Salto em Comprimento, Malaika Mihambo (GER) até pareceu em dificuldades nos primeiros dois saltos (um a 6.52 e outro nulo), mas resolveu tudo, ao 3.º ensaio, com enormes 7.30 metros, um novo recorde pessoal e marca líder do ano. É a primeira medalha global da alemã, e logo um Ouro, com uma diferença de 38 centímetros face à 2.ª classificada, a maior diferença – por larga margem – da história!

Mihambo fez história no Comprimento
Fonte: IAAF

Na luta pelo 2.º lugar, Ese Brume (NGR) fez um concurso bastante regular – todo entre os 6.83 e os 6.91 – com o melhor salto a ser os 6.91 da 2.ª tentativa. No entanto, viu Maryna Bekh-Romanchuk (UKR) passar para a sua frente no 5.º ensaio, por apenas um centímetro (6.92 metros). E assim ficou a classificação, uma vez que nenhuma das atletas melhorou na última tentativa.

Na prova do Dardo masculina, surpresa total com a vitória de Anderson Peters, de Granada! O atleta, que nunca tinha conquistado uma medalha em eventos globais, vence o Ouro em Doha, com os dois melhores lançamentos da noite, o melhor a 86.89 metros! Peters dominou o concurso desde o primeiro lançamento – na altura com 86.69 – melhorando ainda 20 centímetros na sua 4.ª tentativa.

E quem leva o Ouro no Dardo é… Granada!
Fonte: IAAF

Magnus Kirt (EST), que teve uma grande época, foi 2.º ao lançar 86.21 metros, enquanto que Johannes Vetter (GER) deu a única medalha à Alemanha no evento, com um melhor lançamento a 85.37 metros, muito longe dos 89 metros que fez, já aqui, em Doha, durante a qualificação.

A fechar a noite – como habitual – tivemos as duas finais das estafetas 4×400, as duas com os USA como grandes favoritos. A primeira delas, a feminina, foi totalmente dominadas pelas norte-americanas com uma equipa composta por uma campeã mundial da distância – Phillys Francis -, pelas duas barreiristas que são as mais rápidas de sempre – Dalilah Muhammad e Sydney McLaughlin – e pela jovem sensação do ano, Wadeline Jonathas. Terminaram em 3:18.92, marca líder do ano e, desta vez, nem trouxeram a especialista de estafetas, Allyson Felix, que se limitou nestes Mundiais à prova mista.

O quarteto vencedor feminino
Fonte: IAAF

A Polónia correu para a Prata em impressionantes 3:21.89, um grande recorde nacional, tendo estado quase sempre nessa posição até perder momentaneamente o lugar para a Jamaica no início do último percurso. As polacas viriam, então, a ultrapassar a Jamaica a cerca de 100 metros do final, sendo que a Jamaica ficou com a medalha de Bronze.

No masculino, cenário semelhante, com a equipa composta por Fred Kerley, Michael Cherry, Wilbert London e Rai Benjamin a ser superior desde o 1.º percurso, tendo apenas tido um susto no 3.º, deixando a Jamaica aproximar-se, mas tendo uma muito melhor transmissão para o último percurso.

Benjamin fechou com chave de Ouro a estafeta norte-americana
Fonte: IAAF

Os norte-americanos terminaram em 2:56.69, marca líder do ano, sendo que os Jamaicanos ficaram com a medalha de Prata, em 2:57.90. A medalha de Bronze foi para a Bélgica em 2:58.78, sendo que no 4.º lugar, os colombianos – 2:59.50 – correram num novo recorde nacional, pela primeira vez abaixo dos três minutos.

Foto de Capa: IAAF Doha 2019

artigo revisto por: Ana Ferreira

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