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Dia 4 dos Mundiais: O dia de África e da Europa

Pedro Pires · 7 min

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O 4.º dia dos Mundiais ficou marcado por três conquistas africanas (uma delas bastante inesperada) e três conquistas europeias. Os norte-americanos somaram cinco medalhas ao seu medalheiro, mas nenhuma delas foi de Ouro. A prova mais aguardada da noite deu-nos toda a emoção esperada, mas o melhor da noite terão sido os 5.000 metros e o Salto em Altura.

OS PORTUGUESES

Fonte: FPA

Cátia Azevedo foi a única representante portuguesa no 4.º dia dos Campeonatos Mundiais e entrou em prova nos 400 metros quando ainda eram 18h20 locais (16h20 em Portugal). A portuguesa começou a prova bastante forte e os primeiros 300 metros correram de acordo com o plano, mas foi-se abaixo na parte final da prova e acabou por terminar na 5.ª posição da 1.ª série, com um tempo de 52.79, tendo sido a 40.ª entre 48 atletas.

Após a prova, a atleta disse que arriscou, entrou “bem na prova”, o que queria fazer “para não ir atrás do prejuízo”, mas reconhece que “na reta final” pagou mesmo “a fatura”. Cátia não se arrepende da sua estratégia e diz que “voltaria a fazer o mesmo porque quem não arrisca, não petisca”, embora confesse estar “desiludida” com o resultado, uma vez que queria “não só o apuramento para as semifinais, mas também o recorde nacional”. No final, a atleta afirmou que para a próxima época o seu “principal objetivo passa pelos Jogos Olímpicos” e que irá continuar a sua “aposta nos 400 metros, pelo menos, até aos Jogos”, deixando a porta aberta a outras possibilidades (como os 800…) para depois disso.

AS FINAIS DE HOJE

Karsten Warholm revalidou o título numa muito aguarda final
Fonte: IAAF

Os 400 metros barreiras masculinos eram a prova mais aguardada da noite e uma das mais – senão a mais – aguardadas destes Campeonatos. A prova foi fantástica, mas não se aproximou do recorde mundial, como muitos vaticinavam e isso deveu-se a um ritmo incrivelmente frenético imposto na parte inicial da mesma. Karsten Warholm (NOR) arrancou forte como é habitual – talvez demasiado forte – e quando entrou na reta da meta já tinha um avanço considerável sobre Rai Benjamin (USA), que foi o suficiente para conquistar a vitória, apesar dos dois estarem claramente em quebra.

Warholm terminou em 47.42s e Benjamin em 47.66s. Na 3ª posição, Abderrahman Samba (QAT) confirmou as suspeitas de que não se encontrava nas melhores condições físicas e nem sequer fez parte da luta pelo Ouro, relegando-se ao Bronze, em 48.03s. Kartsen Warholm repete a conquista mundial de Londres, mas desta vez com uma marca melhor e com uma concorrência mais temível.

Ajee Wilson (USA) era a absoluta favorita para a final dos 800 metros em Doha, uma vez que tem dominado totalmente a distância, depois da introdução da nova regulamentação de limitação de testosterona que tirou Caster Semenya (RSA) de cena. A norte-americana arrancou forte, impondo um ritmo alto, juntamente com Natoya Goule (JAM). Goule foi a primeira a quebrar e viria a terminar na 6.ª posição, não baixando dos dois minutos.

Já Ajee ainda se aguentou, mas a cerca de 150 metros começou a fraquejar e não conseguiu responder ao ataque de Halimah Nakaayi (UGA), que correu em 1:58.04, batendo recorde nacional do Uganda e um incrível título mundial para a atleta que, à entrada para estes Campeonatos, não trazia conquistas de relevo a nível internacional.

Nakaayi protagonizou uma das maiores surpresas até ao momento
Fonte: IAAF

Wilson ainda seria ultrapassada na meta por Raevyn Rogers (USA), que alcançou a Prata em 1:58.18 (melhor marca do ano), sendo que Wilson fechou com o Bronze em 1:58.84. Cinco mulheres baixaram dos dois minutos.

Se os 400 barreiras eram a prova mais aguardada a nível global, no estádio essa distinção cabia aos 5.000 metros, com muitos fãs etíopes e também muitos quenianos (mas não tantos) a vibrarem desde bem cedo com esta final. Os etíopes tiveram mais do que motivos para sorrir. Com três homens muito fortes a assumir as rédeas – Edris, Barega e Bekele – funcionaram como uma equipa, com oscilações nos ritmos de prova, ora baixando, ora subindo o ritmo.

Antes da entrada para a última volta, pareceu que os três etíopes poderiam ver-se surpreendidos por Mohammed Ahmed (CAN), Chelimo (USA) ou Jakob Ingebritgsen (NOR), mas a cerca de 200 metros do final, o ataque final foi feito e dois dos etíopes chegaram aos dois lugares do pódio. Muktar Edris (ETH) revalidou o título que já havia conquistado em Londres – e voltou a provocar Mo Farah (GBR), fazendo a sua celebração, tal como fez quando o derrotou em Londres – e correu em excelentes 12:58.85, um tempo bastante rápido para eventos globais.

Pode-se dizer que a forma de Edris surpreendeu bastante, uma vez que este ano tinha apenas uma prova de 5.000 metros (em Lausanne), onde terminou no 18º lugar. Já em Doha, nas eliminatórias, havia sido terceiro da sua série, mas afinal tinha uma surpresa reservada. A Prata foi para o jovem, de 19 anos, Selemon Barega (ETH), em 12:59.70, que consegue a sua primeira medalha global ao ar livre, depois de também ter sido Prata nos Mundiais de Pista Coberta de Birmingham (nos 3.000 metros).

Por fim, o Bronze foi para Mohammed Ahmed (CAN), em 13:01.11, que conseguiu roubar o último lugar do pódio aos etíopes, sendo que Telahun Bekele (ETH) foi quarto. Quanto aos três irmãos Ingebrigtsen (NOR), nenhum deles chegou ao pódio, sendo que Jakob foi o único na luta até ao final, tendo perdido vários lugares naqueles fatídicos 200 metros, terminando na quinta posição.

Nos 3.000 metros obstáculos, primeiro título global da carreira para Beatrice Chepkoech (KEN) – sim, não é mentira – que fez a prova praticamente sozinha. Foi logo nos metros iniciais que a recordista mundial disparou e distanciou-se das suas adversárias, jogando com o facto de saber que não há – nem nunca houve – mulher mais rápida do que ela a percorrer a distância com obstáculos. Mais tarde, baixou o ritmo frenético, mas esteve sempre no controlo e terminou em 8:57.84, batendo o recorde dos Campeonatos Mundiais.

Chepkoech correu sozinha para o recorde dos Campeonatos
Fonte: IAAF

A grande surpresa foi vermos as suas colegas quenianas claudicarem, com a jovem Chespol (KEN) a não conseguir acompanhar o ritmo e a desistir cedo e com Kyieng (KEN) a comandar um segundo grupo até onde pôde, mas a estoirar – tendo necessitado da ajuda das colegas no final para conseguir andar – terminando apenas na oitava posição. A Prata, essa, foi para a campeã mundial de 2017, Emma Coburn (USA) com mais uma grande prova e novo recorde pessoal de 9:02.35, sendo que a completar o pódio, Gesa Krause (GER) conquista mais uma medalha em Mundiais, fechando em 9:03.30, novo e excelente recorde alemão.

No Salto em Altura feminino, grande competição marcada por quatro mulheres terem passado os dois metros e, como uma delas, Levchenko, tinha mais falhas que a outra, esta ficou sem medalha, mesmo passando essa grande fasquia. Quem foi ao pódio, com o Bronze, foi a norte-americana Vashti Cunningham (USA), igualando o seu recorde pessoal e conquistando a sua primeira medalha global em eventos ao ar livre, depois de já ter sido Ouro e Prata em Pista Coberta.

A batalha pelo Ouro foi entre Mariya Lasitskene (RUS) e Yaroslava Mahuchikh (UKR). Lasitskene fez um concurso totalmente limpo até aos 2.04 metros, mas surpreendente foi ver Mahuchikh passar a essa mesma altura, batendo o recorde mundial júnior. Depois a ucraniana retirou-se do concurso, de forma totalmente inesperada, o que deu a vitória à russa (que não tinha falhas).

Já são 3 os títulos mundiais de Lasitskene
Fonte: European Athletics

Lasitskene tentou ainda a 2.08 metros o segundo maior salto da história, mas não era hoje o dia para isso. À semelhança de Edris e Warholm, a russa também renova o título mundial que trazia de Londres, sendo que é o terceiro, pois já em Pequim havia sido Ouro.

No que diz respeito à final do Lançamento do Disco masculina, o grande duelo era entre Daniel Stahl (SWE) e Fedrick Dacres (JAM), dois homens que têm dado cartas ultimamente, mas que ainda não tinham qualquer título global sénior (no caso de Dacres, nem medalha). Não foi o melhor concurso que vimos de ambos os atletas, mas, ainda assim, os dois chegaram aos dois primeiros lugares do pódio, com Stahl a conseguir finalmente o seu Ouro – a 67.59 metros – depois de várias desilusões nos últimos anos.

Stahl chegou finalmente ao título mundial que tanto desejava
Fonte: European Athletics

Dacres ficou-se pela Prata com 66.94 metros e na terceira posição, o Bronze foi para Lukas Weisshaidinger (AUT), que consegue a sua primeira medalha global, depois do Bronze nos Europeus de Berlim. A deceção terá sido Andrius Gudzius (LIT) – campeão mundial em Londres – que confirmou que este não foi o seu melhor ano, terminando a final na 12.ª posição o pior dos atletas em prova.

OUTROS DESTAQUES

As semifinais dos 200 metros no masculino deram-nos já um aperitivo do que poderemos ver na final de amanhã, com Noah Lyles (USA) a correr a segunda série em 19.86 segundos. Adam Gemili (GBR) e Andre de Grasse (CAN) também venceram as suas séries dando boas indicações, mas o segundo tempo mais rápido das eliminatórias até foi de Alex Quiñónez (ECU), que fez 19.95 para ser segundo na série de Lyles. Ramil Guliyev (TUR) e Zhenye Xie (CHI) são outros nomes a considerar para a luta pelas medalhas.

AMANHÃ

Amanhã não haverá qualquer português em prova, mas emoções não irão faltar. Quatro finais serão disputadas nesta Terça-Feira: o Salto com Vara masculino, o Lançamento do Dardo feminino, os 800 metros masculinos e os 200 metros masculinos.

Foto de Capa: IAAF

Artigo revisto por Joana Mendes

Pedro Pires

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