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Dia 6 dos Mundiais: Depois da Prata, o Ouro de Dina

Pedro Pires · 6 min

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Irina Rodrigues e Liliana Cá foram as representantes portuguesas no primeiro dia da 2.ª metade dos Campeonatos, tendo ambas participado na prova do Lançamento do Disco. A nível internacional, grande destaque para o Ouro de Dina Asher-Smith nos 200 metros, com recorde nacional britânico, para a grande vitória de Grant Holloway depois de uma (muito) longa temporada nas barreiras e para o 4.º título consecutivo de Fajdek no Martelo.

AS PORTUGUESAS

Problemas físicos marcaram o final de temporada de Liliana Cá
Fonte: FPA

Liliana Cá foi a primeira entrar em prova no Lançamento do Disco, estando inserida no Grupo A da qualificação. A portuguesa esteve abaixo das suas capacidades, lançando como melhor 54.31 metros ao terceiro ensaio, muito longe do seu melhor da temporada (59.69).

Já Irina Rodrigues entrou em prova pouco depois, ficando-se pelos 56.21 metros, a sua 2ª pior marca nesta temporada. Ainda assim, não sendo esta a marca que a atleta esperava fazer, é de realçar a grande temporada de Irina Rodrigues que passou por 10 vezes dos 60 metros em 2019.

Irina Rodrigues não conseguiu o apuramento, apesar da excelente temporada
Fonte: FPA

Irina Rodrigues disse no final que “esperava mais” e que tinha o objetivo de “voltar a passar dos 60 metros” que foi o que fez “regularmente” este ano. Hoje queria lançar ainda mais do que o habitual e acredita que o problema foi que “estava com tanta ansiedade para lançar longe, que acabava por lançar demasiado rápido”. Ainda assim, reconheceu que o nível esteve “altíssimo”, pelo que a qualificação iria ser “muito difícil”, mesmo que estivesse no seu melhor. Liliana Cá recusou-se a prestar declarações.

AS FINAIS DE HOJE

Nos 200 metros femininos, grande exibição de Dina Asher-Smith (GBR), que não se limitou a comprovar o seu absoluto favoritismo, mas fê-lo em grande estilo, melhorando o recorde nacional britânico para 21.88 segundos. A britânica junta assim este Ouro à Prata conquistada – também com recorde nacional – nos 100 metros, dando seguimento à excelente temporada que também teve em 2018, quando venceu os 100 e os 200 nos Europeus de Berlim, também com recordes à época.

Numa disciplina que viu os grandes nomes a caírem sucessivamente (por lesões, desqualificações ou…calendarização), a medalha de Prata foi para Brittany Brown (USA), que terminou em 22.22 segundos, um novo recorde pessoal, enquanto que a medalha de Bronze foi para Mujinga Kambundji (SUI) que também alcança a sua primeira medalha global ao ar livre, correndo em 22.51 segundos.

A final que fechou a noite foi a dos 110 metros barreiras no masculino e havia boas razões para isso. Vários atletas lutavam pelas medalhas e as eliminatórias e semifinais haviam prometido tempos rápidos. Na final, Grant Holloway (USA) teve uma fantástica partida, à qual Omar McLeod (JAM), tentou reagir, tendo sido o único a aproximar-se do norte-americano nos primeiros 70 metros. Depois, McLeod desequilibrou-se, caiu, e ainda atrapalhou – e muito – Orlando Ortega (ESP) que, apesar da má partida, vinha a recuperar lugares e procurava o pódio.

A situação não é nova nesta temporada, uma vez que o jamaicano já havia derrubado Sergey Shubenkov (provocando até uma lesão ao russo) e Wenjun Xie em situações similares. Holloway terminou, assim, sozinho na frente com uma marca de 13.10 segundos, alcançando o primeiro título internacional da sua carreira aos 21 anos, numa época incrivelmente longa para o norte-americano, que começou a competir ao mais alto nível – no desporto universitário – em janeiro e, 10 meses depois, chega ao Ouro em Doha.

Grande feito de Holloway em Doha, acabando o ano em grande
Fonte: IAAF

A Prata foi para Sergey Shubenkov (RUS) que, em 13.15 segundos – e apesar de todos os problemas físicos – consegue conquistar a sua 4.ª medalha nos últimos quatro campeonatos (a 2.ª consecutiva de Prata, além de uma de Ouro e uma de Bronze). A completar o pódio, com o Bronze ficou Pascal Martinot-Lagarde (FRA), que volta a surpreender depois do título europeu de Berlim e conquista aqui a sua primeira medalha global ao ar livre, em 13.18 segundos.

O Lançamento do Martelo foi a primeira final do dia e, desde cedo, ficou claro que Pawel Fajdek (POL) estava em dia sim. Os primeiros quatro lançamentos do polaco foram todos acima de 79.30 metros e todos eles dariam para o Ouro! Conquistou o seu 4.º Ouro em quatro consecutivos campeonatos, com uma marca de 80.50 metros ao 4.º ensaio.

Mais um para Fajdek!
Fonte: European Athletics

A medalha de Prata ficou com Quentin Bigot (FRA), que lançou 78.19 metros (também ao 4.º ensaio), melhor da temporada, e primeira grande medalha, depois de ter sido 4.º em Londres. A fechar o pódio, com o Bronze, ficou Bence Halász (HUN) que lançou 78.18 metros, logo à 1.ª tentativa. A grande desilusão veio da prestação de Wojciech Nowicki (POL), que chegou a Doha como líder mundial do ano e saiu de mãos a abanar, no 4.º lugar, com 77.69 metros.

OUTROS DESTAQUES

Hoje foi também o 1.º dia do Decatlo e do Heptatlo que, pela primeira vez na história dos Mundiais, decorrem em simultâneo. No Decatlo, o dia terminou com Kevin Mayer (FRA) em muito boa posição para revalidar o título, com as previsões a apontarem para uma marca superior aos 9.000 pontos, sendo que hoje esteve especialmente bem no Peso, ao lançar 16.82 metros, tendo também batido o seu recorde pessoal nos 100 metros, ao correr em 10.50 segundos. Damian Warner (CAN) ainda está na frente da classificação, mas sabe que não é tão forte quanto Mayer nos eventos de amanhã.

Já no Heptatlo, a luta é entre Nafi Thiam (BEL) e Katarina Johnson-Thompson (GBR). A britânica vai para recorde pessoal e domina para já na classificação – alcançou mesmo um grande recorde pessoal no Peso, ao lançar 13.86 metros – mas pode perder para Thiam, que é mais forte nas provas de amanhã, especialmente no Dardo. Para já, as previsões apontam para uma diferença de cerca de 80 pontos entre as duas, mas tudo parece muito equilibrado e prevêem-se 800 metros finais muito emocionantes.

Foi um bom dia para Johnson-Thompson no Heptatlo
Fonte: IAAF

Temos ainda de destacar as semifinais dos 400 metros masculinos, que nos deram uma das maiores surpresas dos Campeonatos, com a eliminação do grande favorito, Michael Norman (USA), nas semifinais, não tendo conseguido fazer melhor que correr em 45.94 segundos, sendo 7.º (!) da sua série. No final, Norman apontou várias razões para o sucedido, desde uma lesão que o tem vindo a afetar, até ao excesso de treinos que tem tido nesta temporada. A verdade é que os 400 metros ficam órfãos da sua principal figura, nuns Campeonatos em que já não temos Wayde van Niekerk (RSA) – o campeão mundial, olímpico e recordista mundial – por motivos de lesão.

AMANHÃ

Amanhã o dia terá a participação de quatro atletas portugueses, três deles no Triplo Salto e um no Lançamento do Peso. O trio do Triplo Salto composto por Patrícia Mamona, Susana Costa e Evelise Veiga entra em ação a partir das 16h40 locais (menos 2 horas em Portugal Continental), todas elas em busca da marca de qualificação de 14.30 metros. Caso 12 atletas não façam essa marca, passam as 12 com melhor marca.

No Peso, será Francisco Belo o representante português que procurará um lugar na final de um dos eventos com maior nível este ano. A qualificação será às 20h40 locais (menos duas horas em Portugal Continental) e a marca de qualificação direta é de 20.90 metros, marca que o português até já passou este ano, por duas vezes, no início da temporada. Complicações físicas de última hora poderão afetar a prova do português.

A nível internacional, entre as finais do dia, teremos os muito aguardados 400 metros femininos, a final do Peso feminino e o final de ambas as provas combinadas (Decatlo e Heptatlo), o que garante sempre um enorme espetáculo.

Foto de Capa: IAAF

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Pedro Pires

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