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Dia 8 dos Mundiais: Um hino ao atletismo

Pedro Pires · 6 min

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Um dia memorável para o atletismo! Numa sessão bastante curta, assistimos à melhor prova feminina de 400 barreiras da história, a uns 3.000 obstáculos masculinos excitantes, ganhos com a menor diferença da noite (!) e a uns 400 metros com uma marca fantástica para o Ouro. Em relação aos concursos, nada há para nos queixarmos também: a estrela local brilhou num concurso verdadeiramente emocionante de Salto em altura e houve um festival de boas marcas cubanas no Disco.

AS FINAIS DE HOJE

A muito esperada final feminina dos 400 metros barreiras deu tudo o aquilo que todos nós queríamos e muito mais. Dalilah Muhammad (USA) – que já havia batido o recorde mundial – disparou desde o tiro de partida para uma volta perfeita à pista com barreiras. Sempre muito forte, Dalilah tinha uma considerável vantagem à entrada da meta sobre Sydney McLaughlin (USA) e, embora essa diferença se tenha reduzido, isso foi o suficiente para conquistar o Ouro nestes Mundiais, com um novo RECORDE MUNDIAL, baixando a sua marca para 52.16 segundos!

A Prata foi para a jovem Sydney McLaughlin, de 20 anos, que correu em 52.23 segundos, no que há três meses atrás seria um recorde mundial  – Muhammad bateu o recorde que durava há 16 anos durante o mês de Julho – subindo a 2.ª atleta mais rápida da história. A medalha de Bronze foi para Rushell Clayton (JAM), com um grande recorde pessoal de 53.74 segundos, sendo que Lea Sprunger até bateu o recorde nacional suíço (54.06) sem que isso tenha chegado para uma medalha.

Nos 3.000 metros Obstáculos masculinos, grande prova, emocionante e disputada até ao final, com uma vitória ao limite de Conseslus Kipruto (KEN), confirmando os rumores de que estava totalmente recuperado de lesão e ultrapassando Lamecha Girme (ETH) mesmo em cima da meta. O etíope fez uma prova estupenda, deu tudo o que tinha e não tinha, batendo o recorde nacional da Etiópia aos seus 20 anos e alcançando uma excelente medalha de Prata. Kipruto fechou em 8:01.35 e Girme em 8:01.36. O queniano renova, assim, o título mundial, numa época em que muitos duvidavam que fosse capaz de cá chegar na máxima força.

Mais um título para Kipruto. Sempre pronto para grandes competições!
Fonte: IAAF

A completar o pódio, no 3.º lugar, Soufiane El Bakkali (MOR), em 8:03.76, não sendo ainda desta que chega ao Ouro em eventos globais. O 4.º – Getnet Wale (ETH) – e o 5.º – Djilali Bedrani (FRA) – também bateram recordes pessoais hoje em Doha.

A última final da noite, os 400 metros masculinos, parecia descaracterizada com a ausência de Wayde van Niekerk (o sul-africano, recordista e campeão mundial, ficou de fora dos Mundiais por lesão) e de Michael Norman (USA), o líder mundial que foi eliminado nas semifinais. Fred Kerley (USA), que venceu a Diamond League no ano passado e que até já tinha batido Michael Norman este ano nos Nacionais norte-americanos era o grande favorito quando as luzes se acenderam de novo no estádio, depois do espetáculo luminoso na apresentação dos atletas.

Kerley arrancou forte e parecia bem encaminhado nos primeiros 200 metros, mas Steven Gardiner (BAH) que até aí mantinha-se a uma pequena distância do norte-americano e com Kerley controlado, arrancou para uns fulminantes 200 metros finais, terminando em impressionantes 43.48 segundos, um novo recorde pessoal para o atleta que havia sido Prata em Londres e um incrível novo recorde nacional das Bahamas. Gardiner que tinha, à partida para esta prova, um recorde pessoal de 43.87, e um melhor da época de apenas 44.13 feitos na semifinal, estava de boca aberta no final e todo o estádio pareceu ter ficado assim, pois até o sistema de som avariou e nem o anúncio do vencedor se ouviu.

Até o estádio ficou em silêncio
Fonte: IAAF

Fred Kerley (USA), que era o favorito, nem conseguiu chegar à Prata, contentando-se com o Bronze em 44.17 segundos, sendo que a medalha de Prata foi para Anthony Zambrano, de 21 anos, com uma ponta final impressionante, correndo em 44.15 segundos e batendo o recorde da América do Sul.

O Salto em Altura era a prova em que os locais depositavam todas as esperanças de Ouro, depois de Abderrahman Samba ter sido Bronze nos 400 barreiras. Mutaz Essa Barshim (QAT) veio de um prolongado período de ausência por lesão e a forma que evidenciou no seu regresso, não parecia indicar que teria condições para lutar pelo Ouro. Mas é Barshim. A 2.33 metros passou apenas na última tentativa, quando muitos já pensavam que ficaria por aí – o que já era um melhor da temporada –, mas depois passou limpo a 2.35 e 2.37 metros, tendo sido o único a saltar com a fasquia a essa altura, renovando o seu título de campeão mundial.

Apesar de todas as adversidades, Barshim chegou mesmo ao Ouro
Fonte: IAAF

Em casa e, tendo em conta o período de ausência, esta medalha de Ouro terá, certamente, um sabor ainda mais especial. A completar o pódio ficam dois atletas russos (a competir como “atletas neutrais autorizados”), ambos com recorde pessoal. Mikhail Akimenko saltou, pela primeira vez, 2.35 metros para a Prata e o mesmo fez Ilya Ivaniuk para o Bronze! Num concurso de nível bem mais elevado do que se previa – a Altura não tinha estado a grande nível em 2019 – os 2.33 metros de Maksim Nedasekau (BLR) não chegaram para medalha…

Na outra final disputada hoje no estádio, o Disco feminino confirmou a grande época das duas cubanas que eram as líderes mundiais do ano. Sandra Perkovic (CRO) sabia-se que não estava ao nível de temporadas passadas e os 66.72 metros, que lançou logo na 1ª tentativa, “apenas” chegaram para a Medalha de Bronze. A melhor foi Yaimé Pérez (CUB), que ao lançar 69.17 metros no seu 5.º lançamento – próxima do seu recorde pessoal – se tornou na nova campeã mundial da disciplina.

Yaimé Pérez tornou-se campeã do mundo no Lançamento do Disco!
Fonte: IAAF

Pérez liderou o concurso desde a primeira tentativa, mas não deixou de passar por um enorme susto quando, ao 4.º ensaio, Denia Caballero (CUB) lançou o Disco a 68.44 metros, o que na altura dava a Caballero o Ouro. Com o lançamento de Pérez ao 5.º ensaio, Caballero desceu à medalha de Prata, conquistando assim a 2.ª medalha em Mundiais, depois do Ouro em Pequim.

AMANHÃ

Amanhã o dia terá a presença de Patrícia Mamona na final do Triplo, prova que terá o seu início às 20h35 locais (menos duas em Portugal Continental). O nível do Triplo feminino está altíssimo e será importante que a atleta entre bem para que consiga ganhar o direito a ter seis saltos. A partir daí tudo é possível, apesar de existirem duas grandes favoritas: a “rainha” do Triplo, Caterine Ibarguen (COL) e a atual campeã e líder mundial, Yulimar Rojas (VEZ), que parece ainda a maior favorita neste momento.

Patrícia Mamona fecha amanhã a participação dos portugueses em Doha
Fonte: FPA

O Triplo será uma das setes finais que se disputam neste sábado. A primeira será a do Lançamento do Peso masculino que promete bastante (a partir das 20h05 locais), teremos a dos 1.500 femininos às 20h55 locais e a dos 5.000 femininos às 21h25 locais. A fechar a noite no estádio teremos as estafetas 4×100 femininas (22h05 locais) e masculinas (22h15 locais). O dia encerrará com a prova da Maratona masculina, em estrada, a partir das 23h59 locais.

Foto de Capa: Team USA

Pedro Pires

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