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Diamond League 2018: Os 16 vencedores de Bruxelas – Pichardo histórico

Pedro Pires · 11 min

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Estivemos por Bruxelas e contamo-vos tudo o que aconteceu no segundo e último dia de finais Diamond League!

O Bola na Rede e o Planeta do Atletismo estiveram em Bruxelas
Fonte: Bola na Rede/Planeta do Atletismo

Bem no final da temporada 2018, Pedro Pablo Pichardo alcançou a maior conquista da carreira até ao momento, com a vitória na Liga Diamante, representando Portugal! O atleta que nasceu em Cuba, mas que tem a nacionalidade portuguesa desde o final de 2017, venceu a final do Triplo Salto da IAAF Diamond League com um salto, ao quarto ensaio, de 17.49 metros (+0.5) e comemorou envolto na bandeira nacional, mostrando ao mundo as cores portuguesas. Um ano verdadeiramente em grande para o Triplo Salto português que começou com a vitória de Nelson Évora na IAAF World Indoor Tour, continuou – ainda melhor – com o Bronze de Nelson Évora nos Mundiais de Pista Coberta em Birmingham, prolongou-se com o Ouro de Évora nos Europeus de Berlim e fecha com a conquista da Liga Diamante por parte de Pedro Pichardo. Fecha, vamos ver. É que daqui a uns dias decorrerá, em Ostrava, a IAAF Continental Cup, onde Nelson Évora também participará, em representação do continente europeu. Quanto à prova de ontem, Pedro Pablo Pichardo esteve praticamente sempre no comando da mesma. Saltou a 17.31 metros (+0.6) logo no primeiro salto, deixando um aviso claro à concorrência. E surpreendentemente – ou talvez não, pois estava uma noite fria, em Bruxelas, com uma temperatura de 17º, longe das condições ideais para o Triplo – a concorrência tardou a reagir. Christian Taylor, ao quarto ensaio, saltou também 17.31 metros (0.0) e aí passava para a frente de Pichardo, pois o segundo salto era superior. Logo de seguida, Pichardo reagiu e saltou a 17.49 metros (+0.5), algo a que Taylor não conseguiu responder. Curiosamente foram os únicos saltos válidos de Pichardo e chegaram para que o atleta se sagrasse campeão desta edição da Liga Diamante, sendo o primeiro português a fazê-lo na história da competição iniciada em 2010. 

Dificuldades maiores teve Nelson Évora, que fez 5 nulos na noite de ontem e o único válido muito abaixo do seu nível, com a marca a ficar-se pelos 15.86 metros (+1.1), sendo oitavo.

As outras finais:

100 metros (M): Foi um dos momentos da noite e foi surpreendente! Christian Coleman (USA), que este ano teve problemas nos isquiotibiais de ambas as coxas, correu em 9.79 segundos (-0.3)! A marca coloca-o igualado (com Maurice Greene) como o 7º mais rápido atleta da história e é o melhor tempo que o mundo viu desde Agosto de 2015. 

Um final de época de luxo para o jovem norte-americano que já havia batido o recorde mundial dos 60 metros em pista coberta, no início do ano, e que nos deixa a pensar no que poderá fazer em 2019, se livre de lesões! O anterior líder mundial, Ronnie Baker (USA), correu em 9.93 no segundo lugar e o jamaicano Yohan Blake chegou na terceira posição, com a sua melhor marca do ano, em 9.94 segundos, dando também bons sinais para a época que se avizinha. 

200 metros (F): Uma vitória fácil para Shaunae Miller-Uibo, embora só tenha ficado definida nos 50 metros finais mais uma vez. A atleta das Bahamas até partiu bem, mas parece acusar um pouco o desgaste da época longa (recorde-se que fez os Jogos da Commonwealth) e está a ter algumas dificuldades, pouco habituais, na curva. Ainda assim, foi capaz de ir “buscar” Dafne Schippers, a holandesa que continua a demonstrar sérios problemas na fase de desaceleração do sprint.

Uma vitória esperada para Miller-Uibo
Fonte: IAAF

Miller-Uibo correu em 22.12 e Schippers em 22.53 – embora tenha cometido uma clara infração ao pisar a pista adversária, aparentemente sem sanção! No terceiro lugar chegou a sua compatriota, Jamile Samuel, em 22.64 segundos. 

400 metros (F): Confessamos que até duvidávamos que Salwa Eid Naser (BRN) corresse esta final. Afinal, a atleta não só participou em 5 provas no Jogos Asiáticos nos últimos 6 dias (com 3 Ouros), como a última delas foi no dia anterior a esta final! Viajou de Jakarta para Bruxelas, chegou ontem à capital belga, correu os 400 metros e venceu! 

Mas não só venceu, como o fez com um fantástico tempo de 49.33 segundos, a sua segunda melhor marca de sempre e a certeza que é um dos nomes mais excitantes do momento no Atletismo mundial. E Naser tem apenas 20 anos! Na segunda posição, chegou a campeã mundial, a norte-americana Phillys Francis com 50.51 segundos e o terceiro lugar também foi para uma norte-americana, Shakima Wimbley, em 50.77 segundos.  

800 metros (M): Uma prova fácil para Emmanuel Korir (KEN), o líder mundial e 6º mais rápido de sempre, que na noite de ontem esteve claramente apenas preocupado com a vitória, não se importando com a marca. Deixou a concorrência impor o ritmo (com a pouca ajuda das lebres de serviço) e só começou o seu ataque a pouco mais de 200 metros do final. Terminou forte, com um tempo de 1:44.72 e conquistou o seu primeiro Diamante. 

Korir venceu, com toda a naturalidade
Fonte: IAAF

No segundo lugar, mais uma boa prova do polaco Marcin Lewandowski, que chegou a liderar a mesma, terminando em 1:45.21. O terceiro lugar foi para o queniano Cheruiyot Rotich, com um tempo de 1:45.28.

1500 metros (F): Sifan Hassan tentava uma missão impossível. Na noite anterior havia corrido os 5.000 metros em Zurique, numa prova já de si desgastante, onde terminou num sprint final incrível e com um custoso segundo lugar. Depois viajou 7 horas de carro de Zurique para Bruxelas e tentou o Diamante nos 5.000 metros. Lutou até onde conseguiu, procurou assumir as despesas, mas foi incapaz de reagir ao ataque de Laura Muir. A holandesa tentou ir a todas – 5.000 e 1.500 – e isso pode-lhe ter custado a obtenção de um Diamante, terminando ontem em terceiro com um tempo de 3:59.41. A britânica Laura Muir conseguiu a vitória – a sua primeira – na Liga Diamante em 3:58.49, fechando com chave de ouro um ano verdadeiramente incrível para ela: além de ter finalizado a sua graduação em Veterinária, a escocesa conquistou duas medalhas nos Mundiais Indoor de Birmingham (Prata nos 1.500 e Bronze nos 3.000), foi campeã europeia dos 1.500 em Berlim e conquistou em Bruxelas o Diamante! 

Um ano de grande nível para Laura Muir
Fonte: IAAF

No segundo lugar, também uma das grandes candidatas, a norte-americana Shelby Houlihan em 3:58.94. 

5.000 metros (M): Muito provavelmente, foi a prova da noite. E isso diz muito, tendo em conta a série de bons resultados verificados ontem. Vimos nesta prova 3 dos 12 tempos mais rápidos de sempre e os atletas que o conseguiram subiram às posições de 4º, 5º e 7º mais rápidos de sempre! Verdadeiramente impressionante e bastante surpreendente, tendo em conta que esta estava a ser uma das temporadas mais fracas a nível de resultados de que havia memória. Recordamos aqui as nossas palavras na antevisão: “o elenco presente em Bruxelas é capaz de proporcionar um bom espetáculo e, caso queiram, podem muito bem vários deles correr abaixo da atual marca líder do ano”. Não esperávamos ainda assim que fosse com este nível. Selemon Barega, o campeão sub-20 há dois anos, e apenas 4º este ano de forma surpreendente, correu ontem em 12:43.02! 

A marca é um novo recorde mundial sub-20 para Barega, que tem apenas 18 anos. No segundo lugar, chegou o também etíope Hagos Gebrhiwet em 12:45.82, um medalhado olímpico e mundial também num novo recorde pessoal, e no terceiro o jovem etíope Yomif Kejelcha em 12:46.79, outro recorde pessoal. Mais 5 atletas correram abaixo dos 13 segundos (!), 4 deles com recordes pessoais. Do outro mundo!

100 metros com barreiras (F): As duas grandes favoritas saíram bastante mal dos blocos (com os dois tempos mais lentos de reação), mas isso não impediu que ambas terminassem na frente da prova. Brianna McNeal correu em 12.61 segundos (+0.1) para a vitória, tendo executado mais forte do que Kendra Harrison, principalmente na abordagem às duas últimas barreiras. 

Os vários duelos entre as duas norte-americanas prometem ficar para a história do desporto e a forma como não existe uma dominadora clara entre as duas só torna tudo ainda mais apaixonante. Kendra Harrison terminou em 12.63 e no final admitiu que a sua péssima partida (o tempo de reação foi de 0.205) não ajudou em nada. Na terceira posição, a ex-campeã mundial, a jamaicana Danielle Williams, terminou em 12.64. 

110 metros com barreiras (M): Curiosamente, e embora não tão má quanto as de McNeal e Kendra, também foi uma má partida para Shubenkov, que começou logo na mais fraca reação ao tiro de partida. Só a partir da 5ª barreira o russo assumiu a liderança da prova e aí não mais a largou com uma execução técnica praticamente perfeita, como tem vindo a apresentar este ano. Mais uma vez, Sergey Shubenkov terminou abaixo dos 13 segundos, com um tempo de 12.97 (-0.1). 

É a sua quarta marca abaixo dos 13 segundos neste ano. Antes de 2018, apenas o tinha feito por uma vez e tinha sido quando se sagrou campeão mundial em Pequim. Uma época em grande para o russo que, infelizmente, irá ficar marcada por ter falhado na final de Berlim, onde foi apenas Prata em 13.17. Na segunda posição, ontem, ficou o cubano naturalizado espanhol Orlando Ortega em mais uma boa prova que concluiu em 13.10 e na terceira, lá longe, ficou o jamaicano Hansle Parchment com 13.35. O campeão europeu, Martinot-Lagarde, foi apenas quarto em 13.36…

3.000 metros obstáculos (F): Beatrice Chepkoech é do outro mundo. Ela não só havia corrido o tempo mais rápido da história no Mónaco, como agora foi a Bruxelas vencer a Diamond League, não dando a mínima hipótese à concorrência, assumindo a liderança desde muito cedo, terminando em 8:55.10, um novo recorde do meeting! É o terceiro melhor tempo de sempre da disciplina e uma curiosidade: das 12 marcas sub-9 na história, 5 pertencem a Chepkoech e 4 foram feitas este ano! 

Chepkoech mudou todo o paradigma da disciplina
Fonte: Diamond League

Outra dessas marcas sub-9 foi alcançada ontem, com os 8.59.62 de Norah Jeruto (KEN), um novo recorde pessoal e a marca mais rápida de sempre de uma segunda classificada. Na terceira posição, chegou Hyvin Kiyeng em 9:01.60, o seu melhor tempo desta temporada e também o tempo mais rápido de sempre de uma terceira classificada! 

Salto em Altura (M): Sem Barshim e sem Lysenko, seria sempre uma prova muito em aberto, mas dessa imprevisibilidade o nome de Brandon Starc (AUS) já era aquele que havíamos apontado como favorito na nossa antevisão. 

A vitória de Starc na altura, aproveitando importantes ausências
Fonte: IAAF

Saltou 2.33 metros para a vitória, aproveitando as importantes ausências na disciplina. No segundo lugar, o campeão europeu, o alemão Mateusz Przybylko, saltou a mesma altura como seu melhor (mas só à terceira tentativa, enquanto Starc fê-lo à segunda) e na terceira posição ficou o italiano Gianmarco Tamberi, mais uma vez na casa dos 2.3, em 2.31 metros, dando excelentes indicações em relação à sua recuperação e, quem sabe, em 2019 o possamos ver outra vez ainda mais alto. 

Salto com Vara (M): Timur Morgunov (RUS) já vinha a realizar uma época de elevadíssimo nível com a Prata nos Europeus (e a saltar 6 metros, um recorde pessoal!), mas, ontem, o jovem de 21 anos conseguiu colocar a cereja no topo do bolo, com a conquista do seu primeiro troféu de Diamante, com o salto mais alto a ser efetuado a 5.93 metros (e nada mais tentou)! Já são 3 competições consecutivas acima dos 5.90 metros para Morgunov.

Que época do russo!
Fonte: IAAF

Já sabemos como é a Vara. Cada dia pode ser diferente, diferentes sensações, diferentes dificuldades e ontem isso provou-se quando se viu o sueco Armand Duplantis (5.68 metros na 7ª posição) e o francês Renaud Lavillenie (5.73 na 5ª) a serem eliminados bem cedo. Sam Kendricks (USA) fez um bom concurso, terminando na segunda posição com 5.88 e o canadiano Shawn Barber, renascido, na terceira posição, com 5.83 metros. 

Salto em Comprimento (F): História foi feita ontem em Bruxelas e… quem diria! Se no início da temporada nos dissessem que Caterine Ibarguen iria vencer o troféu de Diamante no Salto em Comprimento, nós iríamos rir com toda a certeza. A colombiana teve quase 3 anos sem fazer qualquer prova do Comprimento e, mesmo aí, apenas o fez em duas ocasiões por casa, não encarando com alguma seriedade e disciplina desde 2013! Este ano andou a experimentar juntar o Comprimento ao Triplo e quando deu por si estava com um novo recorde pessoal e na final da Liga Diamante. Na quinta havia vencido a final do Triplo Salto em Zurique. Acordou às 5h da manhã de ontem para apanhar o avião e chegou a Bruxelas às 10 horas da manhã. Sagrou-se vencedora também no Salto em Comprimento, sendo a primeira não-sprinter da história a ganhar dois eventos Diamond League no mesmo ano! 

Saltou 6.80 metros (+0.3), ao quarto ensaio, para a conquista do segundo diamante, totalizando 100.000 dólares com ambas as vitórias! No segundo lugar, a britânica Shara Proctor saltou 6.70 metros (-0.4) e no terceiro a norte-americana Sha’Keela Saunders com 6.68 metros (-0.2).

Lançamento do Peso (F): A prova foi realizada na tarde de quinta-feira na Grand-Place de Bruxelas, seguindo a tendência da IAAF (e a EAA também o faz) de colocar alguns eventos a serem disputados mais próximos do público, o que permite dar a conhecer a modalidade a mais gente. O ambiente esteve fantástico e a organização um sucesso. Falando da competição, a vitória caiu para Lijiao Gong (CHI) como é habitual, com um lançamento de 19.83 metros, apenas à 5ª tentativa, a revelar-se decisivo. 

Lijiao Gong, a campeã mundial, continua a dominar o Peso!
Fonte: Memorial Van Damme

Antes quem liderava era a norte-americana Raven Saunders, com 19.64 ao terceiro ensaio, que teve que se contentar com o segundo lugar. Na terceira posição, Christina Schwanitz da Alemanha lançou o engenho a 19.50 metros. 

Lançamento do Disco (M): Fedrick Dacres (JAM) chegava aqui como o atleta com mais pontos na qualificação, mas teria que bater monstros como o lituano Andrius Gudzius (campeão mundial e europeu e vencedor da Diamond League 2017) e o sueco Daniel Stahl (o líder mundial). E bateu! 

O jamaicano não se deixou intimidar pelos nomes que tinha diante de si
Fonte: IAAF

Logo no seu primeiro lançamento, conseguiu lançar o engenho a 68.67 metros, naquele que viria mesmo a ser o melhor lançamento do concurso. Gudzius ficou a mais de um metro, com o melhor a ser 67.52 metros e Stahl teve que se contentar com a terceira posição (com 66.74 metros), não conseguindo mais uma vez vencer um troféu internacional. 

Lançamento do Disco (F): O dia começou assim… com uma enorme surpresa! Sandra Perkovic perdeu. Sim, leram bem! A atleta que é a total dominadora do Disco a nível mundial perdeu na final do Diamante. E perdeu, ficando na 3ª posição, ficando fora dos dois primeiros lugares, algo que não acontecia desde a Continental Cup de 2014! A croata – que afirmou ter estado doente dias antes da final – lançou a 64.31 metros no primeiro lançamento como melhor. No segundo lugar ficou a brasileira Andressa de Morais (com 64.65 metros) e a vitória foi para a cubana Yaimé Perez, uma vitória inédita. Perkovic tinha vencido as últimas 6 edições!

Uma vitória surpreendente para a cubana
Fonte: IAAF

Foto de Capa: Diamond League Brussels

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Pedro Pires

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