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A Diamond League regressa já este sábado, naquela que será a última oportunidade para alguns atletas conseguirem a qualificação para as finais, uma vez que este será o último meeting antes das mesmas!
Como habitual em meetings por terras de Sua Majestade, o contingente britânico é bastante grande, embora grande parte da elite mundial esteja também presente naquela que é considerada a capital do Atletismo britânico. De seguida, iremos destacar as principais provas a seguir com atenção (mais uma vez, 5 no feminino e 5 no masculino) de uma reunião que contará com a presença da portuguesa Marta Pen nos 1500 metros!
Masculino
100 metros: Será a prova que irá encerrar o meeting e existem bons motivos para acreditar que poderá encerrar em grande. Antes dessa final existirão meias-finais (a ocorrer antes da transmissão televisiva), o que permite perceber a dimensão e a qualidade do field presente em Birmingham. Os grandes favoritos serão os norte-americanos Christian Coleman – que bateu o recorde mundial dos 60 metros indoor no início deste ano – e Noah Lyles – o líder mundial nos 100 (igualado) e nos 200 metros. Coleman tem passado por alguns problemas físicos nesta temporada ao ar livre, ainda assim, no seu regresso em Rabat, acabou por vencer o duelo a Lyles, ao correr em 9.98 (-0.4). Mais tarde, falharia o meeting de Londres depois de se ressentir da lesão no aquecimento, pelo que o que fará neste fim-de-semana é uma incógnita. Já Noah Lyles até perdeu essa prova em Rabat, mas foi o que mais impressionou em pista. Teve uma péssima partida e só aos 30 metros começou a “entrar na prova”, mas é seguro dizer que se fosse uma corrida de 110 metros, teria vencido em Marrocos, tal foi a sua recuperação.

Fonte: IAAF
Nada afetado, poucos dias depois iria ao Mónaco correr a marca líder mundial dos 200 metros (19.65), provando mais uma vez estar num excelente momento de forma. Em condições normais, os dois podem ameaçar a marca líder mundial do ano (9.88) dividida pelo próprio Noah Lyles e Ronnie Baker. Presente também em Birmingham estará o novo campeão europeu dos 100 metros, o britânico Zharnel Hughes, ele que já correu este ano em 9.91 (0.4), sendo o quarto atleta de 2018 a nível de marcas. O campeão dos Jogos da Commonwealth, Akani Simbine e a estrela jamaicana Yohan Blake são outros atletas que mostraram recentemente estarem num crescendo de forma e correram já em tempos abaixo dos 10 segundos (Simbine em 9.93 e Blake em 9.95). Falta ainda referir outro norte-americano que andará em pista e que tem a terceira marca do ano: Mike Rodgers parece renascido e aos 33 anos voltou à casa dos 9.8!
800 metros: Sem dúvida que pode ser uma das provas com melhores resultados em Birmingham. Por lá estará Emmanuel Korir, o queniano residente nos EUA, que no meeting de Londres, correu o tempo mais rápido no mundo desde 2012, subindo a 6º mais rápido de sempre na distância! Por lá andarão também os dois polacos habituais, Marcin Lewandowski e, principalmente, Adam Kszczot, que voltou a sagrar-se campeão europeu em Berlim (3ª vez consecutiva) e que em Março tinha conquistado o titulo mundial de pista coberta. Em pista teremos também mais 4 atletas que este ano já correram em 1:43 (incluindo Cheruiyot Rotich e Clayton Murphy) e já que falamos em campeões mundiais, algo bastante interessante para observar: o campeão mundial dos 1500 metros, Elijah Manangoi, participará nestes 800 metros, depois de já o ter feito na casa do 1:45 em Doha. Atenção para a presença da lebre mais famosa da atualidade! Bram Som andará por lá a impor, por certo, um forte ritmo na prova, o que ainda nos faz salivar mais por estes 800 metros. O recorde do meeting de 1:43.93 de Mark Everett, que dura há quase 27 anos, está sob série ameaça.
3000 metros obstáculos: Ainda sem sairmos da pista, este é outro momento para seguir com atenção. A armada queniana será composta por 6 (!) atletas e o jogo de equipa deverá estar presente, com o favoritismo a ter que ser atribuído ao dominador da distância, campeão olímpico e mundial, Conseslus Kipruto. Ainda assim, a época do queniano não está ao nível de outras temporadas, tendo já sofrido duas derrotas em eventos Diamond League, pelo que não será uma grande surpresa se tal voltar a acontecer. Contará aqui com a concorrência do seu compatriota Benjamin Kigen, que este ano já venceu em Rabat e em Eugene, o etíope Chala Beyo, que venceu em Doha e do recém-coroado campeão europeu (mais uma vez), o sempre polémico francês Mahiedine Mekhissi Benabbad. Mas a maior ameaça pode vir do marroquino El Bakkali, que nos Mundiais de Londres foi Prata atrás de Kipruto, mas que este ano já o bateu no Mónaco, ao correr a marca líder mundial de 7:58.15, a única marca nesta temporada abaixo dos 8 minutos.
Salto em Comprimento: Não é um evento Diamond League e a ausência de Echevarría (que esteve confirmado) poderá tirar algum do peso competitivo da prova. Ainda assim a presença dos sul-africanos Luvo Manyonga (sem dúvida, o grande favorito) e Zarck Visser (já saltou 8.40 este ano) garantem a obtenção de marcas de elite e um concurso de nível elevado, com uma possível queda do recorde do meeting – 8.45 metros de Miguel Pate desde 2005. O grego, de apenas 20 anos, Miltiadis Tentoglou estará também presente e, certamente, motivado pelo título europeu conquistado na passada semana em Berlim. Ainda assim, as manchetes poderão ser feitas por outro motivo. É que, muito provavelmente, esta será a última prova de Greg Rutherford, nome maior do Atletismo britânico, que se despede aqui de competição, depois de um período complicado de lesões.

Fonte: IAAF
Durante a sua carreira, o britânico ganhou tudo o que havia para ganhar ao ar livre e terá aqui em Birmingham uma despedida, com certeza, emotiva, a fazer lembrar a de Mo Farah das pistas há 1 ano atrás.
Lançamento do Dardo: O trio alemão não estará todo aqui, faltará Vetter, que com certeza não estará ainda nas melhores condições, ao ter falhado o pódio nos Europeus de Berlim. Ainda assim, todo esse pódio estará por cá! Thomas Rohler, que agora é o campeão europeu e campeão olímpico, entrará com um estatuto reforçado e assumindo-se como o favorito. No entanto, não se pode descuidar com o seu colega Andreas Hofmann, que é o atual campeão alemão e que inclusive já lançou mais longe do que Rohler este ano (92.06 – 91.78). A vitória provavelmente será decidida entre os germânicos, embora não possamos esquecer a presença de Magnus Kirt, da Estónia, que foi Bronze em Berlim e que este ano já lançou 89.75 metros (recorde pessoal) em Rabat! Pode ser um dos pontos altos da tarde.
Feminino
200 metros: É a prova mais aguardada da tarde e há motivos mais do que suficientes para isso. Começamos pelas duas que são, na nossa opinião, as favoritas à vitória: Shaunae Miller-Uibo e Dina Asher-Smith. A atleta das Bahamas ainda não perdeu qualquer prova em 2018, seja nos 400 ou nos 200 metros. Nos 400, quando foi desafiada por Naser, correu um impressionante novo recorde pessoal em 48.97 segundos. Nos 200, ainda não baixou aos 21 segundos este ano, mas acreditamos que será em Birmingham que o fará, até porque será desafiada pela atual líder mundial! A britânica Dina Asher-Smith foi uma das grandes figuras dos Europeus de Berlim, tendo estabelecido lideranças mundiais nos 100 e 200 metros, com dois recordes nacionais britânicos.

Fonte: European Athletics
Chega a Birmingham com esse estatuto de novo peso pesado da velocidade mundial, depois de ter corrido a distância em 21.89 (+0.2) segundos em Berlim. O recorde pessoal de Miller-Uibo, conseguido no ano passado é de 21.88, pelo que dá para perceber o choque que podemos vir a assistir. Só uma enorme surpresa evitará que o atual recorde do meeting – 22.25 de Sanya Richards desde 2006 – se mantenha de pé após as 16 horas de sábado. Para adicionar, a prova conta ainda com mais nomes de peso. Para começar, devemos falar da bicampeã mundial da distância, Dafne Schippers. A holandesa foi duplamente (tripla, se contarmos com as estafetas…) batida por Asher-Smith em Berlim, mas ainda assim estabeleceu os seus melhores da temporada em ambas as distâncias, mostrando que está na melhor forma de 2018. Outro nome que poderá despertar atenções é o de Marie-Josée Ta Lou. A atleta da Costa do Marfim ainda não correu este ano próximo do recorde pessoal que estabeleceu em Londres na temporada passada para ser Prata nos 200 metros. Porém, nos 100 tem tido uma época imaculada, só com vitórias, dividindo a liderança mundial com Asher-Smith. Teremos também em pista Shericka Jackson, a jamaicana 3ª do ranking mundial, que este ano até tem um melhor de temporada mais rápido que o de Miller-Uibo (a jamaicana já correu em 22.05), mas que tem tido uma época bastante irregular, não se sabendo o que esperar dela em Birmingham. Por fim, Shelly-Ann Fraser-Pryce! Sim, a jamaicana fará a primeira prova de 200 metros desde Julho de 2016. São dois anos sem fazer uma prova de 200 e fará logo diante deste field. Certamente que não é de esperar uma vitória, mas…é preciso coragem!
1500 metros: A presença de Marta Pen abre ainda mais o apetite para esta prova que promete ser rápida e emocionante. A portuguesa, em declarações após a final dos 1500 em Berlim, havia referido a importância de estar presente em provas de elite, nomeadamente em meetings da Diamond League e tem aqui a primeira oportunidade! O elenco é fortíssimo e Pen até tem o pior recorde pessoal das atletas em prova, mas, conhecendo a atleta portuguesa, surpreender-nos-ia muito se a mesma não se apresentasse competitiva no próximo sábado. Já sem a pressão dos campeonatos e com verdadeiras lebres à sua frente, tem aqui uma oportunidade de melhorar a sua melhor marca pessoal que é de 4:04.53. Muita gente em pista – o que pode não ser bom para a atleta portuguesa – num total de 16 atletas, onde até chegou a estar prevista a participação de Caster Semenya, mas a sul-aficana desistiu da presença. Ainda assim, nomes como Sifan Hassan (que pode ameaçar o recorde do meeting, depois de ter falhado esta prova em Berlim por impossibilidade do calendário), Winny Chebet ou Gudaf Tsegay são capazes de impor respeito a qualquer um(a).

Fonte: European Athletics
3000 metros: Dobrando a distância, os 3000 não são uma prova tantas vezes corrida ao ar livre, pelo que torna um pouco imprevisível tentar adivinhar o desfecho. Ainda assim, os nomes em provas garantem espetáculo e, provavelmente, marcas de grande nível. Desde logo, chama-nos à atenção a presença de Hellen Obiri, a queniana que é a campeã mundial dos 5.000 e que já foi campeã mundial desta distância em pista coberta. Apesar de não estar a ter a sua melhor temporada, é sempre um dos nomes a ter em conta. Estarão também em prova duas suas compatriotas que dominam para já o ranking mundial nesta distância: Caroline Kipkirui (8:29.05) e Agnes Tirop (8:29.09), duas marcas conseguidas naquela grande corrida inicial de Doha. Curiosidade também para perceber o que fará a atleta britânica, Eilish McColgan, depois da surpreendente medalha de Prata nos 5.000 metros de Berlim e o que fará a germânica de 21 anos, Konstanze Klosterhalfen, um ano depois de ter estabelecido em Birmingham o seu fantástico recorde pessoal de 8:29.89!
Salto em Comprimento: Interessantes nomes em Birmingham, começando por duas medalhadas de Berlim: Malaika Mihambo – a germânica campeã europeia – e Shara Proctor, a britânica que foi Bronze em Berlim. Presentes também estarão duas britânicas que foram aos Europeus com ambições de medalhas, mas que não alcançaram esse objetivo: Jazmin Sawyers foi 4ª depois do 2º lugar de há dois anos atrás e Lorraine Ugen saiu de mãos a abanar, no nono lugar, apesar de ser a líder do ranking mundial e a única a ter saltado acima dos 7 metros este ano! Destaque também para a presença da especialista em provas combinadas, Katarina Johnson-Thompson (que tem um melhor pessoal de 6.92 metros) e para…Caterine Ibarguen! Não havendo Triplo Salto em Birmingham, a colombiana volta a testar-se no Comprimento, num ano em que já atingiu um novo máximo pessoal (6.87 metros).
Salto Com Vara: Os 4.87 metros que Yelena Isinbayeva estabeleceu aqui em 2004 podem estar sob ameaça, com a presença dos nomes maiores da disciplina no momento. A norte-americana Sandi Morris lidera o ranking mundial com 4.95 metros, mas há pouco mais de um mês vimos a jovem da Nova Zelândia, Eliza McCartney, saltar 4.94 metros, estabelecendo um novo recorde da Oceânia. Katie Nageotte é outro nome forte, embora ainda não tenha replicado ao ar livre aquele enorme salto indoor, quando fez 4.91 metros nos nacionais norte-americanos. Por fim, falar, claro, de Katerina Stefanidi. A grega é a campeã olímpica, a campeã mundial e acabou de revalidar o título europeu com direito a novo recorde dos campeonatos (4.86). Retirá-la do lote de favoritas não nos parece ser algo muito prudente.
O meeting de Birmingham iniciará a sua transmissão televisiva pelas 14 horas, em direto na Sport Tv 5 para Portugal, com os comentários do António Fernandes. Antes, a ação terá início no estádio com algumas meias-finais e o começo dos concursos.

Fonte: Visit Birmingham
Foto de Capa: FPA














