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A décima edição da Diamond League arranca esta sexta-feira em Doha, o mesmo palco que receberá os Mundiais lá mais para o final do ano.
Ainda com a notícia fresca da decisão do TAS favorável à nova regulamentação de limitação de testosterona no refere a determinadas provas no feminino, a prova de 800 metros não contará com a sul-africana, que já não estava nas listas anteriormente. No entanto, tanto Francine Nyonsaba quanto Margaret Wambui estão (não confirmado no caso de Wambui) na mesma situação de Semenya e estão nas listas dos 800 metros, podendo ainda participar com os atuais níveis hormonais, uma vez que apenas a partir da próxima quarta-feira tal começará a ser analisado. Essa prova poderá ser interessante com a participação de Ajee Wilson, Habitam Alemu, Natoya Goule, Raevyn Rogers ou Lynsey Sharp (no meio da polémica também por um dia ter-se mostrado favorável a uma legislação para casos como o de Semenya).
No entanto, neste artigo iremos destacar dez outras provas do primeiro meeting da mais importante competição anual de Atletismo a nível mundial.
UPDATE: Caster Semenya foi colocada nas listas para a prova de Doha hoje mesmo. Sem a regulamentação ainda em vigor, iremos assistir a uma tentativa de recorde mundial?
10. 200 metros (M)
Num elenco sem norte-americanos, o principal favorito deverá ser o atual campeão mundial da distância, Ramil Guliyev (TUR), que irá fazer aqui a sua estreia em 2019. No ano passado Guliyev correu um melhor pessoal – de 19.76 – para conquistar o Ouro nos Europeus de Berlim e embora não seja, de todo, esperado que atinja esses níveis, caso repita os 20.11 que aqui fez na temporada passada, já será um bom começo de uma época que se vai estender até Outubro. Como outros nomes fortes, que ninguém surpreenderiam caso alcançassem a vitória, teremos Jereem Richards (TTO) – Bronze em Londres, que no ano passado correu aqui em 19.99 – e dois históricos da Diamond League que em 2018 correram também tempos abaixo dos 20 segundos: Alonso Edward (PAN) e Aaron Brown (CAN).
9. 200 metros (F)

Fonte: European Athletics
Dina Asher-Smith (GBR) foi outra atleta que brilhou e de que maneira nos Europeus de Berlim, com a conquista de 3 medalhas de Ouro. A britânica foi a única atleta a baixar dos 22 segundos em 2018 num enorme recorde nacional (21.89), assumindo-se claramente como candidata ao Ouro nos Mundiais deste ano. Não tendo competido na temporada de pista coberta, voltará às pistas em Doha, quase 8 meses (!) após a sua última prova, não se sabendo exatamente o que poderá já mostrar. Quem lhe poderá fazer frente é, curiosamente, uma atleta que no ano passado começou bastante bem, tendo até tido a 2ª melhor marca mundial do ano com um tempo feito em Março (22.04). No entanto, Blessing Okagbare (NGR) teve bastante dificuldades em manter a forma e foi sempre a descer. Caso o problema se tenha prendido com esse precoce pico de forma, este ano a história poderá ser diferente, uma vez que está será a primeira prova que faz em 2019. Jeneba Tarmoh e Kyra Jefferson são duas norte-americanas que têm passado por muitas dificuldades para recuperarem os níveis de outrora e Phillys Francis (a campeã mundial dos 400 metros) fará aqui mais uma prova de 200 no que parece uma preparação para ganhar velocidade para a sua prova de elite. Jamile Samuel (NED), Bronze nos Europeus de Berlim, também estará presente.
8. 400 metros com barreiras (F)
Enquanto o mundo ainda aguarda a estreia de uma grande promessa do desporto chamada Sydney McLaughlin (estreia-se em Xangai mas sem barreiras), iremos assistir a uma reedição de um dos duelos que mais fervilhou em 2018. Uma das protagonistas foi – e será – a atual campeã olímpica da distância (e duas Pratas em Mundiais), Dalilah Muhammad (USA), que é a 6ª mais rápida de sempre (52.64) e que é também a atual campeã da Liga Diamante. Muhammad ainda não fez nenhuma prova com barreiras este ano, mas já correu a distância sem barreiras e fê-lo em 51.62 segundos, um enorme recorde pessoal (antes deste ano era…52.64), o que fez soar os alertas para o tempo que poderá já fazer com barreiras. No ano passado, foi várias vezes desafiada por Janieve Russell (JAM), que venceu mesmo dois meetings da Liga Diamante. As duas parecem estar num campeonato diferente das restantes em prova. Ashley Spencer (USA), Bronze nos Jogos do Rio, também estará presente e já se estreou em 2019 na disciplina, mas os resultados não foram, para já, muito animadores.
7. Lançamento do Disco (M)

Fonte: IAAF
Estarão em prova dois homens que estão no top-10 da história do Disco, o que numa disciplina em que o recorde mundial dura desde 1986 quer dizer muita coisa…Mas o polaco Piotr Malachowski e o sueco Daniel Stahl são muito mais do que isso. Malachowski conta no seu currículo com 1 Ouro e 4 Pratas em eventos globais e Stahl teve o maior lançamento no mundo em 3 anos consecutivos, sendo Prata nos últimos Mundiais e Europeus. Os dois são os únicos atletas em prova que já passaram dos 70 metros (acima dos 71 em ambos os casos), mas terão a concorrência de outros nomes fortes, como, por exemplo, Christoph Harting (GER) que é “só” o campeão olímpico em título. O “histórico” Ehsan Hadadi (IRI), medalhado olímpico (Prata, 2012) e mundial (Bronze, 2011) também estará presente.
6. Salto em Comprimento (F)
Caterine Ibarguen (COL) foi a atleta IAAF do ano em 2018 e parece que em 2019 irá procurar manter a mesma estratégia de conciliar o Salto em Comprimento com a “sua” disciplina, o Triplo Salto – tendo no ano passado vencido o troféu de Diamante nas duas disciplinas! Pelo menos, inicialmente, parece ser esse o plano, uma vez que marcará presença nesta prova de Doha. Também estará presente a norte-americana Tianna Bartoletta (7.17 de marca pessoal) que procura esquecer uma péssima temporada de 2018 (para os seus padrões). Como Ibarguen é a campeã olímpica do Triplo e Bartoletta é a campeã olímpica do Comprimento, iremos assistir a um duelo entre duas vigentes campeãs olímpicas, o que não é algo que se vê todos os dias. Maryna Bekh-Romanchuk (UKR), Prata nos Europeus de Berlim, estará presente, assim como uma forte dupla britânica – ambas com melhores pessoais acima dos 7 metros – composta por Lorraine Ugen e Shara Proctor, esta que foi Bronze em Berlim.
5. 1.500 metros (M)

Fonte: IAAF
Também um dos duelos mais interessantes da temporada passada foi este entre dois quenianos nos 1.500 metros. Elijah Manangoi (KEN) é o atual campeão mundial, nuns campeonatos em que Timothy Cheruiyot (KEN) foi prata. Ainda a seguir a esses Mundiais, Cheruiyot bateu Manangoi na final da Liga Diamante 2017 e tal voltou a acontecer em 2018, ainda que Manangoi tenha batido Cheruiyot nos Jogos da Commonwealth e nos Campeonatos Africanos. Se a isso juntarmos vários meetings, em que Cheruiyot bateu Manangoi, percebemos que o nível entre os dois é muito equiparado, sendo impossível apontar um favorito. Elijah terá ainda a companhia do seu irmão mais novo George Manangoi (KEN), o campeão mundial júnior da distância, numa prova que ainda contará com a participação de dois ex-campeões mundiais indoor: Ayanleh Souleiman (DJI) e Abdelaati Iguider (MAR), que também já conquistou medalhas ao ar livre em Mundiais e Jogos Olímpicos.
4. 100 metros com barreiras (F)
https://www.youtube.com/watch?v=jLECSzk6cc0&t=71s
É invariavelmente uma prova que consta nos nossos destaques e tal é incontornável, tal a amplitude de atletas de elevada qualidade existentes no momento. Em Doha, o elenco será encabeçado pela campeã olímpica Brianna McNeal (USA), que este ano procurará voltar a ser campeã mundial 6 anos depois (foi Ouro em Moscovo). Sem barreiras correu já neste ano um recorde pessoal, mas esta será a sua primeira prova na sua disciplina, depois de ter conquistado o Diamante em 2018. As norte-americanas trazem ainda mais 3 atletas, incluindo Sharika Nelvis – 12.34 de recorde pessoal – e Christina Clemons (antes de casada era Manning), que foi Prata nos Indoor de Birmingham (60 metros com barreiras). A Europa faz-se representar pela sua campeã, a jovem Elvira Herman (BLR) e a ex-campeã olímpica Danielle Williams (JAM) também estará presente, depois de um muito positivo 2018, onde bateu o seu recorde pessoal e venceu a Continental Cup. Por último, referir duas grandes promessas que residem nos EUA, mas que representam a Nigéria e Porto Rico, Tobi Amusan – vencedora dos Jogos da Commonwealth – e Jasmine Camacho-Quinn, que ainda como universitária, foi a 3ª mais rápida no mundo em 2018, com 12.40.
3. 800 metros (M)
Emmanuel Korir (KEN) foi um elemento bastante dominador em 2018. Das 6 provas que fez ao ar livre, venceu as 6 (mais uma indoor), terminando o ano totalmente invencível. Venceu a final da Diamond League, venceu a Continental Cup também, assim como 4 outros importantes meetings da Liga Diamante, incluindo aqui em Doha. Em Londres, Korir correu em 1:42.05, um tempo que o colocou como o 6º atleta mais rápido da história e procurará em 2019 o seu primeiro título global. Para já quer começar a vencer esta 1ª etapa da Liga Diamante e para tal um dos adversários que terá que enfrentar é Nigel Amos (BOT), ele que ainda procura um título global também (a promessa…já tem 25!). Difícil é esquecer o 1:41.73 que fez nos Jogos de Londres para a Prata (no dia do recorde de Rudisha) e que o igualaram como 3º mais rápido de sempre. Desde aí tem sempre falhado em eventos globais e em 2018 teve uma época de altos e baixos, com o destaque a ser o 1:42.14 no Mónaco, a sua segunda melhor marca de sempre. Os dois enfrentam-se em Doha, numa prova em que teremos ainda Adam Kszczot (POL), que este ano até saltou o indoor para atacar em força o ar livre (foi Prata nos dois últimos Mundiais), o jovem queniano Wyclife Kinyamal (que no ano passado venceu em Roma, Xangai e os Jogos da Commonwealth) e o também jovem Donavan Brazier (USA), uma das maiores esperanças norte-americanas que este ano já fez o segundo tempo mais rápido da história em ambiente de pista coberta.
2. Lançamento do Peso (M)
No passado dia 20 de Abril, Ryan Crouser (USA) lançou o Peso a 22.74 metros (antes, no mesmo concurso, já tinha lançado 1 cm menos), um lançamento que o tornou no 6º atleta a ter lançado mais longe na história, sendo esse o maior lançamento de sempre até ao mês de Abril. É um excelente início de temporada para o campeão olímpico que terá em Doha que enfrentar o campeão mundial, Tomas Walsh (NZL). Walsh tem um recorde pessoal muito próximo do de Crouser, sendo mesmo, igualado, o 7º a ter lançado mais na história (22.67) e no ano passado também somou o título mundial indoor ao outdoor, além de ter vencido a Liga Diamante. Este ano também já anda próximo dos 22 metros…E agora podemos ir à lista dos outros presentes? Pois bem, Darrell Hill (USA) que foi o vencedor da Liga Diamante 2017; Michal Haratik (POL), que é o atual campeão europeu ao ar livre e em pista coberta; Konrad Bukowiecki (POL), Prata nos Europeus e campeão europeu em pista coberta há 2 anos; Darlan Romani (BRA), vencedor da Continental Cup e Tomas Stanek (CZE), medalhado em Mundiais e Europeus. Que nível!
1. 3.000 metros (F)

Fonte: IAAF
Para o final da noite, última prova, está reservada a prova de 3.000 metros no feminino que promete bastante. Entre as atletas presentes nas listas, estão 13 (!) quenianas, mais Yasemin Can que também nasceu no Quénia (agora representa a Túrquia). Mais “modesto” o contingente etíope conta com 5 atletas. E quando começamos a percorrer a lista de entradas, é difícil não percebermos a qualidade do elenco presente numa distância que parece ser cada vez mais uma grande aposta da IAAF para o ar livre (a partir do próximo ano será a prova mais longa em eventos Diamond League). Uma das estrelas é Hellen Obiri (KEN), a atual campeã mundial dos 5.000 metros e que conquistou também a Liga Diamante nos dois últimos anos. Ao longo da carreira tem sempre enfrentado as irmãs Dibaba, sendo que nos últimos anos a sua maior rival tem sido Genzebe, que estará em Doha, e que há 1 ano bateu Obiri em pista coberta nesta distância (e nos 1.500) nos Mundiais de Birmingham. Ao ar livre, Obiri terminou 2018 bem melhor do que Dibaba e será interessante perceber como ambas começam 2019. A elas junta-se também a recordista mundial da distância com obstáculos (!) Beatrice Chepkoech (KEN), ela que até tem um melhor pessoal de grande nível nesta prova também. Atenção a 3 quenianas que venceram provas de 3.000 na Diamond League no ano passado: Caroline Kipkirui (venceu em Doha), Agnes Tirop (venceu em Brimingham) e Lilian Rengeruk (venceu em Londres) e há ainda mais uma atleta especialista na distância com obstáculos chamada Hyvin Kiyeng (KEN), que é só a atual medalhada de Prata olímpica e ex-campeã mundial (foi 3ª em Londres no ano passado). Um luxo.
Foto de Capa:









