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Houve espectáculo de Samba em Paris e orgulho nacional em Taragona!

Pedro Pires · 9 min

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Lamentamos serem apenas dez. Muita coisa ficou de fora, mas ainda bem que a qualidade foi tão elevada que nos obrigou a fazer escolhas. Trazemos dez acontecimentos que marcaram este fim-de-semana no Atletismo. Das nossas medalhas ao espectáculo de Samba (sim, falamos de Atletismo), bons momentos não faltaram! Se passaram o fim-de-semana demasiado focados no futebol, depois de ler isto, com certeza que se irão arrepender!

1. Portugal nos Jogos do Mediterrâneo: três medalhas e bons resultados

Foi a estreia de Portugal nos Jogos do Mediterrâneo e, desta edição em Tarragona, trouxemos na bagagem três medalhas no Atletismo! A primeira delas foi a medalha de Prata de Liliana Cá no Lançamento do Disco ao lançar 60.05 metros. Liliana continua a fazer uma época irrepreensível, mostrando que o seu período de ausência prolongada pouco estará a afectar o actual rendimento, conseguindo até a qualificação para os Europeus de Berlim! Medalha de Prata também foi o que conseguiu Inês Monteiro nos 5.000 Metros ao correr em 15:54.78. Curiosamente, à semelhança de Liliana Cá, Inês Monteiro também teve um longo período afastada das pistas, não realizando provas de 5.000 durante largos anos. Por fim, tivemos uma saborosa e única medalha internacional da estafeta 4×100 masculina! A equipa foi composta por José Lopes, Diogo Antunes, Ancuiam Lopes e Rafael Jorge e correu em 39.28 para o Bronze!

https://www.youtube.com/watch?v=3c_K5oZKomw&t=159s

Além das medalhas, existiram outros resultados de enorme valia, onde podemos, por exemplo, destacar a excelente prova individual de Diogo Antunes (quarto em 10.41) e José Pedro Lopes (quinto em 10.43) nos 100 metros e de Miguel Marques na qualificação do Comprimento (7.75 metros – melhor marca pessoal). Um dos grandes resultados veio, mais uma vez, de Evelise Veiga! A atleta do Sporting saltou 6.61 metros, garantindo a qualificação (na verdade, mínimos B, o que chegará) para os Europeus de Berlim, bem como um novo recorde nacional sub-23 da disciplina.

2. Abderrahman Samba: o segundo mais rápido de sempre.

Foi a “marca-choque” deste fim-de-semana e isso diz muito tendo em conta a qualidade que o Atletismo apresentou pelo mundo. Abderrahman Samba tinha corrido cinco provas dos 400 metros com barreiras em 2018 e somado cinco vitórias, alcançando vários recordes de meetings, recordes nacionais, de área e até o recorde da Diamond League. No entanto, a sua fenomenal forma foi um “pouco ofuscada” pelo fantástico tempo de Rai Benjamin nos Universitários norte-americanos em 47.02. Abderrahman Samba puxou dos galões e foi ao Meeting de Paris correr em 46.98, naquela que é a segunda melhor marca de toda a história do evento, tornando-o o segundo atleta da história a baixar da barreira dos 47 segundos!

No espaço de 22 dias, vimos o segundo e o terceiro (igualado) melhor tempo do evento, o que só demonstra a qualidade actual do mesmo. A pergunta que paira no ar é apenas uma: quando teremos um duelo entre Samba e Benjamin? Todos o desejamos e a ameaça de aproximação ou quebra de recorde mundial (46.78 por Kevin Young em 1992) estará certamente no ar.

3. A primeira vez profissional de Michael Norman e Rai Benjamin: Fire!

Rai Benjamin já foi falado no ponto anterior e o atleta decidiu estrear-se profissionalmente em Paris e na prova de… 200 metros! Ao ar livre, Benjamin apenas tinha um recorde pessoal de 20.64, mas na antevisão já havíamos alertado que os 20.34 alcançados em Pista Coberta, este ano, deixavam antever um bom resultado para o atleta que se encontra ainda à espera de autorização para competir oficialmente pelos EUA (país onde… nasceu). E assim foi. Benjamin viu minutos antes Samba incendiar a pista nos 400 metros barreiras e a sua resposta surgiu nos 200 metros, naquela que não é a sua especialidade, correndo em 19.99! É o tempo mais rápido nos 200 metros em toda a história do Atletismo feito por um atleta especialista em 400 metros barreiras e abre portas e múltiplas possibilidades para o futuro de Rai Benjamin.

Rai Benjamin, Bruno Hortelano e Michael Norman: os 3 estão a brilhar em 2018!
Fonte: IAAF

Mas Benjamin nem sequer venceu a prova. A vitória foi para Michael Norman, outro estreante profissionalmente, em 19.84! Norman tem dado muito mais atenção e prioridade aos 400 metros, onde despertou a atenção do mundo, deixando todos boquiabertos. No entanto, já sabíamos que em 2016 Norman havia sido o campeão mundial júnior desta distância. Trazia um recorde pessoal de 20.06 (-1.4) que já indicava que baixar dos 20 segundos deveria ser uma realidade, mas fê-lo com estrondo, com a quarta marca mundial do ano, sendo que é apenas o sexto homem em toda a história a baixar dos 20 segundos nos 200 e dos 44 segundos nos 400 metros. A prova foi disputada com um vento ligeiramente contrário (-0.6), o que ainda nos deixa a pensar em melhores resultados para um futuro próximo.

4. Sergey Shubenkov: 12.92!

Este ponto nem sequer estava previsto fazer parte deste artigo. A prova em Székesfehérvár (sim, foi copy+paste o nome da localidade), na Hungria, disputou-se apenas na noite de ontem, já fora do fim-de-semana, mas o que Shubenkov fez merece ser falado. O atleta russo conseguiu um enorme recorde pessoal de 12.92 segundos (+0.6) nos 110 metros com barreiras, ficando a apenas 0.01 do recorde europeu de Colin Jackson!

Shubenkov sobe ao posto de oitavo atleta mais rápido de toda a história do evento (igualado) e numa prova que contava com vários dos pesos pesados: Omar McLeod (que tropeçou numa barreira e perdeu o momentum), Aries Merritt, Devon Allen ou Balázs Baji, por exemplo. A marca de Shubenkov reforça de larga maneira a sua liderança mundial do ranking e é um novo recorde nacional russo, embora a IAAF considere a marca como de um atleta independente.

5. Salwa Eid Naser: a elegância dos 400

Olhando para Salwa Eid Naser antes de cada prova começar, poucos poderiam pensar a força que aquela que, normalmente, é a que parece mais frágil fisicamente em pista tem dentro de si. Não são usualmente características de atletas de 400 metros. E a forma elegante com que Naser corre os 400 metros, parecendo não estar a fazer muito esforço (mas garantimos que o ácido lático anda por lá!) é já uma das suas imagens de marca. Isso e o facto de hoje ser uma atleta muito mais exuberante na sua aparência em relação àquela Naser que vimos de burka há três anos atrás, nos Mundiais Sub-18 de Cali. Parece outra, mas a força mental e física continua a mesma. Naser correu os 400 metros de Paris em 49.55, no que não só é um novo recorde pessoal e nacional do Qatar, mas uma marca que também retira dos livros o anterior recorde asiático dos infames Jogos Nacionais Chineses de 1993, que pertencia a Ma Yuqin em 49.81.

Naser venceu todas as quatro provas da Diamond League em que participou em 2018 e mostra que a sua temporada 2017 não foi um acidente, mas sim o início de algo que pode vir a ser grande. Salwa Eid Naser tem 20 anos feitos em Maio.

6. Caster Semenya: O Recorde Mundial parece estar já ali!

A sul-africana Caster Semenya não parece nada afectada com o que se vai passando fora das pistas – onde a IAAF espera resposta do TAS no que diz respeito à nova regulamentação para atletas femininas com excessivamente elevados níveis de testosterona – e foi a Paris alcançar um novo recorde pessoal e uma liderança mundial nos 800 metros em 1:54.25.

Semenya já é a quarta mais rápida de todos os tempos, ameaça o recorde mundial e atenção que falamos de um dos recordes que mais sobrancelhas fazem levantar no que diz respeito à legitimidade da marca alcançada nas circunstâncias da altura (Kratochvílová em 1:53.28). Além de ser a quarta mais rápida na história dos 800, já em 2018 Semenya bateu o recorde sul-africano dos 1500 que durava desde 1984 e bateu o recorde dos 800 metros dos Jogos da Commonwealth. As opiniões mais uma vez dividem-se. Se há quem diga que a força de Semenya é uma chapada à proposta da IAAF, há também quem diga que o que ela está a fazer, e sempre parecendo que tem mais guardado para qualquer altura, apenas dá razão à regulamentação que poderá entrar em vigor em 2019, comprovando os motivos para essa regulamentação. Ainda dará muito que falar.

7. Mariya Lasitskene continua a ser a rainha da Altura

Foi muito falado antes do meeting de Paris que iríamos assistir a um grande duelo entre Lasitskene e Nafissatou Thiam, depois da belga especialista nos eventos combinados, ter liderado o ranking mundial quando conseguiu um novo recorde pessoal na Altura de 2.01 metros. Nafi Thiam saltou como máximo 1.97 metros, o mesmo que saltou Yuliya Levchenko no seu melhor da temporada. Lasitskene, essa, respondeu como só ela o sabe fazer.

Alcançou a 45.ª vitória consecutiva, mas não deixou que isso acontecesse sem nota artística! Saltou 2.04 metros, um novo recorde do meeting e subiu a fasquia no que se refere à liderança mundial da Altura. Foi a 37.ª vez que a russa passou dos dois metros!

8. O Salto em Comprimento, claro: Echevarría e Lorraine Ugen

O Salto em Comprimento não fez parte do evento Diamond League da semana, mas isso não impediu de voltar a estar em altas! Duas novas lideranças mundiais, vindas de Cuba e do Reino Unido. Começando pelo masculino, Juan Miguel Echevarría, o cubano de 19 anos, parece cada vez mais consistente e alcançou um novo recorde pessoal de 8.68 metros (+1.7), em Bad Langensalza! Recorde-se que o cubano já saltou este ano 8.83 com um vento ligeiramente antirregulamentar (+2.1). Na prova desta semana na Alemanha, quatro (!) atletas saltaram a, pelo menos, 8.40 metros, o que acontece apenas pela segunda vez na história. Uma curiosidade: todos os outros três atletas eram sul-africanos (Manyonga, Samaai e Visser)!

No feminino, a prova dos nacionais britânicos teve um nível elevadíssimo. Lorraine Ugen venceu e tornou-se campeã britânica, com a nova marca líder mundial do ano de 7.05 metros (+1.2). Ao ar livre, o melhor de Ugen era de 6.92 e em indoor 6.97 metros, pelo que é um enorme recorde pessoal para a atleta britânica que pela primeira vez ultrapassa a barreira dos sete metros, assumindo-se como uma das grandes favoritas às medalhas em Berlim. Na mesma prova, Jazmin Sawyers parece totalmente recuperada da fase menos positiva que ultrapassou e bateu também o seu recorde pessoal, com um salto de 6.86 metros (+0.2) que lhe garante um lugar nos Europeus.

9. Christopher Taylor: agora também nos 100?!

Já aqui falámos muito dele e o que tem feito, principalmente, nos 400 metros (onde é o recordista nacional júnior) torna-o já numa referência para o futuro jamaicano. Mas Taylor parece querer mais e agora, aos 18 anos, correu os 100 metros em 10.11 (+1.1), igualando o recorde nacional júnior de Yohan Blake! As marcas de Taylor são neste momento de 10.11 nos 100 metros, 20.35 nos 200 metros e 44.88 nos 400 metros! O que esperar de um jamaicano de 18 anos que é o actual detentor dos recordes nacionais juniores dos 100 e 400 metros?

Christopher Taylor desde cedo prometeu muito e cada vez mais parece querer provar que todos estavam certos!
Fonte: IAAF

O melhor é aguardar, mas confessamos que estamos muito curiosos para o que irá acontecer dentro de algumas semanas nos Mundiais Sub-20 de Tampere.

10. Os 100 Metros: Liderança Mundial e Europeia repartida

Se na semana passada demos aqui o (merecido) destaque a Lyles, Ronnie Baker continua a apresentar níveis de consistência muito elevados. Foi a Paris igualar a marca de Lyles, correndo em 9.88 (+0.8), baixando mais uma vez o seu recorde pessoal e correndo pela primeira vez abaixo dos 9.90 com vento legal. São três os atletas dos EUA que já correram em 9.8 este ano, algo que não aconteceu nas duas temporadas anteriores. Numa prova bastante rápida em Roma, Jimmy Vicaut também igualou a melhor marca europeia do ano (de Zharnel Hughes) ao correr em 9.91, mostrando mais uma vez argumentos para ser um dos favoritos nos Europeus de Berlim. Por sua vez, Su Bingtian igualou a sua marca de Madrid, recorde chinês, correndo outra vez em 9.91 e Akani Simbine conseguiu um novo season best ao correr em 9.94 segundos.

Foto de Capa: IAAF

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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