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O meeting do Mónaco, pertencente ao circuito Diamond League, voltou a não desiludir. O Stade Louis II presenciou grandes prestações com direito a recordes pessoais, nacionais, do meeting e até recordes mundiais! A Diamond League volta já neste fim-de-semana com a etapa de Londres separada em dois dias com Pablo Pichardo e Nelson Évora em prova no sábado.
O Meeting do Mónaco – Herculis

Fonte: Bola na Rede
Estivemos presentes no Stade Louis II no nosso primeiro meeting Diamond League desta temporada. Cedo deu para perceber porque é que esta paragem é uma das preferidas dos atletas. É verdade que o Mónaco é algo que não é especialmente excitante em termos de entretenimento e variedade.
Sim, cheira a dinheiro por cada rua, mas isso em nada disfarça a atmosfera artificial de um local que de identidade própria muito pouco tem – prova disso é que à entrada do estádio eram dadas bandeiras do Mónaco…francesas…ou italianas para os fãs escolherem! De qualquer forma, o ambiente no estádio em tudo contrasta com essa artificialidade do principado monegasco. Por ali se percebe que o público percebe de Atletismo. Vive cada prova como se fora uma final global e trata os atletas como verdadeiras estrelas.
Claro que tudo isso tem também uma explicação: as bancadas do Estádio Louis II não são cheias por residentes do Mónaco. Na verdade, nas bancadas deu para perceber que existe gente a viajar de todos os pontos do sul de França e até das ilhas e norte italiano.
Pudemos também vislumbrar as bancadas cheias de crianças e adolescentes, sendo que os convites às escolas de Atletismo são um aspeto muito positivo deste meeting. Chegámos a conversar com uma equipa de 18 jovens vinda da ilha italiana da Sardenha! É de realçar a comunhão destes jovens atletas (e futuras estrelas) com as atuais estrelas da modalidade, sabendo os nomes de cada atleta como se de verdadeiros especialistas de Atletismo se tratassem.

Fonte: Bola na Rede
A nível de organização não é, ainda assim, uma organização cinco estrelas (fica atrás de Londres ou Bruxelas, por exemplo). Existiu alguma desorganização na entrada e saída dos espetadores e não existiu atividades fora do estádio para os mais jovens se divertirem (ao contrário do que acontece em várias etapas DL). A organização aproveitou pouco a enorme afluência de jovens, o que poderia até proporcionar momentos únicos para esses fãs – muitos com cartazes pendurados durante os 120 minutos, indo para casa sem qualquer assinatura dos seus ídolos.
Os resultados no Mónaco
Estávamos no lado contrário à bancada de imprensa e tivemos uma menor proximidade com as provas de velocidade curta. Mas conseguimos estar em cima dos acontecimentos no Triplo Salto masculino e no Salto com Vara masculino, que foram duas provas de elevado valor.
No Triplo, a nossa grande curiosidade residia no que poderiam fazer os portugueses Nelson Évora e Pedro Pablo Pichardo. Prova que contava com os norte-americanos Christian Taylor e Will Claye, que vinham dominando os rankings (Claye saltou incríveis 18.14 em Long Beach há poucas semanas).
Évora abriu bem e os seus 17.13 metros são um excelente indicador de que o atleta do Sporting CP se recusa a “acabar”. É um resultado melhor do que qualquer um que fez na temporada passada ao ar livre e é mesmo o seu melhor resultado fora de um evento global (Mundiais/Jogos Olímpicos), ao ar livre, desde 2015! Chegou para o 5º lugar – embora as indicações do salto sejam bem mais optimistas do que essa posição – e viu o benfiquista Pedro Pichardo saltar por 5 vezes acima dos 17 metros, a melhor tentativa a 17.38 metros, o que lhe deixou na 3ª posição. Na frente, a luta foi entre os norte-americanos, como se previa. Claye fez apenas 3 saltos – dois deles a 17,7 – mas com Christian Taylor levou a melhor com a marca de 17.82 metros, estabelecendo um novo recorde do meeting.
No feminino, na noite anterior, a venezuelana Yulimar Rojas voltou a voar para 14.98 metros numa prova na rua, na marina do Mónaco. No também já mencionado concurso do Salto com Vara, grande nível com 7 atletas a passar os 5.82 metros (primeira vez da história ao ar livre) e com a vitória a ir para o polaco Piotr Lisek, ao saltar 6.02 metros. Um novo recorde pessoal, recorde do meeting e nova marca líder mundial (ele já era o líder com 6.01).
Nas provas de velocidade, o veterano, de 37 anos, Justin Gatlin (9.91) bateu Noah Lyles nos 100 metros. A derrota fez com que Lyles tenha decidido focar-se apenas nos 200 metros para os Mundiais deste ano. No feminino Shaunae Miller-Uibo (22.09) venceu nuns 200 metros recheados de estrelas, incluindo a campeã olímpica (Elaine Thompson) e a campeã mundial (Dafne Schippers).
As barreiras foram dominadas pelas norte-americanas. Apesar do mau arranque, Kendra Harrison a terminar fortíssima em 12.43 nos 100 metros barreiras. A jovem Sydney McLaughlin (19 anos) a correr a melhor marca mundial do ano na distância mais longa, ao terminar os 400 em 53.32 segundos.
Algumas provas da noite, estavam, como habitual, previstas para a meia e longa distância e mais uma vez o Mónaco não desapontou.
Nos homens, os 800 metros foram dominados por um fortíssimo Nijel Amos em 1:41.89. Mais uma marca top-10 da história para o atleta do Botswana, que este ano busca a muito aguardada glória de um Ouro global. Os 1.500 voltaram a ter em Timothy Cheruiyot o destaque com mais uma prova abaixo dos 3.30 para o queniano, numa noite em que Jakob Ingebrigtsen voltou a mostrar ter o que é preciso para competir por qualquer medalha em Doha (3:30.47).
Ainda assim, o grande destaque da noite tem que ser dado ao recorde mundial da Milha feminina. Tivemos uma enorme Sifan Hassan a voar, com duas voltas finais sensacionais, terminando em 4:12.33. Uma prova que proporcionou – graças ao ritmo de Hassan – uma série incrível de recordes pessoais e até 3 outros nacionais (além do de Hassan). A holandesa quebrou um recorde que durava há 23 anos, pertencente à russa Svetlana Masterkova.
A fechar a noite, o favorito marroquino Soufiane El Bakkali parecia desconfortável durante grande parte dos 3.000 Obstáculos, mas ainda viria a vencer em 8:04.82. A melhor marca no mundo este ano, numa prova com direito a recorde nacional espanhol (Carro, 8:05.69) e etíope (Wale, 8:05.51).
O Meeting de Londres – Anniversary Games
No próximo fim-de-semana voltaremos a marcar presença no meeting anual de Londres. Existe rumores que poderá ser o último ano com dois dias de evento (a IAAF quer reduzir todos os meetings a apenas 90 minutos de transmissão televisiva).
Olhando para as entradas, salta à vista a ausência de grandes nomes norte-americanas na velocidade e barreiras (onde habitualmente dominam), o que se explica pelo facto do meeting se realizar poucos dias antes dos Nacionais/Trials norte-americanos. Ainda assim, as provas não deverão desapontar com a presença de grandes estrelas internacionais.

Fonte: IAAF
No Triplo, os nossos Évora e Pichardo voltam a entrar em prova. Defrontam o campeão olímpico e mundial, Christian Taylor, naquela que poderá ser uma das principais provas de sábado. Nos saltos ainda assistiremos a mais um duelo entre Katerina Stefanidi e Sandi Morris na Vara.
Os 100 metros masculinos poderão dar-nos um cheirinho da real forma de Andre de Grasse e Yohan Blake e se são reais candidatos ao Ouro em Doha. Os 400 femininos dão-nos a reedição de um dos melhores e mais surpreendentes duelos deste ano, com a presença de Salwa Eid Naser e Aminatou Seyni, depois dos 49.17/49.19 deste ano em Lausanne.
Nos 800 metros, Nijel Amos quererá repetir a fabulosa marca do Mónaco. Mas em Londres terá que derrotar Emmanuel Korir, embora o queniano ainda não tenha este ano atingido os níveis de 2018 (1:42.05 aqui, em Londres). Expectativa também para os 1.500 femininos, onde a estrela local, Laura Muir, tentará derrotar a campeã mundial, a queniana Faith Kipyegon.

Fonte: Anniversary Games
No domingo, duas esperadas provas de saltos voltam a ter lugar. Se na Altura masculina todas as atenções estarão centradas no regresso aos grandes palcos (depois de grave lesão) de Mutaz Essa Barshim, que irá no final do ano tentar o Ouro nos Mundiais em casa; no Comprimento feminino, teremos o duelo entre a campeã mundial e olímpica, a norte-americana Brittney Reese, frente à líder mundial, a germânica Malaika Mihambo (7.07 este ano).
No Lançamento do Disco, muita curiosidade para vermos dois homens que, este ano, já passaram dos 70 metros: o jamaicano Fedrick Dacres e o sueco Daniel Stahl. Vão estar também presentes o campeão mundial (o lituano Andrius Gudzius) e o campeão olímpico (o alemão Christoph Harting).
A velocidade será dominada pelos 100 metros femininos, com Shelly-Ann Fraser-Pryce, Dina Asher-Smith, Ta Lou, Ahouré ou Schippers entre as presentes. Já os 5.000 metros femininos trarão um aguardado duelo entre a holandesa Sifan Hassan (uma semana depois do recorde mundial da Milha) e a campeã mundial, a queniana Hellen Obiri.
O Meeting de Londres terá transmissão na SportTv no Sábado no canal 5 e no Domingo no canal 2, ambos os dias em direto, a partir das 14 horas. Ou depois podem até ver tudo aquilo que se passou no meeting de Londres aqui no Bola na Rede.
Foto de Capa: IAAF Diamond League














