O Ouro de Berlim

Numa nota pessoal, e tendo tido a oportunidade de presenciar ao vivo a conquista de Duplantis em Berlim – no âmbito da cobertura e reportagem para o Bola na Rede – este foi, sem dúvida, um dos momentos que mais me marcaram de uns Campeonatos que foram de elevadíssimo nível. Chegados a esse domingo final, parecia que o melhor dos Campeonatos já nos tinha sido dado. Já tínhamos, por exemplo, visto Dina Asher-Smith a voar para um duplo ouro e marcas líderes mundiais na velocidade, já tínhamos visto o jovem Ingebrigtsen fazer história com a dupla conquista nos 1.500 e 5.000 com apenas 17 anos e as discussões centravam-se em qual desses dois atletas deveria ser considerado “o” atleta dos Europeus. Poucos estavam preparados para o que estava para vir.

Berlim 2018: Um momento que Duplantis nunca esquecerá
Fonte: European Athletics

Não que Armand Duplantis não fosse um dos favoritos. Tal como anteriormente mencionámos, já vinha realizando uma época de altíssimo nível e, como tal, era um dos principais favoritos. Entre eles constariam também nomes como Renaud Lavillenie (o recordista mundial e que cedo no ano já havia reconquistado o título mundial de pista coberta em Birmingham), Piotr Lisek (Prata nos Mundiais de Londres, Bronze em Birmingham), Pawel Wojciechowski (ex-campeão mundial) ou o atleta da casa Raphael Holzdeppe (também um ex-campeão mundial e medalhado olímpico). No entanto, poucos acreditavam que a marca vencedora se situasse na casa dos 6 metros e se tal acontecesse, tal feito apenas parecia ao alcance de um dos presentes: Renaud Lavillenie, que tinha a melhor marca europeia do ano ao momento (5.95). Quando chegámos a essa marca em Berlim (5.95) apenas 2 atletas conseguiram passar a fasquia (Lavillenie e Duplantis, tendo ambos passado à primeira), uma marca que já era um recorde pessoal para o jovem sueco. Acontece que outro jovem (na altura, com 21 anos), o russo Timur Morgunov que havia falhado passar a essa marca, passou à primeira os 6 metros, marca que também Duplantis passou à primeira tentativa, confirmando o concurso como um dos melhores da história. Lavillenie não passou a 6 metros, ficando com o Bronze e não conseguindo o seu 4º Ouro em Europeus. E Morgunov iria para casa com o seu novo incrível recorde pessoal de 6 metros – depois de muito ter ouvido anteriormente que só conseguia grandes marcas em casa (o atleta conquistou também a Diamond League mais tarde, em Zurique). Mas Duplantis ainda tinha mais uma na manga. Os 6 metros já eram um novo recorde mundial júnior. Já tinha igualado (com Morgunov) a marca de Gataullin de há 24 anos, que era o recorde dos campeonatos. Faltava suplantar essa marca e Duplantis saltou mesmo 6.05 metros, novo recorde dos Campeonatos Europeus e um recorde júnior que demorará, provavelmente, décadas até ser batido. A marca coloca Duplantis como o 4º atleta da história a saltar mais alto na Vara, sendo que ao ar livre apenas a lenda Sergey Bubka (com um melhor pessoal de 6.14) saltou mais alto!

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.