O recorde mundial dos 400 metros barreiras tinha 16 anos. Várias vezes falámos da possibilidade do recorde da disciplina estar em risco de cair tanto no masculino como no feminino, coisa que acabou por acontecer. Neste último domingo à noite o recorde feminino foi quebrado.

É curioso que mesmo sendo a campeã olímpica e desde 2016 a 6ª mais rápida de sempre na distância, a norte-americana Dalilah Muhammad não dominava as conversas para a quebra do recorde mundial. Essa honra pertencia à jovem Sydney McLaughlin que parecia destinada a bater o recorde da russa Yulia Pechonkina.

McLaughlin era, à partida da final dos Campeonatos Norte-americanos, a líder mundial de 2019 e aos 19 anos a 9ª mais rápida de sempre na distância com barreiras. É alguém que muitos apontam como a maior promessa do Atletismo mundial feminino e domingo voltou a correr muito rápido (52.88s, na que seria a melhor marca do ano).

Mas quando chegou à meta parecia distante, muito distante de Muhammad. Isto porque Dalilah Muhammad voou fazendo uma corrida que parecia um ‘grito de revolta’, um grito para mostrar “eu estou aqui e sou a campeã olímpica por algum motivo”. Correndo como nunca alguém correu, os seus 52.20s retiraram do livro dos recordes os 52.32s da russa Pechonkina, que foram alcançados em Agosto de 2003, na Rússia.

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Dalilah Muhmmad tentará agora, aos 29 anos, conquistar o que nunca alcançou: o título mundial de séniores! É verdade que foi campeã mundial juvenil em 2007, mas isso não é a mesma coisa. Como sénior, além do título olímpico, foi por duas vezes medalhada de Prata em Mundiais: Moscovo em 2013 e Londres em 2017, perdendo para a compatriota Kori Carter quando era a grande favorita após a vitória nos Trials norte-americanos.

Quanto a Sydney, aos 19 anos, ainda terá com certeza muitas oportunidades de se aproximar ou bater essa marca mundial e também estará em Doha a lutar pelo título mundial.

A expressão de Sydney McLaughlin reflete o que vimos em pista
Fonte: USATF

Na distância mais curta, os 100m barreiras, Kendra Harrison provou estar em excelente forma com 12.44s, com ventos contrários de -1.2. À recordista mundial juntam-se em Doha a campeã olímpica (Brianna McNeal) e Nia Ali (Prata no Rio), um ano depois do nascimento do 2º filho (e o pai é um tal de Andre de Grasse!).

Nos homens, os jovens que dominaram os 110m a nível universitários e líderes no mundo (Grant Holloway e Daniel Roberts) vão mesmo a Doha, mas parecem estar a “perder o gás”, existindo dúvidas de como chegarão aos Mundiais. Ainda assim, faltando 2 meses podem muito bem ainda descansar até lá…nos 400m barreiras foi mais um show de Rai Benjamin em 47.23s, sem oposição.

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.