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No espaço de três anos, a Grã Bretanha teve direito a receber três grandes competições internacionais de Atletismo e, depois dos Mundiais ao ar livre de Londres e de pista coberta em Birmingham, o ciclo encerra com os Europeus de pista coberta em Glasgow, na Escócia.
Apesar de algumas ausências importantes (habituais na pista coberta), o evento contará com a presença de 15 atletas que se sagraram campeões europeus ao ar livre em Berlim no ano passado, pelo que se tivermos em conta o número de evento e as diferenças de distâncias/provas em certos casos, percebe-se que a maioria da elite europeia estará presente.
Através deste Guia de Antevisão iremos dar a conhecer quem são os 13 portugueses que estarão a competir em Glasgow, em que datas e o que poderemos esperar de cada um dos presentes. Iremos também fazer uma pequena antevisão de cada evento, sabendo que no final até poderemos vir a ser ridicularizados, pois muitas previsões revelar-se-ão, com certeza, falhadas.
E há boas notícias: mais uma vez, o Bola na Rede, em colaboração com o Planeta do Atletismo, estará presente numa grande competição internacional e iremos dar-vos conta de tudo o que de mais importante vai acontecer na cidade britânica entre os dias 1 e 3 de Março.
Portugal no evento

Fonte: European Athletics
Portugal participou pela primeira vez no evento em 1973, na sua quarta edição. Ao longo dos anos, o evento tem mudado várias vezes de periodicidade, tendo realizado-se anualmente durante o final da década de 70 e durante a década de 80 e passando a uma periodicidade bianual no início da década de 90. Inicialmente realizado em anos sem grandes competições globais, em 2005 foi a primeira vez que o evento, realizando-se de dois em dois anos, passou a ser realizado em anos ímpares, coincidindo atualmente com os anos de Mundiais ao ar livre.
A primeira medalha portuguesa foi alcançada em 1986 com o Bronze de João Campos nos 3.000 metros e o nosso primeiro Ouro viria a ser alcançado apenas em 1994, com Fernanda Ribeiro na mesma distância. Desde aí, apenas em uma edição (Ghent 2000) não alcançamos uma medalha de Ouro, tendo 12 Ouros nas últimas 12 edições, uma vez que em 1996 tivemos duas portuguesas a subir ao lugar mais alto do pódio. Quanto a medalhas, a última edição em que não alcançámos qualquer medalha remonta a 1992, em Génova.
No que diz respeito aos atletas mais medalhados, Rui Silva lidera no masculino com 3 medalhas de Ouro nos 1.500 metros e 1 de Prata nos 3.000. No feminino, Naide Gomes (no Comprimento) e Fernanda Ribeiro (nos 3.000) alcançaram o mesmo número de medalhas de Ouro (2 vezes ambas). Fernanda Ribeiro ainda alcançou mais uma Prata nos 3.000 e Naide Gomes alcançou uma Prata no Comprimento e uma mais no Pentatlo, o que faz de si a mais condecorada atleta portuguesa neste evento.
Rui Silva é o atleta português (masculino ou feminino) que mais novo alcançou uma medalha, quando se sagrou campeão europeu com 20 anos e 209 dias e Nelson Évora é o atleta mais velho a alcançar uma medalha, com o Ouro de Belgrado a ser conquistado com 32 anos e 319 dias, sendo nossa esperança que aumente ainda mais a idade dessa estatística em Glasgow.

Fonte: Wikicommons
Todas os medalhados:
Masculino
João Campos: 1x Bronze nos 3.000 metros (86)
Carlos Calado: 1x Prata no Comprimento (98)
Rui Silva: 3x Ouro nos 1.500 metros (98, 02, 09) e 1x Prata nos 3.000 metros (00)
Francis Obikwelu: 1x Ouro nos 60 metros (11)
Nelson Évora: 2x Prata no Triplo Salto (15 e 17)
Feminino
Ana Oliveira: 1x Bronze no Triplo Salto (90)
Fernanda Ribeiro: 2x Ouro nos 3.000 metros (94 e 96) e 1x Prata nos 3.000 metros (98)
Carla Sacramento: 1x Ouro nos 1.500 metros (96), 1x Prata nos 3.000 metros (02) e 1x Bronze nos 800 metros (94)
Naide Gomes: 2x Ouro no Comprimento (05 e 07), 1x Prata no Comprimento (11) e 1x Prata no Pentatlo (02)
Sara Moreira: 1x Ouro nos 3.000 metros (13) e 1x Prata nos 3.000 metros (09)
Patrícia Mamona: 1x Prata no Triplo Salto (17)
Os Portugueses em Glasgow
Carlos Nascimento
12/10/94 (24 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: 60 metros
iPB: 6.63 (2016)
SB: 6.69
Ranking em 2019 entre os inscritos: 20º
O ranking pode ser um pouco enganador no caso de Carlos Nascimento, até porque o próprio atleta sente que tem um novo “recorde pessoal” dentro de si. O facto dos 60 metros deste ano estarem tão imprevisíveis pode ser um bónus para Nascimento que, caso consiga, de facto, alcançar um recorde pessoal pode ambicionar, pelo menos, a presença na final e, provavelmente, até algo mais (6.63 chegou para medalha há dois anos). Tem sido o elemento dominante da velocidade portuguesa nos últimos anos e em 2019 tem uma temporada limpa dentro de portas, saindo vencedor nas 9 provas que realizou.
Quando:
Sábado 02/03: 10h30 – Ronda 1 dos 60 metros
Sábado 02/03: 19h20 – Semifinais dos 60 metros (*)
Domingo 03/03: 20h50 – Final dos 60 metros (*)
Ancuiam Lopes
06/03/91 (27 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: 60 metros
iPB: 6.65 (2018)
SB: 6.72
Ranking em 2019 entre os inscritos: 23º
Ancuiam volta a repetir a presença nos Europeus Indoor, depois de o ter feito em 2017, em Belgrado, e apenas surpreendeu os mais desatentos. Portugal tem hoje um alargado grupo de atletas na velocidade, que competem entre si e garantem presença nas mais importantes competições da elite mundial e não deverá faltar muito para que tenhamos que escolher entre vários atletas com mínimos, mesmo que a Federação endureça habitualmente os mínimos das provas de velocidade. Ancuiam correu em Belgrado o mais rápido da sua temporada em 2017 e, caso faça o mesmo em Glasgow, algo de bom pode acontecer.
Quando:
Sábado 02/03: 10h30 – Ronda 1 dos 60 metros
Sábado 02/03: 19h20 – Semifinais dos 60 metros (*)
Domingo 03/03: 20h50 – Final dos 60 metros (*)
Lorene Bazolo
04/05/83 (35 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: 60 metros
iPB: 7.27 (2018)
SB: 7.30
Ranking em 2019 entre as inscritas: 18ª
Quando entrar em palco em Glasgow, Lorene irá alargar ainda mais a idade da atleta portuguesa mais velha a entrar em prova nesta competição, uma vez que já é ela que detém esse registo. Ainda assim, Lorene Bazolo tem a particularidade de ter vindo a melhorar de marcas de ano para ano e ainda no passado bateu o seu recorde pessoal neste evento. Em 2019, anda lá muito perto e confessa ser esse um dos objetivos. Passar às meias-finais será outro objetivo, que deverá ser cumprido e depois o que conseguir será bónus. Certamente que vontade não falta a uma atleta que se adaptou incrivelmente bem a um país que a acolheu já em fase adiantada da sua carreira, sendo hoje um dos elementos fundamentais da comitiva portuguesa.
Quando:
Sábado 02/03: 11h13 – Ronda 1 dos 60 metros
Sábado 02/03: 18h50 – Semifinais dos 60 metros (*)
Domingo 03/03: 20h35 – Final dos 60 metros (*)
Cátia Azevedo

Fonte: FPA
09/03/94 (24 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: 400/800 metros
iPB: 53.13 (2018) / 2:05.96 (2019)
SB: 53.53 / 2:05.96
Ranking em 2019 entre as inscritas: 30ª nos 400 / 24ª nos 800
Estava difícil para Cátia Azevedo conseguir o que muitos (incluindo a própria) pensavam que fossem conseguir mais cedo, mas depois veio a recompensa a dobrar! Não só conseguiu os mínimos para a sua prova de eleição – os 400 metros – como ainda recebeu um convite para participar nos 800 metros! Convite merecido, diga-se, pois Cátia este ano já bateu o seu recorde pessoal da distância em ambiente indoor. Para quem, anteriormente, já confessou não se sentir muito confortável em pista coberta, Cátia Azevedo começa a ser uma presença habitual na comitiva e desta feita até será a única a participar em dois eventos. Em Glasgow, o objetivo será andar próximo ou melhorar os seus recordes pessoais, com ambas as primeiras rondas previstas para a primeira manhã da competição.
Sexta 01/03: 11h10 – Ronda 1 dos 800 metros
Sexta 01/03: 13h – Ronda 1 dos 400 metros
Sexta 01/03: 20h36 – Semifinais dos 400 metros (*)
Sábado 02/03: 18h06 – Semifinais dos 800 metros (*)
Sábado 02/03: 20h10 – Final dos 400 metros (*)
Domingo 03/03: 19h18 – Final dos 800 metros (*)
Paulo Rosário
21/04/94 (24 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: 1.500 metros
iPB: 3:43.37 (2019)
SB: 3:43.37
Ranking em 2019 entre os inscritos: 23º
Numa louca noite a 6 de Fevereiro, Portugal colocou dois atletas nos Europeus e na mesma disciplina. Enquanto Rolim reunia atenções em Karlsruhe, Paulo Rosário corria um centésimo de segundo mais rápido do que ele, em Sabadell. A marca continua a ser a líder nacional em 2019 e Paulo Rosário até viria a bater Emanuel Rolim na final do Nacional de Clubes há pouco mais de uma semana, em Braga. A fome de vencer do atleta é enorme, como o mesmo não faz questão de esconder nas redes sociais e isso é um ótimo sinal de que quer mais e irá fazer por isso. Glasgow poderá ser uma bela montra inicial para uma temporada ao ar livre onde deverá mostrar ainda mais, depois de, neste ano, já ter batido os recordes pessoais nos 800 e nos 1500 metros em pista coberta.
Quando:
Sexta 01/03: 11h55 – Ronda 1 dos 1.500 metros
Domingo 03/03: 20h01 – Final dos 1.500 metros (*)
Emanuel Rolim
10/01/93 (26 anos)
Clube: SL Benfica
Disciplina: 1.500 metros
iPB: 3:41.77 (2016)
SB: 3:43.38
Ranking em 2019 entre os inscritos: 24º
Já mais habituado a estas andanças, Emanuel Rolim teve uma fantástica oportunidade no meeting da IAAF em Karlsruhe. Agarrou-a ao correr com marca de qualificação para estes campeonatos e em Glasgow repete a presença de Belgrado, tendo a oportunidade de mostrar que veio mais forte ainda depois de mais uma importante experiência internacional que teve, ao estagiar, no início deste ano, na casa dos campeões, em Iten, no Quénia (onde já tinha estado antes). Depois de um 2018 um pouco ausente ao ar livre, o que já fez em pista coberta permite prever que irá recuperar ao ar livre aquilo a que nos habituou.
Quando:
Sexta 01/03: 11h55 – Ronda 1 dos 1.500 metros
Domingo 03/03: 20h01 – Final dos 1.500 metros (*)
Rasul Dabó
14/02/89 (30 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: 60 metros com barreiras
iPB: 7.66 (2014)
SB: 7.77 (2019)
Ranking em 2019 entre os inscritos: 19º
Uma das belas surpresas daquelas chamadas “Jornadas Técnicas” do Jamor, tendo corrido em marca de qualificação para Glasgow no último momento possível para a obtenção desses mínimos. Foi o último português a conseguir a qualificação e fê-lo com a preciosa ajuda de um rival! No Jamor, o atleta brasileiro João Vítor Oliveira (do Benfica) correu ao lado de Rasul com o objetivo de ajudá-lo na sua qualificação para os Europeus e ambos fizeram uma prova rapidíssima, com o brasileiro a atingir 7.71, em novo recorde pessoal. Vai a Glasgow com muita experiência na bagagem, mas desde 2014 que não participava num campeonato de tamanha envergadura. Caso se consiga aproximar da sua melhor marca pessoal, a presença nas meias-finais está já ali.
Quando:
Sábado 02/03: 11h57 – Ronda 1 dos 60 metros com barreiras
Domingo 03/03: 11h05 – Semifinais dos 60 metros com barreiras (*)
Domingo 03/03: 18h10 – Final dos 60 metros com barreiras (*)
Olímpia Barbosa
28/05/95 (24 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: 60 metros com barreiras
iPB: 8.20 (2019)
SB: 8.20
Ranking em 2019 entre as inscritas: 25ª
Minutos antes de Rasul, foi a vez de Olímpia também alcançar mínimos no Jamor, ao alcançar um novo recorde pessoal na disciplina, em 8.20 segundos, ainda mais meritórios por ter corrido praticamente sozinha. A vitória de Olímpia é a presença em Glasgow, muito ameaçada ao longo de uma excelente temporada em pista coberta e arrancada a ferros no último momento possível e mesmo com os 8.20 que eram exigidos pela Federação Portuguesa (mínimos mais exigentes que os da Associação Europeia). Esperamos que este seja o ponto de partida para que a temporada ao ar livre também venha a ser a melhor da sua carreira, numa disciplina que bem precisamos! Em Glasgow, aproveitando a oportunidade de correr com a elite, pode ambicionar um novo recorde pessoal.
Quando:
Sábado 02/03: 12h31 – Ronda 1 dos 60 metros com barreiras
Domingo 03/03: 11h25 – Semifinais dos 60 metros com barreiras (*)
Domingo 03/03: 18h25 – Final dos 60 metros com barreiras (*)
Nelson Évora
20/04/84 (34 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: Triplo Salto
iPB: 17.40m (2018)
SB: 16.77m
Ranking em 2019 entre os inscritos: 4º
É o atual bicampeão europeu em pista coberta e o campeão europeu ao ar livre. Não há razões para não ser considerado o grande favorito ao Ouro, mesmo que para já não tenha voado ainda muito em 2019, uma vez que ele sempre nos habituou que sabe quais são os melhores palcos para os maiores voos. Caso conquiste o Ouro, igualará Rui Silva como o atleta masculino com mais medalhas de Ouro em Europeus de Pista Coberta e terá a particularidade de ter conquistado todas essas medalhas acima dos 30 anos, o que demonstra uma excelente longevidade, ainda para mais se considerarmos todo o calvário de lesões pelo qual passou. A sua carreira ensinou-nos que duvidar de Nelson Évora não é uma atitude muito inteligente e nós não duvidamos nada que está preparado para mais um grande desafio.
Quando:
Sexta 01/03: 20h25 – Qualificação do Triplo Salto
Domingo 03/03: 19h35 – Final do Triplo Salto (*)
Patrícia Mamona

Fonte: FPA
21/11/88 (30 anos)
Clube: Sporting CP
Disciplina: Triplo Salto
iPB: 14.44m (2019)
SB: 14.44m
Ranking em 2019 entre as inscritas: 3ª
Depois de um 2018 muito marcado por uma lesão mais complicada do que se previa, Patrícia Mamona voltou com tudo em 2019. Tendo já saltado mais vezes acima dos 14 metros do que em todo o ano anterior, já bateu por duas vezes o seu recorde pessoal em pista coberta e fez um nulo gigante em Dusseldorf na semana passada, que provavelmente até lhe daria um recorde absoluto (indoor/outdoor). Uma medalha está ao seu alcance e de qualquer cor. Existe um conjunto de 5/6 atletas que estão muito igualadas neste momento e um salto excecional de qualquer uma delas pode decidir quem leva a mais ambicionada das medalhas. Há dois anos conquistou a Prata e agora quererá conquistar a mesma medalha que já conquistou em Amesterdão ao ar livre.
Quando:
Sexta 01/03: 12h – Qualificação do Triplo Salto
Domingo 03/03: 10h – Final do Triplo Salto (*)
Susana Costa
22/09/84 (34 anos)
Academia Fernanda Ribeiro
Disciplina: Triplo Salto
iPB: 14.13m (2019)
SB: 14.13m
Ranking em 2019 entre as inscritas: 7ª
A fiabilidade de Susana Costa tem sido uma das maiores certezas na última década do atletismo nacional. Presença contínua em grandes competições, surpreendente será se não virmos Susana ao lado de Mamona na final do Triplo, repetindo a dupla presença portuguesa. À sua consistência tem-se aliado uma constante evolução e ainda este ano, aos 34 anos, alcançou um novo recorde pessoal em pista coberta, o que demonstra que ainda tem mais dentro de si. Irá a Glasgow procurar melhorar o 7º lugar de Belgrado.
Quando:
Sexta 01/03: 12h – Qualificação do Triplo Salto
Domingo 03/03: 10h – Final do Triplo Salto (*)
Francisco Belo

Fonte: FPA
27/03/91 (27 anos)
SL Benfica
Disciplina: Lançamento do Peso
iPB: 20.90m (2019)
SB: 20.90m
Ranking em 2019 entre os inscritos: 7º
Tem sido o atleta português, no masculino, em maior destaque nesta temporada de pista coberta. Uma série de bons resultados de Belo, com marcas acima dos 20 metros, culminaram – para já – no seu novo recorde pessoal absoluto, sendo que até se sagrou campeão nacional pela primeira vez no Peso, ao bater surpreendentemente Tsanko Arnaudov em Leiria. Neste momento encontra-se no top 8 dos presentes, o que o coloca em muito boa posição para Glasgow, caso repita uma marca semelhante ao seu melhor. Nos seus maiores sonhos estará repetir a glória que alcançou nos Jogos Universitários de há dois anos.
Quando:
Sexta 01/03: 11h30 – Qualificação do Lançamento do Peso
Sexta 01/03: 20h35 – Final do Lançamento do Peso (*)
Tsanko Arnaudov
14/03/92 (26 anos)
SL Benfica
Disciplina: Lançamento do Peso
iPB: 21.27m
SB: 20.21m
Ranking em 2019 entre os inscritos: 13º
É o grande nome do Peso a nível nacional e parece ter agora uma concorrência mais apertada de Belo. De qualquer forma, mais uma vez, Tsanko não falhou no seu grande objetivo, até ao momento, da temporada e cedo se qualificou para estes campeonatos. Sabe que se se aproximar do seu recorde pessoal e entrar em território dos 21 metros poderá ser candidato a tudo em Glasgow. E quando dizemos tudo é mesmo isso que queremos dizer. É que, em 2019, apenas 1 atleta dos presentes lançou mais longe do que o melhor pessoal de Tsanko e fê-lo por apenas 5 centímetros. Acreditamos que teremos dois portugueses na final do Peso e aí Tsanko tem contas a ajustar com a história, depois de há dois anos ter sido 4º (e acima dos 21 metros).
Quando:
Sexta 01/03: 11h30 – Qualificação do Lançamento do Peso
Sexta 01/03: 20h35 – Final do Lançamento do Peso (*)
(*) Caso apurado(a)
As disciplinas
60 metros (m): Tem sido um clássico nos últimos anos: muitos dos grandes nomes europeus da velocidade decidem não participar nos grandes campeonatos de pista coberta. Em 2019, a situação parece agravar-se, com apenas 3 atletas a entrar na casa dos 6.5 e para fazer um tempo de 6.55 ou abaixo – o tempo menos rápido dos últimos 10 Ouros do evento – 47 dos 48 atletas teriam que correr um recorde pessoal ou igualar no caso de Emre Zafer Barnes (TUR). Barnes é um atleta nascido na Jamaica, naturalizado turco em 2015, já com 27 anos à data. Apesar da sua pouca regularidade em pista coberta, tem mantido os bons tempos e este ano correu esse tal recorde pessoal de 6.55, sendo um dos favoritos. O único atleta que já correu abaixou dessa marca na carreira é Richard Kilty (GBR), o campeão de 2015 e 2017 e que participa aqui a convite da Associação Europeia, depois de ter sido surpreendentemente deixado para trás pela Federação Inglesa. Ainda assim deverá ser um dos favoritos, juntamente com Jan Volko (SVK), que já foi Prata em Belgrado e 6º nos Mundiais de Birmingham do ano passado. Numa prova muito em aberto, destaque ainda para um jovem que tem feito sensação na Alemanha: com apenas 20 anos, Kevin Kranz já correu em 6.56, sagrou-se campeão nacional e deverá ser um nome a ter em conta.
A nossa aposta: Jan Volko (SVK)
60 metros (f): Existem 4 nomes que centram todas as atenções e será difícil que a vencedora não saia daí. Ewa Swoboda (POL) foi até há bem pouco tempo a líder mundial (até Ta Lou ter disparado como uma bala em Dusseldorf) e continua a ser a líder europeia (igualada) e a favorita, com 7 corridas em 7.1 e uma em 7.08 nesta temporada. Ainda assim terá que enfrentar a atual campeã, Asha Philip (GBR), que em Belgrado correu mais rápido (7.06) do que Swoboda alguma vez correu na sua carreira. Ainda que Philip ainda não tenha baixado dos 7.1, já mostrou boa forma, como com a vitória em Dortmund, com uma marca de 7.12 segundos. Mais para trás parece estar Dafne Schippers (NED), a campeã em 2015, que um dia já correu a distância em 7.00, mas que parece estar muito longe desses dias, com o melhor da temporada a não baixar dos 7.18 segundos. No lote de favoritas temos que obrigatoriamente incluir também Mujinga Kambundji (SWI). A suíça foi 3ª nos Mundiais de Birmingham do ano passado e partilha a liderança do ranking europeu com Ewa Swoboda depois de uma grande prova nos campeonatos nacionais. Existe ainda um conjunto de atletas (incluindo duas francesas) que podem intrometer-se na luta das medalhas, mas o Ouro deverá mesmo vir deste lote de 4 atletas.
A nossa aposta: Ewa Swoboda (POL)
https://www.youtube.com/watch?v=Aw7e4kHTlc4
400 metros (m): A disciplina (em pista coberta) em 2018 ficou marcada por aquela final dos Mundiais de Birmingham. Oscar Husillos (ESP) parecia um relâmpago, terminando a prova em 44.92 segundos, no que seria um novo recorde europeu. Mas um enorme volte-face viria a desqualificar o espanhol (e não só) por ter percorrido uma pequena distância fora do seu corredor e a vitória nos Mundiais iria para Pavel Maslak (CZE) mais uma vez. O checo é um verdadeiro especialista em pista coberta, tendo vencido os 3 últimos Mundiais e os 3 últimos Europeus e impossível de excluir do lote de favoritos. A luta parecia ser entre os dois em Glasgow, uma vez que eram os únicos dois atletas inscritos a entrar na casa dos 45 segundos na sua carreira. No entanto, com grande surpresa, na passada quinta-feira, Karsten Warholm (NOR) anunciou a sua presença em Glasgow e assim tudo mudou. Warholm – que é campeão mundial ao ar livre na distância com barreiras – é o líder europeu do ano (45.56), mas tinha anunciado previamente que não iria participar nos Europeus para não prejudicar a sua preparação para o ar livre. Inesperadamente, utilizou as redes sociais para fazer um anúncio, no mínimo, bastante original, garantindo a sua presença nos Europeus. Se os 3 se apresentarem na melhor forma, é provável que o recorde europeu de Thomas Schönlebe (45.05), que dura há mais de 31 anos, esteja em sério risco.
A nossa aposta: Karsten Warholm (NOR)

Fonte: IAAF
400 metros (f): O ranking mundial é dominado por duas polacas que estiveram presentes nos Europeus de Berlim ao ar livre, com resultados muito positivos. Iga Baumgart-Witan é a única a ter corrido nesta temporada abaixo dos 52 segundos em pista coberta, sendo que foi 5ª na final de Berlim ao ar livre, com um recorde pessoal. Já a 2ª do ranking europeu é a campeã europeia de Berlim, Justyna Święty-Ersetic, ela que já foi ao pódio (3ª) em pista coberta, há dois anos, em Belgrado. Será muito difícil bater as polacas, mas as britânicas poderão ter algo a dizer, com a experiente Eilidh Doyle (Bronze nos Mundiais do ano passado à frente de Święty-Ersetic) e Zoey Clark, também finalista nos Mundiais de Birmingham, a terem altas expetativas para uns campeonatos que decorrem em casa. Atenção ainda à suíça Lea Sprunger, a campeã europeia ao ar livre da distância com barreiras e que em Belgrado já ficou próxima do pódio nesta disciplina (5ª).
A nossa aposta: Justyna Święty-Ersetic (POL)
800 metros (m): Um dos principais favoritos, o espanhol Saul Ordoñez, Bronze em Birmngham, acabou por confirmar esta semana que apenas irá participar nos 1.500 metros. Assim sendo, Álvaro de Arriba será a maior esperança espanhola para o Ouro de Glasgow. Arriba foi 5º nos Mundiais de Birmingham e Bronze em Belgrado há dois anos e é um dos atletas que já correu em 1:46 este ano, mostrando boa forma. O nosso conhecido Marcin Lewandowski poderá ser um dos favoritos, caso opte por fazer a distância, embora nos últimos anos se tenha centrado mais na distância mais longa, tendo sido Prata nos 1.500 dos Mundiais de Birmingham e Ouro na mesma distância em Belgrado. Nomes como Thijmen Kupers (NED) ou Guy Learmonth (GBR) podem entrar na disputa, mas sem Adam Kszczot por cá, quem não podemos mesmo retirar da equação é o jovem Andreas Kramer (GER), que foi Prata ao ar livre no ano passado e é o atleta com melhor marca nesta temporada entre os inscritos.
A nossa aposta: Andreas Kramer (GER)
800 metros (f): As duas líderes do ranking europeu (Muir e Ennaoui) escolheram participar em diferentes distâncias, pelo que a expectativa é que este seja um evento muito em aberto em Glasgow. As duas primeiras classificadas em Belgrado – Selina Büchel e Oskan-Clarke – são, provavelmente, as duas grandes favoritas e se Büchel (SUI) tem a melhor marca do ano e o título europeu para apresentar como cartão de visita, Oskan-Clarke (GBR) foi Bronze nos Mundiais do ano passado e correrá em solo britânico, em casa, onde se dá habitualmente bem. A equipa britânica é, aliás, toda ela forte e todas as presentes podem ter um lugar na final. Em França e Espanha também se pensa em medalhas, com nomes como Renelle Lamote (FRA) e Esther Guerrero (ESP) em destaque neste início de ano.
A nossa aposta: Shelayna Oskan-Clarke (GBR)
1.500 metros (m): Um elenco fortíssimo que promete uma prova rápida que até pode ameaçar o recorde europeu (do espanhol Andres Diaz, 3:33.32) que dura há 20 anos. O favorito é o norueguês Jakob Ingebritgsen, que é o novo recordista mundial júnior e que em Berlim dobrou distâncias para ser campeão ao ar livre nos 1.500 e 5.000. Em prova terá a companhia do seu irmão Filip e do campeão em Belgrado, Marcin Lewandowksi (POL), que foi Prata em Bimingham nesta distância. O já falado Saúl Ordoñez (ESP) irá também procurar entrar em lugares do pódio, agora que aposta numa distância mais longa e o medalhado de Prata em Belgrado, Kalle Berglund (SWE) irá também estar por Glasgow.
A nossa aposta: Jakob Ingebrigtsen (NOR)
1.500 metros (f): Depois de ter sido dupla medalhada nos Mundiais de Birmingham e a competir literalmente em casa (Muir é escocesa), Laura Muir (GBR) é a favorita para conquistar o Ouro nas duas distâncias mais longas dos campeonatos. Este ano já mostrou boa forma, com o recorde nacional (e 2ª melhor marca europeia da história) na Milha, mas terá que derrotar a jovem Konstanze Klosterhalfen (GER) que também está em excelente forma num duelo que pode ser mais emocionante e equilibrado do que muitos preveem (Klosterhalfen foi Prata há dois anos, já correu em 4:02 este ano e bateu o seu recorde pessoal em outras 3 distâncias indoor – Milha, 3.000 e 5.000). Sofia Ennaoui (POL) surpreendentemente escolheu apenas a prova de 1.500 (seria, talvez, a favorita nos 800 metros) e pode muito bem entrar no pódio em Glasgow, embora seja difícil chegar aos dois primeiros lugares.
A nossa aposta: Laura Muir (GBR)
3.000 metros (m): Jakob Ingebrigtsen irá dobrar distâncias. Em condições normais, não estaríamos a falar de Jakob por aqui. Afinal o seu recorde pessoal de 7:56.74 é mesmo um dos piores em prova e ainda não fez esta distância este ano. Acontece que no ano passado sagrou-se campeão europeu ao ar livre nos 1.500 e…nos 5.000 metros, portanto é difícil não olhar para ele como um dos favoritos. O calendário não parece NADA favorável a dobrar distâncias, com as eliminatórias das duas provas a ocorrem na Sexta de manhã, uma imediatamente a seguir à outra (a final dos 3.000 é sábado e dos 1.500 domingo), mas o norueguês já afirmou que vai a Glasgow para a dupla glória. Além de Filip, também o seu irmão Henrik estará presente nesta prova, que contará ainda com um forte elenco britânico, que inclui Andrew Butchart (o mais rápido este ano entre os inscritos) e Chris O’Hare. Já os espanhóis sofreram duas enormes baixas nas últimas semanas: o campeão de Belgrado, Adel Mechaal, entendeu que não se encontrava nas melhores condições físicas (apesar de…ser o líder europeu!) e Toni Abadia (o 2º mais rápido entre os inscritos) lesionou-se na passada sexta-feira.
A nossa aposta: Jakob Ingebrigtsen
3.000 metros (f): Tal como acontece no masculino, também aqui Laura Muir (GBR) irá dobrar distâncias e tentar o duplo Ouro em casa. Mais habituada a situações do género – no ano passado fez o mesmo em Birmingham –, a atleta não tem que passar por eliminatórias de 3.000 metros, pois existem menos atletas em prova que na prova masculina, o que dita uma final direta. Ainda assim na primeira noite do evento, correrá a qualificação dos 1.500 e a final dos 3.000, o que pode não ser uma tarefa fácil, com duas horas de diferença entre provas. Tem a vantagem da sua maior rival, Konstanze Klosterhalfen (GER), estar exatamente na mesma condição, dobrando distâncias, sendo que a jovem alemã tem, até ao momento, por larga margem, a melhor marca mundial do ano. A ausência de Sifan Hassan em ambas as distâncias sente-se, mas a atleta decidiu priorizar os Mundiais de Corta-Mato que decorrem no final do mês. A luta pela outra medalha deverá ser muito em aberto, com várias atletas com legítimas aspirações, incluindo as britânicas Melissa Courtney e Eilish McColgan (Bronze em Belgrado, Prata em Berlim nos 5.000). Do lado alemão também não é apenas Klosterhalfen que está em grande forma e outra jovem, Alina Reh (GER), também pode entrar num pódio que pode pertencer todo a estas duas nações.
A nossa aposta: Laura Muir (GBR)

Fonte: European Athletics
60 metros com barreiras (m): O campeão mundial e europeu, Andy Pozzi (GBR), estará por Glasgow, incluído surpreendentemente na lista britânica depois de pouco ter competido nesta temporada, por lesão. Não parece que a sua forma atual seja o suficiente para repetir o título de Belgrado e isso pode abrir portas a quem foi Ouro em Praga, Prata em Belgrado e viria a vencer ao ar livre (110 com barreiras) em Berlim, Pascal Martinot-Lagarde (FRA). Já correu em 7.52 nesta temporada, tal como Milan Trajkovic (CYP), outro candidato às medalhas nestes campeonatos. Um outro atleta que deve entrar na disputa é Aurel Manga (FRA), que foi Bronze nos Mundiais de Birmingham do ano passado, mas o grande favorito parece ser Orlando Ortega (ESP). O espanhol, que foi Prata olímpico (nos 110m barreiras) no Rio, não tem qualquer medalha em pista coberta, mas é o líder europeu do ano e não deverá desperdiçar a oportunidade de conquistar o Ouro em Glasgow.
A nossa aposta: Orlando Ortega (ESP)
60 metros com barreiras (f): Um incrível número de 8 atletas já baixaram dos 8 segundos nesta temporada, o que fará desta uma das provas com o nível mais elevado em Glasgow. Todos os grandes nomes europeus estarão presentes, incluindo o pódio de Belgrado e Berlim (ar livre, distância de 100 metros). Pamela Dutkiewicz (GER) é a líder europeia (7.89) e pode ter algum favoritismo, embora a sua compatriota Cindy Roleder (GER) esteja bem próxima (7.91) e seja a atual campeã em título. Da Bielorrússia, Alina Talay (BLR) parece recuperada da lesão e terá ao seu lado a jovem compatriota, campeã europeia ao ar livre, Elvira Herman (BLR). Nadine Visser (NED) foi Bronze nos Mundiais de Birmingham e também é um nome a ter em conta. Como outsider poderemos ter a jovem de 20 anos polaca, Klaudia Siciarz, que baixou dos 8 segundos em Torun, nos Nacionais.
A nossa aposta: Pamela Dutkiewicz (GER)
4×400 (m): Em Birmingham, os polacos surpreenderam o mundo ao bater os favoritos norte-americanos e com um novo recorde mundial. 3 dos 4 elementos que correram essa final estarão em Glasgow, então poderemos contar com um sério ataque ao Ouro, depois de já terem vencido este Ouro há dois anos. Enfrentarão, no entanto, uma dura concorrência belga. Os belgas trazem uma equipa similar à que correu para o Bronze nos Mundiais Indoor de Birmingham, mas também que viria a correr para o Ouro ao ar livre em Berlim. Os irmãos Borlée e Jonathan Sacoor prepararam de tal forma esta prova, que nem sequer estarão presentes em qualquer prova individual e irão a Glasgow só para as estafetas! Britânicos e espanhóis serão também candidatos aos lugares do pódio.
A nossa aposta: Bélgica
4×400 (f): O domínio da Polónia nos últimos anos tem sido tão grande que é difícil pensar em qualquer outro desfecho para esta prova. Campeãs ao ar livre e em pista coberta, medalhadas de Prata a nível mundial e, habitualmente, com vantagens confortáveis para quem vem atrás. Com uma equipa composta por várias integrantes dessas prévias finais, as polacas terão como principais concorrentes uma forte equipa britânica, que junta Laviai Nielsen (que incrivelmente falhou a qualificação individual) aos nomes presentes nos 400 metros. Para o terceiro lugar deverá ser uma luta mais aberta do que o habitual, pois a França não traz uma seleção tão forte quanto habitualmente e poderemos ter equipas como a Suíça a entrar em posição de medalha.
A nossa aposta: Polónia
Salto em Altura (m): O regresso ao mais alto nível de Gianmarco Tamberi (ITA) é um enorme motivo de interesse e uma bela notícia para o Atletismo. O italiano é mesmo o líder europeu do ano (2.32m) e pode sair de Glasgow com o Ouro, ele que, curiosamente, nunca venceu continentalmente em pista coberta, mas que já conquistou o Ouro em Mundiais! Numa prova bastante em aberto – verdade seja dita que o nível não tem sido excecional na Europa – qualquer cenário pode ser esperado, sendo que o campeão de há dois anos está cá – Sylwester Bednarek (POL) – assim como o campeão ao ar livre, Mateusz Przybylko (GER). O ucraniano Andrii Protsenko poderá também ter uma palavra a dizer.
A nossa aposta: Gianmarco Tamberi (ITA)
Salto em Altura (f): Depois do regresso da ausência forçada (castigo aos russos) de Mariya Lasitskene (RUS), não é, de todo, inteligente apostar contra a russa, que tem dominado por completo a disciplina a nível mundial (líder com 2.02m). Lasitskene parece jogar num campeonato completamente diferente e provavelmente terminará a última noite dos campeonatos sozinha a tentar bater algum recorde. Ainda assim, o nível tem estado elevado na disciplina e outras 6 atletas já saltaram a, pelo menos, 1.97 metros este ano. Yuliya Levchenko (UKR) já passou dos 2 metros e poderá ser a maior ameaça à russa, sendo que a sua compatriota Kateryna Tabashnyk (UKR) é outra forte candidata. A campeã de 2017 (a lituana Airinė Palšytė) terá uma palavra a dizer, bem como a jovem britânica Morgan Lake, que há poucos dias igualou o recorde nacional indoor de 1.97 metros. Por último, atenção às italianas! Nenhuma delas ainda saltou muito este ano, mas Alessia Trost foi Bronze nos Mundiais de Birimingham do ano passado e Elena Vallortigara foi uma das maiores surpresas ao ar livre da temporada passada, chegando aos 2.02 metros em Londres.
A nossa aposta: Mariya Lasitskene (RUS)
Salto com Vara (m): Ainda que com fortes ausências, pode ser o evento de saltos masculinos com o nível mais elevado a nível de marca vencedora, muito graças à presença do atual líder mundial, Piotr Lisek (POL), que já saltou em 5.93 metros este ano. O polaco é o atual campeão europeu e foi Bronze em Birmingham, entrando em Glasgow como o claro favorito, face às ausências de Lavillenie (lesionado) e Duplantis (a meio da época universitária). As maiores ameaças a Lisek poderão vir dos mesmos medalhados de há dois anos, que incluem o seu compatriota Paweł Wojciechowski (Bronze em Belgrado) e o grego Konstadinos Filippidis (Prata em Belgrado). Outro grego, o jovem Emmanouíl Karalís pode entrar na luta das medalhas, assim como o sueco Svärd Jacobsson (o 2º este ano, entre os presentes).
A nossa aposta: Piotr Lisek (POL)
Salto com Vara (f): A campeã europeia em pista coberta e ao ar livre, a grega Katerina Stefanidi, parece estar longe da sua melhor forma (4.74m), encontrando-se a 17 centímetros da líder europeia! Ainda assim, nunca é bom excluir Stefanidi à partida, pois já sabemos como ela gosta de se agigantar em grandes competições. Terá, em Glasgow, que bater aquela que é a mulher que mais saltou nesta temporada em todo o mundo, a russa Anzhelika Sidorova. Sidorova, que foi a campeã há 4 anos em Praga, alcançou a Prata nos Mundiais de Birmingham e parece em grande forma ao já ter ultrapassado os 4.91 metros. Não podemos retirar da luta das medalhas duas atletas que mostraram grande forma no meeting de Birmingham na semana passada, saltando ambas a 4.81 metros: a britânica, ex-campeã, Holly Bradshaw e a experiente grega Nikoléta Kiriakopoúlou. A sueca Angelica Bengtsson alcançou um grande recorde pessoal (e nacional) no passado fim-de-semana em França (também a 4.81m) e chegará motivada.
A nossa aposta: Anzhelika Sidorova (RUS)
Salto em Comprimento (m): Apenas 4 atletas presentes saltaram acima dos 8 metros nesta temporada indoor e apenas um deles o fez acima de 8.08 metros, o que não antecipa grandes marcas para entrada no pódio em Glasgow, tal como já aconteceu em Belgrado. E também significa que muito está em aberto. O favorito é, claramente, o grego Miltiádis Tentóglou, que alcançou um novo recorde pessoal em pista coberta há poucas semanas em Madrid, ao saltar 8.23 metros. Tentoglou foi o campeão ao ar livre em Berlim no verão passado e deverá confirmar o seu domínio europeu neste final de semana. É muito incerto prever quem serão os outros atletas do pódio, mas quem já passou a barreiras dos 8 metros este ano foi o francês Jean-Pierre Bertrand, o italiano Lamont Marcell Jacobs e o jovem sueco Thobias Nillson Montler, sendo que Eusebio Cáceres (ESP) e Serhii Nykyforov (Bronze em Belgrado e Berlim) podem também entrar na discussão. O campeão de Belgrado, Izmir Smajlaj (ALB), estará presente, mas ainda não passou dos 7.77 nesta temporada.
A nossa aposta: Miltiádis Tentóglou (GRE)
Salto em Comprimento (f): Malaika Mihambo (GER) e Ivana Spanovic (SRB) são as únicas a saltar em 6.9 nesta temporada e são, não só por isso, as grandes favoritas ao Ouro em Glasgow. Mihambo (que já saltou 6.99 este ano) foi a campeã europeia ao ar livre do ano passado, numa competição em que Spanovic não pôde competir por lesão. Já a sérvia (com 6.92 nesta temporada) é a atual bicampeã europeia em pista coberta e também conquistou o título mundial em Birmingham no ano passado. O embate deve ferver e o Ouro deve ser decidido entre elas, mas, para além desses dois nomes grandes, Jazmyn Sawyers (GBR), Maryna Bekh-Romanchuk (UKR) – prata ao ar livre em Berlim –, Alina Rotaru (ROU) e a experiente Éloyse Lesueur-Aymonin (FRA) – ex-campeã mundial em pista coberta – deverão entrar na discussão das medalhas.
A nossa aposta: Ivana Spanovic (SRB)
Triplo Salto (m): O Triplo segue a tendência das outras disciplinas de saltos no masculino e uma tendência recente na disciplina a nível europeu ao termos 0 atletas acima dos 17 metros nesta temporada. Para se ter uma ideia, nas últimas 10 edições do Triplo tivemos 30 medalhados, em que desses 30, apenas 2 medalhados (de Bronze) não chegaram aos 17 metros. Nas últimas 23 (!) edições, só por uma vez não foi preciso chegar a essa marca para alcançar o Ouro e a última vez que uma Prata foi conseguida abaixo dos 17 metros foi em 1996, há 23 anos. Com tanta incerteza, preferimos centrar-nos no histórico dos atletas e Nelson Évora é o atleta que tem que ser considerado favorito. Não só é o atual bicampeão do evento, como saltou na temporada passada 17.40 metros (recorde nacional em pista coberta) para ser Bronze nos Mundiais, além de ter sido campeão europeu ao ar livre. A tudo isso junta-se o facto de Évora normalmente apresentar os melhores resultados na altura certa, o que nos leva a crer que leva vantagem no favoritismo. O finlandês Simo Lipsanen é o que saltou mais este ano (16.98m) entre os presentes e o líder europeu não estará presente, pois Pichardo ainda não pode representar Portugal. O francês Yoann Rapinier e o alemão Max Heß estarão na luta, numa prova que conta com a particularidade de ter o mais velho atleta em Europeus Indoor, através da presença de Fabrizio Donato (ITA), com 42 anos já completos!
A nossa aposta: Nelson Évora (POR)
Triplo Salto (f): No feminino, o Triplo tem apresentado um nível bastante elevado e Portugal tem também boas chances de trazer algo bom de Glasgow. Os 14.44 metros que Patrícia Mamona saltou em Madrid são um novo recorde nacional indoor, mas na retina fica aquele enorme salto nulo há poucos dias em Dusseldorf. Caso faça um salto válido do género, dificilmente não sai vencedora da cidade escocesa. Em Belgrado, a atleta portuguesa foi Prata, atrás de Kristin Gierisch (GER) e a alemã – que foi Prata ao ar livre em Berlim – é mesmo a que mais saltou nesta temporada entre as atletas presentes, ao tê-lo feito em 14.59, um novo recorde nacional em pista coberta. Ana Peleteiro vem de uma extraordinária temporada de 2018 (Bronze nos Mundiais Indoor de Birmingham e nos Europeus de Berlim) e já saltou muito este ano, com um novo recorde debaixo do teto de 14.51 metros, sendo uma das grandes candidatas. Paraskevi Papahrístou (GRE), que foi a campeã ao ar livre, encontra-se entre as inscritas, mas ainda não competiu este ano, pelo que é uma incógnita o que poderá atingir. O meeting de Madrid, além de Mamona, deu-nos grandes resultados de Rouguy Diallo (FRA) e Kristina Mäkelä (FIN), que podem discutir medalhas e seria imprudente excluir a bastante experiente Olha Saladukha (UKR), que já saltou como não saltava há 5 anos em pista coberta.
A nossa aposta: Ana Peleteiro (ESP)

Fonte: IAAF
Lançamento do Peso (m): O campeão de há 4 anos, em Praga, David Storl (GER), tem estado em grande forma na temporada de pista coberta, sendo o atual líder europeu com um lançamento de 21.32 metros. Há dois anos foi Bronze e, o medalhado de Prata, Tomáš Staněk (CZE) também aqui estará, sendo um dos outros 2 atletas presentes a ter lançado a mais de 21 metros este ano (21.16). São, no papel, os dois favoritos, mas também Bob Bertemes (LUX) parece pronto para a primeira grande medalha da sua carreira, ao ter alcançado há duas semanas, em Potsdam, um novo recorde nacional com os seus 21.03 metros. E os polacos? Os polacos estão por lá e não chocaria ninguém que, mesmo não estando no top 3 da temporada, víssemos dois deles no pódio. Um é Michał Haratyk, o campeão europeu ao ar livre. O outro é Konrad Bukowiecki, o atual campeão europeu em pista coberta. Estarão a deixar o melhor para Glasgow? Por aqui acredita-se que sim.
A nossa aposta: Michał Haratyk (POL)
Lançamento do Peso (f): A campeã mundial e europeia em pista coberta, Anita Márton (HUN), tem que ser encarada como uma das favoritas, ainda que neste momento seja apenas a 4ª do ranking europeu. Apesar de todo o seu historial, pode ter uma dura batalha pela frente, pois a bastante experiente Christina Schwanitz (GER) tem-se mostrado incrivelmente fiável em 2019, com apenas uma derrota em 7 eventos. Schwanitz já venceu este evento em 2013 e, quem sabe, se não repete a vitória 6 anos depois. A búlgara Radoslava Mavrodieva é outra candidata, sendo a 2ª do ranking europeu, e quererá melhorar a Prata de Belgrado, que alcançou dois anos depois do Bronze de Praga. Por fim, falar ainda de Aliona Dubitskaya (BLR), que depois de muitos a anos a “cheirar pódios” conseguiu mesmo uma medalha no verão passado nos Europeus de Berlim, ao conquistar o Bronze.
A nossa aposta: Christina Schwanitz (GER)
Pentatlo (f): Sem Thiam (BEL) em competição (a recuperar de lesão), a campeã mundial em pista coberta, Katarina Johnson-Thompson (GBR) é a clara favorita. Repetindo uma pontuação semelhante à de Birmingham, o título europeu não lhe deverá escapar e, apesar de ainda não ter feito um Pentatlo completo este ano, esse é o cenário mais provável. Ainda assim, atenção, porque em prova estará a Prata de Birmingham e a maior ameaça a Johnson-Thompson, Ivona Dadic (AUT). O terceiro lugar do pódio deverá ser uma disputa louca, com várias jovens a despontar e com sede de medalhas. Maria Vicente (ESP) é a mais nova delas, com apenas 17 anos, mas não deverá ser ainda candidata a algo do género, vindo aqui para ganhar experiência. No entanto, há muita curiosidade para ver um trio de 3 atletas de 19/20 anos que muito prometem: Solene Ndama (FRA), Alina Shukh (UKR) e Niamh Emerson (GBR). Eliška Klucinová (CZE) – anterior medalhada – ou Xénia Krizsán (HUN) também marcam presença na cidade britânica.
A nossa aposta: Katarina Johnson-Thompson (GBR)
Heptatlo (m): Kevin Mayer (FRA) não se mostrou disponível para participar nestes campeonatos, abdicando da oportunidade de revalidar o seu título, para se concentrar numa longa temporada ao ar livre. Sem Abele (GER) e sem Maicel Uibo (EST), este será um evento totalmente em aberto. Entre os presentes, destacamos o espanhol Jorge Ureña, que foi Prata há dois anos, bem como dois medalhados nos Europeus ao ar livre do ano passado, Ilya Shkurenyov (RUS) que foi Prata e Vital Zhuk (BLR) que foi Bronze, mas dado que vários atletas ainda não completaram um Heptatlo este ano, a aposta é sempre um tiro no escuro. Os belgas têm esperança de trazer um Ouro através do atual líder europeu, Thomas Van der Plaetsen (que ganhou as combinadas ao ar livre em Amesterdão há 3 anos) e os britânicos depositam as suas esperanças de conquistar um duplo Ouro nas provas combinadas em Tim Duckworth (GBR).
A nossa aposta: Ilya Shkurenyov (RUS)
Quando, Onde e Como Ver?
Os Europeus em Pista Coberta de Glasgow realizam-se de 1 a 3 de Março, com finais em todos os dias, com a maioria a realizar-se na sessão da tarde/noite de domingo.
No website do evento podem ir acompanhando as últimas notícias e destaques dos campeonatos e abaixamos mostramos o calendário do evento:

Para Portugal, a transmissão televisiva estará a cargo da Eurosport e da RTP, que irá transmitir os Campeonatos no canal 2. O Bola na Rede, em colaboração com o Planeta do Atletismo, também estará presente e, sempre que se justifique, daremos conta dos principais acontecimentos através das nossas redes sociais.
Artigo em pareceria com o Planeta Atletismo.
Foto de Capa: European Athletics
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro










