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Chegamos a 2018, arranca uma nova época e, verdade seja dita, as saudades da pista já são mais do que muitas. Já por várias vezes aqui confessei que não sou um grande fã do calendário actual do Atletismo de elite, que parece ultrapassado para as exigências actuais. Se é verdade que devemos ter em conta a disponibilidade física dos atletas, não podemos atrair um público maior, um público mais imediatista como o de hoje, um público sedento de novidades (como são ainda mais as novas gerações que importa “o presente” e o “presente é hoje”) com um calendário onde os atletas de pista, as estrelas, não se mostram durante 5 meses por ano (se considerarmos os eventos Indoor) ou até de quase 8 meses (se tivermos em conta que muitos atletas abdicam da temporada indoor). Isto não se compadece com o crescimento do desporto e muito menos com o que o público deseja.
Para piorar a situação de 4 em 4 anos não temos um grande evento global outdoor (Mundiais ou Jogos Olímpicos), o que torna um ano como 2018 num ano pouco apetecível para fãs mais casuais. Claro que as entidades competentes têm procurado atenuar a situação, tentando alinhar calendários e colocar eventos em “datas mortas”. Ainda assim, o trabalho a fazer é muito como se constata pelos meses em que os atletas estão fora dos olhares do público (não dizemos de férias, porque o trabalho dos atletas, esse não pára). No primeiro ano pós Usain Bolt, será também curioso observar como a IAAF procurará cativar os fãs mais casuais, porque os verdadeiros fãs esses estarão cá sempre.
Vamos então ao que interessa. Para os verdadeiros amantes da modalidade e da pista em si, de Fevereiro até Agosto motivos de interesse não faltarão. Começaremos logo a 3 de Fevereiro com a IAAF World Indoor Tour, um conjunto de 6 meetings, em formato indoor, pontuados ao estilo da Diamond League (o formato antigo sem apuramento para a final) e onde Patrícia Mamona no ano passado brilhou e arrecadou o troféu final no Triplo Salto. Este ano, pensa-se que mais estrelas ainda poderão fazer parte deste evento, uma vez que se realiza em ano sem eventos globais ao ar livre e imediatamente antes…dos Mundiais Indoor!

Fonte: IAAF
Os Campeonatos Mundiais de Pista Coberta decorrem no início de Março, de 1 a 4 desse mês e prometem 4 dias de emoções fortes. Mais uma vez é uma cidade inglesa, neste caso Birmingham, a escolhida para receber grandes eventos internacionais da nossa modalidade, o que é facilmente explicado pelo entusiasmo que o Atletismo desperta no país. Recorde-se que os Mundiais de Londres foram os campeonatos mais bem sucedidos da história no que ao público diz respeito, com recordes absolutos de assistência. Em Birmingham, capital britânica do atletismo, espera-se mais uma edição recheada de emoções fortes, depois da cidade já ter acolhido o mesmo evento em 2003, edição em que alguns dos mais famosos vencedores foram Justin Gatlin, Haile Gebreselassie, Maria Mutola ou Gail Devers, entre outros.
Depois dos Mundiais, a temporada Indoor em pista termina. E teremos que esperar até Abril para a pulsação começar a subir, com os Jogos da Commonwealth a decorrerem entre 4 e 15 desse mês na Gold Coast, na Austrália.

Fonte: Wikimedia
É verdade que é um evento que não cobre todos os países do mundo (nós, Portugal, não somos por exemplo parte interessada). Ainda assim um evento que conta com a presença de 70 nações, entre elas a Jamaica, a Inglaterra, o Canadá, a Austrália, as Bahamas, o Quénia ou a África do Sul, garante competição a um nível elevadíssimo no nosso desporto. Veremos que estrelas quererão/poderão marcar presença no evento, que até conta com um representante de língua portuguesa, Moçambique.
A 4 de Maio, arranca a edição 2018 da Diamond League. Com um formato inovador em 2017, pode dizer-se que a competição transformou-se por completo, sendo que o novo modelo com finais no término da competição foi um sucesso absoluto, em todos os seus sentidos, com a maioria dos principais atletas do mundo a fazerem parte da competição. Este ano, as finais estão marcadas para 30 e 31 de Agosto. Em paralelo, ocorrerão também os meetings da IAAF World Challenge e os meetings referentes às provas combinadas, onde também não faltaram motivos de interesse.
De 7 a 12 de Agosto, é hora dos europeus brilharem, nos Campeonatos Europeus que se realizam em Berlim.

Fonte: european-athletics
Aspirações de medalhas para Portugal são legítimas, relembrando que em 2016 tivemos Sara Moreira e Patricia Mamona a conquistar a medalha de Ouro, Dulce Félix a conseguir uma medalha de Prata e Jéssica Augusto e Tsanko Arnaudov com o Bronze, havendo lugar ainda a um título coletivo para Portugal na Meia Maratona.
Lá mais para o final do ano, teremos também a IAAF Continental, o evento que a IAAF utiliza para colmatar a falta dos grandes eventos globais de 4 em 4 anos – que substituiu a antiga World Cup. A prova, apesar de normalmente ficar marcada pela ausência de algumas das principais estrelas, costuma ainda assim contar com um elenco interessante, tendo a edição de 2014 apresentado nomes como Renaud Lavillenie, Sergey Shubenkov, Genzebe Dibaba ou Dafne Schippers. Num ano em que, por exemplo, na velocidade se assistirá à ascensão das novas estrelas que procuram criar ou cimentar o seu “nome”, esta pode vir a ser uma entusiasmante edição com vários motivos de interesse.
As novas promessas do Atletismo também terão uma oportunidade de luxo para brilhar e mostrar que podem vir a tornar-se nos grandes nomes da modalidade, com a realização dos Mundiais Sub-20 em Tampere (Finlândia) de 10 a 15 de Julho. Se seguir a pegada dos Mundiais de Bydgoszcz em 2016, teremos um evento recheado de emoções e de marcas fortes. Também lá mais para o final do ano, em Outubro, decorrerão os Jogos Olímpicos da Juventude (para jovens entre os 14 e os 18 anos), numa festa multinacional e multicultural que se realizará em Buenos Aires.
Pela estrada, teremos inúmeros eventos durante todo o ano, mas já em Março acontecerá a e Meia Maratona de Lisboa, um pouco antes dos Mundiais de Meia Maratona, que se realizam a 25 de Março em Valencia.

Fonte: turisvalencia
No que diz respeito às Maratonas, as habituais provas voltarão a marcar o calendário do Atletismo de estrada e espera-se um ataque sério ao recorde mundial da distância (provavelmente em Berlim) e suscita um grande interesse a Maratona de Londres, pela esperada presença de Mo Farah, agora que se mudou definitivamente para a estrada!
No que diz respeito à Marcha, o grande evento do ano será a IAAF World Race Walking Team Championships, que se disputará dia 5 e 6 de Maio do presente ano.
Claro que o Atletismo não se esgota por aqui e as competições a nível nacional irão centrar também atenções um pouco por todo o mundo e iremos falar delas sempre que se justifique. Outros eventos da modalidade poderão surgir e despertar atenções, como o “The Meet”, um evento a decorrer a 14 de Julho, no Estádio Olímpico de Londres e que será uma espécie de batalha direta entre EUA e Grã-Bretanha. Mesmo num ano sem um evento global, o Atletismo não pára e os motivos de interesse serão mais do que muitos. Vamo-nos vendo por aqui.
Foto de Capa: BP











