Cabeçalho modalidadesNuma altura em que o Atletismo de pista ainda descansa e em que os atletas finalmente retomam à sua rotina de treinos preparando a época 2018, continua a ser a distância mítica da Maratona a ser notícia e a surpreender um pouco por todo o mundo. Desta feita, a notícia desta semana foi a obtenção do novo recorde europeu da Maratona pelo norueguês (sim, os noruegueses outra vez!) Sondre Nordstad Moen em Fukuoka, no Japão. O primeiro europeu a baixar dos 2:06 (2:05:48) e o primeiro sem origem africana a fazê-lo também! Com certeza que se aqui chegaram, já viram o título da notícia e se perguntam: onde entra o António Pinto nesta história? Pois bem, pode parecer surpreendente para quem pouco segue a nossa modalidade, mas o recorde europeu da Maratona ainda era (partilhado desde 2003) de António Pinto, com as 2:06.36 alcançado na Maratona de Londres em 2000! Aproveitamos assim esse facto para falar um pouco do surpreendente novo recorde, perceber como o mesmo foi possível e o que o futuro pode reservar ao atleta europeu, mas também lembrar um pouco do percurso do António Pinto que acaba por ser um dos nomes mais – injustamente – esquecidos da massa adepta “casual” do nosso desporto.

António Pinto, na chegada à meta na Maratona de Londres em 2000, o recorde que durou mais de 17 anos Fonte: Getty Images
António Pinto, na chegada à meta na Maratona de Londres em 2000, o recorde que durou mais de 17 anos
Fonte: Getty Images

Foi a 16 de Abril de 2000 que António Pinto havia conseguido o recorde europeu da Maratona, mas a sua carreira não se resumiu a “um momento”, tendo sido regularmente marcada por grandes feitos, algumas desilusões, mas sobretudo por uma capacidade atlética bem acima da média e infinitamente acima do que o meio fundo e o fundo hoje são capazes de dar a Portugal. Tendo começado a sua carreira no ciclismo, foi apenas aos 19 anos que mudou para o Atletismo, iniciando a sua carreira no nosso desporto no Amarante. Dois anos depois, já estaria no FC Porto, clube que representou durante 4 anos antes de uma polémica e “milionária” (valores bastante altos para a época) transferência para o Benfica, onde viria a ficar dois anos, antes de se juntar ao mítico Maratona CP que representou durante 9 anos e onde alcançou os seus maiores sucessos desportivos.

Será para sempre um herói em Londres pelo que fez, batendo não só esse recorde europeu que durou quase 18 anos, mas também vencendo a Maratona da cidade por 3 ocasiões (!), ficando duas vezes no 2º lugar e outras duas no 3º, somando o total de 7 (!) pódios numa das mais prestigiadas Maratonas do mundo. Pelo mundo, venceu ainda a Maratona de Berlim por uma ocasião, alcançando segundos lugares em Paris e Tóquio.

Não se pense, no entanto, que a carreira de António Pinto se resumiu apenas à estrada (onde também alcançou o recorde da Meia, não homologado oficialmente). Foi campeão europeu dos 10.000 metros em Belgrado em 1998 e em 1999 foi ainda durante um mês o recordista europeu dessa mesma distância. Nos 5.000 metros ainda deu cartas, tendo sido campeão nacional e alcançando uma medalha de Prata na Taça da Europa. Nunca alcançou em Mundiais (ainda assim conseguiu um honroso 5º lugar nos 10.000 metros de Sevilha) e Jogos Olímpicos a glória que se chegou a antever – muito devido a problemas físicos sempre na pior altura possível – mas isso não belisca uma das carreiras mais felizes do Atletismo português.

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.