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Depois de um ano muito marcado pela sua lesão e problemas físicos que condicionaram toda a sua temporada de 2018, Patrícia Mamona começou 2019 a todo o gás. Em 3 semanas e 3 provas, a atleta portuguesa alcançou um recorde pessoal no Salto em Comprimento na primeira, conseguiu marca de qualificação para os Europeus Indoor no Triplo na segunda prova e na terceira igualou o seu recorde nacional do Triplo em pista coberta. Num ano em que a disciplina promete bastante, a atleta portuguesa parece preparada para atacar os desafios que se adivinham.
O Início de 2019
Não é uma disciplina que a atleta portuguesa habitualmente dê prioridade, mas a sua primeira prova do ano foi no Salto em Comprimento no Pombal a 12 de Janeiro. Saltou 6.34 centímetros, um novo recorde pessoal e a fluidez da sua fase de corrida permitiu perceber de imediato que Patrícia Mamona poderemos esperar para este ano. Uma semana depois, no apuramento do Nacional de Clubes, fez a sua primeira prova de Triplo Salto e, com sucesso, saltou 14.09 metros, alcançando por larga margem a marca de qualificação para os Europeus de Glasgow. No ano passado, a atleta do Sporting apenas em duas competições ultrapassou os 14 metros (durante o mês de Julho), tendo sido obrigada a saltar a temporada de pista coberta, pelo que a marca alcançada no Pombal era um excelente sinal, sendo um resultado dentro dos níveis habituais da atleta nas primeiras competições das suas épocas de maior sucesso.
Esta semana, participava no Meeting de Karlsruhe, parte da IAAF World Indoor Tour (competição que Mamona já venceu em 2017), e a tarefa que tinha pela frente afigurava-se exigente. A prova era, provavelmente, a que apresentava o elenco mais forte do meeting e contava com nomes como a venezuelana Yulimar Rojas (campeã mundial indoor e outdoor); a espanhola Ana Peleteiro (Bronze nos Europeus ao ar livre de Berlim e Bronze nos Mundiais de Pista Coberta de Birmingham); a ucraniana Olha Saladukha (ex-campeã mundial e medalhada olímpica); a norte-americana Tori Franklin (a segunda a saltar mais longe em 2018 – 14.84 metros) ou Kristin Gierisch (Prata nos Europeus de Berlim e atual campeã europeia em Pista Coberta).
A prova foi vencida pela espanhola Ana Peleteiro, que alcançou um novo recorde pessoal indoor ao saltar 14.51 metros. No segundo lugar, com alguma surpresa, ficou a campeã mundial Yulimar Rojas (que saltou 14.45 metros). Mas vamos destacar os 14.36 metros feitos por Mamona, que são de enorme valor, igualando o (seu) recorde nacional de Pista Coberta – a atleta não saltava tanto em ambiente indoor desde o dia 22 de Fevereiro de 2014 (há praticamente 5 anos). Como outra nota positiva da sua prestação fica o registo de ter feito 5 saltos válidos e todos igual ou acima dos 14 metros, o que demonstra bem o estado de espírito e a confiança da atleta portuguesa.
Os desafios que aí vêm e as rivais
Europa
Num ano que – não nos cansamos de o repetir – é especial devido ao calendário pouco usual, os futuros desafios que se apresentam para a atleta portuguesa são variados e com expetativas associadas também elas diferentes. Além dos Campeonatos Nacionais (de Portugal e Clubes) que decorrerão nas próximas semanas e onde a atleta até tem a vantagem (pelo menos, no Campeonato de Portugal) de ter uma outra atleta de elite que lhe “obriga” a elevar o nível (falamos de Susana Costa), o maior desafio da temporada de Pista Coberta serão mesmo os Europeus que decorrerão em Glasgow nos primeiros três dias de Março (a qualificação será na Sexta, dia 1 e a final no Domingo, dia 3). A atleta – que já conquistou um título europeu ao ar livre – tem como melhor participação na prova indoor o 2º lugar alcançado nos Europeus de Belgrado há dois anos, quando saltou 14.32 metros, a apenas 5 centímetros da medalhada de Ouro, a alemã Kristin Gierisch. Gierisch será naturalmente uma das maiores rivais de Patrícia Mamona, que terá também a companhia já confirmada de Susana Costa em Glasgow, repetindo a dupla habitual do Triplo nacional em grandes competições.
De forma natural, outra das grandes adversárias de Mamona será a nova campeã europeia ao ar livre e Bronze nos Europeus Indoor de Belgrado, a grega Paraskevi Papachristou, ela que até teve para participar no meeting de Karlsruhe, mas que acabou por cair no último momento. A já referida Olha Saladukha – apesar de se encontrar na fase descendente da carreira, aos 35 anos – continua a ser um nome a não descartar quando chegar a hora das decisões, principalmente porque este ano já saltou em pista coberta como não o fazia há 5 anos.
A israelita Hanna Minenko é outra presença habitual em pódios – ou a cheirar o pódio – e foi a atleta que ficou logo atrás de Mamona no seu título europeu. E a romena Andreea Panturoiu foi 4ª nos Mundiais Indoor do ano passado e nos Europeus de Berlim, pelo que quererá com certeza deixar para trás essa indesejável posição. De França, Jeanine Issouf e Rouguy Diallo vêm de uma época de importantes marcas e recordes pessoais, pelo que muito se espera delas para 2019. No entanto, uma das maiores favoritas terá mesmo que ser a atleta que venceu o meeting de Karlsruhe, a espanhola Ana Peleteiro.

Fonte: Wikicommons
Uma ex-campeã mundial júnior, que passou por um período conturbado de lesões e problemas físicos, a atleta treinada por Iván Pedroso parece mais preparada do que nunca para os grandes momentos e, além das duas medalhas de Bronze alcançadas em 2018, começou este 2019 a bater o recorde pessoal indoor e a bater a campeã mundial, pelo que a moral estará em alta. A líder europeia – e mundial – é, no entanto, para já, a russa Yekaterina Koneva, que parece de volta ao seu melhor, tendo já saltado impressionantes 14.81 metros. No entanto, a atleta não consta da lista de atletas russos autorizados pela IAAF para competir internacionalmente. Para já, está fora destas contas, mas, caso consiga o estatuto neutral a tempo dos Europeus de Glasgow, será automaticamente a principal favorita ao Ouro, ela que já foi campeã europeia e mundial de Pista Coberta.
Fora da Europa
Terminada a temporada de pista coberta que deverá ser mais dominada por atletas europeias – não há competição global indoor este ano –, o ano apresentará outras desafios para lá da esfera continental. Se é verdade que a nível continental ainda existirão algumas provas onde poderemos ver a atleta – a representar o Sporting, por exemplo –, as principais competições a nível individual terão a presença de outras estrelas internacionais. Além dos vários meetings da Liga Diamante em que é provável vermos a atleta portuguesa, é ano de Mundiais em Doha, com as provas do Triplo feminino a desenrolarem-se apenas a 3 e 5 de Outubro. Aí, além de todos os nomes já referidos, deverão existir duas grandes favoritas: a atleta do ano 2018 e campeã olímpica em título, a colombiana Caterine Ibarguen e a campeã mundial Yulimar Rojas, que regressa depois de um 2018 em que praticamente não competiu – e ainda assim foi campeã mundial indoor.
A juntar-se a elas e a entrar em discussões de finais e medalhas teremos duas jamaicanas que alcançaram recordes pessoais em 2018 – Kimberly Williams e Shanieka Ricketts –, duas norte-americanas com grandes recordes pessoais e sedentas de medalhas – Tori Franklin e Keturah Orji e uma jovem brasileira que terminou o ano em altíssimo nível – Nubia Soares.
Expetativas
Como se pode perceber, a competição no Triplo Salto é de peso e existem por aqui nomes mais do que suficientes para preencher finais de grandes competições. Para já, a atleta portuguesa deverá manter-se confiante, afinal é a terceira melhor europeia do ano neste momento – e a primeira, Koneva, nem sequer está autorizada a competir internacionalmente – e irá a Glasgow com elevadas expetativas. Depois de um período complicado em 2018, 2019 começa a sorrir para Mamona e quando ela sorri, Portugal sorri.

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Atletismo
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro









