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O Triplo Salto da glória e o Triplo Salto da polémica

Pedro Pires · 4 min

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O último sábado ficou marcado pelo Triplo Salto a nível nacional e a nível internacional, embora por diferentes razões. Se em Portugal, o grande destaque foi a nível desportivo no feminino; a nível internacional, a disciplina foi notícia por diferentes e mais polémicas razões no masculino.

1, 2…3 portuguesas no Triplo de Doha!

Depois dos Europeus de Berlim, os Mundiais de Doha e os Jogos de Tóquio…no Triplo!
Fonte: Evelise Veiga

Foi cedo nesta temporada que Patrícia Mamona e Susana Costa conseguiram a qualificação para os Mundiais de Doha, que se realizam entre 27 de Setembro e 6 de Outubro deste ano. Ambas as atletas brilharam na temporada em pista coberta, alcançando recordes pessoais (no caso de Susana Costa, foi mesmo absoluto, ar livre ou pista coberta) e só não chegaram às medalhas nos Europeus Indoor de Glasgow, porque a prova atingiu níveis há muito não vistos. A dupla de sucesso portuguesa é um dos casos mais felizes do desporto nacional, somando ambas importantes presenças em grandes competições internacionais, finais e medalhas (Mamona até já alcançou o Ouro nos Europeus de Amesterdão, em 2016).

https://www.youtube.com/watch?v=fGDlvE1wwBw

Era difícil pensar num contingente maior para os Mundiais, mas se algum nome pudesse despertar uma maior curiosidade seria o de Lecabela Quaresma. Ora, a atleta especialista nas provas combinadas, tinha no ano passado atingido os 13.90 metros (+1.1) no ano passado e até ventosos 14.19 metros (+2.6), tendo se qualificado para os Europeus de Berlim, como a terceira portuguesa a saltar mais longe na história da disciplina.

Em 2018, também Evelise Veiga já tinha deixado boas indicações nesta disciplina, quando saltou 13.65 metros (+0.3) em Jesolo – com direito a Prata nos Campeonatos do Mediterrâneo Sub-23 – mas todos olhavam para o Triplo como um bom complemento e um importante treino para a sua evolução no Comprimento, a sua especialidade (foi oitava nos Europeus do ano passado). Poucos previram que a atleta fizesse o que foi fazer no passado sábado à Maia: saltar 14.32 metros (+0.6)! A marca garante à atleta do Sporting marca de qualificação para os Mundiais de Doha e também para os Jogos Olímpicos de Tóquio do próximo ano e, com certeza, lhe dará ainda mais confiança para alcançar o mesmo no Salto em Comprimento. A marca aumenta o anterior recorde pessoal de Evelise em incríveis 67 centímetros!

A atleta sobe a terceira melhor portuguesa da história e terceira a passar (com vento legal) acima dos 14 metros, apenas atrás de Patrícia Mamona (recorde pessoal: 14.65) e Susana Costa (recorde pessoal: 14.43). É também a segunda melhor no Comprimento (recorde pessoal: 6.61), embora aqui bem mais longe de Naide Gomes (recorde pessoal: 7.12). Iremos ver a atleta de 23 anos em ambas as disciplinas nos Mundiais de Doha? Ainda que, para já não tenha marca no Comprimento, assim o esperamos. No programa, ambas as provas ocorrem numa fase tardia da competição, com as eliminatórias do Triplo a decorrerem a 3 de Outubro, com final a 5 de Outubro e as eliminatórias do Comprimento a 5 de Outubro (poucas horas antes da final do Triplo), com a final a 6 de Outubro, último dia do evento.

Se nem a Taylor valorizam…

Taylor no centro da polémica que envolve…o futuro do Triplo
Fonte: Diamond League Eugene

A nível internacional e fora do plano desportivo – ou não – a disciplina ficou marcada por declarações nas redes sociais do maior nome da atualidade – até há quem defenda ser o maior de sempre, mas falta-lhe o recorde mundial… – o norte-americano Christian Taylor. Taylor é bicampeão olímpico e triplo campeão mundial, mas nem isso parece convencer os organizadores de eventos a pagarem-lhe o mesmo que pagam aos principais nomes de outras disciplinas. O atleta que tem o segundo e o terceiro maior triplo salto da história – 18.21 e 18.11 metros – partilhou nas redes sociais que não irá marcar presença no meeting de Roma – evento Diamond League – da próxima quinta-feira, por razões orçamentais. O atleta afirma que o valor pago pela organização não é semelhante ao que esta paga a outros atletas de outras disciplinas e afirma até temer pelo futuro do Triplo. Taylor afirma, numa outra publicação, que pretende com as suas mensagens, justificar aos fãs o motivo da sua ausência e até refere Nelson Évora, ao dizer que se ele, Évora ou Claye não marcam presença em determinados eventos, é porque os atletas estão a procurar “criar mudança” no panorama atual.

Gigi D’Onofrio é o diretor do Meeting de Roma
Fonte: IAAF

A resposta do diretor do meeting, Gigi D’Onofrio, foi no mínimo…desagradável. Afirmando não ter poder financeiro para pagar o valor inegociável de Taylor e que Claye exigia um bilhete de classe executiva que custa 10.000 dólares (facto já refutado pelo atleta que afirma que D’Onofrio não o quis convidar até a poucas semanas do evento, quando o preço já  tinha disparado…), disse ainda que todas estas críticas podem ter a ver com o facto de que a disciplina “deverá desaparecer do programa da Diamond League em 2020”, o que ainda é mais preocupante e que dá razão a quem afirma que a decisão da IAAF de redução de eventos na Diamond League vai destruir essas disciplinas em termos financeiros.

Foto de Capa: FPA/IAAF

Pedro Pires

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