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Foi na passada semana que a IAAF distinguiu os melhores atletas do ano no Atletismo. Num ano em que vimos serem batidos vários recordes mundiais, vimos feitos que nunca havíamos visto e onde uma fornada de jovens talentos despontou pronta para tomar de assalto o mundo do nosso desporto, difícil mesmo foi escolher!
Kipchoge foi a figura do ano no Masculino

Fonte: IAAF
Comecemos pelo prémio de Atleta do Ano Masculino. Entre a lista final de 5 atletas constavam o queniano Eliud Kipchoge, o francês Kevin Mayer, o qatari Abderrahman Samba, o norte-americano Christian Coleman e o sueco Armand Duplantis. Uma lista recheada de muito talento e de estrelas, todas elas com potencial de arrecadar o prémio já nesta edição ou em edições futuras. Kipchoge na Maratona e Mayer no Decatlo obtiveram os seus recordes mundiais já numa fase tardia da temporada, num dos melhores fins-de-semana da história do Atletismo. Abderrahman Samba teve uma época praticamente perfeita nos 400 metros com barreiras (imbatível, incluindo o tempo mais rápido desde 1992, 2ª marca de sempre). Christian Coleman também começou a época com um recorde mundial (o dos 60 metros em pista coberta), foi campeão mundial indoor e o líder mundial nos 100 metros. Por fim, Armand Duplantis foi campeão mundial júnior, campeão europeu sénior e bateu por 8 vezes o recorde mundial júnior no Salto Com Vara.
A nível de idades também se podia perceber a variedade existente, sendo que Kipchoge era o mais velho a votação (34 anos) e Duplantis o mais novo (19 anos). Pelo meio, Kevin Mayer (26 anos) Samba (23 anos), Christian Coleman (22 anos) também com muito para ainda dar ao desporto. A nível de variedade de disciplinas, notou-se em 2018 uma ausência dos lançamentos, embora o nível tenha sido bastante elevado. Mas a verdade é que nenhum dos 5 nomes a votação final pareceu “fora de água” e talvez tenha sido o conjunto mais justo mesmo.
No final, a vitória acabou por sorrir ao mais experiente, um muito merecido prémio para Eliud Kipchoge, que teve uma temporada de luxo, vencendo a Maratona de Londres e também vencendo em Berlim, com o recorde mundial da Maratona, a maior evolução do recorde desde 1967. Apesar da lista bastante homogénea a nível de qualidade, Kipchoge foi o único que nunca falhou em 2018, superando todos os desafios com mestria – Samba também o fez, mas não com recorde mundial!
No feminino, prevaleceu o feito único de Ibarguen

Fonte: IAAF
No elenco feminino, uma lista também bastante variada incluía atletas da velocidade (a britânica Dina Asher-Smith e a atleta das Bahamas, Shaunae Miller-Uibo), dos saltos (a colombiana Caterine Ibarguen), do fundo com obstáculos (a queniana Beatrice Chepkoech) e das provas combinadas (a belga Nafissatou Thiam).
Embora se percebesse a nomeação das atletas presentes, acabaram por existir dois “elefantes” na sala. Foi difícil de entender a ausência na lista final da sul-africana Caster Semenya (imbatível nos 400 metros e vários recordes nacionais) e da russa Mariya Lasitskene (campeã europeia e mundial indoor, com apenas um derrota na Altura), por motivos que parecem ter outras razões além das meramente desportivas. É que Semenya encontra-se em disputa “mais ou menos” aberta com a IAAF, devido à entidade procurar implementar limitações nos níveis de testosterona, medida que parece feita especificamente para combater o domínio da sul-africana (embora não seja a única atleta no circuito em tal condição); Já Lasitskene tem sido consecutivamente “esquecida” dos prémios internacionais, tanto pela IAAF como pela European Athletics, um facto que muitos têm entendido como um “castigo” extra aos russos pelo escândalo de doping que ainda afeta a federação nacional (impedindo os atletas da nação russa de competirem com a bandeira nacional), aos quais Lasitskene é totalmente alheia.
Polémicas à parte, a votação que é feita através de três meios (comité IAAF, família IAAF e o voto do público) tinha entre as atletas a votação final uma nova recordista mundial (Chepkoech com o incrível recorde nos 3.000 obstáculos), uma atleta imbatível em duas distâncias durante todo o ano (Miller-Uibo nos 200 e 400), outra que conquistou 3 Ouros na velocidade em Berlim e que fechou o ano com duas lideranças mundiais (Asher-Smith nos 100 e 200), alguém que foi imbatível nas provas combinadas, campeã europeia e ainda a terceira do ano na Altura (Nafi Thiam) e uma atleta que conseguiu o feito único de vencer a Diamond League em duas noites consecutivas no Triplo Salto e no Salto em Comprimento (Caterine Ibarguen).
Também a nível de idades, a disparidade que se verificou no masculino se verificou, com Ibarguen a ser a mais experiente, com 34 anos e Asher Smith a ser a mais nova com 23 anos acabados de fazer. Chepkoech (27 anos), Shaunae Miller-Uibo (24 anos) e Nafi Thiam (24 anos) – que venceu o troféu no ano passado – completaram mais uma lista de atletas que prometem voltar a repetir a sua presença nestes prémios.
Tal como no masculino, a experiência parece ter feito a diferença e a IAAF terá entendido que esta seria a altura ideal para também reconhecer não só a fantástica temporada da colombiana Caterine Ibarguen, mas para também premiar a sua carreira. A colombiana, especialista no Triplo Salto (onde já foi campeã olímpica e bicampeã mundial) aproveitou um ano de quase total ausência da nova sensação do Triplo (Yulimar Rojas, que ainda assim venceu o título indoor), para realizar uma época sem qualquer derrota na sua especialidade e ainda alcançar a sua melhor temporada da carreira no Comprimento, sagrando-se vencedora da Diamond League em ambas as disciplinas.
Armand Duplantis e Sydney McLaughlin são parte do presente e do futuro
Em relação aos mais jovens, foi sem surpresa que o prémio para Rising Star do ano, no masculino, foi para o sueco Armand Duplantis. Sendo o único atleta da lista final que também estava nomeado para o prémio de “Atleta do Ano” seria demasiado surpreendente e pouco expectável que o mesmo não vencesse o prémio de estrela emergente. Quando conquistou o Mundial Sub-20, depois dos vários recordes juniores obtidos em pista coberta e ao ar livre já seria o grande favorito à conquista do galardão, mas com o espectáculo que deu em Berlim ao vencer os Europeus com 6.05 metros poucas dúvidas poderiam restar.

Fonte: European Athletics
Na escolha final, Duplantis bateu o norueguês Jakob Ingebrigtsen – que curiosamente dividiu o galardão equivalente da Associação Europeia com o sueco – campeão europeu sénior dos 1.500 e 5.000 metros. Também na lista final constava o etíope Selemon Barega, que correu o tempo mais rápido dos 5.000 metros desde 2005 ao vencer a Diamond League com recorde mundial júnior (12:43:02); o cubano Jordan Diaz, que saltou 17.41m, um recorde sub-18 do Triplo; e o queniano Rhonex Kipruto que brilhou nos 10.000 metros (marca líder do ano) e nos 10 km (a dois segundos do recorde mundial sénior).
No feminino, a lista era dominada pela norte-americana Sydney McLaughlin e pela jamaicana Briana Williams, mas já lá vamos. As outras três nomeadas eram africanas, dos sítios habituais, sendo que a queniana Celliphine Chespol já vai sendo um nome conhecido (este ano além dos obstáculos, brilhou no Corta-Mato), tendo a companhia das etíopes Meseret Belete (melhor júnior de sempre na Meia) e Meskerem Mamo (melhores marcas juniores do ano nos 3.000 e 5.000).
Mas tal como tínhamos mencionado, as grandes favoritas vinham da Jamaica e dos EUA. Briana Williams, a pupila de Ato Boldon, tornou-se, com apenas 16 anos, campeã mundial dos 100 e 200 metros, tendo pelo caminho, por exemplo, corrido o tempo mais rápido alguma vez feito por uma atleta de 15 anos nos 100 metros (11.13), além dos impressionantes 22.50 nos 200 (4ª sub-18 de sempre). Por outro lado, Sydney McLaughlin já é um dos nomes mais entusiasmantes do Atletismo, sendo um autêntico fenómeno de popularidade, o que a obrigou a assinar já um contrato profissional (que se diz, com vários zeros) com a New Balance. Em 2018, impressionou ainda mais o mundo, ao correr o tempo mais rápido do ano (sénior) nos 400 barreiras, com os seus 52.75, marca que entra já no top-10 de sempre. Essa marca é a mais rápida de sempre feita por uma atleta júnior, ao que somou os 50.36 em pista coberta na distância sem barreiras, também a melhor marca júnior de sempre.

Fonte: IAAF
Sydney salta agora para sénior deixando um registo impressionante, apresentando, por exemplo, os 10 dos 11 tempos mais rápidos de sempre em atletas juniores nos 400 barreiras (incluindo os 8 primeiros). A escolha da IAAF acabou mesmo por recair na norte-americana e deverá ter sido o mais sensato, visto que Briana, ainda com 16 anos, terá mais oportunidades pela frente e Sydney poderá já começar a dar cartas como sénior, sendo uma aposta mais segura.
A cerimónia distinguiu ainda outras personalidades do desporto, numa lista completa que pode ser encontrada aqui e que inclui o prémio de treinador do ano, que foi atribuído a Joe Vigil, conceituado técnico norte-americano há mais de 50 anos no ativo.

Fonte: Felix Sanchez Arrazola/IAAF
Foto de Capa: IAAF











