Publicidade

Os nossos 3 grandes desejos para o Atletismo em 2021

Pedro Pires · 6 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Poderíamos ter escolhido sete, poderíamos até ter ido aos dez, mas percebemos que há três desejos acima de todos os outros para 2021 e são esses que queremos que não falhem mesmo. Se chegarmos a Dezembro de 2021 com estes três desejos realizados, teremos toda a certeza que terá sido um bom ano para o desporto.

Foto de Capa: Comité Olímpico Internacional

1.

Tóquio serão os primeiros Jogos para Duplantis que…já é recordista mundial! Foto: World Athletics

Que os Jogos de Tóquio marquem uma nova era no Atletismo e que criem estrelas globais – Todos nós reconhecemos as estrelas atuais do nossos desporto e são muitas. Muitos deles/delas a bater ou a cheirar recordes mundiais. Muitos deles ainda na flor da idade. Muitos deles com enorme potencial de marketabilidade.

Mondo Duplantis, Sydney McLaughlin, Dina Asher-Smith, Karsten Warholm, Noah Lyles, Joshua Cheptegei, Salwa Eid Naser, Michael Norman, Shaunae Miller-Uibo, Steven Gardiner, Yulimar Rojas…há muitos e muitos grandes nomes que ainda têm, pelo menos, mais dois ciclos olímpicos à sua frente, depois de Tóquio. Se a eles juntarmos o nome de estrelas consagradas, como Shelly-Ann Fraser Pryce, Wayde van Niekerk (?), Dalilah Muhammad, Omar McLeod, Mariya Lasitskene, Christian Taylor, Sandra Perkovic, Johannes Vetter ou Mutaz Essa Barshim, fica claro que os Jogos de Tóquio podem ser dos mais emocionantes de sempre.

Não me recordo de uma situação em que tantos atletas jovens já tivessem ganho “tanto nome” e “tanto terreno” à entrada para os seus primeiros Jogos. E isto é especialmente bom que aconteça em Tóquio.

E porquê? Primeiro, pelo efeito Usain Bolt. Os Jogos da capital nipónica serão os primeiros da fase pós-Usain Bolt. No Rio ainda tivemos essa áurea que sempre andou atrás do jamaicano, uma vez que seriam as suas últimas participações em Jogos Olímpicos. Nada disso acontecerá aqui. O produto “atletismo” terá que se vender por si só e, ao mesmo tempo, terá uma oportunidade de vender as suas novas estrelas, de vender a nova geração, sem o “fantasma Bolt” por lá andar.

Para aguçar ainda mais o potencial de crescimento, caso não exista limitação de público, o facto de vermos o Estádio Nacional de Tóquio cheio para praticamente todas as sessões de Atletismo será outro factor de promoção do desporto pelo mundo fora, dado uma bem melhor imagem do que a das clareiras do público, em 2016. Tóquio poderá e deverá servir de trampolim para uma nova era do Atletismo no panorama do desporto global.

2.

Que o doping e/ou os ténis não sejam os assuntos mais falados – O atletismo tinha reagido bastante bem ao pós-Bolt (a estrela maior do desporto retirou-se nos Mundiais de Londres, em 2017). Aqui já o tinha dito que, embora a minha admiração pelo jamaicano seja quase ilimitada, ter saído “a perder” poderá ter sido bom para o Atletismo, de forma a não pairar por lá sempre o fantasma de “se o Bolt estivesse aqui…”. 2018 foi, provavelmente, o ano-off com melhores resultados da história e, em 2019, os Mundiais de Doha, embora envoltos em várias polémicas, foram, também estatísticamente os melhores campeonatos de sempre (se excluirmos as provas de estrada, prejudicadas pelo calor) e dos mais assistidos de sempre em vários países europeus. Ainda assim, 2020 foi um mau ano, não há como o esconder.

Existirão vários factores que podem servir de atenuante e, claro, que o maior é aquele que afetou todos os outros desportos: a pandemia relacionada com o virus COVID-19. Não vale a pena voltarmos a explicar o impacto da pandemia no desporto. O que falhou e que aqui falamos nada tem a ver com isso. A verdade é que os assuntos mais falados em 2020 foram o doping e os ténis. No doping, a suspensão do campeão mundial de 100 metros – o norte-americano Christian Coleman, que falhará os Jogos – é sempre uma péssima notícia, mesmo que não tenha acusado doping (falhou controlos). Mas não foi o único nome sonante. Salwa Eid Naser, que teve uma quase inacreditável marca em Doha para se sagrar campeã mundial dos 400 metros, também falhou testes e acabou por se “safar” apenas administrivamente, indo, em princípio, a Tóquio. No entanto, a mancha lá fica para a atleta do Bahrein. Menos sorte teve o queniano Elijah Manangoi (anterior campeão mundial dos 1.500 metros) – que também falhou três testes e falha Tóquio – e um dos maiores maratonistas da história, o também queniano, Wilson Kipsang, que se encontra suspenso por quatro anos, o que, praticamente, termina com a sua carreira.

Já dos ténis pouco há a referir, a não ser que foi um enorme caos. Desde regulamentações não cumpridas a regulamentações modificadas (devido à pressão das marcas), faltam, de momento, estudos independentes que confirmem, ou não, se a melhoria das performances em corridas de longa distância fazem parte de uma evolução natural ou se são uma evolução demasiado artificial, tal como a que se viveu antes, na Natação, com os famosos fatos que, mais tarde, foram proibidos e considerados “doping tecnológico”. A polémica dominou as atenções mundiais durante todo o ano e…até chegou a Portugal. Na passada Sexta-Feira, Salomé Rocha havia terminado os Campeonatos Nacionais de 10.000 metros no primeiro lugar…para mais tarde, a atleta e o treinador perceberem que tinham cometido um erro e que os ténis utilizados não eram regulamentares (Sara Moreira sagrou-se assim campeã e o resultado de Salomé não foi homologado).

Tudo o que queremos em 2021? Que os prevaricadores sejam punidos no doping, mas esperando ver menos de top por lá (mas se o fazem, que sejam punidos). Que os ténis sejam parte de uma discussão mais factual, com estudos e dados fidedignos, para que se perceba do que se fala e para que os ténis não tenham o poder que um carro na fórmula 1 tem, ainda mais agora, que muitas provas permitem a utilizam de protótipos de ténis, não disponíveis ao público.

3.

Rosa Mota conquistou duas medalhas olímpicas (um Ouro) e é uma das maiores da história
Fonte: FPA

Bons resultados nacionais em Tóquio (e, sim, para isso deve-se falar em medalha[s]) – Este é um pedido mais abrangente para o desporto em geral e não apenas para o Atletismo. Ainda assim, dado o histórico do Atletismo, é provavelmente aí onde poderemos ter maiores chances de atingir os lugares mais altos. A última vez que Portugal conquistou medalhas no Atletismo, em Jogos Olímpicos, foi em 2008, com o Ouro de Nelson Évora em Pequim. Desde a primeira medalha de Carlos Lopes, em 1976, nunca o Atletismo português tinha tido dois Jogos Olímpicos seguidos sem medalhas. Não as conquistámos em Londres, nem no Rio. É, portanto, uma situação atípica para o nosso Atletismo, mesmo que a conversa de medalhas não agradem a muita gente por dentro do desporto.

É evidente que as medalhas não são a única forma de avaliar uma participação. É claro que todos os atletas partem para Tóquio com objetivos diferentes e que uma passagem de ronda a uns poderá significar muito mais do que até um Bronze a outros. Mas também é verdade que, para a opinião pública, patrocinadores e para o registo histórico que fica da participação da comitiva nacional, o número de medalha será sempre um factor primordial.

Em termos de esperanças para Tóquio fica difícil saber, depois de um ano totalmente atípico. O que pedimos, acima de tudo, é que todos os que lá cheguem, se transcendam quando chegarem à competição mais importante do planeta e que guardem o seu melhor para essas datas. Se hoje tivesse que ser forçado a fazer uma aposta para medalha, eu diria que Pedro Pablo Pichardo será a melhor aposta e uma aposta completamente realista. Seja qual for a cor da medalha. No entanto, nos próximos sete meses muita coisa pode mudar e as nossas projecções podem alterar. Para melhor ou para pior. Esperemos que para melhor, surpreendam-nos!

Pedro Pires

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.