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Esta é a 2.ª parte do nosso especial que analisa o que muda no pós-Mundiais de Doha em cada uma das disciplinas do atletismo de elite mundial.
100 METROS: SHELLY-ANN ESTÁ MELHOR DO QUE NUNCA
Regressar da maternidade e ser campeã mundial já seria um feito enorme, mas Shelly-Ann Fraser-Pryce (JAM), a poucos meses de completar os 33 anos, fê-lo de forma exemplar, correndo as eliminatórias mais rápidas de sempre (10.80) e fechando a final em 10.71 segundos. A atleta esteve bem próxima do seu recorde pessoal (10.70) e fez um tempo mais rápido do que qualquer um dos seus dois Ouros olímpicos, igualando o que melhor havia feito em Mundiais!
A Jamaicana não parece dar mostras de abrandar e não seria de surpreender que em 2020 batesse o seu recorde pessoal e fosse a Tóquio conquistar mais um ouro olímpico. Já a campeã olímpica Elaine Thompson (JAM) continua a levantar muitas dúvidas decorrentes dos seus problemas físicos e é, no cenário atual, uma grande incógnita.
200 METROS: DINA É ENORME, MAS HÁ UM GRANDE “MAS”…
Dina Asher-Smith (GBR) venceu a final dos 200 metros com uma grande marca de 21.88 (novo recorde britânico), depois de já ter alcançado a Prata nos 100 metros (também com recorde britânico, 10.83). Já no ano passado havia sido uma das imagens dos Europeus de Berlim, alcançando a dobradinha dos 100/200, não deixando dúvidas que é um dos maiores nomes da velocidade atual.
No entanto, os 200 metros de Doha ficam marcados por muitas ausências pelos mais variados motivos (lesões, conflito de calendário, desqualificações ou opções), sendo que a atleta mais rápida do ano nem sequer pôde participar. Shaunae Miller-Uibo (BAH) preferiu os 400 metros, uma vez que o calendário não permitia dobrar distâncias e perdeu a oportunidade de alcançar o seu primeiro Ouro nos 200, já depois de ter vencido a distância na Diamond League. Para o ano há mais e… esperemos que todos os grandes nomes.
400 METROS: AFINAL HAVIA OUTRA
Sim, Salwa Eid Naser (BHR) era já uma das duas principais favoritas – venceu as duas últimas edições da Diamond League –, mas poucos arriscariam a colocá-la com o mesmo grau de favoritismo de Shaunae Miller-Uibo (BAH), que vinha dominando a velocidade de 200 e 400. Havia batido Naser no único confronto entre as duas nos últimos dois anos e que se sabia que iria a Doha correr para recorde pessoal. Em previsões pessoais partilhadas no início do ano até coloquei Naser com o Ouro – o que já era uma previsão arriscadíssima –, mas certamente que pela cabeça não passou um tempo de 48.14 segundos!
O tempo coloca Naser como a 3.ª mais rápida de sempre (para muitos a 1.ª dadas as altas suspeitas em relação a Koch e Kratochvílová) e a mais rápida no mundo nos últimos 34 anos! Miller-Uibo também correu mesmo para recorde pessoal, com enormes 48.37, que a colocam como a 6.ª mais rápida de sempre. Isto promete… MUITO!
800 METROS: QUEM?
Com a saída de cena de Caster Semenya (RSA), Ajee Wilson (USA) assumia o absoluto favoritismo neste evento. A norte-americana justificou o seu favoritismo nas primeiras provas pós-Semenya, dominando por completo o circuito, mas falhou no momento-chave. Em Doha, Ajee procurou colocar um ritmo altíssimo desde o início e pagou a fatura, terminando apenas com o Bronze.
À sua frente ficou outra norte-americana (Raevyn Rogers), mas a grande surpresa foi mesmo o Ouro ter ido para Halimah Nakaayi (UGA), que bateu o recorde nacional do Uganda. Nakkayi tinha muito pouco de relevante a assinalar na sua carreira internacional, mas terá que ser agora um nome a considerar para o futuro do evento.
1.500 METROS: HASSAN AFASTA FANTASMAS
Em Doha, Sifan Hassan (HOL) provou que também sabe ganhar em eventos globais ao ar livre e fê-lo com mestria nos 10.000 e nos 1.500, alcançando uma dobradinha inédita. Nesta prova teve o mérito de bater três atletas que bateram os recordes pessoais, em 3:54 (!), sendo que uma delas era Faith Kipyegon (KEN) – a então campeã mundial e olímpica -, que bateu mesmo o recorde queniano, chegando apenas para a Prata!
Hassan correu em inacreditáveis 3:51.95, um novo recorde europeu e uma marca que a deixa apenas atrás de Genzebe Dibaba (ETH) e das suspeitas marcas chinesas na história da distância. Não que os fantasmas do doping não tenham pairado por Doha. Afinal, poucos dias antes, em plenos Mundiais, o famoso técnico de Hassan (Alberto Salazar) havia sido notificado da sua suspensão do Atletismo por quatro anos por… infrações do código antidoping. Com quatro atletas abaixo dos 3.55 (nove abaixo dos quatro minutos) e sem Genzebe que falhou os Mundiais por lesão, este evento será um dos mais excitantes para 2020.
5.000 METROS: VENCER NO CORTA-MATO E EM PISTA
Cheptegei fê-lo, mas Hellen Obiri deu o mote um dia antes, aliando a vitória nos Mundiais de Corta-Mato do início do ano, a esta vitória em pista já em Outubro – quase sete meses depois! Obiri provou, mais uma vez, que é nesta distância onde se sente “na sua praia” em pista, controlando a prova e atacando quando quis, terminando em 14:26.72, um novo recorde do campeonato! Kipkemboi (KEN) também bateu um recorde pessoal para a Prata e Klosterhalfen (GER) pôs a Europa no pódio. Com o festival de Obiri, fica a sensação de que Hassan (HOL) fez bem em fazer os 1.500/10.000, não competindo nos 5.000 metros e fica a certeza de que o Crosse e a Pista são complementares.
10.000 METROS: A PARTE 1 DE HASSAN – ELA VAI A TODAS
Para a maioria dos atletas, a aposta nos 10.000 significa que dificilmente estarão preparados para competir em outro evento nos mesmos Campeonatos (pelo menos, ao mesmo nível). Não era o caso de Hassan que sabia que faria os 10.000 no primeiro dia e que depois iria lutar por outro Ouro nos 1.500 ou 5.000 (e fê-lo nos 1.500…). A holandesa não deu nenhuma mostra de se estar a poupar, tendo conquistado o Ouro com a melhor marca mundial do ano – 30:17.62. Atenção à jovem Gidey (ETH), que com 21 anos, fez frente a Hassan e alcançou um excelente recorde pessoal (30:21.23).
MARATONA: O TESTE DE RESISTÊNCIA
A Maratona já é conhecida por ser um autêntico teste de esforço e resistência, mas em Doha isso foi levado ao limite, sendo que esta foi a prova em que as condições atmosféricas em estrada estiveram mais adversas para os atletas. Ainda assim, o pódio foi composto por três favoritas e o Ouro voltou para o Quénia, com Ruth Chepngetich a alcançar a vitória mais lenta de sempre em Mundiais (2:32:43). Poucas ilações há a retirar para 2020. As principais Maratonas não terão os problemas de Doha e os Olímpicos agora também não, com a alteração das provas de estrada de Tóquio para Sapporo.
100 BARREIRAS: O SEGREDO É SER MÃE?!
Havia duas favoritas claras para esta final: a recordista mundial, Kendra Harrison (USA) e a líder mundial Danielle Williams (JAM), que havia dominado o circuito internacional depois da polémica nos Trials jamaicanos. Havia ainda a considerar a campeã olímpica, Briana McNeal (USA), que vinha a fazer uma época irregular, mas que poderia chegar a Doha em força. McNeal fez logo falsa partida nas eliminatórias e ficou fora de qualquer discussão.
Na final, Nia Ali (USA) surpreendeu tudo e todos, correndo um enorme recorde pessoal (12.34) aos 30 anos, numa das finais mais rápidas de sempre em Mundiais. A norte-americana já havia sido Prata no Rio e tinha títulos indoor, mas ninguém acreditava que um ano depois de ter sido mãe pela segunda vez (desta vez o papá é… Andre de Grasse!) pudesse voltar uma melhor atleta do que alguma vez o foi, sagrando-se campeão mundial. Em 2020 vai ser a guerra do costume num evento recheado de qualidade!
400 BARREIRAS: A MELHOR FASE DA HISTÓRIA
Com a chegada do “furacão Sydney”, Dalilah Muhammad (USA) sabia que teria que sacar da cartola algo especial para continuar a ser a dominadora do evento e fê-lo por duas vezes este ano, tendo batido, em Doha, mais uma vez, o recorde mundial! Já vai em 52.16 e Dalilah resiste assim ao ataque de Sydney McLaughlin (USA) que, aos 20 anos, já é a 2.ª mais rápida de sempre, com 52.23 segundos para alcançar a Prata em Doha.
Três meses antes, a marca de McLaughlin teria sido um enorme recorde mundial, o que demonstra bem o patamar da jovem. Será que veremos em 2020 o primeiro sub-52 da história? É difícil prever, mas é fácil constatar que a disciplina nunca foi tão excitante. Para já, este ano, Dalilah Muhammad é a grande favorita a receber o prémio da IAAF para a atleta do ano.
3.000 OBSTÁCULOS: UMA PROVA PARA CHEPKOECH, UMA PARA AS OUTRAS
O fosso da recordista mundial, Beatrice Chepkoech (KEN), para todas as outras atletas na disciplina é tão grande que a queniana já pouco se preocupa com as suas adversárias. Assume o comando das provas com ritmos quase suicidas porque sabe que ninguém vai com ela. Assim foi, mais uma vez, em Doha, e fechou com um novo recorde dos campeonatos (8:57.84) para se sagrar campeã mundial pela primeira vez. Quase cinco segundos separaram Chepkoech de Emma Coburn (USA), que havia sido Ouro em Londres e que volta a fazer boa figura em Mundiais. Surpreendente foi ver que Chepkoech foi a única queniana a chegar ao pódio num evento em que as quenianas têm sempre a pretensão de ter um pódio 100% nacional.
20 KM MARCHA: LIU HONG VOLTA AO TOPO
Em mais uma prova que ser mãe a meio da carreira já não assusta as grandes atletas, Liu Hong (CHI) regressou da maternidade para também conquistar o título mundial em Doha, apesar das muito complicadas condições atmosféricas. A chinesa chegou assim às cinco medalhas em Mundiais, sendo que três são de Ouro! Em Tóquio, irá tentar alcançar a sua 3.ª medalha olímpica e repetir a de Ouro, que já alcançou no Rio. Não chegou a Doha como a mais rápida do ano, mas, na hora da verdade, mostrou que a experiência em grandes momentos ainda tem um peso enorme!
50 KM MARCHA: UM EVENTO QUE NÃO EXISTIA E QUE DEVE PASSAR A NÃO EXISTIR
O evento pode estar em vias de terminar em grandes competições (fala-se muito na redução para 40 km ou até 30 km), mas Riu Liang (CHI) queria mesmo este título mundial, depois de já ter alcançado a Taça Mundial do ano passado. Sucedeu a Inês Henriques (POR) que até andou com ela até uma parte adiantada da prova, mas a portuguesa viria a não terminar a prova. O futuro do evento é uma total incerteza e parece que não fará mesmo parte do programa dos Jogos Olímpicos do próximo ano.
4×100: JAMAICA SEM RIVAIS
A Jamaica já era a grande favorita à vitória nesta disciplina, mas as ausências de Briana Williams (falhou os Mundiais) e Elaine Thompson (abdicou, por lesão, após os 100 metros) levantaram muitas dúvidas se as caribenhas tinham o suficiente para levar a vitória. Nem isso foi problema para a Jamaica, que até utilizou a quatrocentista Shericka Jackson no último percurso e venceu facilmente a final. A Grã-Bretanha provou, mais uma vez, que está um patamar acima dos USA neste evento, embora as norte-americanos devam aparecer bem mais fortes em 2020.
4×400: AQUI SÓ DÁ MESMO USA
Não há uma outra nação com tantos atletas de elite na volta à pista como os Estados Unidos e isso voltou a ficar provado em Doha. Podem utilizar atletas de elite especializados com ou sem barreiras, que dificilmente perderão num futuro próximo o Ouro. Destaque para a Polónia que voltou a mostrar força ao conquistar a Prata.
4×400 MISTOS: USA, USA, USA…
Esta não é uma prova exclusivamente feminina, mas a estrela de companhia foi Allyson Felix, que alcançou mais um Ouro, poucos meses depois da maternidade e por isso faz sentido que a prova mista seja aqui mencionada. Os USA dominaram totalmente, limpando as três provas de 4×400 sem qualquer surpresa. Sem as Bahamas – o calendário não permitiu assistirmos a uma estafeta poderosa liderada por Miller-Uibo e Gardiner – o Bahrein surpreendeu ao entrar no pódio, com mais um grande percurso de Salwa Eid Naser. É difícil prever o que o evento será em 2020 – além do muito provável domínio norte-americano – mas confessamos que gostaríamos de ver mais estratégias diferentes da típica “homem-mulher-mulher-homem”.
SALTO EM ALTURA: FINALMENTE, RIVALIDADE PARA LASITSKENE
Mariya Lasitskene (RUS) tem dominado de forma esmagadora o circuito. De tal forma que quando perde, isso é notícia. Em Doha, renovou o seu título mundial, mas suou mais do que pretendia. Quatro mulher passaram dos dois metros e olhando para as idades das adversárias de Lasitskene, só poderemos ficar muito entusiasmados com o que o futuro próximo nos reserva.
A azarada que ficou fora do pódio foi Yuliya Levchenko (UKR) que tem 21 anos e 21 anos também tem Vashti Cunningham (USA) que foi Bronze. Mas a grande surpresa foi mesmo Yaroslava Mahuchikh (UKR), que foi Prata, aos 18 anos, ao saltar 2.04 metros, um grande recorde mundial júnior! Num ano em que Lasitskene tem a primeira grande oportunidade de conquistar o título olímpico – a russa não pôde competir no Rio devido à suspensão da sua federação – as coisas podem-se tornar mais difíceis do que parecia há bem pouco tempo.
SALTO COM VARA: ESCOLHAM VOCÊS!
Apostar na Vara e acertar é hoje uma tarefa quase impossível. 2019 foi um ano muito equilibrado e não existia até ao fim de Setembro uma atleta que se destacasse claramente. Terminada a temporada é difícil dizer que Anzhelika Sidorova (RUS) não mostrou ser melhor nos momentos mais importantes. A russa pode não ter vencido em cinco meetings da Diamond League (incluindo a final de Bruxelas), mas venceu o título europeu indoor em Glasgow e depois foi a Doha sagrar-se campeã mundial! A russa já chegou aos 4.95 metros e já faz com que não olhemos para a disciplina como um duelo entre Sandi Morris (USA) e Katerina Stefanidi (GRE).
SALTO EM COMPRIMENTO: UMA NOVA ERA
Depois de um 2019 totalmente demolidor, Malaika Mihambo (GER) assumiu definitivamente uma dimensão global e é hoje o nome a abater no circuito. Em Doha, chegou a incríveis 7.30 metros e aproxima-se cada vez mais de marcas que pareciam inalcançáveis. Numa altura em que Brittney Reese (USA) parece falhar muito mais do que costuma e em que pouco prometedor parece o futuro para Tianna Bartoletta (USA) e Ivana Spanovic (SRB), a alemã deverá mesmo passar a ser o centro de todas as atenções na disciplina.
TRIPLO SALTO: O RECORDE MUNDIAL ESTÁ JÁ ALI
Desde a entrada em cena de Yulimar Rojas (VEN) – podemos assinalar o ano de 2016 – que o Triplo tem vindo a ser marcado pelo duelo entre a venezuelana e a colombiana Caterine Ibarguen. 2019 marca o ano em que as duas parecem alargar o fosso, com Ibarguen a não chegar aos níveis de outrora (e já quase a completar 36 anos…) e Rojas a chegar a níveis do outro mundo. A venezuelana saltou enormes 15.37 metros em Doha, mas já ninguém se admirou, pois umas semanas antes havia chegado aos 15.41 metros, a apenas nove centímetros do recorde mundial de Kravets.
Rojas foi a que mais se aproximou, em toda a história, desse recorde que dura há mais de 24 anos (!) e em 2020 deverá ser essa a sua principal aposta. Para os outros lugares do pódio, o Triplo está mais vivo do que nunca, com muita qualidade a despontar. Atenção especial a Shanieka Ricketts (JAM) que realizou uma época extremamente regular, tendo vencido a final da Diamond League (bateu Rojas ao saltar 14.93 metros) e alcançado a Prata nos Mundiais (14.92).
LANÇAMENTO DO PESO: GONG HABITUOU-SE A ISTO
Sem estar a apresentar os níveis da versão masculina, o Peso feminino tem vindo a ser dominado nos últimos três por Lijiao Gong (CHI). A chinesa que até Londres tinha conquistado seis (!) medalhas em grandes eventos globais, mas nenhuma de Ouro, foi a Doha repetir o título que havia conquistado na capital britânica dois anos antes. Falta um “marcão” a Gong e falta… um título olímpico.
LANÇAMENTO DO DISCO: A FESTA AGORA É CUBANA
Sandra Perkovic (CRO) veio diferente da paragem por lesão e nunca mais se encontrou nesta temporada. Perdeu vários meetings, perdeu a final da Diamond League, mas muitos esperavam que fosse aos Mundiais mostrar a força habitual. Não chegou sequer aos 67 metros, tendo que se contentar com o Bronze. Denia Caballero (CUB), que foi campeã em 2015, venceu importantes meetings em Paris e Estocolmo, mas Yaimé Pérez (CUB) esteve um nível acima, vencendo três meetings da Diamond League, incluindo a final de Bruxelas e indo depois a Doha conquistar o título mundial. Em 2020 tudo deverá voltar a ser entre as três.
LANÇAMENTO DO MARTELO: UMA NORTE-AMERICANA PELA PRIMEIRA VEZ
Já se sabia que iria ser uma disciplina muito diferente nos Mundiais de Doha, uma vez que a grande estrela da história da disciplina, Anita Wlodarczyk (POL), tem andado a sofrer com lesões e não poderia estar em Doha (a competir, porque por lá ela até esteve!). Joana Fiodorow (POL) salvou a honra polaca, lançando um novo máximo pessoal para entrar no lugar da Prata, mas a vitória foi mesmo para DeAnna Price (USA), que foi a primeira atleta norte-americana a entrar num pódio da disciplina. Price é já a 4.ª a lançar mais longe na história e parece ter todas as condições para ser o novo grande nome do Martelo. Isto, claro, se Anita não regressar em 2020 à sua forma habitual.
LANÇAMENTO DO DARTO: HUIUI (NÃO) QUER GANHAR
É óbvio que Lyu Huihui (CHI) quer ganhar um evento global, mas não parece nada…A chinesa chegou ao Qatar com uma grande série de vitórias consecutivas em 2019, como líder mundial (e ainda é…), mas voltou a não conseguir o Ouro. Na hora da verdade, Huihui nem chegou aos 66 metros e teve que se contentar com o Bronze. Tem zero medalhas olímpicas, três em Mundiais, mas zero de Ouro e já vai com 30 anos…
A inesperada vencedora foi Kelsey-Lee Barber (NZL) que tem que entrar nas nossas contas para 2020, embora tenhamos a sensação de que poderá ser um daqueles casos em que uma vitória do género é quase irrepetível. De qualquer forma, a verdade é que já tem mais títulos globais que Huihui.
HEPTATLO: O GRITO DE KATARINA

Fonte: IAAF
Katarina Johnson-Thompson (GBR) já tinha títulos mundiais e europeus em pista coberta, mas nenhum deles com Nafi Thiam (BEL) em competição. A britânica referiu há pouco tempo que sofre do “síndrome do impostor” e muitos de nós, embora reconhecendo a sua enorme qualidade, não pensávamos também que, neste momento, tivesse o necessário para bater Thiam. Mas a britânica conquistou mesmo o título mundial!
E se é verdade que Thiam esteve bem abaixo do habitual – provavelmente os efeitos de uma lesão contraída no verão – isso não deve servir para rebaixar o feito de Johnson-Thompson, que fez uma competição excepcional, subindo a 6ª de sempre e batendo mesmo o recorde nacional britânico da mítica Jessica Ennis-Hill. Será muito interessante em 2020 ver como Nafi Thiam reage e ver se Johnson-Thompson alcança mesmo a primeira medalha olímpica.
Foto de Capa: IAAF
artigo revisto por: Ana Ferreira


























