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Paris recebe a Diamond League. E promete!

Pedro Pires · 10 min

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A Diamond League regressa já este sábado, sendo que é a vez de Paris receber algumas das maiores estrelas do Atletismo Mundial. Ainda que o meeting ocorra a uma hora nada simpática para os portugueses adeptos do desporto em geral – será à mesma hora do Portugal-Uruguai para o Mundial de futebol – existirão vários motivos de interesse, seja para acompanhar em directo ou mais tarde em diferido.

De seguida, passaremos a elencar as dez principais provas a acompanhar, procurando mais uma vez distribuir as mesmas equitativamente pelo masculino e feminino.

Masculino

100 Metros: Yohan Blake é o homem mais rápido do planeta em actividade, mas este ano, e apesar de um prometedor início de temporada, ainda não baixou dos 10 segundos. Veremos se é em Paris que o conseguirá fazer. Caso não o faça, dificilmente levará a vitória numa prova que contará com 6 (!) homens que já baixaram dos 10 segundos este ano. Su Bingtian bateu o recorde nacional chinês no fim-de-semana passado com um melhor pessoal de 9.91 segundos, num ano em que já foi Prata nos Mundiais de Pista Coberta de Birmingham.

https://www.youtube.com/watch?v=9aYohOy4w_Y

Su Bingtian a disparar para um novo recorde nacional

Nesses Mundiais, o medalhado de Bronze foi Ronnie Baker, que também aqui estará e já depois de ter corrido em 9.90 no fim-de-semana passado nos Nacionais Norte-Americanos. Nessa mesma competição, brilhou nas eliminatórias Mike Rodgers que correu em 9.89. Os dois norte-americanos até poderão ser os favoritos, mas terão que bater um atleta da casa em excelente forma: Jimmy Vicaut! Vicaut correu há duas semanas em Marselha em 9.92, mostrando estar pronto para atacar o Ouro nos Europeus de Berlim. Os outros dois que já baixaram dos 10 segundos é o sul-africano Akani Simbine e o atleta da Costa do Marfim Arthur Cissé que entrou para 2018 com um melhor pessoal de 10.19 e que há duas semanas correu em Leverkusen em 9.94 segundos, um novo recorde nacional!

200 Metros: Não é uma prova que conte para os cálculos da Liga Diamante, mas o elenco bastante diferente do normal, mas prometedor de bons resultados, deixa-nos bastante curiosos com o que esperar daqui. Para começar, poderemos ver Bruno Hortelano, dias depois de se ter tornado recordista nacional espanhol dos 400, somando aos recordes que já dispunha nos 100 e 200 metros. Esta parece ser a distância que Hortelano irá focar-se em Berlim e, portanto, temos muitas expectativas para saber o que o mesmo poderá fazer aqui em Paris.

O regresso do atleta, depois de um grave acidente, parece ser uma história retirada de um conto de fadas. Será que fica por aqui?
Fonte: European Athletics

Por Paris também estará a estrela local, Christophe Lemaitre, ele que já foi campeão europeu nesta distância (e nos 100) e que é o actual medalhado de Bronze olímpico. Mas a grande curiosidade estará em ver o que poderão fazer duas estreias, dois jovens vindos directamente dos Universitários norte-americanos e para um evento que não é o evento onde se têm destacado. Rai Benjamin conseguiu igualar o segundo melhor tempo da história nos 400 metros barreiras, mas os 20.34 segundos em que correu os 200 metros em Pista Coberta, este ano, deram excelentes indicações para esta distância. O outro é Michael Norman. Norman tem somado prestações de elevadíssimo nível nos 400 metros (recorde pessoal de 43.61 e recorde mundial Indoor em 44.52), mas foi nos 200 metros que se sagrou campeão mundial júnior em 2016. Este ano já correu em 20.06 e com vento contrário de -1.4. Baixar dos 20 segundos e melhorar o seu recorde pessoal parece bastante dentro das possibilidades.

400 Metros Com Barreiras: Tem sido uma das provas em maior destaque em 2018 e aqui em Paris não será diferente. Se o líder do ano estará a correr os 200, com um olhar posto nesta prova, por aqui poderemos ver aquele que tem sido o mais dominador da época, Abderrahman Samba! Samba tem 5 marcas consecutivas abaixo dos 48 segundos, algo que não se via desde 1995! Tem o novo recorde da Diamond League, o novo recorde do Qatar e o novo recorde da Ásia. Veremos o que estas 3 semanas de paragem lhe poderão ter feito, para o bem ou para o mal. Para o testar nada melhor que um elenco de luxo, encabeçado pelo campeão mundial, Karsten Warholm, que começou a época em excelente forma também com novo recorde norueguês e europeu sub-23. Kyron McMaster, o vencedor da Diamond League 2017, é outro dos presentes, assim como dois nomes gigantes de um passado não muito distante, mas que parece mais longe tal o ritmo a que o evento tem mudado: Kerron Clement que é ainda o actual campeão olímpico e Bershawn Jackson, um ex-campeão mundial do evento e o 11º homem mais rápido da história.

Salto Com Vara: Armand Duplantis começa cada vez mais a dar que falar, depois de já ter batido, aos 18 anos, todos os grandes nomes da disciplina. Ele estará aqui em Paris, com expectativas elevadas, depois de duas importantíssimas vitórias, na Diamond League de Estocolmo (batendo Kendricks) e em Montreuil (batendo Lavillenie). Esses dois nomes gigantes do Atletismo estarão por aqui e certamente não pretenderão ver o jovem sueco a roubar-lhes todas as atenções. Eles sabem que Duplantis é o futuro da disciplina, mas não pretendem que seja também já o presente. Mais uma interessantíssima prova, que contará ainda com nomes como o do campeão olímpico, Thiago Braz da Silva ou Shawn Barber (o campeão mundial de Pequim). Piotr Lisek, Pawel Wojciechowski ou Raphael Holzdeppe ajudam a compor um elenco que tem toda a nata da elite mundial da Vara.

Lançamento do Disco: Das 8 melhores marcas do ano, 6 pertencem a Andrius Gudzius. O lituano que se tornou campeão mundial em Londres no ano passado parecia estar a ter um ano verdadeiramente imparável, mas perdeu em Estocolmo para Fedrick Dacres, que lançou 69.67 metros, naquela que é a melhor marca mundial do ano e um novo recorde nacional jamaicano e recorde do meeting de Estocolmo.

Dacres confessou nos últimos dias estar a enfrentar alguns problemas com o seu joelho e que ajustou a técnica de lançamento para este embate. Será ele capaz de bater Gudzius nestas condições? A vitória até pode não ir para nenhum dos dois. É que a prova conta ainda com o campeão olímpico do Rio (Christoph Harting), o campeão mundial de Pequim (Piotr Malachowski), o medalhado de Prata de Londres e atleta com a melhor marca de 2017 (Daniel Stahl) e um outro medalhado olímpico e mundial, que este ano já lançou acima dos 68 metros (Ehsan Hadadi). Luxo.

Feminino

200 Metros: Marie-Josée Ta Lou tem sido totalmente dominadora na distância mais curta (100 metros), mas nos 200 ainda não teve um tempo próximo do seu melhor pessoal. Apesar disso, da última vez que a costa-marfinense disputou uma prova de 200, venceu na Diamond League de Roma em 22.49 (-1.7). Que irá melhorar a sua melhor marca do ano na distância existem poucas dúvidas, a questão é se isso será suficiente para vencer aqui em Paris. As principais ameaças parecem vir de duas atletas que têm corrido especialmente rápido nesta temporada. Shericka Jackson à cabeça, que parece ter recuperado o momentum e depois de ter baixo consideravelmente as suas marcas no pós-Commonwealth Games, retomou a sua excelente forma ao vencer os nacionais jamaicanos em 22.28 (+0.4) no passado fim-de-semana. O seu recorde pessoal de 22.18 (+0.9) na final dos Jogos da Comunidade Britânica deu-lhe um segundo lugar (apenas atrás de Miller-Uibo), e um tempo semelhante a esse (na casa dos 22.1) deverá ser necessário para vencer esta etapa. Outra atleta em excelente forma é Jenna Prandini. Sagrou-se campeã nacional norte-americana no passado fim-de-semana e motivação não lhe deverá faltar. Presentes também estarão Kyra Jefferson, Kimberly Duncan ou Tatjana Pinto.

400 Metros: Já aqui dissemos que é um evento que está a ganhar uma nova alma também no feminino e algumas das principais responsáveis estarão aqui presentes. É o caso de Salwa Eid Naser. A jovem de 20 anos do Bahrein tem mostrado uma impressionante consistência desde a temporada passada (onde, recorde-se, foi Prata em Londres) e este ano fez apenas 3 provas, todas elas em meetings da Diamond League e…venceu todas elas! Tem vindo a melhorar os seus resultados de forma gradual e o seu recorde pessoal já vai nos 49.84. Sabemos que há em pista quem já tenha corrido mais rápido do que ela, mas Naser é uma daquelas atletas que é muito difícil de ser batida, caso chegue aos 100 metros finais em boa posição. Por Paris estará a campeã mundial, Phillys Francis. Tem vindo a melhorar a sua forma, tendo estado próximo de baixar dos 50 segundos em Estocolmo (50.07). As excelentes indicações que deu nos 200 metros dos Nacionais Norte-Americanas, onde foi segunda, permitem-lhe chegar aqui com otimismo.

Um elenco muito semelhante ao de Oslo volta a encontrar-se em Paris!

Mas ambas terão que enfrentar Shakima Wimbley! Wimbley correu rápido, muito rápido, nos Nacionais Norte-Americanos, para levar o título dos 400 metros em 49.52, igualando a melhor marca mundial do ano na distância! O mais impressionante ainda é que foi a primeira vez que a atleta baixou dos 50 segundos (!), ela que tinha sido Prata nos Mundiais Indoor de Birmingham. E quem aí foi Ouro, Courtney Okolo, também estará por Paris, depois do quarto lugar nos Nacionais, mostrando ainda dificuldades para dar o melhor seguimento à sua extraordinária época indoor. Jessica Beard, Prata nos Nacionais norte-americanos, presente estará e por fim referir Stephenie Ann McPherson, que chega aqui dias depois de se sagrar campeã nacional jamaicana, pronta para dar luta.

800 Metros: Uma prova que cheira a final de evento global, com uma qualidade impressionante e vários focos de interesse. Primeiro, perceber onde está Semenya hoje depois de há um mês atrás ter ficado na casa do 1:55, bem próximo do seu recorde pessoal.

A impressionante prova de Caster Semenya em Eugene

Enfrentará as ameaças habituais de Francine Niyonsaba e Margaret Wambui, mas com uns condimentos extra. Para começar, Habitam Alemu. A etíope, de apenas 20 anos, anda a mostrar ser capaz de se bater com as maiores e mostra consistência abaixo dos 2 minutos. O mesmo acontece com as norte-americanas Charlene Lipsey e, sobretudo, Ajee Wilson, dias depois de se sagrar campeã nacional. E há ainda Sifan Hassan. A holandesa irá realizar a sua primeira prova do ano em 800 metros e existe alguma curiosidade em perceber como a mesma se apresentará e se esta será uma das apostas nos Europeus de Berlim. Uma curiosidade acerca desta prova: à excepção de uma atleta (Claudia Saunders), todas as outras 11 atletas já correram na sua carreira abaixo de 1:59!

Triplo Salto: Todas as atletas em prova já saltaram acima dos 14 metros ao ar livre nesta temporada e isso diz bem da qualidade do elenco de 11 atletas que está previsto competir. A favorita deverá ser Caterine Ibarguen, aquela a quem já podemos chamar uma lenda do Triplo e que virá a Paris para alcançar mais uma vitória. Até se pensou que se poderia ver aqui um duelo com Yulimar Rojas, mas a venezuelana voltou a adiar a sua estreia na temporada 2018 da Diamond League. Ainda assim, Ibarguen não terá vida fácil. Terá pela frente a líder do ranking mundial (14.84) e recordista nacional norte-americana, Tori Franklin, e as duas jamaicanas que têm estado em grande plano, Kimberly Williams e Shanieka Ricketts. Outro nome em grande destaque e que já alcançou um recorde pessoal de 14.59 esta temporada é o da brasileira Nubia Soares. Por Paris estará também a espanhola Ana Peleteiro, que tem realizado uma temporada 2018 de altíssimo nível, com bons resultados a um nível consistente e, por fim, referir a presença de dois nomes grandes, que ainda não mostraram toda a sua qualidade em 2018 mas que podem aparecer a qualquer momento: Olga Rypakova e Hanna Minenko.

Salto em Altura: Mariya Lasitskene tem 44 vitórias consecutivas no momento. Leram bem, não há qualquer falha. Em condições normais, seria mais uma prova apenas para Lasitskene e a expectativa seria apenas onde ela iria parar. Mas aqui hoje terá pela frente algo novo. A estrela das provas combinadas, Nafi Thiam, até chegou a liderar o ranking mundial há algumas semanas, quando conseguiu o seu melhor pessoal na Altura, ao saltar 2.01 metros.

Será Nafi Thiam capaz de bater Lasitskene?
Fonte: IAAF

As duas irão enfrentar-se pela primeira vez nesta temporada aqui em Paris, num encontro que tem suscitado alguma expectativa. Também competirá Mirela Demireva, a Prata do Rio, que bateu um recorde pessoal em Estocolmo, passando pela primeira vez a fasquia dos 2 metros. As 11 atletas confirmadas já passaram, pelo menos, a 1.90 metros nesta temporada. Um dado que reflete bem a qualidade do elenco escolhido.

A etapa de Paris da Diamond League terá transmissão em directo para Portugal a partir das 19 horas de Sábado com transmissão em directo na SportTv 3, com os comentários habituais do António Fernandes.

Foto de Capa: Tampere 2018

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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