Sonho do Olimpo #4: O primeiro ouro feminino que salvou a pátria

A MODALIDADE: TÉNIS

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Das batidas cardíacas, vamos para as batidas na raquete, e do asfalto, «corremos» para o court. Assim fazemos a transição para uma das modalidades mais visionadas por todo o mundo, que também escreveu história em Seul.

O ténis, antes de mais, como a maioria das modalidades, sofreu inúmeras mutações até chegar ao estado atual. Começou no Egipto – sem raquetes e apenas com o uso de mãos de forma a praticar a modalidade – e mais tarde, na Europa do Sul, em Itália e França, a versão mais semelhante à moderna apareceu. Depois, foi em Inglaterra que a modalidade ganhou vida, com a criação de Wimbledon em 1877 – o torneio mais prestigiado do mundo.

Foi, contudo, nas Olimpíadas de 1986 que o ténis se mostrou ao mundo. Na cidade de Atenas escreveu-se um capítulo de uma história no mínimo muito curiosa…com um campeão inesperado.

Só para terem uma ideia, John Pius Boland viajou para a Grécia como um mero espectador, e lá ele acabou por conhecer o grego Dionysios Kasdaglis, que o convenceu a se inscrever no torneio de ténis. Boland aceitou o convite e, surpreendentemente, chegou à final precisamente…contra Kasdaglis! Boland venceu por 2-0 (6-2 e 6-2) e conquistou o primeiro ouro da história dos Jogos na modalidade, catapultando o ditado «amigos, amigos…negócios à parte», para outra dimensão.

Deixemos a história (longínqua) para outra ocasião e foquemos em Seul. Ora, nestes Jogos de 1988 o ténis – após 64 anos “à deriva” – voltou a ser confirmado como modalidade olímpica, o que impulsionou a modalidade para feitos épicos.

O exemplo surgiu logo nessa época, ao passo que, de apenas 19 anos de idade, a alemã Steffi Graf – número um do mundo – atingiu um feito até hoje inédito na história do ténis. Em 1988, Graf chegou às Olimpíadas de Seul como campeã dos quatro mais importantes torneios singulares da época: o Grand Slam de Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Para completar o ano perfeito, faltava um…e conseguiu mesmo! A então jovem atleta arrecadou o ouro e conseguiu a melhor temporada individual que há memória!

A partir dos Jogos de Sydney em 2000, o ténis olímpico passou por uma alteração fundamental. O torneio começou a contar pontos para o ranking ATP atraindo os principais nomes da modalidade, que antes descartavam as Olimpíadas para priorizar a preparação para outros torneios.

Nas últimas três edições, os tenistas consagrados entre os melhores do mundo conquistaram o ouro olímpico, entre os quais o espanhol Rafael Nadal, em Pequim (2008) e o britânico Andy Murray, que glorificou-se como bicampeão, subindo ao topo do pódio em Londres (2012) e depois no Rio de Janeiro (2016).

Faltam pouco mais de três meses para o princípio dos Jogos Olímpicos na cidade de Tóquio, mas como referido no início do artigo – e à semelhança do que Rosa Mota fez – ainda lhe falta uma maratona para concluir o nosso «Sonho do Olimpo», onde relembramos a história dos Jogos Olímpicos. Dito isto, a nossa caminhada ainda não vai a meio, portanto, «Não perca o próximo artigo, porque nós também não!».

Diogo Silva
Diogo Silvahttp://www.bolanarede.pt
O Diogo lembra-se de seguir futebol religiosamente desde que nasceu, e de se apaixonar pelo basquetebol assim que começou a praticar a modalidade (prática que durou uma década). O diálogo desportivo, nas longas viagens de carro com o pai, fez o Diogo sonhar com um jornalismo apaixonado e virtuoso.

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