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Jamal Crawford: A «velha» cara conhecida que retorna à NBA

Vicente Tigre Avelar · 4 min

Jamal Crawford: A «velha» cara conhecida que retorna à NBA
Foto: LA Clippers

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Jamal Crawford, extremo-base de 40 anos com 20 anos de experiência na liga milionária, retorna à NBA depois de mais de metade da época sem ofertas! O extremo-base irá atuar pelos Brooklyn Nets até ao final da época, equipa que se encontra sem a sua principal estrela em Kyrie Irving, e que conta com baixas como DeAndre Jordan, Spencer Dinwiddie, Wilson Chandler e ainda Taurean Prince.

Crawford será uma boa ajuda ofensiva para a equipa que se encontra em sétimo lugar na sua conferência, que ainda não tem o passaporte carimbado para os Playoffs, uma vez que ainda serão jogados oito jogos.

Crawford é conhecido pela sua garra no meio campo ofensivo e por ser uma “arma secreta” a partir do banco que gera pontos facilmente. Depois de nas suas duas últimas épocas profissionais ter sido um jogador um pouco aquém daquilo que nos habituou, Crawford viu a sua carreira estar em risco de terminar, não tendo nenhuma oferta de uma equipa da NBA durante a pré-temporada e toda a época de 2019/2020.

Apesar de, na época 2017/18, ainda ter sido uma peça fundamental na segunda unidade dos Minnesota Timberwolves, tendo médias de 20.7 minutos por jogos, produzindo 10.3 pontos por jogo juntamente com 2.3 assistências, a sua última época, 2018/2019, com os Phoenix Suns foi algo apagada, ofensivamente. Apesar de as memórias para os fãs do três vezes “Sixth Man of The Year” serem boas, contando com game-winners e ainda um jogo de 50 pontos para a despedida com a camisola dos Suns, a época foi algo desapontante. Com médias de 7.8 pontos por jogo em apenas 39.7% de eficácia, contando ainda com uns sólidos 19 minutos por jogo, Crawford já parecia algo “veterano”.

Crawford marcou 51 pontos, no último jogo da época ao serviço dos Phoenix Suns
Fonte: Phoenix Suns

Apesar de os números não serem de todo preocupantes quando se trata de um jogador de 39 anos (na altura), o problema não é de todo o ataque, mas sim a defesa. Grande parte dos “General Managers” afirmam que, apesar da sua facilidade ofensiva para gerar pontos ou até jogadas para os colegas de equipa, na defesa, Crawford é um risco. Não contando com o facto de, na sua última época, ter tido ainda 1.6 turnovers por jogos, Crawford teve um dos piores “plus/minus” da NBA, com -2.9 (significa que, em 100 posses de bola, Crawford contribui 3.9 pontos defensivos abaixo da média de um jogador da NBA). A defesa é a principal debilidade do extremo-base de 40 anos e, geralmente, o lado do campo onde a idade mais pesa.

É no balneário que a melhor impressão de Jamal Crawford fica. O extremo já tinha referido que tinha chegado a um ponto na sua carreira que aquilo a que mais dava valor era o seu impacto nos outros, e em conseguir ser um bom pilar e uma boa ajuda para a nova geração. Desempenhando um papel fundamental para o desenvolvimento de Karl Anthony Towns e Andrew Wiggins, duas jovens estrelas, Crawford vinha mesmo a ganhar, na época 2017/18, o “Teammate of The Year Award”. Também na época seguinte, pelos Suns, Devin Booker e Josh Jackson salientavam a importância da sua presença no balneário.

Crawford é, no entanto, um jogador de renome, detendo ainda alguns recordes impressionantes na NBA. Foi o primeiro jogador a ganhar os “Sixth man of the Year” por três ocasiões diferentes (duas ao serviço dos LA Clippers e uma dos Atlanta Hawks). Durante bastante tempo (antes da explosão ofensiva de James Harden) era o líder, de sempre, da NBA em jogadas de 4-pontos (marcar um triplo com cesto e falta). E, ainda, é o único jogador da história com um jogo a marcar 50 pontos ou mais por quatro equipas diferentes (Chicago Bulls,New York Knicks, Golden State Warrios e Phoenix Suns).

Crawford é, sem duvida, um jogador ofensivo fenomenal, que consegue ficar “quente” em segundos, e assim que entra causar um impacto positivo no jogo. No entanto, por muito que na nossa memória fiquem os seus tempos com os Atlanta Hawks de Joe Johnson e Josh Smith ou da mítica “Lob City” de Chris Paul e Blake Griffin, as últimas instâncias de Jamal Crawford na melhor liga do mundo têm ficado com um sabor amargo, como se não fosse este o jogador que outrora nos fazia ficar atento a cada posse de bola e lançamento pouco ortodoxo.

Será este o “silver lining” de Jamal Crawford? Poderá Crawford ter encontrado a sua casa, prolongando o contrato para a época seguinte, na equipa de Brooklyn que já conta com a ajuda de Kyrie Irving, Spencer Dinwidee e, futuramente, Kevin Durant? Ou Crawford é apenas um “jogador de recurso” que veio apenas preencher as baixas dos Brooklyn Nets?

Se há coisa que os últimos quatro meses nos mostraram foi que o futuro é imprevisível. Esta poderá ser a última oportunidade para ver um jogador como Crawford, que nos traz imensas boas recordações, que podemos vir a ter. Poderá ser a última vez que veremos um “shake and bake” num jogo da NBA (pois Crawford é conhecido por participar em pro-am leagues, ligas de verão com jogadores amadores e profissionais).

Os Bubble Games estão já aí à porta e notícias como esta fazem com que este final de época, afinal, possa ser uma boa e nova experiência.

Foto de Capa: LA Clippers

Artigo revisto por Joana Mendes

Vicente Tigre Avelar

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