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As potenciais trocas que se podem concretizar na «offseason» | NBA

Diogo Valente Vieira · 12 min

Trocas
Foto: Indiana Pacers

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É sempre época de trocas na NBA. Mesmo quando as equipas não podem realmente trocar jogadores – como agora – estas deveriam pelo menos considerar (se não mesmo delinear) acordos futuros para atualizar e melhorar os seus planteís.

Para franchises que, atualmente, não estão a disputar os play-offs ou na caça ao título, provavelmente é natural (e em muitos casos, sábio) olhar para o futuro. “Quem devemos visar no draft? Que jogadores livres podem encaixar na nossa dinâmica e se temos poderio económico para obté-los? Que oportunidades o mercado de trocas nos oferece?”.

Muitas equipas estão a fazer estas perguntas e muitas mais. Neste artigo, o foco está nos rumores sobre possíveis mudanças de atletas entre organizações. A cada offseason, jogadores notáveis ​​são movidos em trocas e, mesmo quando sabemos que algo está por vir, os próprios negócios normalmente surpreendem-nos.

E, embora os playoffs deste ano sejam um dos melhores da história recente da liga, sem nenhum favorito claro para vencer o título, a offseason será igualmente entusiasmante. Apesar de não haver uma grande multiplicidade de jogadores livres renomados (Zach LaVine é o nome mais notável, mas certamente vai assinar novamente com os Chicago Bulls), o desfecho atípico de temporada para algumas organizações de topo certamente obrigará a uma tonelada de negociações prestes a iniciarem-se.

Consequentemente, existem grandes probabilidades de organizações como os Los Angeles Lakers, os New York Knicks e os Sacramento Kings apresentarem-se na próxima temporada com uma nova configuração. Nestes três casos em particular, figuras como Russell Westbrook, Evan Fournier, Kemba Walker e Harrison Barnes poderão estar disponíveis no mercado de trocas. E estes são apenas alguns dos principais exemplos.

O objetivo é construir acordos hipotéticos que têm chances reais de se concretizarem neste durante o verão.

Foto de Capa: Indiana Pacers

Artigo redigido por Diogo Vieira

1. A ESTRELA QUE FALTA PARA CONQUISTAR O SONHO INALCANÇÁVEL

76ers recebem: Bradley Beal

Wizards recebem: Tobias Harris, Jaden Springer, Isaiah Joe e uma escolha de draft em 2024 (1ª ronda)

Parece cada vez menos provável que Bradley Beal esteja no plantel dos Wizards na próxima temporada. Não importa quantas vezes o atleta diga que voltará, simplesmente não parece realista.

Segundo rumores que já circulam online e nos media norte-americanos há alguns meses, Beal está a tentar forçar a mudança para Filadélfia, com o intuito de formar um “Big 3” ao lado de Joel Embiid e James Harden. Caso isto se verifique, trata-se da derradeira aposta dos 76ers, na esperança de conquistar um título que foge à organização desde 1983.

Embiid encontra-se atualmente na luta pela distinção de MVP da temporada regular e é uma das grandes estrelas de toda a liga. Como tal, os 76ers estão pressionados a construir uma equipa vencedora em torno do melhor marcador de pontos da temporada 2021/2022, correndo o risco de desperdiçar o talento de um jogador que está no seu auge.

Nesse sentido, Daryl Morey, diretor executivo do franchise, trocou Ben Simmons, envolvido em constantes polémicas com a equipa, por James Harden, habitual «All-Star» e jogador mais valioso da NBA em 2017/2018. Contudo, Harden não tem atuado ao seu melhor nível e tem revelado nestes play-offs constantes dificuldades em afirmar-se como a segunda referência necessária para a dinimização de um grupo competitivo .

Com Joel Embiid condicionado por lesão, será muito difícil para os 76ers ultrapassar na segunda eliminatória dos play-offs uma equipa dos Miami Heat na máxima força. Todos estes fatores podem explicar o desejo de Morey em garantir mais uma arma ofensiva que possa auxiliar os seus dois craques em 2022/2023.

Esta possibilidade é impulsionada pelo contexto vivido em Washington, no sentido em que, depois de um começo prometedor, os Wizards perderam fôlogo e acabaram esta época nos últimos lugares da Conferência Este. Embora o conjunto da capital norte-americana tenha Kyle Kuzma e Kristaps Porzingis no seu cinco inicial, a equipa aparenta continuar abaixo dos padrões de excelência impostos por organizações como os Bucks e os Celtics, por exemplo.

O base 3 vezes «All-Star» é a grande figura dos Wizards desde 2012, ano em que foi escolhido na 3ª posição do draft. Ainda assim, em cerca de uma década ao serviço da organização, Beal nunca chegou sequer a alcançar as finais de conferência.

O fracasso contínuo da direção em formar um plantel capaz de lutar por troféus será o principal motivo para o descontentamento de um jogador que, aos 29 anos de idade, quer acimentar o seu legado com um título no seu currículo.

Se Beal realmente tiver intenções de mudar de ares, pelo menos os Wizards recebem algo em troca com este negócio. O contrato de Tobias Hariss não é benéfico em termos salariais, mas não deixa de ser um jogador experiente, atlético e com um arsenal ofensivo variado. Juntamente com o ala, chegariam dois jogadores jovens com algum potencial e uma escolha de draft, peças que permitiriam o início de um processo de reconstrução.

2. O CAMINHO DO SUCESSO, POR VIAS DIFERENTES

Timberwolves recebem: Buddy Hield, TJ McConnell

Pacers recebem: Malik Beasley, Josh Okogie, Jordan McLaughlin

Os Minnesota Timberwolves melhoraram muito esta temporada e asseguraram a sua primeira participação nos playoffs desde a saída de Jimmy Butler. Com Anthony Edwards e Karl-Anthony Towns a reforçarem o seu estuto de craques na melhor liga de basquetebol do mundo, os Timberwolves aparentam finalmente ter uma equipa com aspirações legítimas de marcar presença nos grandes jogos durante os próximos anos.

No entanto, à medida que procuram tornar-se ainda mais competitivos no futuro, adicionar jogadores mais consistentes e experientesem torno de seu núcleo jovem deve ser a grande prioridade nesta offseason. Esta troca vai exatamente ao encontro das suas exigências.

Embora Buddy Hield possa ser um pouco mais velho e mais dispendioso em termos salariais do que Malik Beasley, o mesmo também já provou ser um atirador muito mais confiável. Tê-lo ao lado de Karl-Anthony Towns, Anthony Edwards e D’Angelo Russell daria ao conjunto de  Minnesota um atirador de elite para acrescentar ainda mais poder de fogo ao ataque.

Por sua vez,  TJ McConnell pode muito facilmente enquadrar-se como um base reserva de nível muito elevado. McConnell é um dos melhores distribuidores de jogo da liga e poderia desempenhar o papel de mentor de Edwards e, em certa medida, D’Angelo Russell, possibilitando a este a liberdade necessária para tornar-se mais num marcador de pontos, o seu estilo de jogo predileto.

Enquanto isso, os Indiana Pacers continuariam a sua reconstrução, ficando um pouco mais jovem e cortando o salário de Hield dos seus quadros financeiros. Malik Beasley é uma versão mais jovem e atlética de Hield que poderá dar um salto qualitativo significativo a jogar ao lado de Tyrese Haliburton, o base que claramente se constituíu como a grande referência da organização e em quem se depositam muitas esperanças.

Os Wolves também teriam a chance de observar de perto o desenvolvimento de Josh Okogie, um jovem defensor decente cujo potencila é um mistério, enquanto o armador Jordan McLaughlin seria contratado principalmente para fins de correspondência salarial.

3. HORNETS ENCONTRAM O SEU “CENTER”, PACERS INTENSIFICAM A SUA RECONSTRUÇÃO

Charlotte Hornets recebem: Myles Turner

Indiana Pacers recebem: Kelly Oubre Jr., JT Thor uma escolha de primeira ronda no draft de 2022

A evolução em relação à época passada é visível (primeiro saldo de vitórias positivo desde a época 2015/16), mas, mesmo assim, a equipa de Charlotte não foi capaz de passar do torneio de play-in e falhou o acesso aos playofss. Se os Hornets querem realmente sonhar em grande, como deveriam com LaMelo Ball a ascender ao estrelato e Miles Bridges a mostrar um potencial enorme, então precisam de reforçar a sua presença no «pintado» e corrigir aquela que foi uma das piores defesas da temporada (23ª posição do ranking).

Uma troca por Turner, que já esteve no radar dos Hornets anteriormente, pode resolver os dois. Defensivamente, é o melhor  que a liga tem para ofercer no que diz respeito a desarmes de lançamento e, se jogasse partidas suficientes para se classificar, estaria próximo de arrecadar o seu terceiro título de desarmes em quatro temporadas.

Ofensivamente, é um finalizador hábil o suficiente para retirar alguma da responsabilidade dos ombros de Ball e para compensar as lacunas atacantes de outros membros do plantel. Turner pode não ser uma estrela que muda a sorte de uma orgaização de um dia para o outro, mas faz o bastante para melhorar um conjunto que por si só já era prometedor.

Se os Pacers considerarem que os jovens postes Isaiah Jackson e Jalen Smith têm o talento necessário para garantir um lugar na rotação, provavelmente Turner deixará de ser tão essencial à equipa, especialmente quando precisa de assinar um novo contrato após a próxima temporada.

Descartá-lo agora pode ser a decisão de negócios prudente, principalmente se isso significar uma possível escolha de primeira ronda no draft, a 37ª escolha do ano passado em Thor e uma ala irreverente em Oubre, que pode ser mantido ou movido mais tarde para adquirir ativos extras.

4. KINGS EXPANDEM NÚCLEO JOVEM, HAWKS GANHAM ATIVOS

Sacramento Kings recebem: John Collins

Atlanta Hawks recebem: Harrison Barnes, Justin Holiday e uma escolha de primeira ronda no draft de 2022

Embora os Hawks tenham assinado um contrato de 125 milhões de dólares, válido por cinco épocas, com Collins no verão passado, nunca se sentiu que a organização estava totalmente comprometida com o jogador. Rumores sobre uma possível mudança surgiram antes da trade deadline de 2021 e apareceram novamente durante esta temporada, poucos meses após ambas as partes terem chegado a um consenso.

Esta troca aumentaria os esforços de Sacramento para construir um vencedor em torno de De’Aaron Fox. Depois de sacrificar ativos valiosos para adquirir Domantas Sabonis no trade deadline, um negócio envolvendo Collins daria aos Kings o melhor trio que já  tiveram em anos. E com todos os três jogadores com 25 anos ou menos, os Kings podem ter aqui um núcleo sólido e constante por vários anos.

Pode não haver muita defesa neste denominado “Big 3”, mas o ataque de Sacramento consegue compensar qualquer lacuno defensiva. Fox e Collins iriam deslumbrar em campo aberto, e quando as equipas abrandassem os Kings, Sabonis poderia assumir as rédeas do jogo e dominar perto do cesto. Juntamente com um possível desenvolvimento de Davion Mitchell e Donte DiVincenzo, os Kings podem finalmente ter a receita para garantir a sua primeira viagem aos playoffs desde 2006.

A coportunidade de uma escolha no draft deste ano deve qualificar-se como “valiosa” para Atlanta, enquanto Barnes pode assumir o papel de titular deixado por  Collins e proporcionar um ajuste sólido no perímetro, em ambas as extremidades. Reforçar as alas com um veterano como Holiday pode ser o último adoçante que os Hawks precisam para aceitarem a troca.

5. O FIM DA ERA WESTBROOK

New York Knicks recebem: Russell Westbrook e uma escolha de primeira ronda no draft de 2027

Los Angeles Lakers recebem: Derrick Rose, Evan Fournier e Alec Burks

Os Lakers foram, sem sombra de dúvidas, a maior desilusão da temporada 2021/22 e, conssequentemente, a saída de Westbrook parece ser o melhor para todas as partes envolvidas. Os campeões de 2020 Lakers foram piores com Westbrook em quadra nesta temporada, muito devido ao facto do seu estilo de jogo não ser fácil de acomodar com Lebron James e Anthony Davis.

A equipa que o contratar provavelmente terá que estar desesperada, procura cortar o salário com o seu contrato perto de expirar ou ambos. Os New York Knicks são o único franchise cujas necessidade correspondem a estes critérios.

O conjunto que atua no Mdison Square Garden desperdiçou o impulso que traziam de 2020/2021, época em que surpreenderam tudo e todos ao marcarem presença nos playoffs. Em contraste, a mais recente temporada revelou uma quebra de forma gigantesca, com a equipa incapaz sequer de se qualificar para o torneio de play-in.

Rose, Burks e Fournier (18.9 milhões de dólares) estão todos sob contrato para além da época 2022-23, embora Burks e Rose estejam condicionados pela cláusula de opção de equipa para 2023-24. Mudá-los para Los Angeles dá aos Knicks um pouco mais de flexibilidade financeira no futuro, mesmo que seja uma aposta a curto prazo.

Não obstante, esta jogada não estaria apenas baseada em dinheiro. Apesar das dificuldades sentidas, Westbrook continua a ser uma das figuras mais marcantes da NBA e uma passagem por Nova Iorque pode ser precisamente o que o antigo MVP precisa para relançar a carreira.

Num plantel em que seja a estrela principal e em que possa integrar um sistema mais condizente com as suas caraterísticas e intensidade, o base seria visto como um upgrade face às alternativas que os Knicks apresentam para aquela posição. É preciso lembrar que na temporada passada, Westbrook registou médias de 22,2 pontos, 11,7 assistências e 11,5 ressaltos, ajudando uma equipa medíocre dos Washington Wizards a chegar aos playoffs e, inclusive, integrando o Top-5 de candidatos ao prémio de jogador mais valioso da temporada regular.

Como tal, um Russel Westbrook a fazer relembrar o seus melhores dias seria a ligação perfeita entre o momento atual do franchise e qualquer que seja a próxima iteração dos Knicks.

Para os Lakers, este acordo quase certamente melhora as suas hipóteses de voltar a ingressar o grupo das melhores equipas da Conferência Oeste. Não é um negócio que os torne mais jovens (longe disso), mas reforçariam o plantel com atiradores veteranos prontos para a rotação e que são mais adequados para aquilo que LeBron James e Anthony Davis oferecem.

Todos os três são capazes de criar jogadas ofensas para si e para os outros também. Consequentemente, L.A. poderia aliviar a carga de trabalho de James e tornar a sua vida mais fácil, especialmente se tivermos em conta que o “King” vai para a sua 20ª época na NBA, aos 37 anos de idade.

6. É O TUDO OU NADA PARA OS BULLS

Chicago Bulls recebem: Jerami Grant

Detroit Pistons recebem: Patrick Williams, Coby White e Javonte Green

Desde que Artūras Karnišovas se tornou presidente executivo dos Chicago Bulls, os negócios com vista a vitórias no imediato tornaram-se bastante comuns. No trade deadline da temporada passada asseguraram os serviços de Nikola Vucevic e na última offseason adquiriram DeMar DeRozan, que viria a ter a sua melhor temporada até à data.

Todavia, ainda podem haver ativos suficientes para os Bulls fazerem mais uma troca, com olhos postos nas Finais da NBA. Antes considerado o “grande prêmio” do trade deadline deste ano, Jerami Grant acabou por permanecer com os Detroit Pistons, mas é difícil de acreditar que faça parte dos planos da organização a longo prazo.

Grant tem 28 anos. Quando os Pistons forem realmente competitivos novamente, o ala provavelmente estará na casa dos 30 anos. Portanto, zaz sentido mandá-lo para uma equipa onde possa lutar por títulos durante o que resta de seu auge, em troca de jogadores mais jovens, ou seja, que estejam mais próximos dos idades de Cade Cunningham e Saddiq Bey.

Chicago é um potencial destino que atende a esses critérios. Um cinco titular composto por Lonzo Ball, LaVine (supondo que renova contrato), DeRozan, Grant e Vucevic, com Alex Caruso como especialista defensivo e suplente de luxo, daria a Chicago a derradeira oportunidade de ameaçar a supremacia das potências da Conferência Este, tais como os Milwaukee Bucks, Miami Heat e Philadelphia 76ers.

Para Detroit, novamente, o importante é ficar mais jovem. Grant, que tem uma média de 20,8 pontos enquanto jogador dos Piston, obviamente ajuda mais a curto prazo, mas Patrick Williams acertou 39,1% de três como novato e tem um potencial semelhante como defensor multiposicional.

Rodear Cunningham de atiradores jovens e confiáveis deve ser uma prioridade. ​​Por exemplo, Coby White apresenta uma taxa de sucesso da linha de três pontos de 36,8% durante a sua breve carreira.

Diogo Valente Vieira

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