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Depois de prestações históricas nos play-offs, a estrela dos Heat tinha todo o direito de arriscar tudo pela vitória, mas viu Tatum e companhia serem coroados como os grandes vencedores da Conferência Este.
Depois de ficarem às portas das finais da NBA por três ocasiões nas cinco temporadas anteriores, os Boston Celtics finalmente superaram a fasquia e tornaram-se nos reis da Conferência Este. E agora, a oportunidade de um título da NBA aguarda-os.
Good series, @MiamiHEAT pic.twitter.com/bsYt5ShWtz
— Boston Celtics (@celtics) May 30, 2022
O MVP das finais da Conferência Este, Jayson Tatum, liderou com 26 pontos, Jaylen Brown e Marcus Smart somaram 24 cada e os Celtics venceram os Miami Heat por 100-96 na madrugada de domingo para segunda-feira, garantindo assim uma vaga nas finais da NBA contra os Golden State Warriors. Foi a primeira vitória de Boston num jogo 7, em casa da equipa adversária, desde o triunfo frente aos Milwaukee Bucks pelo título da NBA de 1974.
Tatum – usando uma braçadeira roxa e dourada com o número “24” em homenagem à lenda dos Los Angeles Lakers, Kobe Bryant, o seu jogador favorito – já havia perdido duas finais da Conferência Este durante a sua jovem carreira. Por sua vez, Brown e Smart fizeram parte das derrotas nas finais do Este em 2017, 2018 e 2020.
We’ve watched them grow up together, now they’re Finals bound ☘️ pic.twitter.com/W5uVTQtIPd
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E a final deste ano aparentava, mais uma vez, estar a escapar do seu alcance.
Uma recuperação frenética de Miami nos momentos finais colocou o que parecia uma vitória infalível dos Celtics em sérias dúvidas. Mas o histórico franchise acabaria por sobreviver à inspirição de Jimmy Butler – brilhante novamente para os Heat – que falhou o que teria sido uma cesta de 3 pontos com cerca de 17 segundos restantes.
A ideia de uma presença de Boston nas finais teria sido considerada uma proposta improvável há dois ou três meses. A primeira temporada de Ime Udoka como técnico do Celtics não foi sem grandes desafios. Boston teve um início de 2 vitórias e 5 derrotas, perdeu para Milwaukee no dia de Natal para ficar abaixo da estatística dos 50% de vitórias e ainda estava sobrecarregado com um recorde de derrotas no final de janeiro.
Ao fim de 50 jogos, os Celtics encontravam-se estagnados na marca dos 25 triunfos e 25 desaires. Nenhuma equipa teve este tipo de recorde em 50 jogos e chegou às finais da NBA desde 1981, quando os Houston Rockets começaram com um registo de 22-28 e acabaram por chegar à finalíssima, onde csucumbiram, ironicamente, perante os Boston Celtics.
Agora, os Celtics vão tentar fazer melhor que os seus antecessores da Conferência Oeste. Aquele conjunto dos Rockets chegou aos play-offs com um recorde de 40-42. Esta equipa dos Celtics, por sua vez, ganhou vida na reta final da época regular e nunca mais abrandou.
Obtiveram um recorde de 26-6 na fase derradeira da temporada regular e tiveram uma incrível capacidade de recuperarem de grandes desvantagens. Boston está, atualmente ,com um incrível registo de 13 vitórias e somente 1deslize nos últimos quatro meses.
Uma grande razão para o sucesso deste gigante outrora adormecido foi a elevação ao estrelato de Jayson Tatum. O ala de 24 anos arrecadou o primeiro Troféu Larry Bird como MVP das finais da Conferência Este, com uma média de 25.0 pontos, 8.3 ressaltos e 5.6 assistências por jogo na eliminatória.
Eastern Conference Finals MVP for a reason 💪🏽 pic.twitter.com/yNjnBSZWal
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Aliás, Tatum tornou-se no segundo jogador mais jovem da história da NBA a chegar aos 1.500 pontos nos play-offs, apenas atrás do seu ídolo, Kobe Bryant. E para ser o melhor, Jayson Tatum teve que vencer os melhores.
O destaque vai para a completa destruição dos Brooklyn Nets na primeira ronda, um período no qual a excelência defensiva do jovem ala frente a Kevin Durant foi sem dúvida o que inclinou a balança a favor de Boston. Para além do seu desenvolvimento gradual na defesa, Tatum continua a ser um dos melhores marcadores de pontos de toda a liga.
SPLASHDOWN pic.twitter.com/Y9dXaFQhoW
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Como sabemos, Kawhi Leonard é um jogador ofensivo incrivelmente valioso. Tatum não é tão letal nos arremessos de média distância, mas está a crescer da mesma forma que Leonard uma vez fez. Para complementar a sua nova versatilidade ofensiva, o ala descobriu como forçar o seu caminho para a linha de lance livre, compensando desta forma jogos em que não é tão eficaz no tiro exterior. quando seu tiro não está caindo. Por fim, é notório o crescimento de Jayson Tatum enquanto distribuidor de jogo.
Mas, para além de Tatum, houve outro jogador que carregou a equipa inteira às costas. Uma estrela que, apesar de nos ter proporcionado algumas das melhores exibições na história dos play-offs, fica agora diretamente associado à falha fatal dos Heat no encontro passado.
Nos últimos dois jogos 7 em que participou, as temporadas de Jimmy Butler resumiram-se a algumas jogadas emocionantes e, sobretudo, de partir o coração. Por exemplo, em Toronto, no ano de 2019, Butler foi a vítima do lançamento quase impossível de Kawhi Leonard que conduziu os Raptors para as finais do Este.
No jogo contra os Celtics, Butler assumiu as rédeas da equipa. Com os Heat a perderem por 98-96 após uma recuperação feroz no final do jogo, Jimmy obteve a posse de bola, passou rapidamente para o contra-ataque, viu Al Horford descompensado e, com cerca de 17 segundos para o final, assumiu o lançamento de três em transição. Falhou. E Miami não conseguiu completar o seu esforço improvável.
Deveria Butler ter atacado a zona do pintado? Poderia ter sacado uma falta a Horford? Teria tido a possibilidade de proporcionar um lançamento melhor para os colegas, ao tentar atrair a atenção da defesa? Estas são todas as perguntas que os fãs dos Heat vão colocar durante uma offseason torturosa. Embora o arremesso de Jimmy possa não ter sido a jogada mais estatisticamente sólida, após os play-offs de elevado nível com que nos presenteou, tinha o direito de arricar tudo pela vitória no tempo regulamentar.
Se Butler ainda tinha algo a provar após as duas primeiras eliminatórias, o experiente ala de 32 anos fez isso contra uma defesa dos Celtics que foi, de longe, a melhor da liga durante grande parte da temporada regular. Nas finais de conferência, Butler liderou todos os jogadores em termos de pontuação, registando noites de 29, 35, 41 e 47 pontos na série.
Jimmy’s got 24 at the break pic.twitter.com/KGXN4hde5E
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Duas destas incríveis prestações vieram após ter sido claramente prejudicado por problemas no joelho. Mesmo condicionado pelas lesões, Jimmy teve mais jogos de 40 pontos nesta série do que durante a temporada regular. O seu estilo de jogo nas finais de conferência superou, e muito, o que Kevin Durant fez contra esta mesma equipa de Boston. Para além disto, o ataque dos Heat com Butler em quadra teve mais sucesso contra os Celtics do que os Bucks tiveram com Giannis Antetokounmpo.
Simplificando, Miami não poderia pedir mais nada de Butler à medida que a competição se tornava mais feroz. O ala jogou praticamente todos os minutos nos Jogos 6 e 7, e o seu brilhantismo individual deu aos Heat uma chance muito maior contra um conjunto de Boston superior em termos físicos e, acima de tudo, ofensivos.
Foi um esforço de afirmação, uma exibição digna de uma superestrela por parte de Butler, que foi o melhor jogador em todas as séries em que jogou. Esta versão de Jimmy Butler a que assistímos durante os play-offs de 2022 é, inquestionavelmente, o tipo de jogador que pode ser a grande referência numa equipa que luta por títulos.
Buckets through contact pic.twitter.com/LFvQxGQy4t
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Pela segunda vez em três temporadas, Butler arrastou os Heat ao seu limite absoluto. Então, apesar do seu lançamento de três nos segundos finais não ter sido, estatisticamente, o caminho mais provável para pontuar nesse cenário, dado o quão improvável era os Heat estarem naquela situação em primeiro lugar, Butler ganhou o direito de exercer o papél de herói.
Se Miami pretender ter hipóteses de voltar a chegar tão longe em 2023, necessitam que Jimmy mantenha o padrão de excelência que estabeleceu nestes play-offs, até porque a concorrência é cada vez maior. Durant e Giannis não vão a lugar nenhum. Tatum está cada vez melhor. Joel Embiid também se destaca. E isto é apenas o cardápio de estrelas presentes na Conferência Este.
O maior desafio para os responsáveis dos Heat será descobrir como resolver os problemas ofensivos da equipa, sem sacrificar a identidade defensiva caraterística do técnico Erik Spoelstra. A falta de criatividade e, consequentemente, a incapacidade de Miami em marcar pontos nos momentos decisivos condenou o seu ataque nesta eliminatória. E por melhor que Butler tenha sido no pick and roll, ainda não é algo que faça com a frequência de outros artilheiros.
Quando a temporada regular começou, ficou claro que Miami seria uma das melhores equipas defensivas de toda a liga. Contudo, não era evidente se seriam capazes de marcar com eficiência o suficiente para vencer a Conferência Este.
Os Heat obtiveram a 12ª melhor classificação ofensiva da temporada regular e, inclusive, posicionaram-se como o quinto melhor ataque dos play-offs após os três primeiros jogos frente a Boston. Mas quando se tratou de vencer mais dois jogos para chegar às finais, os Heat simplesmente não tiveram alternativas atacantes o suficiente.
Butler (35 pontos) foi fenomenal e Bam Adebayo (25 pontos) registou um dos seus melhores jogos ofensivos da sua carreira. Mas os Heat não apresentaram muito para além disso e a sua movimentação com bola foi sufocada.
An 8-0 run has us within 5 with 50.7 seconds remaining. pic.twitter.com/FjGdFxRmV5
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Crédito para a defesa dos Celtics, é claro. Tem sido excelente durante toda a temporada e é a principal razão pela qual Boston irá tentar impedir Curry e companhia de juntar mais um título da NBA à sua longa coleção.
Todos nós sabemos o que o ataque dos Golden State Warriors oferece: movimentação constante na criação de jogadas. O elemento off-ball é profundo, alimentados pelo talento ofensivo de Stephen Curry e de Klay Thompson, com Jordan Poole a surgir como uma estrela do futuro.
Mas as fraquezas de um sistema tão desgastante como este também são conhecidos. Jogadores mais versáteis defensivamente e com um maior atleticismo e estatura física permitem uma defesa mais sólida face ao tiro exterior dos campeões do Oeste, sem referir a proteção quase impenetrável na zona do pintado.
Os Celtics – ao contrário de qualquer outro adversário que os Warrior enfrenteram nos play- offs, com exceção dos Memphis Grizzlies (em menor grau) – possuem esses elementos para contrariar a abundância ofensiva de uma das maiores dinastias da era moderna. Depois de um começo de época atípico, o sonho da conquista do primeiro título da organização em 12 anos nunca esteve tão vivo.
Para Miami, resta apenas esperar que jogadores como Tyler Herro e Kyle Lowry não sejam tão afetados por lesões.
Foto de Capa: NBA












