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Jalen Green: Uma surpresa que não surpreende

Clara Maria Oliveira · 3 min

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A QUEDA DA NCAA E O IMPÉRIO MILIONÁRIO

Nos últimos tempos, o nome Jalen Romande Green tem estado nas bocas do mundo do basquetebol. Porquê? O jovem de 18 anos, em vez de seguir uma carreira na universidade, decidiu dar a cara pela nova vaga de jogadores da sua idade e assinou pela G-League. Este passo significa muito mais do que dinheiro e competitividade, é uma mudança de paradigma na modalidade.

Há muitos anos que a NCAA capta a atenção dos atletas que saem da escola secundária. A promessa dos alunos poderem garantir uma educação sem pagar um cêntimo e ainda terem a oportunidade de jogar o desporto que gostam era tentadora, e nem se equacionava uma alternativa.

Entretanto, com o passar dos anos, a nova mentalidade milionária e as restrições da liga universitária americana começaram a pesar em algumas decisões. Um estudante não pode receber qualquer tipo de pagamento durante a sua estadia na universidade, mas os responsáveis pela competição chegam a lucrar milhões com direitos de imagem das estrelas que têm nas suas fileiras.

Como era de esperar, várias competições internacionais abriram os braços aos jogadores que não queriam alimentar um negócio com cada vez mais pontos de interrogação. A NBL, na Austrália, é o exemplo mais famoso até à data, e oferece excelentes condições para o desenvolvimento dos jovens. Esta temporada, LaMelo Ball e RJ Hampton foram dois dos pioneiros desta nova porta para a NBA, que concluíram com nota bastante positiva.

O “MESSIAS” DA G-LEAGUE

Mas voltemos a Jalen Green. A provável primeira escolha do Draft de 2021 foi desde cedo cobiçada pelas melhores universidades do país, desde Kentucky a UCLA. Em circunstâncias bastante normais, o combo-guard seria um dos muitos “miúdos” a concretizar o seu sonho de fazer parte de um dos melhores programas americanos, cheio de casos de sucesso na melhor liga de basquetebol do mundo.

Mesmo neste tópico, surpreendeu. Antes da decisão, as duas faculdades que equacionava eram relativamente “pequenas”: Memphis, treinada por Penny Hardaway, e Auburn, equipa onde brilhou Charles Barkley. Os adeptos de ambas as formações tentaram a todo o custo “trazer” um dos jogadores mais cobiçados nas últimas décadas, mas um novo projeto aliciou Green.

Adam Silver, o comissário da NBA, e Shareef Abdur-Raheem, comissário da G-League, uniram esforços para criar uma equipa de desenvolvimento, que apesar de não competir com as equipas da liga secundária – ainda não há informações sobre os adversários – tem outras tentações. Sediada em Los Angeles, todos os atletas que atuem pela formação californiana são pagos, e espera-se que Jalen Green receba até um milhão de euros com este novo contrato.

Além disso, os basquetebolistas têm garantido um backup caso aconteça uma lesão ou um outro percalço – uma bolsa universitária até cinco anos após a retirada na carreira. Como Abdur-Raheem já referiu, o objetivo não são as vitórias, mas sim o desenvolvimento dos jovens, que vão contar com treinadores e equipas técnicas cheios de experiência ao mais alto nível.

Depois de Jalen Green, Isaiah Todd (que já tinha contrato com a Universidade de Michigan) foi o mais recente jogador a seguir o mesmo caminho. O sucesso não está, como é claro, garantido. Para este passo se tornar o mais natural possível, ambos têm de mostrar ao mundo que fizeram a decisão correta e, se tudo correr bem, é o início de uma nova tendência nos mais jovens.

Foto de Capa: USA Basketball

Artigo revisto por Joana Mendes

Clara Maria Oliveira

Redação Bola na Rede · ver artigos