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LA Clippers | Os porquês das mudanças estruturais

Diogo Silva · 5 min

LA Clippers | Os porquês das mudanças estruturais
Foto de Capa: NBA

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Após a desilusão incomensurável nos playoffs de 2020, (derrota diante os Nuggets após obterem uma vantagem de 3-1 na série), os Los Angeles Clippers sofreram nova remodelação na estrutura do plantel. Treinador diferente, ideias novas e mudanças cirúrgicas no plantel. Steve Ballmer (presidente dos Clippers) parece ter alinhado as peças pretendidas para o trabalho ter efeito, mas o sucesso é uma incógnita.

Afinal, o quê e o porquê da mudança nos Clippers?

Foto de Capa: NBA

356 VITÓRIAS E 208 DERROTAS DEPOIS…

Começamos com o treinador Doc Rivers: reconhecido pelo carácter, confiança e o perfil adequado para harmonizar duas super estrelas, como Kawhi e Paul George, foi despedido. As dúvidas não existem naquilo que é o seu conhecimento tático do jogo, contudo, as decisões tomadas no desenrolar dos playoffs não foram as melhores para a equipa. O investimento foi pesado e a margem para falhar era quase nula. Dito isto, Steve Ballmer despediu o técnico norte americano após o término da época 2019-2020.

Ainda assim, como o sub-título realça, foram 356 vitórias e 208 derrotas sob o comando da equipa de Los Angeles. Uma percentagem simpática de 63.1% de aproveitamento. O problema, todavia, centrava-se no desempenho nos playoffs, ao passo que o treinador norte americano guiou a equipa por três ocasiões às meias-finais na conferência Oeste e nem por uma vez conseguiu um lugar na final…

A juntar a isto, outro motivo chave para esta decisão foi a falta de apoio demonstrado por parte da «segunda figura» da equipa. Ora, Paul George, no podcast All the Smoke, disparou críticas ao trabalho de Doc Rivers, declarando que não «se sentia confortável no papel que o treinador, o estava a obrigar a desempenhar». Acrescentando ainda a isto, George mencionou que Doc Rivers não preparou como devia as meias-finais diante os Nuggets: «nós nunca corrigimos os erros, estávamos a perder e a conversa era sempre a mesma ‘vai ficar tudo bem’…»

Tudo somado foi uma decisão clássica e simples. Rivers é um treinador incrível, mas o fracasso não podia ser ignorado. Apesar disso, o problema nos Clippers é maior que um despedimento e as reservas para o sucesso permanecem intactas.

ERA MESMO ALI O PROBLEMA?

O problema principal dos Clippers é conjuntural. O ADN do franchise não é um ADN vencedor, conquistador… e não seria um treinador com currículo que ia conseguir mudar tudo isso. Aliás, o problema dos responsáveis dos Clippers foi também reduzir o problema do clube a um só responsável.

Atualmente, Tyronn Lue é o treinador principal dos Clippers e o substituto direto de Doc Rivers.

O sucesso não está escrito na tabela classificativa, pelo que a equipa de LA está em quarto lugar e no ano passado terminou em segundo, porém não será essa a avaliação que deve ser feita até ao momento.

Em primeiro lugar, uma pequena observação do porquê da contratação de Lue.

Ora, a mudança percebe-se, não obstante o motivo da escolha seja um pouco dubitável. O título ganho, outrora em Cleveland, parece ter sido um ponto chave na decisão. Lue obteve uma subida de notoriedade estupenda com esse feito, contudo, só os mais desatentos olham para esse «anel» de campeão como uma obra prima construída pelo treinador. Não descarto o mérito a Lue, mas as prestações individuais de LeBron James e Kyrie Irving nessas finais de 2016 foram absolutamente lendárias.

Talvez por esta dupla ter obtido tanto sucesso nessas finais, Ballmer pense que Lue vai personificar prestações fantasmagóricas à sua atual dupla (Kawhi-PG)…

Em segundo lugar, importa perceber o sucesso individual e coletivo.

Até ao momento, a equipa orientada por Lue não evoluiu nos dois principais parâmetros do jogo, aquando comparado com o ano passado. Se, por um lado, Doc Rivers fechou a época como o segundo melhor ataque e a quinta melhor defesa da liga, Tyronn Lue está uns furos abaixo, contando com o terceiro melhor ataque e a 16ª melhor defesa da liga. O que tem diferenciado ambos os treinadores, de uma temporada para outra, é o potenciar das duas principais figuras da equipa.

Ambos Paul George e Kawhi estão melhores individualmente. Os números de George cresceram significativamente: mais pontos (23.7), ressaltos (6.1) e assistências (5.4) por jogo e mais importante ainda, a percentagem de lançamento subiu (50%). Por outro lado, o mais significativo em Kawhi, foi a subida na percentagem de lançamento (51%) e a descida no número de turnovers (1.9). Dados elucidativos, que o efeito Lue está a surtir (algum) efeito e poderá ser reproduzido, com algum sucesso nos playoffs. Todavia estes factos positivos, é preciso ter muitos mais uns aspetos em conta.

IMPERATIVO NÃO EXISTIR O EFEITO DOMINÓ

Os Clippers do playoff de 2020, invariavelmente, fazia lembrar o jogo tradicional do dominó. Atiravas uma peça ao chão e caía tudo de forma alinhada e sincronizada sem ter o fim à vista. A única peça feita com um material diferente que subsistia em pé era Kawhi. O jogador norte americano foi um poço de força e o mais regular da equipa. O problema é que nem sempre deu para carregar o peso coletivo às costas.

Dito isto, o efeito dominó não pode voltar a coexistir no grupo e a tarefa primordial de Tyronn Lue será manter a equipa unida, com um espírito inabalável.

 

IBAKA É SUFICIENTE?

Serge Ibaka foi companheiro de Kawhi Leonard em Toronto.  Fonte: NBA

Para concluir, a verdadeira questão – antes da época começar – seria perceber como se iria compor o plantel, ou seja, a «mini-remodelação» destes Clippers.

Veio Kennard e Batum, porém a contratação sonante pertenceu a Serge Ibaka.

A equipa definiu, claramente, um problema defensivo da época transata e o internacional espanhol veio colmatar isso mesmo. Como consequência, sai Montrez Harrell, que atuou a um nível defensivo baixíssimo (para o que nos tinha habituado) nos playoffs do ano passado. Ora, Ibaka não vem no melhor período da carreira e isso acarreta riscos, porém é um conhecido de Kawhi Leonard e concerteza será uma viabilidade a defender o perímetro e a zona pintada. Para além disto, o poste de 2.08 metros acrescenta maior versatilidade ofensiva e cria mais espaços em situação de pick and roll, cujo Harrell inviabilizava.

Isto, por si só, é insuficiente, e de certeza que não será esta a troca que irá galvanizar os Clippers na luta pelo título. Direi antes, no entanto, que será mais um passo importante para na próxima temporada atacarem com agressividade a conquista da NBA…Ou, “pelo menos”, uma final de conferência.

Diogo Silva

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