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Leva tu a bola! | Os bases na NBA

Diogo Silva · 4 min

Leva tu a bola! | Os bases na NBA

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O jogo do basquetebol tem sofrido enormes mutações com o desenrolar dos anos. Os triplos-duplos fazem parte do quotidiano moderno da NBA, os postes tradicionais parecem dissipar-se, os triplos são a nova primazia do basquetebol atual…Contudo, se pensarmos em específico na posição do base, é uma das que mais se modificou com o passar dos anos.

Fomos de uma ideia que um base deve ser o jogador mais preocupado com o sucesso dos seus companheiros, com a formação de bases «pass first» tais como Chris Paul ou Steve Nash, para a ideia que um base deve ser a principal arma ofensiva da equipa, através da conquista de pontos, com a formação de bases como Stephen Curry ou Kyrie Irving. Isto, claro, na esfera da NBA. Não quero globalizar esta ideia, mas sabemos bem como um jogador ou uma equipa podem metamorfosear as filosofias e ideologias precedentes, por todo o mundo.

Esta mistura de ideias, com o point guard a ser o jogador chave em todo o percurso ofensivo da equipa, formou uma ideosincrasia muito específica de bases para a nova geração da NBA: Doncic, Trae Young, LaMelo Ball, Tyrese Haliburton e Ben Simmons são meros exemplos disso mesmo. Reparem, todos são bases e três destes mencionados têm cerca de 2 metros de estatura (!), algo que há 20/30 anos não acontecia. Ninguém, outrora, pensava num jogador com 2 metros (ou mais) para transportar a bola e ser o cérebro ofensivo da equipa.

Obviamente há exceções, como era então Magic Johnson, mas não passava disso, de uma excepção e de um jogador geracional. Hoje já temos mais jogadores desta estatura a fazer esse papel e mais importante ainda, temos jogadores que não são bases de raíz cada vez mais a desempenhar a função de um base no jogo. E este é o ponto principal do artigo.

Foto de capa: NBA

Abram alas para o basquetebol disposicional

O basquetebol já não se rege de forma rígida e convencional. Um poste já não está (somente) plantado em terrenos perto do cesto à procura do afundanço ou do “gancho”, à semelhança de como um base não leva a bola de um lado ao outro à procura de forma incessante do homem livre e da “jogada certa”. As posições não são o que importa mais, mas sim as funções que cada jogador individualmente consegue efetuar. A partir daí, cada equipa e treinador, devem procurar a fórmula «perfeita» para tentar ganhar o máximo de jogos possíveis.

Horas após a vitória dos Brooklyn Nets diante os Warriors, Kyrie Irving afirmou em entrevista à ESPN, que os Nets estabilizaram as suas dinâmicas e posições dentro de campo. O mais interessante disto foi perceber que um dos melhores bases da liga, não é o base da sua respetiva equipa. E estas palavras não são minhas, são da autoria do próprio Irving, quando afirma que o seu papel na equipa seria como shooting guard, ao passo que James Harden (shooting guard de raíz) seria o base da turma dos Nets. E isto não é muito diferente do que Stephen Curry (para muitos o melhor base da liga) faz em Golden State. Aliás, isto apenas ressalva a possível «nova ordem do dia» num futuro próxima da liga norte americana. Vejamos os seguintes exemplos:

Nos Warriors, é Green a fazer este papel de transportador de jogo, funcionando como a «extensão do treinador» dentro campo, comandando a equipa nos diversos momentos da partida. Ora, um dado estatístico relevante que ratifica a diferença que ele tem feito no lado ofensivo do campo, neste papel, passa pelas assistências. Green tem em média, esta temporada, 8 assistências por jogo, ao passo que na última partida que disputou diante os Cavaliers fez umas incríveis 16 assistências, marcando o máximo de carreira neste capítulo do jogo. Para um extremo-poste, nada mau… Mas vejamos, Green não é caso único.

Mas atenção, o caso de Harden também é flagrante. Não parece à vista desarmada, porque Harden funcionou a carreira praticamente toda como o principal orquestrador ofensivo dos Rockets, contudo, ele na sua essência é um shooting guard e na prática não é isso que acontece. Ele tem em média 11 assistências por jogo, sendo o atual líder da liga neste capítulo do jogo, extrapolando Kyrie Irving para a missão quase exclusiva de atacar o cesto, libertando o próprio de outras responsabilidades.

Mas não ficamos por aqui.

Jokic e LeBron James são dois casos igualmente muito interessantes para entender esta tendência. O poste sérvio leva cerca de 9 assistências por jogo e desde cedo foi proclamado como “o base de 2.11 metros”. Ele opera em transição, faz o último passe, organiza o ataque dos Nuggets e manipula a bola como poucos. E sim, ele faz tudo isto com 2.11 metros.

Depois, «King James». Todavia esta temporada estar a partilhar o papel de base com Dennis Schröder, toda a gente lembra-se do máximo de carreira que alcançou em assistências na época transata (10 assistências por jogo), liderando a liga neste capítulo. Em adição, permita-me sublinhar: LeBron James está muito longe de ser um base de raíz, sendo que a sua dimensão física também está igualmente distante do esterótipo da posição (2.06 metros).

Para concluir, a declaração de Irving veio confirmar uma tendência evolutiva na NBA. O basquetebol atual é disposicional e vai ter mais sucesso quem conseguir tirar melhor partido desta particularidade.

 

Diogo Silva

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