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Derrick Rose nasceu a 4 de outubro de 1988 na precária região de Englewood em Chicago. O base de 30 anos assinou, este verão, um contrato a dois anos por 15 milhões de dolares com os Detroit Pistons, levando assim uma carreira que se possa descrever como invulgar e admirável ao mesmo tempo.
Posto as coisas deste prisma, é necessário fazer uma retrospetiva aquilo que tem sido a passagem de Derrick Rose pela NBA. Tudo começa em 2008, quando um jovem de 19 anos liderou a sua equipa Universitária, os Memphis Tigers, à melhor prestação alguma vez conseguida, carimbando a ida aquele que é o torneio amador mais importante do basquetebol, a NCAA.
Neste torneio, Rose havia de se destacar como um líder isolado dos Tigers e já nele se notavam características eximias e um nível de jogo equivalente à NBA. A sua explosividade e atleticismo faziam dele a melhor promessa do draft desse ano. No entanto, chegando à final do torneio, estes haveriam de ficar em 2 lugar, após um jogo intenso que inclusive teve direito a prolongamento.
Para Derrick Rose este era, no entanto, o primeiro de grandes palcos que viria a pisar. Foi escolhido em primeiro lugar no draft de 2008 pela equipa da sua cidade Natal os Chicago Bulls, onde viria a causar um grande empacto logo na sua primeira época profissional! Com médias de 16.8 pontos e 6.3 assistências por jogo numa eficácia de 47.5% de campo. Este foi uma peça fundamental na jornada da equipa até aos play-off.
Nos play-off, Rose brilhou logo no primeiro momento onde no jogo 1 contra os campeões da época anterior, Boston Celtics, marcou 36 pontos e anotou ainda 11 assistências. Apesar da eliminação na primeira ronda, a história do base começava a ganhar corpo, numa época que terminava com este a ganhar o rookie do ano (melhor jogador de 1 ano).
Seguiu-se a época de 2009/10, em que Rose conseguiu alcançar a honra de jogar o seu primeiro All-Star game, desta vez liderando os Bulls com medias de 20.8 pontos por jogo e 6.0 assistências. Mais uma vez, o palco dos play-off foi alcançado, apesar da saída na primeira ronda, Rose destacava-se na serie contra o Cleveland Cavaliers de Lebron James com 26.8 pontos por jogo e 7.0 assistências. Rose estaria assim a tornar-se no jogador que a cidade de Chicago tanto ansiava.
Assim, chega a mítica época de 2010/2011, época essa em que Rose se equiparava com as Super Estrelas da NBA. Numa entrevista de pré-época que é interrogado quais são os seus objetivos para a sua 3ª época profissional, este responde com uma simples pergunta “Porque não posso ser eu o melhor jogador da liga? Eu não vejo porque não…”.
Dito e feito. Nessa época Rose não só liderou os Bulls ao melhor recorde da liga com 62 vitórias e 20 derrotas, assegurando o 1º posto da Conferência Este. Obteve medias de 25.0 pontos e 7.7 assistências, recebendo assim o prémio de Melhor Jogador da Liga (MVP), aos 22 anos de idade, o mais novo de sempre.

Fonte: NBA
Seria também mais uma vez selecionado como All-Star. Nos play-off, Rose liderou a sua equipa até a final de conferência, feito que os Bulls não atingiam desde que Michael Jordan se retirou em 1998. Viria a perder contra a equipa de Miami liderada por Dwyane Wade e LeBron James. No entanto, já no seu auge, Rose dava sinais de pouca vitalidade, uma vez que este jogou a primeira ronda dos play-off com uma lesão no tornozelo.
Em 2011/2012, vindo a famosa “LockOut Season” (os jogadores da NBA recusaram-se a jogar se não fossem aumentados os salários), com uma época regular com apenas 62 jogos, Rose não se conseguia manter saudável. Grande parte da época lidou com lesões menores no joelho, lesões nos tornozelos e nas costas.
No entanto, foi o suficiente para mais uma vez fazer parte do plantel do All-Star e para os Bulls obterem outra vez o 1º posto da conferência Este. É, no entanto, no primeiro jogo dos play-off, a pouco mais de um minuto do final do jogo que o impensável acontece, Rose rompe os ligamentos cruzados do joelho esquerdo.
Esta viria a ser a lesão que vinha pôr um ponto final na carreira de Derrick Rose como a conhecíamos, obrigando o base a falhar a época de 2012/2013.
Na época 2013/14, Rose retorna aos campos da NBA. Parece atlético e saudável e pronto a regressar como a super-estrela de que todos se relembram, mas ao décimo jogo da época regular Rose rompe o menisco do joelho direito. Num duelo que estava a ser escaldante com o base Damian Lillard em Portland, na segunda metade do jogo. A precisar de cirurgia e acabado de regressar de uma lesão no joelho contrário, Rose falha o resto da época.
Assim, o verão de 2014 chega e a temporada de 2014/15 é antecipada. Rose faz parte da Seleção dos Estados Unidos nos Mundial da FIBA, em Espanha, e ganha a medalha de ouro. Parecia mais explosivo, mais atlético, mas ainda um pouco enferrujado. O seu lançamento não estava igual e as bandejas não entravam no cesto da mesma forma.
A época de 2015 desenrola-se e Rose, no 2º jogo da época, torce o pé e vê-se forçado a falhar mais jogos, começando a época de forma lenta. Apesar da época solida, este não é selecionado para o All-Star, começando o declínio da sua carreira. Em março, necessita de nova cirurgia ao menisco, falhando mais 6 semanas de competição.
Fazendo as contas, Rose jogara apenas 61 jogos de 164 nas últimas duas épocas regulares. No entanto, os Bulls atingem os Play-off e chegam inclusive à segunda ronda, onde Rose teve provavelmente o momento mais alto da sua carreira ao marcar um “game-winner” no jogo 3 das semi-finais de conferência. Semi-finais que viriam a perder em 6 jogos, para os Cavaliers de LeBron James.

Fonte: NBA
Na época 2015/16, ainda se faziam jogos de pré-epoca e já Derrick Rose era notícia, mas pelas piores razões. Este fraturara o osso orbital, obrigando-o mais uma vez a ser operado e falhar a pré-época. Rose teve de lidar com uma visão distorcida durante grande parte da época, fazendo com que começasse mais uma época de forma lenta, mas, desta vez, a refletir-se no recorde da equipa. Rose acabava assim a época com médias de 16.4 pontos e 4.7 assistências por jogos. Os números mais baixos da sua carreira e pela primeira vez desde que este tinha chegado aos Bulls, que falharam os Play-off.
A vida após os Bulls
Assim no verão de 2016, Rose é trocado para os New York Knicks. Uma troca que apesar de caricata, não surpreendeu muitos. Rose estava “acabado”, já não era o MVP de outrora, e precisava de uma nova casa. Nos Knicks obteve medias de 18.0 pontos e 4.4 assistências por jogo em 47%, algo bastante eficaz para a equipa em que estava inserido. No entanto, em março dessa época Rose rompe o menisco do joelho esquerdo, indo assim para a sua quinta operação em 5 anos. Os Knicks não chegam aos play-off e o contrato de Rose acabava no verão de 2017.

Fonte: NBA
Assim, nesse mesmo verão Rose aceita o contrato mínimo para um veterano de 2.4 milhões a um ano e vai para os Cleveland Cavaliers, equipa que o base tanto batalhou ao longo da carreira. A estadia não toma as melhores proporções quando uma lesão no tornozelo o mantem fora das linhas durante mais 3 meses e o faz questionar se quer ou não prosseguir com a sua carreira no basquetebol.
Em fevereiro de 2018, Rose seria trocado para a equipa de Utah, onde seria posto de parte e ficando assim sem equipa e fora da liga. Minnesota foi a sua única esperança e a única equipa que pareceu quere-lo como reforço para os Play-off.
O potencial de Rose veio mesmo a revelar-se nos play-off. Apesar de ser uma serie pouco disputada contra os Houston Rockets, Rose mostrou-se uma força capaz a partir do banco, terminando os play-off de 2018 com media de 14.2 pontos e 2.6 assistências em apenas 23 minutos de jogo, nos cinco jogos da série.
Rose acabaria por prolongar a sua estadia por mais um ano com a equipa de Minnesota pelo mínimo de veterano. A época seguinte haveria de começar da mesma forma. Depois de num jogo em que nos fez relembrar o porquê de já ter sido o melhor do mundo com 25 pontos em apenas 30 minutos de acção contra a equipa de Dallas.
Poucas noites depois, Derrick Rose demonstra toda a sua força numa noite histórica na sua carreira. No primeiro jogo em que fez parte do cinco inicial pela equipa de Minnesota, Rose apontou 50 pontos, o máximo da sua carreira, com seis assistências, num jogo contra a equipa que uns meses antes o tinha posto de parte, os Utah Jazz. Esta era a prova de que Rose ainda tinha muito para dar e foi o que fez elevar a sua confiança para aquela que viria a ser a sua melhor época dos últimos tempos.

Fonte: NBA
Com um estilo diferente de jogo mais calmo, menos explosivo, mas mais habilidoso, a vir do banco em vez de começar de início Rose causou um enorme impacto na jovem equipa de Minnesota. Terminou assim a época com médias de 18.1 pontos e 4.3 assistências por jogo com 37% de eficácia de três pontos, algo que é o melhor da sua carreira numa área do jogo em que melhorou imenso.
Rose, após cinco cirurgias e inúmeras outras leões mantém-se assim na melhor liga do mundo, por pelo menos mais 2 anos a atuar pela equipa de Detroit. Com Rose podemos aprender algo na vida: nem tudo pode sempre nos correr bem e podemos encontrar muitos obstáculos pelo caminho. Mas, a nossa determinação para continuar e a força de o fazer é o que irá sempre determinar aquilo de que somos feitos. A expressão “never give up” com Derrick Rose ganha outro significado.
Foto de Capa: Minnesota Timberwolves













