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NBA: O David também vence o Golias

Diogo Silva · 6 min

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Depois do recomeço enigmático da NBA e de confirmados todos os intervenientes para a derradeira fase da bolha, os ingredientes estavam preparados para uns playoffs como nunca antes vistos. Se, por um lado, a falta de adeptos prejudica o ambiente e o cenário em redor dos playoffs, por outro, sendo sempre jogado em campo neutro, as equipas teoricamente mais fracas terão menor pressão de jogar no campo adversário, acabando por beneficiar, competindo de forma supreendente contra os favoritos.

Foi o caso dos Portland Trail Blazers, Dallas Mavericks e até mesmo os Orlando Magic, que apesar da esperada famosa “varridela”, conseguiram-se superar de forma clara e merecedora diante os adversários Lakers, Clippers e Bucks, respetivamente.

Para além disso, o «small ball» em Houston tem dado resultado e os MVP’s parecem insaciáveis. Vê aqui os principais destaques da primeira semana de playoffs.

Foto de capa: NBA

O PREDESTINADO 

Fica complicado aferir palavras para o que Luka Doncic tem feito. Com 70 pontos nas suas duas primeiras partidas, bateu o recorde de Kareem Abdul-Jabbar (o esloveno foi o estreante em playoffs com mais pontos no desenrolar de duas partidas). No jogo seguinte, arrecadou um triplo-duplo quase ao pé coxinho e no jogo quatro atropelou a defensiva dos Clippers. Doncic, de resto, completou 43 pontos, 17 ressaltos e 13 assistências, igualando as séries (2-2) sem Kristaps Porzingis.

De ressalvar que o esloveno tornou-se ainda o jogador mais jovem da história com um triplo duplo com 40+ pontos em playoffs e o segundo mais jovem da história, também em playoffs, com triplos duplos em 2 jogos seguidos (apenas atrás de Magic Johnson).

O BANCO DE LUXO

Apesar de todo o caudal ofensivo de Luka Doncic, há um fator que tem sido chave no incrementar das esperanças dos texanos nesta série diante os Clippers. Seth Curry, Trey Burke, Boban Marjanovic – todos vindos do banco e com um impacto determinante na equipa de Dallas. Obviamente que o banco não é repleto de nomes super notórios, não obstante apresenta-se profundo e todos os jogadores têm atuado a um nível absolutamente decisivo nas aspirações de Rick Carslile, nas duas vertentes do campo.

Entre estes todos, Curry tem sido um perigo sem bola, tendo no recebe e lança da linha dos 3 pontos uma arma letal, não obstante, atualmente, se apresente um jogador mais forte na criação e no transporte de bola.

Depois, Trey Burke, um jogador que quando confiante é de topo, tendo várias ações com bola que fazem esquecer que está apenas na sua 2ª «experiência» nos playoffs, ao passo que se apresenta mais pragmático e numa supreendente ascensão, não só em números, como em eficácia.

Por fim, Marjanovic, que não fosse os seus escassos minutos por jogo teria uma média de pontos e ressaltos assombrosa. Obviamente que tal também não acontece resultado das suas limitações físicas, todavia é fantástico ver um jogador da sua estatura (2.27 metros), com a sua percepção do que deve fazer em campo e com tão boa tomada de decisão.

Para concluir, o mais supreendente não é só observar a qualidade individual a “saltar” do banco, mas antes ver como atuam enquanto coletivo quando Luka Doncic não está presente. Isto é, seria expectável que, sem ele, a equipa ressentisse e caísse durante o jogo, mas temos verificado exatamente o oposto. Sem Doncic, a equipa tem conseguido, inclusive, mais pontos e encurtado/aumentado distâncias sempre que jogam com estes em campo.

Os Clippers precisam de mais Paul George, senão o David vai mesmo vencer Golias.

O “SMALL BALL” OU O EQUILÍBRIO?

James Harden teve em média 28.7 pontos nos últimos 3 jogos diante OKC.
Fonte: NBA

Já não é surpresa nenhuma o alinhamento destes Rockets. Recusando atuar com um poste de referência, a equipa de Houston apresenta Robert Covington (2.01 metros) como o jogador mais alto do 5 inicial. Nada comparável, por exemplo, com OKC, que apresenta só no 5 inicial dois atletas de envergadura significativamente mais elevada, sendo eles Steven Adams (2.13 metros) e Gallinari (2.08 metros).

Interessante no mínimo perceber como tem subsistido a equipa dos Rockets.

MAS O QUE TEM FEITO A DIFERENÇA NOS ROCKETS?

Incrível e irreconhecível ver como defende a equipa enquanto coletivo. Depois de muitas críticas pelo que não faziam nesta vertente do jogo, atualmente, Mike D’Antoni não quer que haja espaço para erros defensivos, ao passo que a intensidade está presente e há jogadores sempre prontos para se sacrificarem em prol do coletivo. Outro aspeto essencial, que tem inclusive erradicado a dinâmica ofensiva de OKC, passa pelas constantes trocas nos bloqueios diretos, obrigando a constantes desenlaces de 1 vs 1 forçados sem qualquer desequilíbrio criado.

Outro aspeto muito criticado em antemão, nesta escolha de D’Antoni pelo «small ball», passa pela escassez de centímetros para atacar o ressalto. Apesar disso, é importante reforçar que os ressaltos ganham-se no chão. O box-out é o primeiro trabalho a ser feito antes de investir em qualquer ressalto defensivo, e nisso PJ Tucker e Jeff Green têm estado impecáveis. Para além disso, é comum observar Steven Adams solitário na luta pelo ressalto ofensivo, o que facilita (e de que maneira) a tarefa dos jogadores texanos.

É certo que os Rockets vão vencendo o duelo com a equipa bem orientada por Billy Donovan, contudo parece-me curto a longo prazo, na medida em que, não obtendo um jogador (de qualidade) para a posição 5, a equipa não vai resistir a oponentes que ofereçam problemas diferentes aos quais OKC não está (até ao momento) a conseguir ressalvar.

Por enquanto, muitos jogadores, para além da estrela James Harden, estão a sobressair (Tucker, Eric Gordon, Danuel House e Jeff Green) e apesar da estrela da companhia, Russell Westbrook, apresentar-se lesionado com um problema no quadril, a equipa orientada por Mike D’Antoni vai registando uma vantagem importante de 2-1 na série, porém nada está decidido e Chris Paul não parece querer deixar-se cair perante a antiga equipa.

NÍVEL DE MVP’S

Apesar do mau arranque para quer Lakers e Bucks, respetivamente, onde ambos perderam diante os oitavos classificados das conferências Oeste e Este, respetivamente (Blazzers e Magic), rapidamente tudo voltou “ao normal”, com a natural ajuda dos MVP’s em serviço. Sempre preenchendo a folha das estatísticas ambos ajudaram de forma tremenda a sua equipa.

Se por um lado os Lakers estão dependentes de Davis e James para atingir bons números nos dois lados do campo, os Bucks estão a carregar o peso todo em um só jogador, sendo ele Giannis Antetokounmpo. Uma ofensiva, de resto, que procura de forma muito previsível atacar o cesto e que apanhando (muito provavelmente) os Miami Heat numa próxima ronda, terão muitos problemas em encontrar a dinâmica ofensiva certa para ferir a defesa contrária. O greek freek vai realizando partidas incríveis, com médias de 31 pontos, 16 ressaltos 6 assistências no somatório dos 3 jogos diante os Orlando Magic.

Os Lakers, após uma derrota que muito se deveu à desinspiração de Anthony Davis, recuperou nas partidas seguintes, ao passo que, atualmente, apresenta uma vantagem de 2-1 nas séries. Portland, todavia, não tem facilitado e Carmelo Anthony parece rejuvenescido, num conjunto de individualidades interessantes, mas que, no entanto, parece curto para fazer frente aos Lakers liderados por LeBron. King James, por fim, vai fazendo números fantásticos, com médias de 25 pontos, 11 assistências e 7 ressaltos.

Artigo revisto por Joana Mendes

Diogo Silva

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