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NBA | Principais favoritos à conquista do título?

Diogo Valente Vieira · 11 min

NBA Título
Foto: NBA

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A primeira metade da época, uma decepcionante competição de afundanços e um emocionante All-Star Game ficaram no passado. Agora, é hora da reta final da NBA.

A temporada regular da NBA termina daqui a aproximadamente seis semanas e, em certos casos, a composição dos playoffs ainda está totalmente em aberto. Com a implementação do torneio de play-in, existe uma importância acrescida para as equipas que lutam pelos lugares de acesso direto aos playoffs, assim como para os conjuntos que estão na parte inferior da tabela classificativa, mas que ainda têm possibilidades de lutar por uma vaga no pós-temporada.

Os Phoenix Suns lideram a Conferência Oeste e já detinham o melhor recorde da NBA ainda antes da paragem para o All-Star Weekend. Juntamente com os Warriors e os Grizzlies, estas três equipes da Conferência Oeste apresentam números superiores aos dos melhores franchises da Conferência Este, mas a competição nesta Conferência é claramente mais extensa do que no Oeste.

Não obstante, embora haja cada vez mais equipas com esperanças de disputarem os lugares cimeiros da classificação, outras organizações surgiram como favoritos claros à presença nas finais. Um punhado de equipas tem, também, a chance de criar uma nova identidade após um trade deadline caótico, inserindo-se, consequentemente, na discussão pelo troféu mais cobiçado do mundo do Basquetebol.

Além demais, todo o panorama da liga foi, recentemente, abalado com a grande troca que envolveu James Harden (para o Philadelphia 76ers) e Ben Simmons (para o Brooklyn Nets). Este negócio aparenta melhorar no imediato as duas equipas, sem nos podermos esquecer das hipóteses substanciais dos campeões em título, os Milwaukee Bucks.

Quem sobreviverá a esta longa maratona para ser coroado como o pináculo da excelência na melhor liga do planeta? Neste artigo, vamos examinar quais os grandes favoritos à conquista do título, em ambas as Conferências.

Artigo de opinião de Diogo Vieira

CONFERÊNCIA OESTE

Phoenix Suns

Os Suns têm sido a equipa mais impressionante da NBA durante toda a temporada e, apesar de Chris Paul ficar de fora por lesão até ao início dos playoffs, os atuais campeões da Conferência Oeste são os favoritos das apostas a ganhar o título, aquele que seria o primeiro da sua história.

Depois de vencerem os dois primeiros jogos das finais da NBA em casa, os Suns só precisam de aguentar mais dois encontros para assegurar a glória na temporada passada, mas os Bucks acabariam por vencer os restantes quatro jogos da série. Um duro golpe para um conjunto que estava à beira de se constituir como uma das maiores supresas de sempre, tanto na temporada regular, como nos playoffs.

Apesar deste revés, Devin Booker e companhia continuaram o seu espantoso percurso e esta época já contabilizam 49 vitórias e 12 derrotas, muito devido à sua solidez defensiva e organização atacante, somado ao vasto leque de alternativas que têm no banco de suplentes. Deandre Ayton ainda encontra-se limitado pelo número de falta que comete durante os jogos, mas com JaVale McGee e Bismack Biyombo para compensar os erros da terceira maior figura do plantel, Phoenix está mais preparado do que nunca para lidar com o estilo mais físico dos seus adversários.

O grande defeito da equipa prende-se sobretudo com a imprevista ausência do seu general, Chris Paul. Nos três jogos em que o “point god” não esteve disponível para dar o seu contributo, os comandados de Monty Williams contam com duas derrotas, frente aos New Orlean Pelicans e aos Utah Jazz.

Não obstante, caso Devin Booker consiga carregar a equipa às costas até ao regresso do veterano do grupo, os Suns não deverão ter problemas em, pelo menos, chegar às finais da Conferência Oeste pelo segundo ano consecutivo.


Golden State Warriors

Stephen Curry e os Warriors vêm logo atrás de Phoenix, na condição de prováveis finalistas da Conferência Oeste.

Existem algumas preocupações sobre o tempo de recuperação de Draymond Green, candidato anual ao prémio de melhor defensor e elemento fundamental para gerir o ritmo de jogo do conjunto de São Francisco.  A ausência do quatro vezes all-star demonstra o principal entrave dos Warriors desde a final perdida de 2019, as lesões.

Depois de dois anos sem Klay Thompson, um atirador nato que formou com Curry a dupla revolucionária “Splash Brothers”, o pior que podia acontecer a esta equipa seria a falta de liderança e de agressividade que Green oferece, uma garantia de segurança que certamente disfarça as fraquezas defensivas dos dois principais marcadores de pontos do plantel.

Ainda assim, os Warriors  possuem o segundo melhor recorde da liga e têm experiência mais do que suficiente para ir longe nos playoffs. Stephen Curry e Klay Thompson tornam o seu ataque mortal, apoiados por um novato em ascensão, Jonathan Kuminga, pelo sentido de cesto de Jordan Poole e pelo atleticismo e inteligência posicional de Gary Payton III.

Se Green e James Wiseman voltarem a tempo dos playoffs, Golden State terá o tamanho, a força e o poder de fogo necessários para vencer o quarto título de uma já dinastia dourada. Mas, ao longo da época regular, também notaram-se outras fraquezas que podem prejudicar as suas ambições.

Apesar do seu histórico impressionante, os Warriors são vulneráveis contra equipas que competem de forma física, organizada e metódica, provocando elevados níveis de exaustão e apreensão a jogadores que estão habituados a ter o controlo total das operações, expondo o pior dos Warriors, nomeadamente, erros básicos nos momentos determinantes da partida, que são mais prováveis de acontecer ​​com rotações experimentais e com Green e Iguodala inativos.

Será preciso uma eficácia fora do comum para superar estes obstáculos. Todavia, nunca é demais recordar, quem tem Stephen Curry arrisca-se sempre a ganhar em grande estilo.

Memphis Grizzlies

Com um recorde inesperado de 42 vitórias e apenas 20 derrotas, os Grizzlies ocupam atualmente o terceiro lugar na classificação da Conferência Oeste, possuindo simultaneamente o 5.º melhor ataque da competição e a 7.ª melhor defesa da liga.

Inicialmente vistos como meros underdogs, com aspirações reduzidas de sequer chegarem diretamente aos playoffs, o conjunto de Memphis surpreendeu tudo e todos com o seu coletivo forte, liderado pelo atleta mais habilidoso e atlético que os fãs da NBA viram nos últimos anos. Ja Morant tem sido inacreditável esta época, subindo constantemente patamares na corrida ao prémio de MVP da temporada regular.

O base regista uma média de 27.1 pontos, 6.7 assistências, 5.9 ressaltos e 1.2 roubos de bola por jogo, em 49% de eficácia de arremessos de campo e com pelo menos um destaque individual em cada encontro, capaz de deixar incrédulos aqueles que têm o privilégio de ver esta estrela da modalidade.

Com Desmond Bane, Dillon Brooks (prestes a recuperar de lesão) e Ziaire Williams a proporcionarem boas opções de passe para Morant, Memphis tem uma equipe repleta de atiradores letais que podem tornar a vida miserável para as defesas opositoras. Por outro lado, Jaren Jackson Jr. tem revelado uma sabedoria pouco habitual num jogador da sua idade e atualmente está entre os candidatos que procuram o reconhecimento de Jogador Defensivo do Ano (DPOY).

Com Steven Adams por perto para fornecer uma presença veterana no meio de uma enorme aglomeração de jovens talentosos e irreverentes, o céu é o limite.

Os Grizzlies não têm medo de ninguém e essa intrepidez poderá ser uma mais valia quando enfrentarem alguns dos nomes mais prestigiados da NBA. Vimos esta atitude audaz em ação quando derrubaram Stephen Curry e os Warriors no play-in do ano passado e, depois de perderem para os Jazz na primeira ronda, é seguro apostar que Morant e Memphis estão famintos por outra oportunidade nos grandes palcos.

CONFERÊNCIA ESTE

Miami Heat

Miami está em sexto lugar na classificação defensiva da NBA e em sétimo em termos ofensivos. Apenas duas equipas, Suns e Grizzlies, têm números superiores em ambas as áreas.

Os Heat não têm ninguém entre os cinco primeiros em nenhuma categoria estatística importante. Porém, embora dê a entender que não existe nenhuma estrela principal no plantel, ao nível de Giannis ou Joel Embiid por exemplo, também demonstra que a equipa não depende apenas de uma única pessoa para arrancar grandes sequências vitoriosas.

A grande arma dos soldados de Erik Spoelstra é o coletivo sólido, complementado pela quantidade absurda de jogadores de qualidade no banco de suplentes e que têm um impacto imediato no jogo, tanto ofensivamente, como defensivamente. Este é um problema gigantesco para qualquer oponente com intenções de estar nas finais da NBA.

Seis jogadores dos Heat apresentam médias de dois dígitos na marcação de pontos, o que demonstra o quão benéfico é para uma equipa ambiciosa a presença de várias alternativas capazes de dominar o jogo. Butler é o líder com 21.9 pontos por partida, enquanto Tyler Herro vem logo a seguir com uma média 20.3 pontos. O jovem base de apenas 22 anos é, até ao momento,  o grande favorito a ganhar o prémio de Sexto Homem do Ano, atribuído ao basquetebolista com maiores contribuições a partir do banco de reservas.

Kyle Lowry, vencedor de um título com os Raptors antes de se mudar para Miami nesta última offseason, integrou-se muito bem na sua  nova casa. O antigo All-Star em seis ocasiões é o principal distribuidor de jogo do grupo, contabilizando cerca de oito assistências por jogo.

PJ Tucker também foi adicionado aos Heat, depois de vencer o título ao serviço dos Milwaukee Bucks na última temporada. Uma aquisição excelente no que diz respeito à experiência do jogador e à sua excelência defensiva em situações de maior tensão, beneficiando, assim, a sua nova equipa de inúmeras maneiras.

Miami procura obsessivamente tornar-se melhor ofensivamente nos momentos finais dos jogos, acelerar o ritmo na transição e ajustar as suas jogadas perante estratégias mais conservadoras.  Simplesmente, os Heat assumiram o controle do Este, e não fazem tenções de diminuir a intensidade.

Parte deste núcleo de jogadores chegou às finais da NBA há dois anos e, se não sofrer com a terrível praga das lesões, poderá voltar a repetir o feito e, quem sabe, afogar as mágoas da derrota sofrida frente aos Lakers de Lebron James.

Philadelphia 76ers

Os 76ers finalmente adquiriram o base de elite em James Harden que todos acreditavam ser a peça que faltava para disputar o título. Agora a questão passa a ser a capacidade defesa e o tiro exterior.

A ida de Ben Simmons para os Nets prejudica bastante a organização defensiva da equipa e a perda de Seth Curry pode resultar numa redução significativa na eficácia da linha dos três pontos. Contudo, estes são aspetos que, talvez, se tornem irrelevantes, se Harden jogar a um nível All-NBA todas as noites.

Com a chegada de um antigo MVP, geralmente reconhecido como um dos melhores marcadores de sempre e um especialista em assistências, as estratégias no ataque deixam de ser um problema para os Sixers. Na verdade, até se transforma na força maior do franchise.

Para além disto, Tyrese Maxey passa a assumir o papel de fator surpresa nos playoffs, função esta que permitirá ao jogador evoluir sem sentir a pressão de ser o base titular de um candidato ao título, naquele que é somente o seu segundo ano enquanto profissional.

Sem embargo, as atenções centram-se nos 76ers. Juntar Harden a Joel Embiid, candidato a MVP e, provavelmente, o melhor big man da atualidade, torna os 76ers numa ameaça real para vencer tudo. Um Harden motivado pode carregar uma equipa às costas e tornará as coisas ainda mais fáceis para a Embiid.

Milwaukee Bucks

Os Bucks não estão tão dominantes quanto seria de esperar, mas é importante lembrar que foi numa situação idêntica que este conjunto alcançou o maior sucesso de todos na última temporada. Depois de anos marcados por fracassos constantes nos playoffs, Milwaukee sobreviveu ao desafio e conquistou o título da NBA, graças aos heroísmos de Giannis Antetokounmpo.

Os Bucks têm a 6.ª melhor classificação ofensiva da liga e a 12.ª melhor classificação defensiva, naquele que tem sido um pouco mais do espetáculo a solo de Antetokounmpo nesta temporada regular, algo que tem funcionado relativamente bem para a equipa de Mike Budenholzer. O duas vezes MVP está a proporcionar-nos outra temporada digna de honrarias, não estando só na linha da frente para confirmar o seu segundo título de melhor defensor da época desportiva, como também disputa com Embiid o seu primeiro troféu de  melhor marcador da liga.

Os Bucks não são perfeitos, longe disso. Mas a temporada passada mostrou que ninguém pode para Antetokounmpo e, às vezes, tudo o que uma equipa precisa é do seu melhor jogador em campo para vencer, quando mais importa.

No final do dia, os Bucks têm, indiscutivelmente, o jogador mais dominante do mundo em Giannis. Middleton é um verdadeiro assassino nos lançamentos de média distância (embora necessite de ser um marcador de pontos mais consistente) e Holiday, como se sabe, é a peste defensiva que reduz os melhores marcadores adversários a exibições pálidas e pouco eficazes.

Na condição de campeões em título, Milwaukee ainda vai muito a tempo de garantir um lugar no pódio da Conferência Este. Têm o benefício da dúvida por parte dos analistas e as esperanças dos adeptos, mesmo com a perda de Donte DiVincenzo para os Sacramento Kings.

Diogo Valente Vieira

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