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Uma das organizações mais duradouras da história da NBA, os Indiana Pacers são atualmente uma equipa longe dos seus tempos de glória. O conjunto de Indianapolis assumiu um processo de reconstrução durante a última temporada, depois da troca que enviou Domantas Sabonis para os Sacramento Kings.
Para além de alguns jogadores experientes que ainda podem vir a sair antes do fim do período de trocas, a equipa vai iniciar a temporada 2022-23 com um plantel composto por novatos e outros jovens atletas. Em destaque encontram-se Bennedict Mathurin, o extremo de 20 anos selecionado na 6ª posição do Draft, e Tyrese Haliburton, o base de 22 anos no qual recaem as esperanças da organização.
“They are completely convinced Tyrese Haliburton is a franchise building block.”@bkravitz and @talkhoops discuss the Pacers ahead of the 2022-23 season.https://t.co/c91nG7XsFQ pic.twitter.com/RkNmNLUf0X
— The Athletic NBA (@TheAthleticNBA) September 20, 2022
De facto, Haliburton confirmou as boas projeções para o seu futuro ao registar médias de 17.5 pontos, 9.6 assistências e 1.8 roubos de bola nos 28 jogos disputados por Indiana até agora. Ainda assim, tudo indica para que os Pacers sejam uma das equipas menos vitoriosas da Conferência Este, até mesmo em comparação com rivais como os Orlando Magic e os Detroit Pistons.
Com o título fora do alcance nos próximos tempos, talvez seja apropriado, então, relembrar a última vez que os Indiana Pacers pareciam uma organização em ascensão. Uma memóriaque, na verdade, não é muita longínqua.
Os Pacers de 2013-14, caracterizados por uma defesa de elite, espírito de equipa inquebrável e uma mistura de jovens promessas e líderes veteranos, pareciam bem posicionados para surpreender o mundo. Aparentemente do nada, os Pacers tornaram-se nos principais rivais e adversários dignos do maior jogador da sua geração, LeBron James, e de uma dinastia moderna da NBA, os Miami Heat.
“Midwestern Grit vs, South Beach swag” aparentava ser uma rivalidade que poderia moldar a Conferência Este nos anos seguintes. No entanto, ao invés de cumprir essa promessa, os Pacers desmoronaram perante o peso das expectativas, naquele que foi um colapso quase tão rápido quanto a sua ascensão.
Muitas pessoas lembram-se da perna partida de Paul George, e de como essa lesão grave teve um papel importante na morte de uma grande equipa. Os Pacers, contudo, mostraram sinais de ruptura muito antes da ausência da sua grande estrela.
Negócios aparentemente inofensivos por parte do GM Larry Bird – uma pequena troca aqui, uma pequena contratação ali – abalaram o psicológico das estrelas da equipa e talvez tenham contribuído para quebras imensuráveis nas suas exibições. Esta é a história do último período dourado dos Indiana Pacers.
Foto de Capa: NBA
CAPÍTULO 1: O ADEUS DE UMA LENDA
one of the greatest of all-time 🐐
congratulations to @ReggieMillerTNT on being named to the #NBA75 Anniversary Team! 💎 pic.twitter.com/Xnxnr8Ba90
— Indiana Pacers (@Pacers) October 21, 2021
Para se perceber verdadeiramente o quão inesperada foi a ascensão dos Pacers no início da última década, é necessário recuar no tempo até ao dia 19 de maio de 2005. No jogo 6 da segunda ronda dos playoffs, os Pacers foram incapazes de vingar a derrota frente aos Pistons nas finais da Conferência Este do ano anterior, perdendo desta feita a eliminatória contra Detroit por 4-2.
Mas mais do que um imprevisto lamentável no percurso da equipa, este duelo entre titãs da mesma conferência é sobretudo lembrado por ser a última partida oficial da carreira de Reggie Miller. Apesar dos seus 27 pontos marcados nesse derradeiro confronto com Detroit, o base retirou-se da NBA sem qualquer título de campeão, um desfecho cruel tendo em conta que Miller representou exclusivamente os Pacers durante os seus 18 anos como profissional.
Reggie was No. 51 on ESPN’s ranking of the #NBA75
agree or disagree? 🤔 pic.twitter.com/O5K9oPfhPc
— Indiana Pacers (@Pacers) February 22, 2022
A saída da maior lenda da história da organização iniciou um processo de transição, no qual Indiana regrediu de um candidato legítimo ao título para uma das equipas com menor percentagem de vitórias na temporadas seguintes. Embora os Pacers tivesssem marcado presença nos playoffs de 2006, a sua 14ª aparição em 15 anos, não conseguiram ultrapassar sequer a primeira eliminatória frente aos New Jersey Nets.
Já a época 2006-07 foi uma das piores da história da equipa. Os Pacers terminaram com um recorde de 35-47, incluindo uma série de 11 derrotas consecutivas após a paragem para o All-Star Game. As lesões de Jermaine O’Neal e Marquis Daniels; a falta de um suplente sólido para a posição de base; trocas a meio da temporada que comprometeram o estado de espírito dos jogadores; fracos esforços defensivos e a pior classificação ofensiva da NBA foram as principais razões para a ausência de Indiana dos playoffs pela primeira vez desde a temporada 1996-97.
Apesar de não terem ido aos playoffs em temporadas consecutivas pela primeira vez desde os anos 80, a temporada de 2007-08 exibiu muitos sinais de crescimento para os Pacers, nomeadamente, a afirmação de Danny Granger como a principal referência do plantel. Nessa época, Granger foi o melhor marcador da equipa com uma média de 19.6 pontos por jogo, chegando inclusive à marca dos 1,500 pontos marcados numa única temporada.
Em 2008-09, Granger tornou-se no primeiro jogador na história da NBA a aumentar a sua média de pontuação em pelo menos cinco pontos por jogo em três temporadas consecutivas, e o primeiro jogador de Indiana a ter uma média de mais de 25 pontos por jogo em mais de 30 anos. A sua média de 25.8 pontos foi suficiente para ser nomeado como Most Improved Player da NBA, para além de ser selecionado para o seu primeiro e único All-Star Game.
Danny Granger was so good before the injuries!
(Yes, that’s LeBron in the 1st clip) pic.twitter.com/XDPYIDSfao
— Ballislife.com (@Ballislife) April 22, 2020
Ainda assim, a ascensão meteórica da equipa ainda estava por se concretizar, uma vez que na temporada 2009-10 os Pacers falharam a participação nos playoffs pelo 4° ano seguido. Não obstante, o plantel mostrou sinais de vida perto do final da época ao vencer quase todos os seus últimos 14 jogos, um sinal positivo do que estava para vir.
CAPÍTULO 2: O INÍCIO DA ERA PAUL GEORGE
No Draft da NBA de 2010, os Pacers selecionaram Paul George na 10ª posição, um jogador que não só viria a defender as cores da equipa durante sete temporadas, como também se tornaria numa das maiores estrelas da liga nessa mesma década. Desta forma, a chegada do extremo de 2.03 m, juntamente com a vinda de Lance Stephenson na 40ª posição do Draft, simbolizou um ponto de viragem na história recente da organização.
Paul George joins Reggie Miller as only players in Pacers franchise history to make 200 3-pointers in single season. pic.twitter.com/xQdMuClUEj
— SportsCenter (@SportsCenter) April 3, 2016
A temporada 2010-11, apesar de tudo, teve um início conturbado para os Pacers. Nos cinco primeiros jogos realizados, a equipa obteve um registo negativo de 2 vitórias e 3 derrotas. Mais complicado ainda, a 30 de janeiro de 2011 os Pacers demitiram Jim O’Brien das suas funções de treinador e nomearam o assistente Frank Vogel como técnico interino.
Contudo, uma época que terminou com um recorde de 37-45, acabou também por marcar o regresso de Indiana à fase eliminar da NBA. Com uma vitória sobre os Washington Wizards a 6 de abril de 2011, os Pacers asseguraram uma vaga nos playoffs pela primeira vez desde 2006.
No entanto, uma derrota na primeira ronda contra o eventual MVP da liga, Derrick Rose, e os seus Chicago Bulls terminou a temporada de Indiana. Todavia, apesar de uma comparação desequilibrada em termos de recordes de vitórias e derrotas das duas equipas, três dos quatro desaires dos Pacers foram tangenciais, perdendo os jogos 1 a 3 por uma média de apenas cinco pontos.
Na sua primeira temporada regular como novato, George teve médias de 7.8 pontos, 3.7 ressaltos, 1.1 assistências, tendo sido titular em 19 dos seus 61 jogos. Nos playoffs de 2011, George foi um dos dois únicos estreantes do draft de 2010 a ser titular da sua equipa, além de Landry Fields dos New York Knicks.
Impulsionados pelas recentes exibições do plantel e satisfeito com o desenvolvimento da sua jovem promessa, Larry Bird, GM dos Pacers desde 2008-09, nomeou Vogel como treinador permanente a 7 de julho de 2011, adquirindo em seguida os serviços do base George Hill, dos San Antonio Spurs, na noite do draft de 2011.











