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Para os amantes do basquetebol americano, março é um dos meses mais esperados do ano. É o mês onde tudo pode acontecer e a altura do ano em que mais facilmente conseguimos encontrar um vidente aldrabão. São três semanas do melhor que o basquetebol universitário tem para oferecer, quando miúdos, de cujos nomes, ou grande parte deles, provavelmente nunca mais ouviremos falar, se tornam herói instantâneos em jogos absolutamente imprevisíveis. Muitos deles nunca chegarão à NBA, mas os dez nos quais nos concentramos neste artigo poderão muito bem lá chegar e não há melhor momento do que o terceiro mês de 2017 para convencerem os olheiros da NBA.
10 – Dillon Brooks (Oregon Ducks)

Brooks foi operado no verão e demorou até encontrar o seu ritmo, com a equipa de Oregon a ter bastantes problemas nessa altura. A partir do momento em que Brooks “engatou” os Ducks fizeram o mesmo… Eu não sou rapaz para acreditar em coincidências, e depois disto muito menos. Dillon Brooks é um extremo que consegue criar todo o tipo de problemas aos seus adversários. É demasiado rápido para os defesas mais pesados, demasiado forte para os mais leves e juntou à sua capacidade de penetração uma respeitável percentagem de 41,4% de lançamentos de três pontos. Se os Ducks quiserem chegar longe neste torneio terão sempre de contar com um super-Brooks, que é exatamente o que ele tem sido desde fevereiro.
9 – Malik Monk (Kentucky Wildcats)

Imaginem o vosso micro-ondas. Agora imaginem que esse mesmo micro-ondas só trabalhava quando lhe apetecia. Malik Monk é esse micro-ondas, em forma de pessoa. O base/extremo é de longe o melhor lançador e marcador de pontos da equipa de Kentucky e será a peça-chave num hipotético ataque ao título por parte de John Calipari e dos seus pupilos. Vamos colocar as coisas desta maneira: numa equipa que deu à NBA nomes como Anthony Davis, DeMarcus Cousins, Karl-Anthony Towns, John Wall ou Devin Booker, nunca se viu um jogador com tanta facilidade para marcar pontos como Malik Monk. O problema de Monk está na vontade de o fazer consistentemente. Ele que tanto vai dos 47 pontos aos North Carolina Tar Heels em dezembro como decide desistir de um treino depois de falhar seis lançamentos seguidos ainda na semana passada.
8 – Johnathan Motley (Baylor Bears)

Numa equipa que vale mais pelo seu todo do que pelo individual, Motley tornou-se na improvável face da equipa de Baylor. O extremo/poste vai no seu primeiro ano como um titular habitual, exibindo-se a um grande nível nos Bears, onde lidera em ressaltos (é um dos melhores nesse aspeto no país), tendo acrescentado ao seu bom jogo de poste o lançamento de meia-distância e uma melhor qualidade no ataque ao cesto. Os Bears não serão os favoritos a vencer o troféu, mas a agressividade de Motley e dos seus colegas não deixará a equipa de Baylor cair facilmente.
7 – Nigel Williams-Goss (Gonzaga Bulldogs)

Os Bulldogs têm, finalmente, uma equipa capaz de ir até ao fim e muito disso se deve a Williams-Goss. O base que Gonzaga foi buscar a Washington é exatamente o tipo de jogador de que a equipa sempre precisou, equipa essa que, por não o possuir, claudicava nos momentos-chave. Nigel Williams-Goss lidera a equipa em pontos e assistências, e consegue defender e alternar bem entre o ataque ao cesto e o tiro exterior (embora este último não seja o seu forte). A equipa de Gonzaga tem finalmente o seu general em campo e é muito provável que cheguem longe no March Madness: basta para isso que Williams-Goss cumpra as expetativas em si depositadas.
6 – Luke Kennard (Duke Blue Devils)

No início do ano, os analistas apontavam Duke como a super-equipa a derrotar, liderada por Grayson Allen, Amile Jefferson, Jayson Tatum e Harry Giles. Nenhum deles era Luke Kennard, que se esperava que fosse apenas mais um entre tantos em Duke. É verdade que Kennard havia batido o recorde de pontos de LeBron James no secundário no estado de Ohio e que era um All-American da sua geração. Porém, isso também eram outros oito jogadores dos Blue Devils. E entretanto, após uma época em que quase tudo correu mal a Duke, surge Kennard, um marcador de pontos que se tornou no melhor jogador da equipa, onde leva 20,1 pontos por jogo, com 50% de eficácia e ainda 44% da linha de triplo. O base/extremo Luke Kennard é a esperança maior de Mike Krzyzewski na luta pelo título, numa temporada em que devia ter tido a melhor equipa do país.
5 – Justin Jackson (North Carolina Tar Heels)

Da universidade que deu ao mundo Michael Jordan surge um extremo como tantos outros: Justin Jackson chegou à NCAA como um bom marcador de pontos, um dos melhores jogadores da sua geração e que rapidamente se estabeleceu como titular na sua equipa. Mas, como com tantos outros, faltava algo a Jackson, que, neste caso, era o lançamento exterior. Bem se pode dizer que, após dois anos regulares, o extremo dos Tar Heels está pronto para explodir. Jackson melhorou a sua percentagem de lançamento exterior de 29% para 37,7%, já concretizou mais triplos nesta temporada do que nas duas anteriores juntas e é, finalmente, o marcador de pontos que todos esperavam que fosse e que a equipa da Carolina do Norte tanto aguardava, para poder ser uma real ameaça na luta pelo título.
4 – Caleb Swanigan (Purdue Boilermakers)

Num ano onde encontramos maioritariamente jogadores exteriores no topo dos rankings, é bom encontrar um big man dominante. O “Power Forward” Caleb Swanigan é esse jogador, depois de ter liderado a liga em duplos-duplos (26). O poste de Purdue é a arma ofensiva da sua equipa, podendo facilmente jogar de costas para o cesto ou mesmo apostar no lançamento exterior, onde leva 43,1% de eficácia. Não há uma maneira fácil de parar o versátil Swanigan, que, embora tenha de melhorar do lado defensivo do campo, será claramente um dos nomes grandes deste torneio.
3 – Frank Mason III (Kansas Jayhawks)

Sabes que és bom, pelo menos nos Estados Unidos, quando começam a escrever músicas de rap com o teu nome. E adivinhem só: Frank Mason já tem a sua… O base de apenas 1,80m, que vai no seu quarto ano em Kansas e que um dia partilhou o balneário com Andrew Wiggins e Joel Embiid, vai sair dos Jayhawks como um dos preferidos dos adeptos e, provavelmente, como melhor jogador da NCAA nesta época. Os Jayhawks não são uma equipa tão boa como o seu recorde de 28-4 parece querer mostrar. Mas, quando possuis um base com tamanha facilidade em dominar a arte do bloqueio direto, que acerta em quase metade dos seus lançamentos triplos, lançando como e quando quer, e que é melhor do que todos os outros nos cinco minutos finais de jogo, ganhas uma vantagem considerável sobre a concorrência. E é isso mesmo que Frank Mason III oferece à equipa de Kansas.
2 – Josh Hart (Villanova Wildcats)

Desde os Florida Gators de Billy Donovan (agora treinador dos Thunder), em 2007, que nenhuma equipa vence o título da NCAA de forma consecutiva. Os Villanova Wildcats tentam quebrar esse jejum e têm em Josh Hart a sua mais poderosa arma. O extremo dos Wildcats enviou a sua equipa para a final do ano passado com um and-1 a nove segundos do fim (final que Villanova viria a vencer com um triplo em cima da buzina) e prepara-se para repetir a história este ano. Hart é o homem que qualquer equipa quer, um jogador que subiu os seus números ofensivos, que nunca lançou abaixo de 50% por época (para alguém que atirou mais de 500 vezes de três pontos em quatro anos, não é nada mau) e que, acima de tudo, defende mais do que os outros e nunca dá uma bola perdida. E é isso que o diferencia das outras estrelas e que o coloca numa excelente posição para levar os Wildcats, novamente, ao título.
1 – Lonzo Ball (UCLA Bruins)

Num ano em que o jogador que é projetado como número 1 no draft da NBA (Markelle Fultz) não se qualificou para a fase final do torneio, o previsível número dois é o jogador a ter em conta. Lonzo trouxe um basquetebol alegre a uma equipa que parecia perdida, com os Bruins a liderarem a liga em assistências por jogo, com o base a contribuir com 7,7 passes decisivos por partida. Para além disso, Ball tornou-se num excelente atirador, com 41% de eficácia em triplos em mais de cinco lançamentos por jogo. O base de UCLA é claramente um general em campo, numa equipa que joga rápido e com espaço mas que por vezes precisa de calma: algo que Ball traz. Os Bruins não são favoritos à vitória final, mas poderemos ter uma pequena introdução do jogo de Lonzo Ball antes da sua ida para a NBA.
Foto de Capa: South Florida Reporter











