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Aquela que é uma das competições mais seguidas no mundo inteiro começou há cerca de seis semanas. E, como tal, quero fazer aqui um briefing sobre a competição, analisando individualmente cada uma das equipas, referindo as principais revelações e desilusões e também as notícias que já marcaram os diversos franchises.
Fica aqui a breve análise vinda de alguém que começou a acompanhar activamente a NBA há pouco tempo.
Atlanta Hawks

Não há muito a dizer sobre esta equipa. Numa época em que os Hawks estão a construir uma equipa nova, o rookie Trae Young (5ª pick do draft) tem-se assumido como a principal figura do franchise, sendo uma das referências ofensivas da equipa (maior média de pontos e de assistências), juntamente com Kent Bazemore e Taurean Prince. Os postes Alex Len e Dewayne Dedmon têm-se afirmado como as principais referências no jogo interior, sendo os jogadores com maior média de ressaltos e mostrando uma boa solidez defensiva. Jeremy Lin e Vince Carter têm dado um bom contributo à equipa a partir do banco, enquanto John Collins também já tem mostrado a sua importância na equipa depois de recuperar de lesão.
O conjunto orientado por Lloyd Perce ainda só tem quatro vitórias, sendo uma época que tem estado a correr dentro do esperado para um franchise que está a estabelecer como prioridade a reconstrução da equipa e o crescimento dos seus jovens atletas.
Boston Celtics

Tendo em conta aquilo que se passou na offseason, pode-se dizer que os Boston Celtics são das maiores desilusões deste início de época. Depois de uma época de constante superação, o franchise mais titulado da NBA iniciou a nova temporada com expectativas bem elevadas. Com um plantel de grande profundidade e com Kyrie Ivring e Gordon Hayward já recuperados das lesões graves contraídas na época passada, muitos viam os Celtics como a equipa com mais argumentos para fazer frente aos Golden State Warriors.
No entanto, apesar de terem arrancado a NBA com uma vitória categórica sobre os Philadelphia 76ers, um adversário directo na Conferência, os trevos apresentam actualmente um registo de 10-10, que está muito longe de serem resultados dignos daqueles que eram vistos como os novos donos do Este.
Este início de época inconstante tem dado a entender que o treinador Brad Stevens, reconhecido pelos General Managers como o melhor treinador da NBA, tem tido dificuldades em trabalhar o colectivo da equipa, visto que não é fácil dividir o protagonismo por tantos craques. Apesar de possuírem uma das cinco melhores defesas da NBA, o seu desempenho no ataque tem ficado aquém das expectativas, onde os jogadores ainda não foram capazes de acompanhar o ritmo de Kyrie Irving.
Só o tempo dirá se Brad Stevens será capa de reunir as tropas e fazer com que as coisas entrem nos eixos.
Brooklyn Nets

Os adeptos dos Nets têm finalmente razões para encarar o futuro com optimismo. Depois de várias épocas a figurar entre as piores equipas da NBA, o franchise volta a ter uma equipa completiva.
O conjunto orientado por Kenny Atkinson possui um plantel profundo com uma espinha dorsal jovem, assente em jogadores como D’Angelo Russel (maior média de assistências), Jarrett Allen (maor média de ressaltos e dessarmos de lançamento), Caris LeVert (maior média de pontos e roubos de bola), Spencer Dinwiddie e Rondae Hollis-Jefferson; mas que também tem a sua dose de experiência com DeMarre Carroll, Jared Dudley, Shabazz Napier e Ed Davis.
Oito vitórias nos primeiros 21 jogos mostram um registo que promete claramente ser superior ao das épocas anteriores. A lesão de Caris LeVert, que era então visto como um candado a Most Improved Player, retirou alguma competitividade a esta equipa, mas o franchise mostra ainda ter condições para lutar por um dos últimos lugares de acesso ao play-off, o que por si só já seria uma surpresa.
Veremos agora como a equipa se irá adaptar à sua ausência, mas, aconteça o que acontecer, o conjunto nova-iorquino já mostrou que tem potencial para se tornar numa das boas surpresas desta época.
Charlotte Hornets

O proprietário do clube Michael Jordan passou a offseason a arrumar a casa. Mitch Kupiak tornou-se no novo General Manager, enquanto Steve Clifford foi substituído no comando técnico por James Borrego, que se estreia como treinador principal na NBA.
Para não variar, o shotting guard Kemba Walker tem carregado a equipa às costas, com maior destaque para os 60 pontos obtidos (máximo nesta época) na derrota contra os Sixters, contribuindo assim em grande parte para o facto dos Hornets terem dos melhores ataques da NBA. Na sua sombra, o veterano Tony Parker tem dado um grande contributo a partir do banco. O point guard Jeremy Lamb é um dos elementos mais activos na defesa, sendo o jogador com maior média de roubos de bola. Malik Monk tem tido mais minutos do que na época passada e está a ser dos jogadores que mais tem evoluído, enquanto o rookie Miles Bridges já se está a tornar numa opção válida na equipa de Wind City.
Por outro lado, a equipa não tem alguém que se assume como uma referência no jogo interior. Depois, o extremo francês Ncolas Batum nunca mais regressou ao seu melhor nível após uma lesão contraída na época passada e o seu rendimento actual não justifica os minutos que tem na quadra e muito menos o seu vencimento (é o segundo jogador da equipa com mais minutos, apenas atrás da estrela Kemba Walker e o jogador mais bem pago do plantel).
O registo de nove vitórias e dez derrotas mostra que os Charlotte Hornets estão na mesma linhagem que nas épocas anteriores, ou seja, não são bons o suficiente para se assumirem como verdadeiros candidatos ao play-off, mas também não suficientemente maus para obterem boas “trutas” no draft. Esta poderá ser a época do tira-teimas do conjunto da Carolina do Norte, pois será a época em que provavelmente o front office terá de escolher qual o rumo a tomar: se irá assumir-se como um candidato à postseason ou se irá entrar em rebuild e começar a construir uma nova equipa.
Chicago Bulls

Aquele que é um dos franchises com mais seguidores no mundo inteiro, entrou oficialmente em modo de reconstrução após a troca que levou a sua principal figura Jimmy Butler para os Minnesotta Timberwolves. E a verdade é que os Bulls têm sido até ao momento uma das equipas que está a fazer uma época menos conseguida na NBA, não pelos resultados, mas sim pelas lesões de Kris Dunn e Lauri Markkanen, prejudicando a evolução de ambos e do colectivo. Com a ausência das duas principais figuras da época passada e também de Bobby Portis, a falta de profundidade do plantel à disposição de Fred Hoiberg tem-se feito sentir, com alguns jogadores a mostrarem que não estão à altura das exigências.
O principal destaque vai claramente para Zach LaVine. O base que esteve envolvido no negócio com os Wolves tem-se exibido a um nível soberbo, com particular evidência no jogo contra os New York Knicks, onde atingiu um máximo de carreira de 41 pontos. Se se mantiver saudável ao longo da época, será um dos mais fortes candidatos ao prémio de Most Improved Player.
Outro jogador em destaque tem sido Jarabi Parker. O extremo recrutado aos Milwaukee Bucks tem relançado a carreira em Chicago, mostrando bons registos ofensivos. O rookie Wendell Carter Jr tem-se afirmado como a principal referência defensiva da equipa, sendo o jogador com maior média de ressaltos e desarmes de lançamento.
Jogadores como Antonio Blakeney e Ryan Arcidiacono têm aproveitado as lesões dos seus colegas para ganharem minutos de competição e mostrarem que podem ser opções válidas para os Bulls. O ponto fraco da equipa está na posição de center, onde tanto Robin Lopez como o brasileiro Cristiano Felício têm estado a ter desempenhos modestos, levando Fred Hoiberg a apostar várias vezes em Carter Jr.
As cinco vitórias obtidas até ao momento mostram que os Chicago Bulls estão apenas a fazer tanking, ou seja, estão a jogar mais para o draft do que para os resultados colectivos. O objectivo imediato do franchise passará mesmo por aí, por recolher novas pérolas e desenvolver os seus jovens.
Cleveland Cavaliers

O que é que se pode dizer dos vice-campeões da NBA? Com a saída de LeBron James, era mais que expectável que os Cavs tivessem uma significativa perda de competitividade. Mas também ninguém esperava que o início de época fosse tão horrível como tem estado a ser.
Sem se saber muto bem o que esperar do conjunto do Ohio, seis derrotas nos seis primeiros jogos ditaram o despedimento de Tyronn Lue, sendo este substituído pelo adjunto Larry Drew. Pouco depois, surgiu a primeira vitória contra os Atlanta Hawks, mas esta seria apenas uma gota de água no oceano. E como se os maus resultados não fossem suficiente, a nova referência da equipa Kevin Love lesionou-se, não podendo dar o seu contributo durante algumas semanas. Pouco depois, o atirador JR Smith pediu para ser trocado, acabando por jogar mais pelos Cavs até o front office encontrar uma solução para o seu futuro.
Apesar de tudo, tem havido alguns destaques positivos. Jordan Clarkson tem sido o principal destaque da equipa, sendo o jogador com maior média de pontos. O turco Cedi Osman aproveitou a saída de LeBron para assumir a titularidade e mostrar as suas qualidades, sendo até ao momento uma das revelações da temporada. O rookie Colin Sexton (8ª pick) também tem tido um início de época muito promissor.
Apesar do tormentoso início de época, a equipa obteve recentemente duas vitórias contra os Philadelphia 76ers e contra os Houston Rockets. Resta saber se isto é apenas um pico bom ou se será um sinal de que as coisas entrarem nos eixos. Se os maus resultados continuarem, isso poderá levar o front office a repensar a sua estratégia e a renovar a equipa. Renovação essa que, segundo muitos, será inevitável.
Detroit Pistons

A principal novidade dos Pistons durante a offseason foi a mudança no comando técnico da equipa, com Stan Van Gundy a ser substituído por Dwayne Casey. Aquele que foi considerado o treinador do ano na época passada ao serviço dos Toronto Raptors chega à Motor City com o objectivo de trazer resultados mediatos a um franchise que fez poucas alterações no plantel.
Após um bom começo na competição ao vencer os quatro primeiros jogos, as cinco derrotas subsequentes levaram Dwayne Casey a proceder a alterações no 5 inicial, com Stanley Johnson a ser substituído pelo reforço Glenn Robinson III, uma mudança que viria a surtir efeito. Actualmente a equipa possui um registo de 10-7, que mostra que os Pistons querem assumir-se como candidatos ao play-off.
O motor desta equipa tem sido Blake Griffin e Andre Drummond, que formam uma das duplas interiores mais dominantes do Este. Blake Griffin é o principal scorer da equipa, tendo feito 50 pontos no jogo contra os Sixters. Já Andre Drummond é um “monstro” na área pintada, tendo já feito números de 20-20 em sete jogos. Reggie Jackson e Reggie Bullock também formam uma dupla sólida no backcourt.
Os Detroit Pistons possuem um bom 5 inicial, mas também possuem um dos bancos mais fracos da NBA. Situação que fará com que os Pistons sejam candidatos à postseason, mas que ainda estejam alguns degraus abaixo das principais equipas da conferência.
Indiana Pacers

Os Indiana Pacers são daquelas equipas das quais pouco se fala e pouco se dá por elas. Mas o facto de terem sido uma das maiores surpresas da época passada, ao terem feito suar bastante LeBron James e companhia na primeira ronda do play-off, fez com que nesta época haja mais holofotes apontados para Indiana.
O principal destaque da temporada vai para a vitória sobre os Boston Celtics por 102-101, consumada com um triplo de Victor Oladipo já ao cair do pano. O Most Improved Player da época passada tem-se assumido como a estrela maior da equipa após a saída de Paul George em 2017. O reforço mais sonante da equipa Tyreke Evans tem dado um contributo à equipa a partir do banco, mas aquele que mais se tem assumido como um candidato a Sixth Man os the Yeah tem sido Domantas Sabonis. Mesmo a partir do banco, o lituano de 22 anos é o jogador com maior média de ressaltos e tem tido uma evolução notável, formando uma dupla interior bastante sólida com Myles Turner (jogador com maior média de desarmes de lançamento).
O conjunto orientado poe Nate McMillan possui um colectivo forte, com uma das melhores defedas da NBA e quer mostrar que são mais do que meros outsiders e as 11 vitórias nos primeiros 19 jogos vão ao encontro desse objectivo, mas a ambição dos Pacers não fica por aqui. Veremos se terão capacidade para surpreender ainda mais e afirmarem-se no top-4 da conferência.
Miami Heat

Desde a saída de LeBron James em 2014, os Miami Heat têm-se destacado por ser o franchise que faz omeletes sem ovos. Erik Spoelstra tem conseguido manter uma equipa competitiva graças a um colectivo forte e versátil, assente sobretudo na consistência defensiva. Com um conjunto praticamente inalterado em relação à época anterior, os Heat pretendem atingir a sua décima presença no play-off nos últimos 12 anos.
Josh Richardson e Goran Dragic foram um backcourt bastante sólido, enquanto o small forward Rodney McGruder tem evoluído de forma notável nesta temporada. Já Hassan Whiteside é um dos jogadores da NBA com maior média de ressaltos e desarmes de lançamento. Se não voltar a ter atritos com o treinador, será um candidato a Defensive Player of the Year. Para além disso, o banco ainda tem um conjunto de jogadores capazes de mostrar bastante utilidade, tais como Tyler Johnson, Wayne Ellington, Kelly Olynyk, Bam Adebayo ou Dwayne Wade, que cumpre a última época da sua carreira.
Porém, as lacunas da equipa também têm sido um sério obstáculo nos seus objectivos. Primeiro, os Heat têm vindo a ter dos piores ataques da NBA e a falta de uma estrela que se assuma como a referência ofensiva da equipa tem-se feito sentir na hora H. Depois, as lesões também têm sido um problema. Goram Dragic já falhou alguns jogos, James Johnson regressou recentemente e Dion Waiters tem estado afastado a época toda e ainda não tem definida uma data de regresso.
A streak de sete derrotas em nove jogos deixa o conjunto da Flórida numa situação delicada, que pode levar o front office a “sair das férias” e a mexer-se. Há uns tempos, eram vistos como os principais interessados na aquisição de Jimmy Butler, mas tais rumores não se concretizaram. Agora a imprensa aponta-os como um dos interessados na aquisição de Carmelo Anthony. Veremos o que o futuro reserva e se os Heat se assumem como verdadeiros candidatos ao play-off.
Milwaukee Bucks

Já se pode dizer que este é o ano dos Bucks? Ainda é cedo para responder a essa questão, mas a verdade é que os sinais mostrados neste início de época são muito positivos. Os Milwaukee Bucks têm se destacado por alguma instabilidade no franchise nos últimos anos. Mas o que é facto é que esta parece ser realmente a época em que os Bucks tomam de assalto a NBA.
14 vitórias em 19 jogos dão claramente a entender que os Bucks têm pretensões de chegar à final da Conferência Este, e que o poste Brook Lopez e o treinador Mike Budenholzer eram as peças que faltavam para que esta equipa pudesse brilhar com todo o seu esplendor, sob a liderança de Giannis Antetokounmpo, coadjuvado por Eric Bledsoe, Malcolm Brogdon e Kris Middelton. Já o banco, sem ter a mesma qualidade que o 5 titular, tem um conjunto de jogadores capazes de mostrar utilidade à equipa, tais como Pat Connaughton, Matthew Dellavedova e o rookie Donte DiVincenzo (17ª pick), que foi o MVP da Final Four da última NCAA.
Outro dos segredos deste grande início de época é a saúde e a estabilidade do grupo de trabalho. Do 5 inicial, Giannis falhou apenas um jogo e os restantes quatro elementos são totalistas, tal como o suplente Tony Snell. Porém, nem tudo são rosas para o departamento médico do franchise. O poste John Henson foi recentemente operado após uma lesão contraída na semana passada e enfrentará alguns meses de paragem.
Mas mais do que o sucesso colectivo que todos esperam desta equipa, muitos aguardam também pelas distinções individuais. Pelos números que tem vindo a ter, o Greek Freak afirmou-se como um candidato a MVP, enquanto o Coach Bud parece estar bem encaminhado para ganhar o seu segundo prémio de treinador do ano (ganhou o primeiro em 14/15 ao serviço dos Atlanta Hawks), quando no início todos apontavam que Brad Stevens fosse o candidato mais forte ao prémio.
New York Knicks

O início de época do conjunto nova-iorquino dá a entender que a toada mantém-se em relação às épocas anteriores. Apenas quatro vitórias nos primeiros 17 jogos voltam a colocar o conjunto da Big Apple entre as piores equipas da NBA, dando sinais de que poderão estar a fazer tanking.
A offseason ficou marcada pela contratação de David Fizdale para assumir o comando técnico da equipa. O treinador de 44 anos tem o objectivo de dar um rumo a uma equipa que possui um conjunto de jovens interessante, mas que tarda em afirmar-se devido às lesões e à instabilidade do grupo de trabalho. A grave lesão da sua principal estrela, Kristaps Porzingis, também é uma pedra no sapato de um franchise que anda perdido no tempo e no espaço.
Dentro da quadra, a equipa destaca-se por várias coisas, uma das quais a rotação “estranha” dos bases. Trey Burke, Allonzo Trier e Damyean Dotsan têm mostrado bons números no backcourt, Frank Ntilikina tem aproveitado a lesão de Courtney Lee para se afirmar como uma das referências defensivas da equipa, mas é curto em termos ofensivos. A principal referência ofensiva da equipa tem sido Tim Hardaway Jr., que finalmente tem confirmado o potencial que lhe era apontado na sua primeira estadia dos Knicks. A outra grande figura da equipa é o poste Enes Kanter, que, apesar de começar a maioria dos jogos no banco, alcançou o duplo-duplo em 14 dos 21 jogos que já disputou. Noah Vonleh assumiu o lugar de power forward no 5 inicial no lugar de Porzingis, tendo já chegado ao duplo-duplo por sete vezes. O reforço Mario Hezonja e os rokkies Kevin Knox (8ª pick) e Mitchell Robinson (36ª pick) também têm aproveitado os seus minutos de jogo.
Apesar de tudo, a equipa vem de uma streak de três vitórias consultadas, o que poderá ser um sinal de que o grupo está a estabilizar, mas ainda é cedo para tirar conclusões. Verdade seja dita, pior do que aquilo que têm feito nas últimas épocas é difícil. Uma recuperação do Unicórnio Letão a tempo de se decidir a época poderia dar alguma cor a uma maçã que ainda tem que amadurecer muito antes de conseguir lutar por alguma coisa. Resta esperar que os jovens evoluam e que consigam uma boa pick no draft de 2019.
Orlando Magic

Apesar de na época passada terem tido um arranque surpreendentemente positivo, os Magic voltaram a terminar a temporada como uma das piores equipas da NBA e as previsões para a nova temporada não eram mais optimistas. Isto porque o conjunto da Flórida atravessa um processo de reconstrução que se tem vindo a arrastar ano após ano por vários motivos. Primeiro as lesões e segundo o facto de haver demasiados jogadores nas posições interiores, o que fazia com que estes dividissem os minutos de jogo entre si, não tendo a competição necessária para evoluírem.
Apenas duas vitórias nos primeiros oito jogos faziam acreditar que esta época seria mais do mesmo. No entanto, seguiu-se uma sequência de oito vitórias em doze jogos que voltaram a colocar Orlando no mapa da NBA. E, apesar do que se sucedeu na época passada, há motivos para acreditar que desta vez não será sol de pouca dura.
O principal destaque da equipa tem sido a dupla interior formada por Aaron Gordon e Nikola Vucevic. O forward tem evoluído de ano para ano, tendo já se destacado nesta temporada por fazer um afundanço à Karl Malone. Já o poste suíço continua a mostrar ser um dos postes mais underrated da NBA, com uma média a rondar os 20-10. O rookie Mo Bamba (6ª pick) tem dado um bom contributo a partir do banco, sendo o jogador com maior média de desarmes de lançamento, enquanto Jonathan Isaac tem relançado a carreira após ter passado grande parte da sua temporada de rookie lesionado.
O backcourt era visto como o ponto fraco da equipa, mas nesta época parece mostrar sinais de evolução. D. J. Augustin tem aprimorado a sua capacidade de organização de jogo, sendo o jogador com maior média de assistências, formando uma boa dupla com Evan Fournier. Teerence Ross tem mostrado ser uma boa alternativa ao francês, mostrando boas percentagens de lançamento e depois de ter estado lesionado durante grande parte da última época.
O novo treinador Steve Clifford parece estar a conseguir fazer algo que não conseguiu em Charlotte: dar estabilidade a uma equipa e fazer evoluir jogadores. Mesmo que o final da época não seja tão surpreendente como o início, se os seus jovens evoluírem e se o técnico de 57 conseguiu arrumar a casa, já será uma época positiva para Orlando.
Philadelphia 76ers

Depois de vários anos a confiar no processo, eis que agora ele está prestes a ser concluído. Os Sxters foram a maior surpresa da NBA ao terminarem em terceiro lugar na Conferência, sendo eliminados nas meias-finais do play-off pelos Boston Celtics (4-1).
Estes resultados colocaram as expectativas mais altas do que nunca na equipa orientada por Brett Brown. E, nesta temporada, a equipa mostrou que veio para o pódio do Este para ficar. Joel Embiid está ainda mais dominante, tendo já feito o seu primeiro triplo-duplo na carreira na derrota em Orlando (19-10-13). Bem Simmons, Rookie of the Year na época passada, continua a sobressair na sua capacidade de organização e já fez dois triplos-duplos, apesar de ser dos jogadores mais visados devido às suas deficiências no lançamento.
O Wells Fargo Center tem-se revelado como uma autêntica fortaleza neste início de época, com a equipa a ter apenas uma derrota em casa até ao momento. Em contrapartida, os Sixters perderam até ao momento todos os seus jogos contra os adversários directos na Conferência (Celtics, Raptors e Bucks), o que poderá não ser um bom pronúncio para a postseason.
Mas, mais do que os resultados, os Philadelphia 76ers também se destacaram pelo seu negócio com os Minnesota Timberwolves, no qual trocaram Dario Saric, Robert Covington e Jerryd Bayless por Justin Patton e Jimmy Butler. Este negócio pode ser visto como uma faca de dois gumes. Se, por um lado, a equipa ganha um all-star que forma um Big 3 com Simmons e Embiid, por outro lado, as saídas de Saric e Covington retiram profundidade a um plantel que já era curto, sendo que a imprensa tem falado que o front office pretende ainda contratar um atirador para aumentar o arsenal da equipa.
As mudanças não ficam por aqui. O base Markelle Fultz iniciou a época no 5 titular, mas os seus desempenhos à quem do esperado relegaram-no para o banco em detrimento do experiente JJ Redick, que vinha a mostrar excelentes números vindo do banco. A primeira escolha do draft em 2017 tem tardado em confirmar o seu potencial devido às lesões e vai consultar um especialista em Nova Iorque para reavaliar o seu ombro, ficando afastado da competição por tempo indeterminado, com o próprio jogador a já ter feito um peido de troca, querendo mudar de ares para recomeçar do zero.
Apesar de tudo, há razões para acreditar que o conjunto da Philadelphia vai ser das equipas a seguir nos próximos anos.
Toronto Raptors

A offseason do conjunto canadiano ficou marcada por duas coisas. Primeiro, pelo despedimento do treinador Dwayne Casey. Apesar das cinco presenças na postseason em sete temporadas, o front office fartou-se de ver a equipa a ser o “bobo da corte” de LeBron James e companhia e despediu aquele que seria considerado o treinador do ano na época passada graças ao segundo melhor registo de sempre numa fase regular (59 vitórias e 23 derrotas). Segundo, pelo negócio com os San Antonio Spurs que enviou DeMar DeRozan e Jakob Poeltl para o Texas em troca com Danny Green e o candidato a MVP Kahwi Leonard.
A equipa agora orientada por Nick Nurse tem mostrado aquilo a que se espera dela, ou seja, que seja uma das equipas mais fortes do Este. Apenas quatro derrotas até ao momento mostram bem que os Raptors ambicionam estar no topo do Este. Mas desengane-se quem pensa que esta equipa gira à volta daquele que foi duas vezes DPOY Kahwi Leonard.
O base Kyle Lowry tem realizado a melhor época da sua carreira como playmaker, sendo o jogador com maior média de assistências da NBA, tendo feito um triplo-duplo contra os Atlanta Hawks, sendo bem complementado pelo atirador Danny Green no backcourt. Depois nas posições interiores, existe um lote de jogadores de caraterísticas diferentes, mas que são capazes de alternar entre si sem afectar o nível da equipa, tais como Serge Ibaka, Jonas Valanciunas, Pascal Siakam e OG Anunoby.
Esta variedade de soluções confere ao técnico Nick Nurse um conjunto de jogadores e de modelos bastante versátil e que pode variar consoante o adversário. Com isto, é de esperar que os canadianos estejam novamente entre as melhores equipas do Este. Mas, mais importante que isso, Nick Nurse tem de matar o borrego criado na era Dwayne Casey: que os Raptors não são uma “equipa de Fase Regular”.
Washington Wizards

Os Wizards no Este são como aquele “palhaço” numa turma da escola que tenta ser o centro das atenções a todo o custo.
Com um plantel que tem tanto de talentoso como de egocêntrico, o franchise pretendia subir a parada e melhorar a prestação da época passada, onde chegaram à primeira ronda do play-off, sem contarem com John Wall durante metade da época. Mas a verdade é que os resultados mostrados até ao momento estão longe desse objectivo.
Os all-star John Wall e Bredley Beal continuam a formar um dos backcourts mais explosivos da NBA (dentro e fora da quadra). O campeão olímpico Dwight Howard parece ser o center de que a equipa precisava e Kelly Obure Jr. tem evoluído de ano para ano, sendo o sixth man da equipa.
No entanto, o choque de egos na equipa atingiu proporções inimagináveis num balneário, no qual o treinador Scott Brooks já perdeu a mão. Os maus resultados e constantes conflitos no balneário levaram o General Manager Ernie Grunfeld a uma rara intervenção pública, anunciando que todo o plantel estava disponível para troca.
O resultado resume-se a apenas sete vitórias nos primeiros 19 jogos e a um barril de pólvora acabado de explodir. E, apesar do GM passar por estre os pingos da chuva desta confusão quando muitos acham que ele devia de ser a primeira cabeça a rolar, a reconstrução parece ser a única solução possível para o conjunto da capital.
Foto de Capa: Boston Celtics
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro









